{"id":3488,"date":"2021-06-06T22:38:35","date_gmt":"2021-06-06T22:38:35","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=3488"},"modified":"2021-06-06T22:38:39","modified_gmt":"2021-06-06T22:38:39","slug":"o-jornalismo-no-novo-negocio-dos-media","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/2021\/06\/06\/o-jornalismo-no-novo-negocio-dos-media\/","title":{"rendered":"O jornalismo no novo neg\u00f3cio dos &#8220;media&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>OPINI\u00c3O | Sandra Monteiro<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O jornalismo anda regularmente  nas bocas do mundo pelas piores e melhores raz\u00f5es. Uma coisa \u00e9 certa, \u00e9 tema que deve merecer a nossa permanente aten\u00e7\u00e3o porque a defesa da liberdade e da democracia passa tamb\u00e9m por aqui. Sandra Monteiro aborda o assunto da independ\u00eancia e das inger\u00eancias de forma global e radical. Uma imprensa livre n\u00e3o pode ceder \u00e0 chantagem dos neg\u00f3cios porque os cidad\u00e3os e as institui\u00e7\u00f5es precisam deste oxig\u00e9nio democr\u00e1tico. CR| SF<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>por Sandra Monteiro, <a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/spip.php?article1418\">Le Monde Diplomatique<\/a> &#8211; edi\u00e7\u00e3oportuguesa<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">A 1 de Junho \u00faltimo, quatro Conselhos de Redac\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social do Global Media Group tomaram posi\u00e7\u00e3o contra o que consideram ser uma inger\u00eancia inaceit\u00e1vel do presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o do Grupo, Marco Galinha, no trabalho editorial e nas compet\u00eancias das respectivas direc\u00e7\u00f5es editoriais. Demitem-se da administra\u00e7\u00e3o do Grupo duas directoras destes meios. As redac\u00e7\u00f5es do&nbsp;<em>Di\u00e1rio de Not\u00edcias,<\/em>&nbsp;do&nbsp;<em>Jornal de Not\u00edcias,<\/em>&nbsp;da TSF e d\u2019<em>O Jogo,<\/em>&nbsp;com que se solidarizaram os jornalistas do Dinheiro Vivo, apontam v\u00e1rios problemas: falta de jornalistas; contagem de presen\u00e7as nas redac\u00e7\u00f5es, limitando a mobilidade do trabalho no exterior; interfer\u00eancias na defini\u00e7\u00e3o dos colunistas (a administra\u00e7\u00e3o vai deixar de pagar \u00e0s&nbsp;<em>\u00abpessoas politicamente expostas\u00bb<\/em>); e coloca\u00e7\u00e3o de Marco Galinha como administrador das redes sociais, o que n\u00e3o passou pelas direc\u00e7\u00f5es editoriais e \u00e9 uma entrada ileg\u00edtima em espa\u00e7os que s\u00e3o extens\u00f5es do trabalho editorial&nbsp;[<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/spip.php?article1417#nb1\">1<\/a>].<\/p>\n\n\n\n<p>A Global Media apressou-se a desvalorizar. Considera, em suma, que a reac\u00e7\u00e3o \u00e9 injustificada: limitou-se a comunicar que esses colunistas deixariam de ser pagos, n\u00e3o os impedindo de escrever; e apenas colocou Galinha como administrador das redes sociais para ter acesso a um indispens\u00e1vel instrumento de gest\u00e3o \u2014 as estat\u00edsticas, os&nbsp;<em>shares,<\/em>&nbsp;as m\u00e9tricas \u2014 e n\u00e3o para interferir nos conte\u00fados&nbsp;[<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/spip.php?article1417#nb2\">2<\/a>]\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Independentemente do desfecho que o epis\u00f3dio possa ter, ele tem o m\u00e9rito de revelar tens\u00f5es e dilemas com que o jornalismo vai confrontar-se cada vez mais, \u00e0 medida que se generaliza um modelo de neg\u00f3cios dos&nbsp;<em>media<\/em>. Alguns dos elementos que caracterizam o novo modelo n\u00e3o s\u00e3o novos, mas agora conjugam-se para formar, sen\u00e3o um novo paradigma, um novo ciclo. Atente-se nos dois elementos salientados pela administra\u00e7\u00e3o do Grupo, apesar de eles serem indissoci\u00e1veis do ambiente mais geral de falta de recursos, de medo de despedimentos, de v\u00ednculos prec\u00e1rios. E pergunte-se: o que leva o novo propriet\u00e1rio de um poderoso grupo de&nbsp;<em>media<\/em>&nbsp;a escolher estas duas frentes de actua\u00e7\u00e3o, a do pagamento a colunistas&nbsp;<em>\u00abexpostos politicamente\u00bb<\/em>&nbsp;e a do acesso aos dados estat\u00edsticos de leituras, coment\u00e1rios e partilhas nas redes sociais? De que escolhas fazem estas decis\u00f5es parte, e com que consequ\u00eancias?