{"id":3737,"date":"2021-07-18T20:45:21","date_gmt":"2021-07-18T20:45:21","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?page_id=3737"},"modified":"2021-07-18T20:45:21","modified_gmt":"2021-07-18T20:45:21","slug":"o-teatro-como-testemunho-das-migracoes-portuguesas-exilios-61-74","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/o-teatro-como-testemunho-das-migracoes-portuguesas-exilios-61-74\/","title":{"rendered":"O TEATRO COMO TESTEMUNHO DAS MIGRA\u00c7\u00d5ES PORTUGUESAS &#8211; EX\u00cdLIO(S) 61-74"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Texto na sua vers\u00e3o integral | Foi publicado no SEM FRONTEIRAS em 3 partes para maior facilidade de leitura e ilustra\u00e7\u00e3o, visando uma abordagem mais adequada \u00e0 leitura online. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>de Ricardo Correia<\/p>\n\n\n\n<p>10 de maio de 2021<\/p>\n\n\n\n<ul><li>\u201cA hist\u00f3ria \u00e9 como um mito, como um espelho onde se pode ler aquilo que foi o passado e aquilo que nos espera\u201d Eduardo Louren\u00e7o<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Em 2017 escrevi a pe\u00e7a de teatro <em>Ex\u00edlio(s) 61 -74<\/em>, estreada numa produ\u00e7\u00e3o da Casa da Esquina, estrutura de cria\u00e7\u00e3o e programa\u00e7\u00e3o sedeada em Coimbra, que dirijo artisticamente desde 2008. Para a constru\u00e7\u00e3o dessa pe\u00e7a recolhemos testemunhos de quem tinha sa\u00eddo de Portugal entre 1961 a 1974 como: Emigrante, Desertor, Refugiado, Refrat\u00e1rio, Exilado. E deparamo-nos com um caminho que nos levou a investigar a fuga como um gesto de protesto e de recusa \u00e0 Guerra Colonial e ao Fascismo. Um mecanismo de luta, portanto. Tal como a pe\u00e7a <em>Os Hor\u00e1cios e Curi\u00e1cios<\/em> de Bertolt Brecht, a fuga como uma estrat\u00e9gia para ganhar f\u00f4lego e cansar o inimigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esta pe\u00e7a tent\u00e1mos reconstruir essa mem\u00f3ria e os seus mecanismos para compreender o presente, os v\u00e1rios ciclos de migra\u00e7\u00f5es portuguesas. Mas esta pe\u00e7a s\u00f3 chegou num segundo momento, para falar dela, tenho de recuar uns anos a uma pe\u00e7a que documenta uma migra\u00e7\u00e3o portuguesa mais recente.<\/p>\n\n\n\n<p>1| ORIGEM<\/p>\n\n\n\n<p>Para mim tudo come\u00e7ou com a pe\u00e7a <em>O Meu Pa\u00eds \u00e9 o Que O Mar N\u00e3o Quer<\/em> que nasceu da minha estadia em Londres em 2013. A constru\u00e7\u00e3o partiu do meu relato autobiogr\u00e1fico, como testemunha dessa vaga de emigra\u00e7\u00e3o qualificada entre 2011-2015, recorrendo aos testemunhos de emigrantes qualificados, bem como a documentos (fotos, emails, estat\u00edsticas, cartas, not\u00edcias de jornais, etc.) e evid\u00eancias desse acontecimento.&nbsp; Nesta pe\u00e7a \/ espet\u00e1culo (designo-a assim pois no meu caso escrevo \u2013 quase &#8211; sempre para um espet\u00e1culo que vou levar \u00e0 cena, i.e., a escrita e a cena nascem e crescem, quase sempre, de m\u00e3os dadas) desenvolvi uma investiga\u00e7\u00e3o sobre as raz\u00f5es da sa\u00edda de Portugal da minha gera\u00e7\u00e3o. Foram os anos sombrios e austeros da <em>Troika<\/em> em Portugal. Eu sa\u00ed como muitos outros, mas n\u00e3o tinha desistido de Portugal. Procurei compreender quais os mecanismos para lutar l\u00e1 fora sem me desligar do meu Pa\u00eds de origem. Era uma pe\u00e7a \/ espet\u00e1culo sobre a hist\u00f3ria de uma gera\u00e7\u00e3o que se perguntava se devia mudar o pa\u00eds ou mudar de pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esta quest\u00e3o n\u00e3o era nova para os portugueses. O Salto portugu\u00eas nos anos 60\/70 estava bem documentado (sobretudo o econ\u00f3mico). E confirmei, no espet\u00e1culo <em>O Meu pa\u00eds \u00e9 o Que o Mar N\u00e3o Quer<\/em>, que essa foi uma realidade muito dura para os portugueses. Durante esse espet\u00e1culo, numa das cenas perguntava diretamente ao p\u00fablico: Algu\u00e9m passou pela experi\u00eancia da emigra\u00e7\u00e3o? Que raz\u00f5es o levou a sair do pa\u00eds? &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ouvia as diferentes respostas e depois convidava duas pessoas a subir a palco para contar a sua hist\u00f3ria. Todos os espet\u00e1culos tivemos pessoas que tinham passado pela essa experi\u00eancia (muitos devido \u00e0 austeridade nos anos da TROIKA entre 2011-2015 e outros sa\u00eddos nos anos 60 por motivos econ\u00f3micos e alguns por motivos pol\u00edticos).