22 de Janeiro, 2026

Portugal não é um país sem nós 

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Balanço da iniciativa  

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Sessão de apresentação do livro no Corte Inglês em Lisboa


por José Carlos Mota

O livro A Participação Cívica em Portugal, editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, tem como principal tese a ideia de que não existe um desinteresse ou uma apatia cívica estrutural em Portugal. Pelo contrário: quando as causas fazem sentido, os convites são sinceros e se vislumbram expectativas de mudança, as pessoas mobilizam-se e participam. 

Acontece que a participação não está ao alcance de todos. As vidas profissionais e familiares difíceis, sofridas e precárias, constituem um enorme obstáculo ao envolvimento cívico. Os temas, os convites e os métodos nem sempre são adequados aos diferentes grupos da sociedade. A desconfiança generalizada e certos estilos de poder também não ajudam. 

Os desafios sociodemográficos, económicos, climáticos e políticos que temos pela frente são gigantescos, num quadro complexo em que o regime democrático revela dificuldades em responder. A democracia participativa surge como um aliado importante – não resolve tudo, mas pode proteger, robustecer e inspirar. 

O ciclo de conversas “Portugal não é um país sem nós”, que já passou por Lisboa Coimbra, Braga, Aveiro, Faro e estará oportunamente no Porto-, pretende aprofundar esta reflexão e mobilizar vontades em torno de quatro linhas principais: 

Valorizar o capital de experiência participativa existente, reconhecendo que não podemos estar sempre a começar do zero. É fundamental divulgar e replicar as práticas acumuladas no poder local, no tecido associativo e cívico, e também no setor produtivo. 

Cuidar da esperança coletiva através do diálogo, da escuta ativa e de uma cultura de compromisso, materializada num conjunto de micro-utopias entendidas como “experiências coletivas e situadas, baseadas em interações sociais que oferecem vislumbres de formas de convivência alternativas no quotidiano”… “meios concretos de imaginar e prototipar modos de relacionamento e de vida diferentes”, como escreve Nicolas Bourriaud em Esthétique Relationnelle. 

Criar redes colaborativas mais eficazes que juntem cidadãos e organizações com o mesmo propósito, articulando iniciativas dispersas e voluntaristas que, embora valiosas, nem sempre alcançam a visibilidade e o impacto transformador que merecem. 

Instituir mecanismos financeiros de incentivo à participação cívica, que apoiem a capacitação, a mediação, a facilitação e a experimentação, valorizando o território — a cidade, o bairro e o espaço público — como verdadeiros laboratórios da democracia. 
 
 
Este ciclo de conversas visa, assim, reconhecer o que já foi construído, fortalecer o que está em curso e inspirar novas práticas de cidadania ativa. Porque Portugal não é, nem será, um país sem nós. 
 
  
 
Conclusões dos eventos  
 

  • a participação revelou-se, antes de tudo, um ato de esperança que precisa de ser cuidada através do diálogo, da escuta ativa e de uma cultura de compromisso;  
  • ficou claro que não começamos do zero, pois o país está repleto de iniciativas cívicas, associações, animadores comunitários e autarquias inovadoras cuja experiência deve ser valorizada e replicada; percebeu-se também que a escala certa do encontro – o bairro, a rua, a escola, as bibliotecas e os centros comunitários – é decisiva para tornar a participação quotidiana;  
  • ganhou força a necessidade de criar Casas da Participação, espaços acolhedores que promovam o diálogo, ativem redes e apoiem processos de decisão coletiva;  
  • e, finalmente, tornou-se evidente que a participação exige meios, desde mecanismos financeiros até recursos de capacitação, mediação e experimentação democrática, sem os quais as intenções não se convertem em práticas consistentes. 
     