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Reflectir sobre estas quest\u00f5es ultrapassa, em muito, o que se passa num s\u00f3 grupo de&nbsp;<em>media.<\/em>&nbsp;Mas as suas transforma\u00e7\u00f5es recentes s\u00e3o muito reveladoras. Voltemos um pouco atr\u00e1s neste que \u00e9, afinal, um epis\u00f3dio da hist\u00f3ria da reconfigura\u00e7\u00e3o da propriedade dos&nbsp;<em>media<\/em>&nbsp;em Portugal, marcada por uma maior concentra\u00e7\u00e3o dos meios e por riscos acrescidos para a diversidade e o pluralismo medi\u00e1ticos, tanto ao n\u00edvel da produ\u00e7\u00e3o como da distribui\u00e7\u00e3o. Marcada tamb\u00e9m pelo aumento da press\u00e3o privada sobre o servi\u00e7o p\u00fablico da ag\u00eancia noticiosa (a Lusa) e por um novo ciclo no neg\u00f3cio. Com efeito, depois da grande redu\u00e7\u00e3o das receitas de publicidade (e antes das sonhadas receitas com a \u00abvenda de conte\u00fados digitais\u00bb \u00e0 Google ou \u00e0 Facebook), os&nbsp;<em>media<\/em>&nbsp;descobriram o fil\u00e3o dos leitores que pagam por \u00abinforma\u00e7\u00e3o\u00bb se forem mobilizados para algumas clivagens, a partir das polariza\u00e7\u00f5es constru\u00eddas nas redes sociais. Com isto opera-se mais uma muta\u00e7\u00e3o na informa\u00e7\u00e3o que se produz e na vis\u00e3o do mundo de quem se informa.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria conta-se depressa. Desde 2019 que o Grupo Bel, de Marco Galinha, se posicionou para deter a maioria do capital da Global Media. O Grupo Bel estava j\u00e1 presente em v\u00e1rios sectores: imobili\u00e1rio e mobili\u00e1rio, ind\u00fastria aeron\u00e1utica e aeroespacial, distribui\u00e7\u00e3o e&nbsp;<em>vending<\/em>&nbsp;de tabaco, tecnologia e comunica\u00e7\u00e3o, etc. Utilizou ent\u00e3o uma sua empresa ve\u00edculo, a P\u00e1ginas Civilizadas \u2014 nome curioso para quem diz ter como prioridade a expans\u00e3o no \u00abmercado africano\u00bb&nbsp;[<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/spip.php?article1417#nb3\">3<\/a>]&nbsp;\u2014, para adquirir 29,75% da Global Media Group, tendo chegado a acordo com os chineses da KNJ para atingir a maioria executiva de 51% do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Aproveitando transforma\u00e7\u00f5es em curso na Impresa (SIC,&nbsp;<em>Expresso,<\/em>&nbsp;etc.), Marco Galinha decidiu ent\u00e3o, al\u00e9m de se tornar accionista do&nbsp;<em>Jornal Econ\u00f3mico,<\/em>&nbsp;comprar a parte da Impresa na ag\u00eancia Lusa: 22,35% do capital. \u00c9 certo que o Estado conserva uma maioria de 50,15%, mas se somarmos a parte adquirida \u00e0 Impresa com os 23,36% j\u00e1 detidos pela Global Media, Galinha passou a deter na Lusa uma pressionante minoria de 45,71% do capital. Em Fevereiro de 2021, M\u00e1rio Mesquita, vice-presidente da Entidade Reguladora para a Comunica\u00e7\u00e3o Social (ERC), voltou a alertar, em audi\u00e7\u00e3o na Comiss\u00e3o Parlamentar de Cultura e Comunica\u00e7\u00e3o, para o facto de a ERC n\u00e3o ter&nbsp;<em>\u00abgrande margem de manobra\u00bb, \u00abna base da legisla\u00e7\u00e3o actual\u00bb,<\/em>&nbsp;para intervir nesta compra, que considera&nbsp;<em>\u00abassunto grave, porque a ag\u00eancia noticiosa \u00e9 um lugar estrat\u00e9gico na comunica\u00e7\u00e3o social\u00bb<\/em>&nbsp;[<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/spip.php?article1417#nb4\">4<\/a>]. Os riscos s\u00e3o s\u00e9rios: desde a redu\u00e7\u00e3o da diversidade at\u00e9 aos conflito entre gest\u00e3o privada e pluralismo medi\u00e1tico, sobretudo em contexto de uso crescente da informa\u00e7\u00e3o da Lusa por parte de&nbsp;<em>media<\/em>&nbsp;com dificuldades em produzir informa\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. Que vis\u00e3o estrat\u00e9gica v\u00e3o os poderes p\u00fablicos opor a estes riscos?