<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a digress\u00e3o <em>O Meu pa\u00eds \u00e9 o Que o Mar N\u00e3o Quer <\/em>em Lisboa no Teatro Meridional, duas pessoas, entre outras, levantaram o bra\u00e7o. Eram o Rui Horta (Core\u00f3grafo e programador) e a Eug\u00e9nia Vasques (Docente e investigadora teatral). Duas pessoas que muito admiro. Convidei-os para o palco. Ambos me contaram a sua experi\u00eancia. O Rui contou a sua passagem por Nova Iorque, onde criou atrav\u00e9s da sua resid\u00eancia uma plataforma de circula\u00e7\u00e3o de criadores portugueses. A Eug\u00e9nia, (minha professora na Escola Superior de Teatro e Cinema) contou-me da sua fuga para Paris, com o namorado em 69, consequ\u00eancia das a\u00e7\u00f5es na crise acad\u00e9mica em Coimbra. Foi neste momento que decidi investigar essa mem\u00f3ria, esse ciclo migrat\u00f3rio, para saber quem somos, como chegamos at\u00e9 aqui e como isso influencia o que ainda poderemos vir a ser.<\/p>\n\n\n\n<p>As duas pe\u00e7as convocam dois momentos diferentes um entre 2011 e 2015 em que viv\u00edamos numa Democracia, mas muito condicionada pelos ditames financeiros impostos aos pa\u00edses do sul da Europa, e outro momento anterior, que durou o per\u00edodo da Guerra Colonial portuguesa de 1961 a 1974 em plena ditadura. O dramaturgo e encenador H\u00e9lder Costa um dos entrevistados para a pe\u00e7a <em>Ex\u00edlio(s) 61 -74 <\/em>sintetizou as nossas diferentes migra\u00e7\u00f5es: \u201ceu n\u00e3o estive exilado, eu obedeci ao programa Erasmus Salazar. Olha, e a tua gera\u00e7\u00e3o foi no programa Erasmus Passos.\u201d (2019, p.116)<\/p>\n\n\n\n<p>Estas pe\u00e7as-documentos podem-se enquadrar na denominada dramaturgia do real. Obviamente que, em tempos conturbados, onde a dissemina\u00e7\u00e3o de <em>fake news,<\/em> factos alternativos, ficcionados, leva ao ressurgir de um olhar sobre o teatro documental devido \u00e0 necessidade de nos agarrar aos factos, evid\u00eancias num mundo global e de incertezas, tal como refere a investigadora teatral, Carol Martin, em <em>Dramaturgy of the Real in the World Stage<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<p>It\u00b4s no accident that this kind of theatre [documentary theatre] has reemerged during a period of international crises of war, religion, government, truth, and information. Governments `spins\u00b4 the facts in order to tell stories. Theatre spins them right back in order to tell different stories. (2010, p. 23).<\/p>\n\n\n\n<p>Em ambas recorri \u00e0 ideia do arquivo como um gesto; a recolha de testemunhos e uso da hist\u00f3ria subjetiva como contraponto \u00e0 Hist\u00f3ria oficial e ao ator como fiel deposit\u00e1rio das mem\u00f3rias de outros. Ao usar testemunhos procurava criar uma mir\u00edade de pontos de vista, alguns conflituantes, sobre temas transgeracionais que marcam a identidade portuguesa e ao analisar os movimentos hist\u00f3ricos dessas tem\u00e1ticas questionar como o passado podia, ou n\u00e3o, influenciar o nosso futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Como ponto de partida de <em>Ex\u00edlio(s) 61 -74 <\/em>lidei com as seguintes quest\u00f5es: O que leva a algu\u00e9m sair do seu Pa\u00eds? Como se luta l\u00e1 fora quando n\u00e3o nos deixam viver no nosso Pa\u00eds? Como se pode perdoar a quem nos deixou sem outra sa\u00edda? Qual a raz\u00e3o de n\u00e3o falarmos abertamente da recusa \u00e0 Guerra Colonial? Porque \u00e9 que enterramos a mem\u00f3ria no cimento armado dos condom\u00ednios privados ou futuros hot\u00e9is em antigas pris\u00f5es pol\u00edticas?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2| O PROCESSO DE CRIA\u00c7\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisa de material e condu\u00e7\u00e3o de entrevistas.