Portugal não é um país sem nós
Balanço da iniciativa

Sessão de apresentação do livro no Corte Inglês em Lisboa

por José Carlos Mota
O livro A Participação Cívica em Portugal, editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, tem como principal tese a ideia de que não existe um desinteresse ou uma apatia cívica estrutural em Portugal. Pelo contrário: quando as causas fazem sentido, os convites são sinceros e se vislumbram expectativas de mudança, as pessoas mobilizam-se e participam.
Acontece que a participação não está ao alcance de todos. As vidas profissionais e familiares difíceis, sofridas e precárias, constituem um enorme obstáculo ao envolvimento cívico. Os temas, os convites e os métodos nem sempre são adequados aos diferentes grupos da sociedade. A desconfiança generalizada e certos estilos de poder também não ajudam.
Os desafios sociodemográficos, económicos, climáticos e políticos que temos pela frente são gigantescos, num quadro complexo em que o regime democrático revela dificuldades em responder. A democracia participativa surge como um aliado importante – não resolve tudo, mas pode proteger, robustecer e inspirar.
O ciclo de conversas “Portugal não é um país sem nós”, que já passou por Lisboa Coimbra, Braga, Aveiro, Faro e estará oportunamente no Porto-, pretende aprofundar esta reflexão e mobilizar vontades em torno de quatro linhas principais:
Valorizar o capital de experiência participativa existente, reconhecendo que não podemos estar sempre a começar do zero. É fundamental divulgar e replicar as práticas acumuladas no poder local, no tecido associativo e cívico, e também no setor produtivo.
Cuidar da esperança coletiva através do diálogo, da escuta ativa e de uma cultura de compromisso, materializada num conjunto de micro-utopias entendidas como “experiências coletivas e situadas, baseadas em interações sociais que oferecem vislumbres de formas de convivência alternativas no quotidiano”… “meios concretos de imaginar e prototipar modos de relacionamento e de vida diferentes”, como escreve Nicolas Bourriaud em Esthétique Relationnelle.
Criar redes colaborativas mais eficazes que juntem cidadãos e organizações com o mesmo propósito, articulando iniciativas dispersas e voluntaristas que, embora valiosas, nem sempre alcançam a visibilidade e o impacto transformador que merecem.
Instituir mecanismos financeiros de incentivo à participação cívica, que apoiem a capacitação, a mediação, a facilitação e a experimentação, valorizando o território — a cidade, o bairro e o espaço público — como verdadeiros laboratórios da democracia.
Este ciclo de conversas visa, assim, reconhecer o que já foi construído, fortalecer o que está em curso e inspirar novas práticas de cidadania ativa. Porque Portugal não é, nem será, um país sem nós.
Conclusões dos eventos
- a participação revelou-se, antes de tudo, um ato de esperança que precisa de ser cuidada através do diálogo, da escuta ativa e de uma cultura de compromisso;
- ficou claro que não começamos do zero, pois o país está repleto de iniciativas cívicas, associações, animadores comunitários e autarquias inovadoras cuja experiência deve ser valorizada e replicada; percebeu-se também que a escala certa do encontro – o bairro, a rua, a escola, as bibliotecas e os centros comunitários – é decisiva para tornar a participação quotidiana;
- ganhou força a necessidade de criar Casas da Participação, espaços acolhedores que promovam o diálogo, ativem redes e apoiem processos de decisão coletiva;
- e, finalmente, tornou-se evidente que a participação exige meios, desde mecanismos financeiros até recursos de capacitação, mediação e experimentação democrática, sem os quais as intenções não se convertem em práticas consistentes.
Respigos do Livro
TSF, 26/11
“Portugal não pode ser o país do ódio.” Bairro Horta da Areia trabalha com comunidade cigana e tenta mudar mentalidades
Reportagem de Maria Augusta Casaca
“Não encontro ferramenta mais poderosa do que o encontro cara a cara” José Carlos Mota
RTP2 Sociedade Civil, 21/11
“A participação cívica” com Roberto Falanga, José Carlos Mota
Jornal do Algarve, 17/11
Livro “A Participação Cívica em Portugal” apresentado em Faro
Diário do Minho, 16/11
“A participação é a arma do povo” Eduardo Jorge Madureira
Podcast UA (descomplica), 11/11
“A cidadania ativa salva a democracia?” com Filipe Teles e José Carlos Mota
RadioRia, 10/11
Aveiro discute participação cívica esta quarta-feira com base em livro de professor da UA
Diário de Aveiro, 10/11
Democracia: Sem cidadãos ativos “o risco de colapso é real”
AveiroMag, 6/11
“Portugal não é, nem será, um país sem nós”
Jornal Barlavento, 3/11
Livro sobre participação cívica apresentado no Bairro da Horta da Areia em Faro
Sul Informação, 31/10
Livro sobre participação cívica vai ser apresentado no bairro da Horta da Areia em Faro
Campeão das Províncias, 30/10
Apresentação em Coimbra do livro “Participação Cívica”
Vida Económica, 24/10
Da Participação Cívica, José Martino
Antena 1 – Portugal em direto, 28/10 ciclo de conversas “Portugal não é um país sem nós”
TSF, 6/10
Âmbito Cultural El Corte Inglês / FFMS, 2/10
Vídeo da 1.ª sessão – Portugal: um país sem nós?,
Rádio Renascença / FFMS, 23/9
Podcast da Capa à Contracapa: Como aumentar a participação cívica?
Notícias sobre iniciativas que emergiram ou surgiram durante este ciclo de encontros
Foi iniciado um exercício exploratório de mapeamento de hubs/ centros cívicos em Portugal, organizações e espaços de reflexão e co-criação colaborativa de futuros, onde se experimentam novas formas de cidadania ativa, de relação entre instituições e comunidades, e de construção coletiva do bem comum.
A ideia é organizar um encontro entre estes protagonistas no próximo ano.
Se desejar colaborar, envie um email para: portugalnaoeumpaissemnos@gmail.com

