{"id":14380,"date":"2025-07-30T22:26:03","date_gmt":"2025-07-30T22:26:03","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=14380"},"modified":"2025-07-30T22:26:05","modified_gmt":"2025-07-30T22:26:05","slug":"asilo-politico-na-belgica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/2025\/07\/30\/asilo-politico-na-belgica\/","title":{"rendered":"Asilo pol\u00edtico na B\u00e9lgica"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">NOVAS HIST\u00d3RIAS DO EX\u00cdLIO &#8211; Francisco Fortunato<\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2025-07-30T22:26:03+00:00\">30 de Julho, 2025<\/time><\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Publicado em janeiro de 2023, Francisco Fortunato, in Facebook<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Faz hoje 50 anos que iniciei o meu &#8220;salto&#8221; para a B\u00e9lgica. Fica aqui o meu testemunho que poder\u00e1 ter alguns erros de pouca monta. \u00c9 todo feito de mem\u00f3rias.\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na noite de 3 para 4, com o meu amigo Reis, oper\u00e1rio na Lisnave, tal como eu, dei in\u00edcio ao salto para a democracia. Tinha sido preso na igreja do Rato, na vig\u00edlia pela Paz, onde tinha ido por indica\u00e7\u00e3o do Manuel Arons de Carvalho, recentemente falecido, e aproveitei a confus\u00e3o reinante na esquadra do Rato, na identifica\u00e7\u00e3o dos detidos, para sair com o primeiro grupo de libertados. No entanto, no dia 2, pela manh\u00e3, a PIDE estava \u00e0 minha procura na casa da minha m\u00e3e. Obviamente j\u00e1 l\u00e1 n\u00e3o estava, mas deixaram uma notifica\u00e7\u00e3o de compar\u00eancia para me apresentar, no dia seguinte, no minist\u00e9rio do Interior. Notifica\u00e7\u00e3o que a minha m\u00e3e me fez chegar \u00e0s m\u00e3os e que seria de grande valia para obter rapidamente asilo pol\u00edtico na B\u00e9lgica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Reis dizia-me que conhecia bem a fronteira no Caia, mas a noite e o frio (nesse tempo o inverno era mesmo frio) logo mostraram que t\u00ednhamos de a conhecer melhor para a passar. Demorou, por a\u00ed, umas 6 horas at\u00e9 chegarmos \u00e0 central de camionagem de Badajoz, onde apanh\u00e1mos um autocarro para Madrid.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A certa altura do percurso a &#8220;guardia civil&#8221; entrou no autocarro e foi olhando para os passageiros, n\u00f3s fingimos dormitar e n\u00e3o nos pediram documentos. Chegados a Madrid apanh\u00e1mos o comboio para Val\u00eancia, porque tinha tios a viver em Cuart de Poblet.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Chegados a Cuart de Poblet, de t\u00e1xi, os meus tios, sem eu saber, estavam a viver, temporariamente, em Vendrell, pr\u00f3ximo de Tarragona, segundo um vizinho que nos deu a morada ou o telefone. Regress\u00e1mos a Val\u00eancia e apanh\u00e1mos o comboio para Barcelona.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 sa\u00edmos em Vendrell, manh\u00e3 cedinho, e fomos \u00e0 procura da casa dos meus tios. A\u00ed chegados dormimos pela primeira vez em mais de 50 horas e tamb\u00e9m comemos. No dia seguinte, pelas 5h da manh\u00e3, o meu primo Fernando foi levar-nos, no seu carro, \u00e0 fronteira com a Fran\u00e7a. Entretanto, pelas 7h da manh\u00e3, a &#8220;guardia civil&#8221; estava em casa dos meus tios para identificar os dois &#8220;forasteros&#8221; que tinham sido vistos a passear pelo &#8220;pueblo&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O meu primo deixou-nos pr\u00f3ximos da fronteira de La Junquera e l\u00e1 fomos atravessar, a p\u00e9, os Piren\u00e9us, em janeiro, com frio, muito frio, alguma neve, e sem conhecermos patavina de nada. Demor\u00e1mos umas 8 horas e quando come\u00e7\u00e1mos a descer vimos uma pequena povoa\u00e7\u00e3o mas n\u00e3o t\u00ednhamos a certeza se j\u00e1 est\u00e1vamos, ou n\u00e3o, em Fran\u00e7a. Era, salvo erro, Le Perthus, mas s\u00f3 o confirm\u00e1mos quando passou um autocarro com a direc\u00e7\u00e3o de Perpignan. Fizemos sinal para parar e parou para surpresa nossa. Logo de seguida apanh\u00e1mos um susto quando a &#8220;gendarmarie&#8221; faz parar o autocarro e entrou a fazer controlo de documentos a alguns n\u00e3o a todos. A sorte continuou connosco, nada nos pediram.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Chegados a Perpignan, j\u00e1 noite avan\u00e7ada, apanh\u00e1mos o comboio para Paris onde cheg\u00e1mos ao romper do dia. Era um mundo novo, extasiados passe\u00e1mos por Paris, nem o cansa\u00e7o, nem as emo\u00e7\u00f5es nos venceram. Nunca t\u00ednhamos convivido com a democracia, a nossa vida tinha sido sempre no fascismo. Fic\u00e1mos durante 2 dias, hospedados no hotel &#8220;Saint Pierre&#8221;, na rue Ecole de Medicine.