{"id":14757,"date":"2025-08-22T17:21:07","date_gmt":"2025-08-22T17:21:07","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=14757"},"modified":"2025-08-22T17:21:15","modified_gmt":"2025-08-22T17:21:15","slug":"carta-aberta-ao-primeiro-ministro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/2025\/08\/22\/carta-aberta-ao-primeiro-ministro\/","title":{"rendered":"Carta Aberta ao primeiro-ministro"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As comunidades dos territ\u00f3rios rurais s\u00f3 s\u00e3o lembradas quando nos visitam para participar nos enterros dos nossos bombeiros<\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2025-08-22T17:21:07+00:00\">22 de Agosto, 2025<\/time><\/div>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.minhaterra.pt\/wst\/images\/I14984-MXTORRES.JPG\" alt=\"\" style=\"aspect-ratio:1.5068493150684932;width:297px;height:auto\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por Miguel Torres<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Exmo. Senhor primeiro-ministro, Lu\u00eds Montenegro<\/p>\n\n\n\n<p>Carta Aberta ao primeiro-ministro<\/p>\n\n\n\n<p>Escrevo-lhe esta carta a partir do interior do nosso pa\u00eds. A partir de um interior que, mais uma vez, est\u00e1 a ser palco de uma trag\u00e9dia sem nome. Uma trag\u00e9dia que ciclicamente enfrentamos, a que resistimos e \u00e0 qual reagimos. E, ainda assim, recome\u00e7amos. Recome\u00e7amos sempre!<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 mais de 30 anos que este pa\u00eds e, em particular, os territ\u00f3rios mais despovoados t\u00eam nas Associa\u00e7\u00f5es de Desenvolvimento Local (ADL) e nos Grupos de Ac\u00e7\u00e3o Local (GAL) aliados fundamentais para pensar e implementar projectos de desenvolvimento rural sustentados. A Abordagem Leader baseia-se em sete princ\u00edpios interligados que promovem o desenvolvimento local sustent\u00e1vel e participativo.<\/p>\n\n\n\n<ul>\n<li>O&nbsp;<strong>princ\u00edpio territorial<\/strong>&nbsp;foca-se na valoriza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas com identidade pr\u00f3pria, permitindo solu\u00e7\u00f5es adaptadas \u00e0s suas especificidades.<\/li>\n\n\n\n<li>A&nbsp;<strong>abordagem participada&nbsp;<\/strong>garante o envolvimento direto das comunidades na defini\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias.<\/li>\n\n\n\n<li>A&nbsp;<strong>parceria p\u00fablico-privada<\/strong>&nbsp;re\u00fane actores locais de diferentes sectores, promovendo a governan\u00e7a colaborativa.<\/li>\n\n\n\n<li>O princ\u00edpio da&nbsp;<strong>inova\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;incentiva respostas criativas e eficazes para os desafios locais.<\/li>\n\n\n\n<li>A&nbsp;<strong>integra\u00e7\u00e3o multissectorial<\/strong>&nbsp;favorece ac\u00e7\u00f5es coordenadas entre sectores econ\u00f3micos, sociais e ambientais.<\/li>\n\n\n\n<li>O trabalho em&nbsp;<strong>rede<\/strong>&nbsp;facilita a partilha de experi\u00eancias e boas pr\u00e1ticas entre territ\u00f3rios.<\/li>\n\n\n\n<li>A&nbsp;<strong>coopera\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;estimula a constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es conjuntas e sinergias entre diferentes regi\u00f5es.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Juntos, estes princ\u00edpios asseguram um desenvolvimento territorial mais coeso, inclusivo e sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas 52 organiza\u00e7\u00f5es no continente e seis nas regi\u00f5es aut\u00f3nomas foram o \u00fanico garante, durante muito tempo, do acesso das comunidades mais desfavorecidas a fundos comunit\u00e1rios de apoio ao desenvolvimento rural. O programa Leader, ao longo de mais de 30 anos, financiou milhares de microiniciativas por parte daqueles que nem sabiam que a esses apoios tinham direito. Com esses projectos fixaram-se popula\u00e7\u00f5es, deram-se pequenos sinais de esperan\u00e7a \u00e0queles que tinham tudo para a perder. As ADL s\u00e3o efectivamente aliadas dos territ\u00f3rios, das pessoas e das organiza\u00e7\u00f5es que os habitam. Representam parcerias com uma voz territorial comum, fruto de compromisso, co-responsabiliza\u00e7\u00e3o, partilha, capacidade inovadora multissectorial e multigeracional, com muito maior foco na qualidade que na quantidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que este instrumento europeu de pol\u00edtica p\u00fablica tem sido fundamental para os territ\u00f3rios do interior, sendo que agora \u00e9 sistematicamente desvalorizado em prol de supostas macrovis\u00f5es de pol\u00edtica de r\u00e9gua e esquadro desenhada a partir n\u00e3o se sabe bem de onde.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade, senhor primeiro-ministro, \u00e9 que as comunidades representadas pelas ADL destes territ\u00f3rios rurais est\u00e3o todas muito cansadas de n\u00e3o serem vistas nem lembradas, a n\u00e3o ser quando nos visitam para participar nos enterros dos nossos bombeiros ou dos cidad\u00e3os que perdemos para esta luta desigual.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe um crescente sentimento de cansa\u00e7o e frustra\u00e7\u00e3o por parte das comunidades locais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00e1tica recorrente de decis\u00f5es centralizadas, tomadas por quem permanece distante da realidade dos territ\u00f3rios. A defini\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es de forma centralizada, sem contacto direto com os contextos locais, revela-se frequentemente desalinhada com as verdadeiras necessidades e din\u00e2micas das popula\u00e7\u00f5es. Existem parceiros enraizados nos territ\u00f3rios, com trabalho reconhecido e resultados comprovados, que est\u00e3o plenamente dispon\u00edveis para contribuir na mobiliza\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es a partir das pr\u00f3prias comunidades \u2013 aquelas que vivem os problemas no terreno e que, de forma ativa, t\u00eam apresentado propostas concretas. Sim, essas propostas t\u00eam sido feitas. Sim, temos contribu\u00eddo com alternativas vi\u00e1veis. No entanto, infelizmente, continuamos a n\u00e3o ser devidamente ouvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>As pol\u00edticas de desenvolvimento rural que, na minivis\u00e3o de alguns, s\u00e3o agora somente agricultura, n\u00e3o o s\u00e3o! S\u00e3o uma vis\u00e3o integrada dos territ\u00f3rios, multissectorial, em que j\u00e1 agora a floresta tem uma import\u00e2ncia fundamental. E muitos GAL t\u00eam estado a trabalhar com as respetivas comunidades exactamente sobre que estrat\u00e9gias podemos pensar colectivamente, nomeadamente sobre a floresta, de forma a impedir este acontecimento que regularmente nos assola.