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho iniciou-se com a pesquisa de material. Num ato de investigar e documentar o tema como processo de investiga\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de mero registo do real. Voltei \u00e0 casa de partida. Conduzi uma entrevista com a professora Eug\u00e9nia Vasques, que me indicou o seguinte entrevistado, o H\u00e9lder Costa. Depois, durante a pesquisa, entrei em contacto com a associa\u00e7\u00e3o dos Exilados Pol\u00edticos Portugueses 61\/74 (AEP61\/74), e entrevistei o Jos\u00e9 Torres, Fernando Cardoso, Rui Mota e o Fernando Cardeira. Todas as entrevistas foram registadas sonoramente.<\/p>\n\n\n\n<p>Iniciei sozinho o processo por n\u00e3o existirem garantias de financiamento de levar a cena o projeto. Mas durante o per\u00edodo de investiga\u00e7\u00e3o conseguimos fixar a equipa art\u00edstica<a href=\"#_edn1\">[i]<\/a> e garantir a coprodu\u00e7\u00e3o do TAGV e a participa\u00e7\u00e3o no festival \u201cOutras vozes, Outras Gentes\u201d da Cooperativa Hermes com v\u00e1rios espet\u00e1culos. Fic\u00e1mos com cinco semanas de trabalho at\u00e9 \u00e0 estreia<a href=\"#_edn2\">[ii]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do tempo de trabalho ser m\u00ednimo, decidimos (uso a 3\u00aa pessoa do plural para dar conta do processo colaborativo) avan\u00e7ar e tornar o processo de pesquisa o mais participado por toda a equipa. Assim fomos em conjunto visitar a antiga Pris\u00e3o de Peniche, o Museu do Aljube, o Centro de Documenta\u00e7\u00e3o 25 de abril, e ao longo do processo consultamos v\u00e1rios materiais de apoio<a href=\"#_edn3\">[iii]<\/a>. E, claro voltamos \u00e0s entrevistas que eu j\u00e1 tinha realizado. Por\u00e9m t\u00ednhamos consci\u00eancia que ainda nos faltavam \u00e2ngulos sobre a tem\u00e1tica e por isso decidimos conduzir mais entrevistas e transcrev\u00ea-las.<\/p>\n\n\n\n<p>Entrevist\u00e1mos os historiadores Rui Bebiano e Miguel Cardina que nos enquadraram historicamente este per\u00edodo. E entrevist\u00e1mos militantes do PCP, o Adelino Silva e a Tila Cascais, e por fim, o cidad\u00e3o Jos\u00e9 Dias. Haveria muitos mais ainda para entrevistar, o condicionalismo do tempo de cria\u00e7\u00e3o levou-nos a encerrar esta fase.<\/p>\n\n\n\n<p>3| EDI\u00c7\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p>Foi nesta fase que nos confrontamos com quest\u00f5es de autoria, apropria\u00e7\u00e3o e autenticidade. Numa primeira tarefa, coube aos atores transcrever uma ou duas entrevistas e funcionar como um fiel deposit\u00e1rio desse testemunho. A apropria\u00e7\u00e3o foi feita atrav\u00e9s desse ato de transcri\u00e7\u00e3o. Um ato de tradu\u00e7\u00e3o dos ritmos, das pausas, da cad\u00eancia de cada entrevistado para a p\u00e1gina do papel. De apropria\u00e7\u00e3o da sua hist\u00f3ria de vida e dos seus pensamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A tarefa de edi\u00e7\u00e3o dos testemunhos cabia-me a mim, e seria nesse confronto com o material transcrito que iria originar um olhar sobre o tema. A reescrita \u00e9 autoria. Como refere Jo\u00e3o Maria Andr\u00e9 sobre esta pe\u00e7a \u201cO trabalho de um escritor e de um encenador de teatro documental \u00e9 um trabalho de curadoria: curador da mem\u00f3ria, do tempo, do sil\u00eancio e do grito suspenso no rosto dilu\u00eddo da Hist\u00f3ria\u201d (2019, p.173). Entendo a edi\u00e7\u00e3o como um ato de autoria. Pois em cada momento tenho de fazer escolhas. Decis\u00f5es sobre o material. O que fica? O que sai? Como manter a fidelidade do testemunho e condens\u00e1-lo em 3 minutos? E este trabalho \u00e9 mais pr\u00f3ximo do teatro ficcional do que pode parecer. Tal como refere Carol Marti em <em>Dramaturgy of the Real in the World Stage<\/em>: \u201cDocumentary theatre creates its own aesthetic imaginaries while claiming a special factual legitimacy.\u201d (2010, p.18)<\/p>\n\n\n\n<p>Deste modo, a autenticidade resulta do confronto entre a fidelidade dos testemunhos com o processo de sele\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o desse material numa forma dram\u00e1tica suficientemente articulada que permita que o texto seja mais do que uma colagem de testemunhos ou uma exposi\u00e7\u00e3o de estat\u00edsticas e factos. Da\u00ed que em <em>Ex\u00edlio(s) 61-74<\/em> tentei estruturar o texto de forma fractal, com v\u00e1rias dimens\u00f5es e pontos de vista sobre o tema, para que na sua devolu\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade (as pessoas que deram o seu testemunho) se sentissem identificadas e