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No dia da chegado a Paris jant\u00e1mos com M\u00e1rio Soares na sua casa, o seu filho, Jo\u00e3o, tinha-me dado o contacto e, no dia seguinte, almo\u00e7\u00e1mos com o historiador Joaquim Barradas de Carvalho, tamb\u00e9m exilado em Fran\u00e7a, por indica\u00e7\u00e3o do seu filho Manuel Arons. Ap\u00f3s isto fiquei, durante alguns dias, em casa de um sobrinho de M\u00e1rio Soares, M\u00e1rio Barroso, o realizador de cinema, por indica\u00e7\u00e3o do tio. Entretanto o meu amigo Reis regressava para sul e ficaria algum tempo a trabalhar clandestinamente nuns estaleiros em Pasaia, pr\u00f3ximo de San Sebastian.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fiz ent\u00e3o uma tentativa, mal sucedida, de ir para Bruxelas, fui apanhado, no comboio, pela pol\u00edcia de fronteira e recambiado para tr\u00e1s. Levava um passaporte manhoso v\u00e1lido apenas para o regresso a Portugal e o pol\u00edcia, era casado com uma portuguesa, lia alguma coisa de portugu\u00eas e percebeu facilmente a marosca. Na fronteira mais f\u00e1cil sou assim apanhado, mas fiquei a saber quando conduzido ao posto de pol\u00edcia, em Maubeuge, que havia um mandado de captura na Interpol, a pedido das autoridades portuguesas, que a pol\u00edcia francesa ignorou ap\u00f3s breve interrogat\u00f3rio. Alguns dias mais tarde passaria ent\u00e3o a fronteira para a B\u00e9lgica com um novo passaporte, menos manhoso, e nem sequer foi pedido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Cheguei a Bruxelas, l\u00e1 pelo dia 20, onde fui acolhido pelos meus afilhados de casamento, o \u00c1lvaro e a Ana, passado uma semana j\u00e1 estava a trabalhar como soldador, razoavelmente bem pago, e reconhecido oficialmente &#8220;refugiado pol\u00edtico de origem portuguesa&#8221;. Regressaria a Portugal no dia 07 de Maio de 1974!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Notas&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo meio a minha m\u00e3e foi duas vezes chamada \u00e0 PIDE para dizer onde eu estava. Coitada ela nada sabia, s\u00f3 quando cheguei a Bruxelas o soube. Quando da minha passagem por Vendrell, a minha tia Arlete fez o que eu lhe tinha pedido para nunca fazer, telefonou mal eu sa\u00ed, para tranquilizar a minha m\u00e3e, mas a chamada foi interceptada pela PIDE o que deu in\u00edcio aos problemas que viria a ter com a pol\u00edcia pol\u00edtica.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isto de ser Oper\u00e1rio e metido em pol\u00edtica a pol\u00edcia pol\u00edtica n\u00e3o perdoava, era-se logo identificado como comunista e crime mais grave n\u00e3o havia&#8230;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o meu amigo e compadre Reis um grande abra\u00e7o, sem o seu apoio tudo teria sido ainda mais dif\u00edcil!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algum tempo atr\u00e1s, na EMEF\/CP, encontrei alguns jovens oper\u00e1rios a dizerem bem do Chega. Como \u00e9 poss\u00edvel?\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"660\" height=\"1024\" data-id=\"14381\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/486487615_9739385572813925_9101389195381332060_n-660x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14381\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/486487615_9739385572813925_9101389195381332060_n-660x1024.jpg 660w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/486487615_9739385572813925_9101389195381332060_n-193x300.jpg 193w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/486487615_9739385572813925_9101389195381332060_n-768x1192.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/486487615_9739385572813925_9101389195381332060_n-990x1536.jpg 990w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/486487615_9739385572813925_9101389195381332060_n-1024x1589.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/486487615_9739385572813925_9101389195381332060_n.jpg 1320w\" sizes=\"(max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"649\" height=\"1024\" data-id=\"14382\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/486777848_9739385529480596_5660940339187623121_n-1-649x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14382\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/486777848_9739385529480596_5660940339187623121_n-1-649x1024.jpg 649w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/486777848_9739385529480596_5660940339187623121_n-1-190x300.jpg 190w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/486777848_9739385529480596_5660940339187623121_n-1-768x1213.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/486777848_9739385529480596_5660940339187623121_n-1-973x1536.jpg 973w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/486777848_9739385529480596_5660940339187623121_n-1-1024x1617.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/486777848_9739385529480596_5660940339187623121_n-1.jpg 1297w\" sizes=\"(max-width: 649px) 100vw, 649px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Fotos, fonte Francisco Fortunato. 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