{"id":15295,"date":"2025-10-21T12:42:06","date_gmt":"2025-10-21T12:42:06","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=15295"},"modified":"2025-10-21T12:42:38","modified_gmt":"2025-10-21T12:42:38","slug":"israel-tem-medo-dos-moderados","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/2025\/10\/21\/israel-tem-medo-dos-moderados\/","title":{"rendered":"Israel tem medo dos moderados"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A paz precisa de quem ainda acredita nela<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cO verdadeiro problema \u00e9 que Israel escolheu a ocupa\u00e7\u00e3o em vez da paz e usou as negocia\u00e7\u00f5es como uma cortina de fumo para avan\u00e7ar o seu projeto colonial. Todos os governos do mundo sabem desse simples facto\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Marwan Barghouti<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Por Luis Vidigal<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"522\" height=\"488\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/luis-Vidigal_colaboradores.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14712\" style=\"aspect-ratio:1.069672131147541;width:160px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/luis-Vidigal_colaboradores.jpg 522w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/luis-Vidigal_colaboradores-300x280.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 522px) 100vw, 522px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:23px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>O \u00fanico homem preparado para liderar um processo de paz na Palestina est\u00e1 preso. Israel prende os dirigentes capazes e deixa \u00e0 solta os fan\u00e1ticos. Assim pode invocar \u201cleg\u00edtima defesa\u201d enquanto ocupa cada vez mais territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Barghouti est\u00e1 preso h\u00e1 vinte e tr\u00eas anos. Desde o ataque de 7 de outubro de 2023 vive em confinamento solit\u00e1rio, sem direito a visitas. Chegam not\u00edcias de que foi recentemente espancado por soldados israelitas e \u00e9 mais uma demonstra\u00e7\u00e3o do medo que o poder tem dos moderados.<\/p>\n\n\n\n<p>Nascido em 1959, na aldeia de Kobar, perto de Ramallah, tinha sete anos quando Israel ocupou a Cisjord\u00e2nia na Guerra dos Seis Dias. O ex\u00e9rcito cercou a aldeia e apropriou-se das terras vizinhas para construir colonatos. O c\u00e3o da fam\u00edlia ladrava aos soldados, at\u00e9 que um deles o matou. O gesto continha uma li\u00e7\u00e3o de que na Palestina at\u00e9 um latido pode ser considerado resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 15 anos, Barghouti juntou-se ao Fatah. Tr\u00eas anos depois foi preso por pertencer a uma \u201corganiza\u00e7\u00e3o terrorista\u201d. Durante quatro anos de cativeiro estudou, ensinou outros prisioneiros e aprendeu hebraico. Nos anos 1990 foi eleito para o Conselho Legislativo Palestiniano e manteve contacto com pol\u00edticos israelitas. Dizia que era necess\u00e1rio \u201ccombater Israel como ocupante, mas aceit\u00e1-lo como vizinho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Avisou repetidamente que o impasse no processo de paz empurrava a situa\u00e7\u00e3o para a viol\u00eancia. Foi tratado como instigador, n\u00e3o como vision\u00e1rio. Em 2002 foi preso, acusado de envolvimento em ataques contra civis. Recusou reconhecer a legitimidade do tribunal e negou qualquer liga\u00e7\u00e3o aos crimes. Um relat\u00f3rio da Uni\u00e3o Interparlamentar concluiu que n\u00e3o teve julgamento justo. Ainda assim, foi condenado a cinco penas perp\u00e9tuas e a mais quarenta anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo na pris\u00e3o, Barghouti continuou ativo. Em 2006 foi o principal autor do Documento dos Prisioneiros, que obteve o apoio do Hamas para uma solu\u00e7\u00e3o de dois Estados. Um feito in\u00e9dito e talvez a raz\u00e3o principal para que continue encarcerado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2011, Israel trocou 1026 prisioneiros palestinianos por um soldado israelita e Barghouti n\u00e3o foi inclu\u00eddo. Mas Yahya Sinwar, um dos arquitetos do ataque de 7 de outubro, foi libertado nessa troca. O contraste \u00e9 evidente, pois o moderado permanece preso e o radical regressa ao campo de batalha.<\/p>\n\n\n\n<p>Netanyahu tem todo o interesse em que o Hamas continue a existir. Precisa dele como inimigo permanente, indispens\u00e1vel para justificar o cerco, os bombardeamentos e as demoli\u00e7\u00f5es. Um Hamas suficientemente forte para assustar, mas suficientemente fraco para n\u00e3o vencer. Cada foguete disparado de Gaza renova a narrativa da \u201cleg\u00edtima defesa\u201d, enquanto mais colonatos s\u00e3o erguidos na Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a de Barghouti laico, popular e defensor de um Estado palestiniano democr\u00e1tico, amea\u00e7a essa arquitetura. Um l\u00edder assim tornaria inevit\u00e1vel o reconhecimento internacional da Palestina. \u00c9 por isso que ele continua atr\u00e1s das grades e \u00e9 por isso que o radicalismo \u00e9, paradoxalmente, \u00fatil a Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o mundo se concentra nas ru\u00ednas de Gaza, o projeto colonial avan\u00e7a em sil\u00eancio, com casas demolidas, oliveiras arrancadas e aldeias cercadas. A guerra prolonga-se porque conv\u00e9m. A paz, se vier, por\u00e1 fim \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o e \u00e9 isso que o poder teme.<\/p>\n\n\n\n<p>Marwan Barghouti escreveu: \u201cIsrael escolheu a ocupa\u00e7\u00e3o em vez da paz\u201d. Talvez essa seja a raz\u00e3o mais profunda da sua pris\u00e3o. Porque a verdade, quando \u00e9 dita por quem pode unir um povo, \u00e9 sempre o maior dos perigos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lvidigal\">Luis Vidigal Rosado Pereira<\/a><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/barghouti-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15296\" style=\"aspect-ratio:0.6669921875;width:396px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/barghouti-683x1024.jpg 683w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/barghouti-200x300.jpg 200w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/barghouti-768x1152.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/barghouti.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A paz precisa de quem ainda acredita nela \u201cO verdadeiro problema \u00e9 que Israel escolheu&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15297,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[238,443],"tags":[667],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/marwan.jpg",593,488,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/marwan-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/marwan-300x247.jpg",300,247,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/marwan.jpg",593,488,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/marwan.jpg",593,488,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/marwan.jpg",593,488,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/marwan.jpg",593,488,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/marwan.jpg",593,488,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/marwan.jpg",593,488,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/marwan.jpg",593,488,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/marwan-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/marwan-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/palestina\/\" rel=\"category tag\">PALESTINA<\/a>","tag_info":"PALESTINA","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15295"}],"collection":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15295"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15295\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15298,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15295\/revisions\/15298"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15297"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15295"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15295"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15295"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}