representadas. Como refere Robin Soans,<\/p>\n\n\n\n<p>Never forget it\u00b4s someone\u00b4s life (..) But do i ever cheat? Is there a tension between being truthful to the interviewees and creating something that i know is going to work theatrically? The answer is yes \u2013 but not a lot(2008, p. 41)<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, usar as vozes dos entrevistados, ainda que de forma editada permitia a democratiza\u00e7\u00e3o dessas narrativas, mais marginalizadas, sobre o tema e concorria para um olhar do fen\u00f3meno da emigra\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de uma po\u00e9tica do quotidiano. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste processo de edi\u00e7\u00e3o comecei a usar o coro cruzando a hist\u00f3ria subjetiva (micronarrativas) com a linha do tempo da hist\u00f3ria oficial para avan\u00e7ar a cronologia da sa\u00edda de Portugal. Quase sempre tendo como destino Paris.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isto tudo, v\u00e1rias quest\u00f5es de \u00e9tica contaminam este processo: &nbsp;Como editar os testemunhos e usar a voz de outra pessoa no espet\u00e1culo? Que tipo de representa\u00e7\u00e3o exige um projeto desta natureza? Quais as expectativas das pessoas entrevistadas a ver o espet\u00e1culo?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 4| DO TEXTO \u00c0 CENA<\/p>\n\n\n\n<p>O Ator como fiel deposit\u00e1rio dos testemunhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por norma, tentei atribuir cada testemunho a um dos atores que tinha ouvido a entrevista e transcrito a mesma. O trabalho do ator foi entendido como um ve\u00edculo das palavras das pessoas que nos testemunharam a sua experi\u00eancia de vida. O trabalho do ator foi sempre descobrir o ritmo, timbre e d\u00e9bito do testemunho e com isso, apresentar em vez de representar a pessoa. Decidimos para tornar mais transparente o ato de montagem, contar a nossa experi\u00eancia de constru\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo e rela\u00e7\u00e3o com os testemunhos e sua apropria\u00e7\u00e3o. Questionando sempre, como indica o t\u00edtulo da cena de abertura. T\u00edtulo roubado a uma can\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Godinho: <em>Pode algu\u00e9m, ser quem n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A mesa como espa\u00e7o de media\u00e7\u00e3o entre o arquivo e a cena.<\/p>\n\n\n\n<p>No espet\u00e1culo us\u00e1mos uma mesa, com uma c\u00e2mara que captava em tempo real as provas de modo a aferir a veracidade das hist\u00f3rias, criando um pacto de credibilidade com o p\u00fablico sobre a autenticidade desse material. O facto de manipularmos esse material \u00e0 vista do p\u00fablico permitia tornar menos opaco o nosso ato de montagem. &nbsp;Assim ao manipular, \u00e0 vista do p\u00fablico, estes documentos procur\u00e1mos perform\u00e1-los de forma h\u00edbrida, ou seja, us\u00e1-los como evid\u00eancias do real, atestando a veracidade do que era dito, mas tamb\u00e9m como um espa\u00e7o ficcional que lan\u00e7asse um olhar art\u00edstico e est\u00e9tico sobre os factos. Usamos mapas do salto, livros censurados \u00e0 \u00e9poca, fotografias e documenta\u00e7\u00e3o da fuga, not\u00edcias da imprensa da \u00e9poca, passaportes, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>5| A RECE\u00c7\u00c3O E O ARQUIVO COMO ATO DE TESTEMUNHO<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta experi\u00eancia teatral permitiu, ao p\u00fablico conhecer estes testemunhos, lan\u00e7ando sobre eles uma nova luz, e com isso criar um ato de partilha de mem\u00f3ria que foi revelada a cada espet\u00e1culo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, estas pe\u00e7as O<em> Meu Pa\u00eds \u00e9 o Que o Mar N\u00e3o Quer<\/em> e <em>Ex\u00edlio(s) 61-74<\/em> testemunhos das migra\u00e7\u00f5es portuguesas foram devolvidos ao arquivo, desta feita em forma de livro, com o t\u00edtulo <em>O meu pa\u00eds \u00e9 o que o mar n\u00e3o quer e outros pe\u00e7as,<\/em> editado pela Imprensa da Universidade de Coimbra, na cole\u00e7\u00e3o Dramaturgo em 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A pe\u00e7a <em>Ex\u00edlio[s] 61-74<\/em> est\u00e1 tamb\u00e9m editada em Fran\u00e7a com edi\u00e7\u00e3o