<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, Marco Galinha entrou tamb\u00e9m no capital da VASP, distribuidora de publica\u00e7\u00f5es que faz tamb\u00e9m chegar aos pontos de venda o&nbsp;<em>Le Monde diplomatique \u2014 edi\u00e7\u00e3o portuguesa.<\/em>&nbsp;Com a venda das participa\u00e7\u00f5es da Impresa, a propriedade tripartida da VASP (Impresa, Cofina, Global Media) concentrou-se: 50% para a Cofina, 50% para a Global Media. Os riscos de favorecimento dos meios detidos pelos dois grupos s\u00e3o evidentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Estas recomposi\u00e7\u00f5es da propriedade da Global Media, da Lusa e da VASP eram j\u00e1 preocupantes para a diversidade e o pluralismo dos&nbsp;<em>media,<\/em>&nbsp;e portanto para o jornalismo, muito antes dos epis\u00f3dios mais recentes. E s\u00f3 tendo em conta este contexto \u00e9 que se consegue realmente entend\u00ea-los. Por exemplo, que sentido dar \u00e0 constata\u00e7\u00e3o (verdadeira) de que em Portugal se atribui um espa\u00e7o desequilibrado \u00e0 opini\u00e3o de figuras pol\u00edticas? N\u00e3o se percebe como \u00e9 que atacar o problema apenas pelo \u00e2ngulo do (n\u00e3o) pagamento poderia resolver este desequil\u00edbrio. Continuar\u00e3o a escrever e a opinar, se as direc\u00e7\u00f5es editoriais o desejarem. O que muda no desequil\u00edbrio face a outro tipo de colunistas e, sobretudo, no esmagador afunilamento \u00e0 direita dos pol\u00edticos escolhidos? E n\u00e3o ser\u00e1 de recear que desmotivar as&nbsp;<em>\u00abpessoas politicamente expostas\u00bb<\/em>&nbsp;d\u00ea mais espa\u00e7o a pessoas com interesses muito menos expostos, nomeadamente econ\u00f3micos, aproveitando para consolidar a ideia, nada democr\u00e1tica, de que os \u00abpoderes\u00bb e os \u00abinteresses\u00bb a vigiar s\u00e3o s\u00f3 os pol\u00edticos, deixando livre curso aos \u00abneg\u00f3cios\u00bb e aos \u00abmercados\u00bb? N\u00e3o se esque\u00e7a que Marco Galinha chamou o patr\u00e3o dos patr\u00f5es, o presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Empresarial de Portugal (CIP) Ant\u00f3nio Saraiva, para administrador da Global Media. E n\u00e3o ser\u00e1 de temer tamb\u00e9m a concep\u00e7\u00e3o, t\u00e3o perigosamente neopositivista, de que colunistas como os acad\u00e9micos e os cientistas s\u00e3o neutrais, t\u00e9cnicos, fora do jogo dos interesses e dos poderes?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">\u00c9 aqui que estas amea\u00e7as se juntam com a de um&nbsp;<em>\u00abjornalismo de guerras culturais\u00bb,<\/em>&nbsp;no sentido em que o analisaram Serge Halimi e Pierre Rimbert neste jornal (<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/spip.php?article1389\">Mar\u00e7o de 2021<\/a>). Os&nbsp;<em>media<\/em>&nbsp;s\u00e3o crescentemente, e n\u00e3o apenas por cont\u00e1gio das redes sociais mas em aproveitamento oportun\u00edstico das mesmas, espa\u00e7os de vis\u00f5es reducionistas do mundo. Como afirmam Halimi e Rimbert, eles fomentam, depois do&nbsp;<em>\u00abconsenso sedativo\u00bb<\/em>&nbsp;dos tempos \u00e1ureos da publicidade, o&nbsp;<em>\u00abdissenso lucrativo\u00bb<\/em>&nbsp;que vive de clivagens e polariza\u00e7\u00f5es mobilizadoras, qualquer que seja o seu interesse informativo e at\u00e9 a sua veracidade. Substituem informa\u00e7\u00e3o por meras disc\u00f3rdias, que t\u00eam maior probabilidade de ser publicadas se tiverem muitos coment\u00e1rios e partilhas nas redes sociais. N\u00e3o criam cidad\u00e3os informados e cr\u00edticos; cimentam todas as convic\u00e7\u00f5es e transformam debates em duelos. \u00c9 este o modelo de neg\u00f3cios que promete dar lucro. Mas n\u00e3o promete fazer jornalismo.