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PRÓXIMA SESSÃO NO PORTO
10 dezembro, 18:00 – Mira Forum, Porto
Abel Coentrão jornalista (moderação)
José Alberto Rio Fernandes Professor UP
Inês Barbosa Investigadora UP
Laura Sobral Arquiteta Urbanista e investigadora ISCTE
José Carlos Mota Autor e Professor UA
SESSÕES ANTERIORES
Programa
1 outubro, 18:30 – Âmbito Cultural El corte inglês, Lisboa
Miriam Alves jornalista (moderação)
João Seixas Univ. NOVA
Joana Pestana Lages ISCTE
José Carlos Mota autor e Professor UA
31 outubro, 17:00 – Casa da Cidadania, Coimbra
Filipa Queirós jornalista (moderação)
Giovanni Allegretti Investigador CES
Ana Raquel Matos Professora FEUC
Catarina Maia ativista Jardim Monte Formoso
José Carlos Mota autor e Professor UA
10 novembro 18:30 – Livraria Almedina, Braga
Carolina Damas Locutora RUM (moderação)
Eduardo Jorge Madureira Professor
Luís Tarroso Gomes Advogado
Marta Moreira Artista Multidisciplinar
José Carlos Mota Autor e Professor UA
12 de novembro, 18:30 – Casa Lourenço Peixinho, Aveiro
Maria José Santana Jornalista (moderação)
Artur Rosa Pires Professor Aposentado UA
Pompílio Souto Arquiteto e Coordenador Plataforma Cidades
Rui Macário Ribeiro Coordenador do Museu do Falso
José Carlos Mota Autor e Professor UA
24 novembro, 14:00 – Centro Comunitário Horta da Areia, Faro
Susana Helena de Sousa «MUROS: Imaginamos a Eurorregião Alentejo, Algarve e Andaluzia» (moderação)
Nelson Dias presidente da Associação OFICINA
Vera Santos ativista
David Martins líder comunitário
David Fernandes coordenador do Centro Comuntário Horta da Areia,
José Carlos Mota Autor e Professor UA
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