bilingue pela editora <em>Les Presses universitaires du Midi<\/em> da Universidade de Toulouse &#8211; Jean-Jaur\u00e8s (UT2J) da antologia <em>Fronti\u00e8re<\/em>s da Colec\u00e7\u00e3o <em>Nouvelles Sc\u00e8nes<\/em>, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Saliento a cren\u00e7a que o arquivo ao ser consultado \u00e9 poss\u00edvel acion\u00e1-lo, da\u00ed ser um novo ato de testemunho e de transmiss\u00e3o de mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 6| O REGRESSO DO ARQUIVO &#8211; Leitura encenada online de <em>Ex\u00edlio(s) 61 -74<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2020, a Casa da Esquina, integra o projeto #Ecos<a href=\"#_edn4\">[iv]<\/a> com a pe\u00e7a<em> Ex\u00edlio(s) 61 -74.<\/em> Al\u00e9m das sess\u00f5es preparat\u00f3rias do projeto e da participa\u00e7\u00e3o numa sess\u00e3o na escola art\u00edstica Ant\u00f3nio Arroio, o trabalho da Casa da Esquina ficou suspenso devido \u00e0 pandemia. No entanto, em 2021 avan\u00e7amos com tr\u00eas sess\u00f5es de leitura encenada online. Em ambas tivemos grupos muito heterog\u00e9neos. Algumas pessoas ligadas \u00e0 pr\u00e1tica do teatro (docentes, ex-alunos e alunos), investigador sociais, antigos exilados e desertores da associa\u00e7\u00e3o AEP-61-74, bem como alunos franceses, que tinha a l\u00edngua portuguesa como l\u00edngua estrangeira, e membros da associa\u00e7\u00e3o Mem\u00f3ria Viva. Num conjunto de v\u00e1rias nacionalidades: portugueses, franceses, brasileiros e haitianos.<\/p>\n\n\n\n<p>Abro as portas do processo da leitura online.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma\u00e7\u00e3o decorreu em cada edi\u00e7\u00e3o durante tr\u00eas dias, num per\u00edodo total de 6 horas. Num primeiro momento os formandos recebem a pe\u00e7a <em>Ex\u00edlio(s) 61 -74 <\/em>previamente para ler.<\/p>\n\n\n\n<p>[1\u00ba dia]<\/p>\n\n\n\n<p>Na primeira sess\u00e3o, est\u00e1 sempre presente a S\u00f3nia Ferreira, que coordena o projeto ECOS e o Z\u00e9 Duarte que d\u00e1 apoio t\u00e9cnico e de produ\u00e7\u00e3o ao projeto. Feitas as introdu\u00e7\u00f5es come\u00e7o por fazer uma contextualiza\u00e7\u00e3o do processo de escrita da pe\u00e7a <em>Ex\u00edlio(s) 61 -74<\/em>&#8211; a recolha de testemunhos; as transcri\u00e7\u00f5es, o trabalho com o arquivo (sobretudo de antigos exilados e do centro de documenta\u00e7\u00e3o 25abril); e ainda a ponte entre o texto e a cena e como pode ser mediado o testemunho e a cena. Exponho o trabalho de invisibilidade requerida aos atores para ativarem estes testemunhos, como documentos que vivem pelo seu corpo; O trabalho de edi\u00e7\u00e3o do texto. E, discuto algumas das quest\u00f5es que se levantam num trabalho documental baseado em testemunhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois come\u00e7o por explicar cena a cena, e esclarecer d\u00favidas que surjam no texto. Depois distribuo \u2013 de forma provis\u00f3ria- intuitivamente, alocando cada pessoa a cada voz. A dificuldade do online \u00e9 trabalhar a parte coral. Pois torna-se imposs\u00edvel realizar essa tarefa via <em>zoom<\/em>, pois as falas chegam em tempos diferentes, n\u00e3o h\u00e1 sincronismo. Por isso como proposta coloco o coro de vozes, que fazem avan\u00e7ar a Hist\u00f3ria, repartido por todos eles, e n\u00e3o de forma s\u00edncrona como no espet\u00e1culo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na parte coral investi num trabalho que tinha feito com os meus atores &#8211; <em>actioning<\/em> sobre cada <em>beat <\/em>do texto \u00e0 procura de a\u00e7\u00f5es, estrat\u00e9gias usadas nas palavras para atingir determinado objetivo ou reagir a determinado acontecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Antes do 2\u00ba dia registo no texto os cortes, e a distribui\u00e7\u00e3o definitiva, com o <em>actioning<\/em> dos coros introduzida. Sublinho em cada cena possibilidades da grava\u00e7\u00e3o. E por fim envio fotos para serem usados como fundo virtual, para termos uma imagem comum para cada cena.