      

Respigos do Livro 

TSF, 26/11 

“Portugal não pode ser o país do ódio.” Bairro Horta da Areia trabalha com comunidade cigana e tenta mudar mentalidades 

Reportagem de Maria Augusta Casaca 

Público, 23/11 

“Não encontro ferramenta mais poderosa do que o encontro cara a cara” José Carlos Mota 

RTP2 Sociedade Civil, 21/11  

“A participação cívica” com Roberto Falanga, José Carlos Mota   

Jornal do Algarve, 17/11 

Livro “A Participação Cívica em Portugal” apresentado em Faro 

Diário do Minho, 16/11 

“A participação é a arma do povo” Eduardo Jorge Madureira  

Podcast UA (descomplica), 11/11 

“A cidadania ativa salva a democracia?” com Filipe Teles e José Carlos Mota 

RadioRia, 10/11 

Aveiro discute participação cívica esta quarta-feira com base em livro de professor da UA 

Diário de Aveiro, 10/11 

Democracia: Sem cidadãos ativos “o risco de colapso é real” 

AveiroMag, 6/11 

“Portugal não é, nem será, um país sem nós” 

Jornal Barlavento, 3/11 

Livro sobre participação cívica apresentado no Bairro da Horta da Areia em Faro  

Sul Informação, 31/10 

Livro sobre participação cívica vai ser apresentado no bairro da Horta da Areia em Faro  

Campeão das Províncias, 30/10 

Apresentação em Coimbra do livro “Participação Cívica” 

Vida Económica, 24/10 

Da Participação Cívica, José Martino 

Antena 1 – Portugal em direto, 28/10  ciclo de conversas “Portugal não é um país sem nós” 

TSF, 6/10  

Fórum TSF 

Âmbito Cultural El Corte Inglês / FFMS, 2/10   

Vídeo da 1.ª sessão – Portugal: um país sem nós?,  

Rádio Renascença / FFMS, 23/9  

Podcast da Capa à Contracapa: Como aumentar a participação cívica? 

Notícias sobre iniciativas que emergiram ou surgiram durante este ciclo de encontros 

Foi iniciado um exercício exploratório de mapeamento de hubs/ centros cívicos em Portugal, organizações e espaços de reflexão e co-criação colaborativa de futuros, onde se experimentam novas formas de cidadania ativa, de relação entre instituições e comunidades, e de construção coletiva do bem comum.

A ideia é organizar um encontro entre estes protagonistas no próximo ano.

Se desejar colaborar, envie um email para: portugalnaoeumpaissemnos@gmail.com  

LINK

Por feliz coincidência, a Gulbenkian e Bissaya Barreto anunciaram que vão gerir um novo fundo dos EEA Grants 
 
  
PRÓXIMA SESSÃO NO PORTO

10 dezembro, 18:00 – Mira Forum, Porto 

Abel Coentrão jornalista (moderação) 

José Alberto Rio Fernandes Professor UP 

Inês Barbosa Investigadora UP 

Laura Sobral Arquiteta Urbanista e investigadora ISCTE 

José Carlos Mota Autor e Professor UA 


SESSÕES ANTERIORES
 
Programa 
 
1 outubro, 18:30 – Âmbito Cultural El corte inglês, Lisboa 

Miriam Alves jornalista (moderação) 

João Seixas Univ. NOVA 

Joana Pestana Lages ISCTE 

José Carlos Mota autor e Professor UA 
 
  
 
31 outubro, 17:00 – Casa da Cidadania, Coimbra 

Filipa Queirós jornalista (moderação) 

Giovanni Allegretti Investigador CES 

Ana Raquel Matos Professora FEUC 

Catarina Maia ativista Jardim Monte Formoso 

José Carlos Mota autor e Professor UA 
 
  
 
10 novembro 18:30 – Livraria Almedina, Braga 

Carolina Damas Locutora RUM (moderação) 

Eduardo Jorge Madureira Professor 

Luís Tarroso Gomes Advogado 

Marta Moreira Artista Multidisciplinar 

José Carlos Mota Autor e Professor UA 
 
  
 
12 de novembro, 18:30 – Casa Lourenço Peixinho, Aveiro 

Maria José Santana Jornalista (moderação) 

Artur Rosa Pires Professor Aposentado UA 

Pompílio Souto Arquiteto e Coordenador Plataforma Cidades 

Rui Macário Ribeiro Coordenador do Museu do Falso 

José Carlos Mota Autor e Professor UA 
 
  
 
24 novembro, 14:00 – Centro Comunitário Horta da Areia, Faro 

Susana Helena de Sousa «MUROS: Imaginamos a Eurorregião Alentejo, Algarve e Andaluzia» (moderação) 

Nelson Dias presidente da Associação OFICINA 

Vera Santos ativista 

David Martins líder comunitário 

David Fernandes coordenador do Centro Comuntário Horta da Areia, 

José Carlos Mota Autor e Professor UA 
 
  
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