<\/p>\n\n\n\n<p>E temos propostas, j\u00e1 agora! Propostas para os condom\u00ednios de aldeia, para as \u00c1reas Integradas de Gest\u00e3o da Paisagem (AIGP), para a agricultura enquanto elemento central de fixa\u00e7\u00e3o de comunidades, sem as quais n\u00e3o h\u00e1 perspectivas de sustentabilidade dos territ\u00f3rios. Propostas verdadeiramente promotoras de uma coes\u00e3o territorial que enche os discursos, mas que n\u00e3o passa disso mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Custavam muito dinheiro, pois claro! Se queremos transformar esta realidade, vamos ter de o fazer, cabe a quem decide fazer op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabe o senhor primeiro-ministro que o custo de um ano do programa Leader em Portugal, com todas as possibilidades de financiamento que permite aos territ\u00f3rios, mais concretamente a 94% do territ\u00f3rio nacional, \u00e9 mais ou menos o mesmo que ter\u00e1 o Grande Pr\u00e9mio de F\u00f3rmula 1 que anunciou para 2027?<br><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/08\/22\/opiniao\/opiniao\/carta-aberta-primeiroministro-2144676?utm_source=copy_paste\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o op\u00e7\u00f5es, senhor primeiro-ministro!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O problema reside no facto de que n\u00f3s \u2014 os que escolhemos, com determina\u00e7\u00e3o, continuar a habitar e investir nestes territ\u00f3rios \u2014 estamos profundamente cansados de op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e administrativas que sistematicamente nos desvalorizam, ignoram o nosso potencial e, muitas vezes, nos retiram os poucos instrumentos de a\u00e7\u00e3o e desenvolvimento que ainda possu\u00edmos. A vis\u00e3o do territ\u00f3rio a partir da base que as ADL\/GAL defendem ser\u00e1 sempre a nossa boia de salva\u00e7\u00e3o, aquela que desvalorizam os que n\u00e3o conhecem, minimamente, a realidade deste nosso, ainda, magn\u00edfico pa\u00eds!<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fundamental que se escutem as organiza\u00e7\u00f5es que atuam nos territ\u00f3rios e que se promova o seu envolvimento efectivo nos processos de decis\u00e3o. Continuamos, como sempre, dispon\u00edveis para contribuir de forma construtiva. O que j\u00e1 n\u00e3o podemos aceitar \u00e9 que as nossas comunidades e os nossos territ\u00f3rios continuem a ser utilizados apenas como refer\u00eancia simb\u00f3lica em momentos de maior visibilidade medi\u00e1tica, sem um compromisso real com a sua valoriza\u00e7\u00e3o e desenvolvimento. Se me permite, e para terminar, \u201cn\u00e3o nos queimem em lume brando\u201d!<\/p>\n\n\n\n<p><em>Miguel Torres, Presidente da Federa\u00e7\u00e3o Minha Terra<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Editado &#8211; subt\u00edtulo NSF [baseado no texto do autor]<\/p>\n\n\n\n<p><em><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/08\/22\/opiniao\/opiniao\/carta-aberta-primeiroministro-2144676\">Publicada originalmente na p\u00e1gina online do jornal P\u00fablico:<\/a>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As comunidades dos territ\u00f3rios rurais s\u00f3 s\u00e3o lembradas quando nos visitam para participar nos enterros&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14758,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[238,447,470],"tags":[670],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-18.15.06.jpeg",1024,768,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-18.15.06-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-18.15.06-300x225.jpeg",300,225,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-18.15.06-768x576.jpeg",640,480,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-18.15.06.jpeg",640,480,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-18.15.06.jpeg",1024,768,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-18.15.06.jpeg",1024,768,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-18.15.06-1024x715.jpeg",1024,715,true],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-18.15.06-800x500.jpeg",800,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-18.15.06.jpeg",1024,768,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-18.15.06-540x340.jpeg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-18.15.06-400x250.jpeg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/movimentos\/\" rel=\"category tag\">MOVIMENTOS<\/a> <a href=\"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/voz-ativa\/\" rel=\"category tag\">VOZ ATIVA<\/a>","tag_info":"VOZ ATIVA","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14757"}],"collection":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14757"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14757\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14759,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14757\/revisions\/14759"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14758"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14757"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14757"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}