<\/p>\n\n\n\n<p>[2\u00ba dia]<\/p>\n\n\n\n<p>Proponho trabalhar como se fossemos gravar a leitura. Registo o nosso trabalho. Fa\u00e7o do ecr\u00e3 o nosso palco. Para cada cena testo diferentes entradas e sa\u00eddas, rela\u00e7\u00f5es com a c\u00e2mara e imagens como fundo virtual. Batalho no trabalho de <em>actioning. <\/em>E tento chegar at\u00e9 ao fim do texto. No final do ensaio envio um pequeno rascunho v\u00eddeo do que gravei de cada cena que funciona n\u00e3o s\u00f3 para mostrar como tudo isto iria ficar no final, mas sobretudo para permitir aperfei\u00e7oar algumas falhas para o dia da grava\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>[3\u00ba dia]<\/p>\n\n\n\n<p>Grava\u00e7\u00e3o da leitura encenada. Lemos cada cena, depois comento, fornecendo pistas para melhorar e grav\u00e1mos. &nbsp;Cena a cena. No final, fora dos ensaios, em processo de montagem, edito os brutos, misturo-os com paisagens sonoras usadas no espet\u00e1culo, e com bem como com grava\u00e7\u00f5es em que editei e manipulei documentos usados na pe\u00e7a e que davam conta do contexto hist\u00f3rico ou individual em cada cena. O v\u00eddeo de cada edi\u00e7\u00e3o \u00e9 lan\u00e7ado nas redes sociais do projeto #ECOS.<\/p>\n\n\n\n<p>Confesso, que existiram momento inesperados, afetivos, que s\u00f3 a mem\u00f3ria pode resgatar, um desses exemplos aconteceram quando o Fernando Cardoso leu as suas pr\u00f3prias palavra. Bem como, quando o Fernando Cardoso e o Joaquim Saraiva nos relataram de novo, as est\u00f3rias de vida \u2013 a deser\u00e7\u00e3o, os caminhos do salto, etc. S\u00f3 por isso valeu fazer estas sess\u00f5es. Convido-vos a assistir<a href=\"#_edn5\">[v]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>7| PR\u00d3XIMOS PASSOS<\/p>\n\n\n\n<p>No seguimento do projeto vamos iniciar o <em>Laborat\u00f3rio de Escrita para Teatro:&nbsp; Dramaturgias Pol\u00edticas Contempor\u00e2neas \u2013 Mem\u00f3ria e Resist\u00eancia<\/em>, em regime <em>online<\/em>, para 12 jovens dramaturgos entre os 21 e 35 anos. A ideia ser\u00e1 investigar, a partir da minha investiga\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica, a pol\u00edtica da escrita teatral, atrav\u00e9s da genealogia, limites e objetos das dramaturgias pol\u00edticas, com o objetivo de no final do curso cada formando escrever uma pe\u00e7a curta de teatro, atrav\u00e9s de procedimentos do teatro do real e ficcional, usando como tema a Mem\u00f3ria e Resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Deste modo pretendemos analisar de que forma evolu\u00edram os processos e metodologias de escrita de pendor pol\u00edtico? Quais os processos, metodologias e decis\u00f5es que decorrem, entre a escrita e encena\u00e7\u00e3o, em termos de autoria, autenticidade, \u00e9tica, teatralidade? De que modo a escrita de pendor pol\u00edtico absorveu mecanismos e processos de pensamento e estruturas da sociedade nos seus conte\u00fados e formas dram\u00e1ticas? Quais as consequ\u00eancias da dramaturgia de pendor pol\u00edtico na transforma\u00e7\u00e3o da sociedade?<\/p>\n\n\n\n<p>No final do curso, um comit\u00e9 do projeto, eu, pela Casa da Esquina, a S\u00f3nia Ferreira pelo projeto #Ecos, o dramaturgo Jorge Loura\u00e7o e mais um criador a indicar, selecionar\u00e1 um conjunto, da totalidade das pe\u00e7as produzidas, para publica\u00e7\u00e3o digital e tentaremos criar uma sess\u00e3o com leitura dirigida e um debate sobre as pe\u00e7as finalizadas est\u00e3o estimadas num calend\u00e1rio a definir entre novembro de 2021 e abril de 202.<\/p>\n\n\n\n<p>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ex\u00edlio(s) 61 -74 <\/em>\u00e9 um registo das migra\u00e7\u00f5es portuguesas atrav\u00e9s do teatro. Um testemunho dos acontecimentos. Um registo que documenta a a\u00e7\u00e3o do humano e questiona o curso da hist\u00f3ria a partir das nossas hist\u00f3rias. A minha e a tua. J\u00e1 n\u00e3o as hist\u00f3rias \u00e9picas, mas as hist\u00f3rias de cada um de n\u00f3s. As micronarrativas. A batida do cora\u00e7\u00e3o da sociedade. \u00c9 um espa\u00e7o de partilha do que ficou na mem\u00f3ria, do que nos foi transmitido, mas tamb\u00e9m dos seus deslocamentos, dos seus equ\u00edvocos, das disputas de mem\u00f3ria. \u00c9 uma pe\u00e7a nascida da escuta dos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Como conclui Jo\u00e3o Maria Andr\u00e9 no posf\u00e1cio de <em>O Meu Pa\u00eds \u00e9 o Que o Mar N\u00e3o Quer e outras pe\u00e7as<\/em> \u201cN\u00e3o se pense, pois, que estes textos<a href=\"#_edn6\">[vi]<\/a> sobre a emigra\u00e7\u00e3o, ex\u00edlio e rep\u00fablica s\u00e3o o arquivo descritivo e impass\u00edvel de testemunhos, documentos e hist\u00f3rias com que se tece o nosso quotidiano. Nas suas margens ou no cora\u00e7\u00e3o da sua escrita irrompe permanentemente a irrever\u00eancia a imagina\u00e7\u00e3o, a paix\u00e3o e o esp\u00edrito cr\u00edtico. \u00c9 um teatro arquiv\u00edstico, sim, mas afetivo, atento, mas empenhado, assente na escuta, mas tamb\u00e9m no compromisso. Marx tinha raz\u00e3o: n\u00e3o basta interpretar a realidade \u00e9 preciso contribuir para a sua transforma\u00e7\u00e3o.