Episódios do 25 de Novembro
Livro de Irene Pimentel documenta situações relevantes para a compreensão do processo
25 DE NOVEMBRO – O que há ainda por contar
Do 25 de Abril de 1974 ao 25 de Novembro de 1975 – Episódios menos conhecidos. Irene Flunser Pimentel
“Neste livro apresento uma análise pessoal de episódios ocorridos entre os anos finais da ditadura e o 25 de Novembro de 1975, com destaque para o que aconteceu à ex-polícia e para a ação dos EUA, França e Alemanha nesse período relativamente a Portugal” assim apresenta a autora uma obra particularmente relevante sobre o tema por recorrer a inúmeros documentos da época e a fontes e bibliografia particularmente diversificadas.
A parte inicial do livro serve para enquadrar os acontecimentos e os protagonistas dos principais processos abordados, o 25 de Abril, o 11 de Março, o PREC e o 25 de Novembro. Neste último a sucessão dos acontecimentos surge numa narrativa que poderia perfeitamente ser usada para guião de documentário ou de filme. Veja-se a título de exemplo a presença do suspense no enredo quando é referido o “mistério de Costa Martins” que “depois de ser perseguido por dois carros com indivíduos armados, fugira e, após se esconder em casa de amigos, sairia clandestinamente do país em janeiro de 1976”.
Os vários golpes
No livro os relatos são de natureza diversa, reportam sobre encontros, reuniões, iniciativas, movimentações entre os vários polos da geografia dos acontecimentos e fornecem, em algumas situações em discurso direto, o posicionamento dos principais dinamizadores dos conflitos e tensões dos últimos dias dias de novembro de 1975.
A tese que é destacada na parte mais analítica, cujo autor é o historiador César de Oliveira, remete para a ocorrência de vários golpes de Estado. O primeiro terá sido uma tentativa de “golpe militar da UDP, PRP/BR, do MES e da FSP. No seio deste desenvolveu-se “a própria estratégia do PCP no sentido de modificar a correlação de forças no plano militar e político, limitar e condicionar a capacidade de manobra e atuação da Constituinte e forçar a uma remodelação, a seu favor, do próprio VI Governo Provisório”.
No entender do autor este terá sido o “segundo 25 de Novembro, dirigido pelo PCP, MDP/CDE e pela Intersindical, que durante o 25 de novembro aguardaram o desenrolar dos acontecimentos”. Do outro lado – do contragolpe – terá havido também “duas tentativas claramente diversificadas” Uma foi liderada e dirigida pelo Grupo dos Nove no plano político-militar e por Ramalho Eanes e Gracia dos Santos no domínio puramente militar e na organização das indispensáveis transmissões. Outra tentativa foi desencadeada a partir dos militares spinolistas e de direita que pretendiam a repressão generalizada e a organização da revanche contra o processo político pós-25 de Abril e sobretudo pós-11 de março, como refere a autora do livro.
Terá realmente havido, tal como houve diversos “11 de Março”também vários “25 de novembro”? pergunta Irene Pimentel.
A direita e a extrema-direita
Queriam mais “muito mais do que os vencedores do Grupo dos Nove pretendiam e alcançaram. Desejavam a proibição dos partidos à esquerda do PS, como assinalou Vasco Lourenço, segundo o qual nem se perceberia por que motivo comemoram a extrema-direita e certa direita atualmente o “25 de Novembro”, uma vez que foram derrotadas em 1975, adianta-se ainda na obra da historiadora,
Um elemento adicional
A partir do período do PREC, Kissinger passou a desejar abandonar Portugal à sua própria sorte, utilizando a situação no país como uma espécie de “vacina” contra a influência comunista ocidental. Enquanto isso, Carlucci, o embaixador da CIA, conhecido por suas ações na África e no Brasil, defendia o apoio às forças anticomunistas. Este apontamento adicional, referido no livro, remete para o posicionamento dos Estados Unidos da América, matéria que terá sido relevante na forma como os acontecimentos do 25 de Novembro terão ocorrido.
Edição NSF – CVR