<\/p>\n\n\n\n<p><small>sexta-feira 4 de Junho de 2021<\/small><\/p>\n\n\n\n<p><em>Artigo publicado no Le Monde Diplomatique- edi\u00e7\u00e3o portuguesa, reproduzido com a autoriza\u00e7\u00e3o da autora<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Notas<\/h2>\n\n\n\n<p>[<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/spip.php?article1417#nh1\">1<\/a>] Ana Cristina Pereira e Pedro Rios, \u00abDirectoras do DN e JN demitem-se do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Global Media\u00bb,&nbsp;<em>P\u00fablico,<\/em>&nbsp;1 de Junho de 2021,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.publico.pt\/\">www.publico.pt<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/spip.php?article1417#nh2\">2<\/a>] Carla Borges Ferreira, \u00abConselhos de Redac\u00e7\u00e3o do JN e DN consideram \u201cileg\u00edtimas\u201d decis\u00f5es administra\u00e7\u00e3o\u00bb, Meios &amp; Publicidade, 1 de Junho de 2021,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.meiosepublicidade.pt\/\">www.meiosepublicidade.pt<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>[<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/spip.php?article1417#nh3\">3<\/a>] Leia-se a entrevista feita por Cristina Ferreira e Maria Lopes a Marco Galinha, \u00ab\u201cVamos passar o&nbsp;<em>DN<\/em>&nbsp;a papel\u201d e \u201cvirar-nos para a lusofonia\u201d\u00bb, 5 de Outubro de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>[<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/spip.php?article1417#nh4\">4<\/a>] Lusa, \u00abERC \u201cn\u00e3o tem grande margem de manobra\u201d sobre a compra da Lusa pelo grupo Bel \u2014 M\u00e1rio Mesquita\u00bb, 9 de Fevereiro de 2021.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OPINI\u00c3O | Sandra Monteiro O jornalismo anda regularmente nas bocas do mundo pelas piores e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3489,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[99],"tags":[202],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SABDRA2.png",1056,599,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SABDRA2-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SABDRA2-300x170.png",300,170,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SABDRA2-768x436.png",640,363,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SABDRA2-1024x581.png",640,363,true],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SABDRA2.png",1056,599,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SABDRA2.png",1056,599,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SABDRA2.png",1056,599,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SABDRA2.png",800,454,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SABDRA2.png",1024,581,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SABDRA2.png",540,306,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SABDRA2.png",400,227,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a>","tag_info":"OPINI\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3488"}],"collection":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3488"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3488\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3490,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3488\/revisions\/3490"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3489"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3488"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3488"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3488"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}