\u201d (2019, p.175)<\/p>\n\n\n\n<p>REFER\u00caNCIAS<\/p>\n\n\n\n<p>ANDR\u00c9, J. (2019) <em>Posf\u00e1cio<\/em> <em>in <\/em>CORREIA, R. (2019) \u2013 <em>O Meu Pa\u00eds \u00e9 o que o mar n\u00e3o quer e outras pe\u00e7as.<\/em> Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra.<\/p>\n\n\n\n<p>CORREIA, R. (2019) \u2013 <em>O Meu Pa\u00eds \u00e9 o que o mar n\u00e3o quer e outras pe\u00e7as<\/em>. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra.<\/p>\n\n\n\n<p>MARTIN, C. (2010) \u2013 <em>Dramaturgy of the Real on the World Stage. <\/em>Nova Iorque: Palgrave Macmillan.<\/p>\n\n\n\n<p>SOANS, R. In HAMMOND, W. &amp; STEWARD, D. (Eds.) (2008).<em>Verbatim Verbatim \u2013 Contemporary Documentary Theatre<\/em>. London: Oberon Books<\/p>\n\n\n\n<p>NOTAS<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref1\">[i]<\/a> FICHA T\u00c9CNICA E ART\u00cdSTICA<\/p>\n\n\n\n<p>Texto e Encena\u00e7\u00e3o Ricardo Correia | Assist\u00eancia de encena\u00e7\u00e3o Sara Jobard |Interpreta\u00e7\u00e3o Hugo In\u00e1cio, Celso Pedro, Marta Nogueira, Miguel Lan\u00e7a e Sara Jobard |Investiga\u00e7\u00e3o, Dramaturgia e Documenta\u00e7\u00e3o Sara Jobard, Joana Brites, Hugo In\u00e1cio, Celso Pedro, Marta Nogueira, Miguel Lan\u00e7a, Emanuel Botelho, Rui Gaspar, Filipa Malvae Ricardo Correia | Espa\u00e7o C\u00e9nico, Figurinos e Adere\u00e7os Filipa Malva | Dire\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica e Desenho de Luz Jonathan de Azevedo | Desenho de Som Emanuel Botelho | V\u00eddeo Rui Gaspar | Opera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica Jo\u00e3o Palhares | Apoio de Voz Cristina Faria | Respons\u00e1vel de Produ\u00e7\u00e3o Cl\u00e1udia Morais | Fotografia Carlos Gomes | Design Joana Corker | Produ\u00e7\u00e3o Casa da Esquina \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Cultural | Coprodu\u00e7\u00e3o TAGV | Projeto inserido no plano de apoio Tripartido da DGArtes\/Minist\u00e9rio da Cultura \u00e0 CASA DA ESQUINA em 2017. Agradecimentos | AEP61-74, Centro de Documenta\u00e7\u00e3o 25 de Abril, Nat\u00e9rcia Coimbra, Rui Bebiano, Rui Mota, Jos\u00e9 Torres, H\u00e9lder Costa, Eug\u00e9nia Vasques, Fernando Cardeira, Miguel Cardina, Fernando Cardoso, Adelino Silva, Tila Cascais, PCP, Jos\u00e9 Dias, Gra\u00e7a dos Santos, Jos\u00e9 Vieira, Partido Comunista Portugu\u00eas, CES \u2014 Centro de Estudos Sociais,Tipografia Damasceno, ESEC, Il\u00eddio Design \/ Carlos Gago.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref2\">[ii]<\/a> ESTREIA | 13 de maio de 2017 (Arganil) na Cer\u00e2mica Arganilense, inserido no festival <em>Outras Vozes, Outras Gentes<\/em> da cooperativa Hermes. | DIGRESS\u00c3O | EX\u00cdLIO(S) 61-74, estreou em Arganil na Cer\u00e2mica Arganilense dia 13 de maio de 2017 e fez digress\u00e3o no \u00e2mbito do festival <em>Outras Vozes, Outras Gentes<\/em> da cooperativa Hermes | Casa das Artes de Miranda do Corvo, 20 de maio | Centro Cultural de T\u00e1bua, 10 de junho | Teatro Acad\u00e9mico de Gil Vicente de Coimbra, 25 de Maio | Avanteatro (Festa do Avante), 2 de Setembro | Coprodu\u00e7\u00e3o TAGV| Uma produ\u00e7\u00e3o CASA DA ESQUINA | A CASA DA ESQUINA \u00e9 uma entidade financiada pelo Minist\u00e9rio da Cultura\/DGArtes e C\u00e2mara Municipal de Coimbra \u2014 apoios Tripartidos 2015-2017.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref3\">[iii]<\/a> Bastos, D. (2015). <em>G\u00e9rald Bloncourt \u2013 O olhar de compromisso<\/em>. Converso Editora.<\/p>\n\n\n\n<p>Caldeira, A. et al. (2011). <em>Aljube \u2013 A voz das v\u00edtimas<\/em>. Imprensa Nacional Casa da Moeda.<\/p>\n\n\n\n<p>Cardina, M. (2011). <em>Margem de certa Maneira \u2013 O Maoismo em Portugal 1964-1974<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Tinta-da-China.<\/p>\n\n\n\n<p>Cardoso, F. (Coord.) (2016). E<em>x\u00edlios \u2013 Testemunhos de exilados e desertores portugueses<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>na Europa (1961-1974)<\/em>. AEP 61-74 Associa\u00e7\u00e3o de Exilados Pol\u00edticos Portugueses.<\/p>\n\n\n\n<p>Costa, H. (1980). <em>Teatro Oper\u00e1rio<\/em>. Coimbra: Centelha.<\/p>\n\n\n\n<p>Cruzeiro, C. (1989). <em>Coimbra 1969<\/em>. Edi\u00e7\u00f5es Afrontamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Dias, C. (2010) <em>48<\/em>. [DVD]. Alambique.<\/p>\n\n\n\n<p>Furtado, J. (2017). <em>A Guerra \u2013 Colonial| Do ultramar | de Liberta\u00e7\u00e3o<\/em>. [DVD]. RTP<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Mezzadra, S. (2012). <em>Direito de Fuga<\/em>. Edi\u00e7\u00f5es Unipop.<\/p>\n\n\n\n<p>Mour\u00e3o, C. (2015). <em>A toca do lobo<\/em>. [DVD] Alambique.<\/p>\n\n\n\n<p>Nouss, A. (2016). <em>Pensar o ex\u00edlio e a migra\u00e7\u00e3o hoje<\/em>. Edi\u00e7\u00f5es Afrontamento.<\/p>\n\n\n\n<p>G\u00f6ran, Olsson (2014). <em>A respeito da viol\u00eancia<\/em>. [DVD] Alambique.<\/p>\n\n\n\n<p>Pereira, P. (2013). <em>As armas de papel \u2013 Publica\u00e7\u00f5es clandestinas e do ex\u00edlio ligadas a<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>movimentos radicais de esquerda cultural e pol\u00edtica (1963-1974)<\/em>. C\u00edrculo de Leitores.<\/p>\n\n\n\n<p>Vieira, J. (2005.) <em>Gentes do salto &#8211; Mem\u00f3rias de portugueses que fugiram para fran\u00e7a<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>nos anos 60<\/em>. [DVD]. La Huit.<\/p>\n\n\n\n<p>Weiss, P. (1968). <em>Chant du fantoche Lusitanien<\/em>. Edition Du Seuil.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00edtios em-linha consultados:<\/p>\n\n\n\n<p>Associa\u00e7\u00e3o de Exilados Pol\u00edticos Portugueses 61-74 http:\/\/aep61-74.org\/index.php\/aaep\/.<\/p>\n\n\n\n<p>Centro de documenta\u00e7\u00e3o 25 de Abril. Dispon\u00edvel em:<\/p>\n\n\n\n<p>http:\/\/www.cd25a.uc.pt\/index.php?r=site\/page&#038;view=itempage&#038;p=13.<\/p>\n\n\n\n<p>Museu do Aljube (2017). http:\/\/www.museudoaljube.pt\/omuseu.<\/p>\n\n\n\n<p>PCP. http:\/\/www.pcp.pt\/r%C3%A1dio-portugal-livre-50-anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Pris\u00e3o de Peniche. http:\/\/www.cm-peniche.pt\/MuseuMunicipal_Fortaleza_PInteresse_PrisaoPolitica.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref4\">[iv]<\/a> Projeto #ECOS &#8211; Ex\u00edlios, contrariar o sil\u00eancio: mem\u00f3rias, objectos e narrativas de tempos incertos, que tem como parceiros o Centro em Rede de Investiga\u00e7\u00e3o em Antropologia; Associa\u00e7\u00e3o de Exilados Pol\u00edticos Portugueses;Association M\u00e9moire Vive \/ Mem\u00f3ria viva; Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) \u2013 tutela URMIS; Universidade Nova de Lisboa e Universidade de Copenhaga.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref5\">[v]<\/a> <a href=\"https:\/\/ecosexilios-cria.org\/leituraencenada\/\">https:\/\/ecosexilios-cria.org\/leituraencenada\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref6\">[vi]<\/a> Os textos a que se refere s\u00e3o: <em>O Meu Pa\u00eds \u00e9 o Que o Mar N\u00e3o Quer<\/em>, <em>Ex\u00edlio(s) 61-74,<\/em> <em>Manual de cria\u00e7\u00e3o de uma Comiss\u00e3o de Inqu\u00e9rito<\/em> e O<em> Republic\u00e1rio<\/em>, pertencentes ao livro <em>O Meu Pa\u00eds \u00e9 o Que o Mar N\u00e3o quer e outras pe\u00e7as.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto na sua vers\u00e3o integral | Foi publicado no SEM FRONTEIRAS em 3 partes para&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3738,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3737"}],"collection":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3737"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3737\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3739,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3737\/revisions\/3739"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3738"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3737"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}