{"id":3950,"date":"2021-09-02T21:15:24","date_gmt":"2021-09-02T21:15:24","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=3950"},"modified":"2021-10-05T11:36:23","modified_gmt":"2021-10-05T11:36:23","slug":"o-sol-na-cabeca","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/2021\/09\/02\/o-sol-na-cabeca\/","title":{"rendered":"O sol na cabe\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>LIVROS SEM FRONTEIRA<\/strong><\/span>S |  Sol na cabe\u00e7a, Geovani Martins | Editado CR-SF<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">por Tiago Pereira da Silva<\/h2>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">J\u00e1 dizia a personagem de Philip Seymour Hoffman no filme \u00abAlmost Famous\u00bb que: \u201ca verdadeira m\u00fasica \u00e9 que nos escolhe e n\u00e3o o contr\u00e1rio!\u201d. \u00c9 poss\u00edvel que com a verdadeira literatura isso tamb\u00e9m aconte\u00e7a. <\/h4>\n\n\n\n<p>Ou se nos lembrarmos da personagem Lesra no filme \u00abThe Hurricane\u00bb, interpretada pelo actor Vicellous Shannon que a dada altura no filme sente a s\u00fabita \u201catrac\u00e7\u00e3o\u201d pela capa de um livro (\u00ab<em>the 16th Round<\/em>\u00bb que o pr\u00f3prio Rubin \u201churricane\u201d Carter havia escrito na pris\u00e3o) ao percorrer uma feira do livro, com a sua nova \u201cfam\u00edlia\u201d afectiva Canadiana. A realidade \u00e9 que esse acaso acabou por determinar a defesa de Rubin anos mais tarde e garantir que a justi\u00e7a imperava num processo absolutamente escandaloso.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Trope\u00e7ar em Geovani<\/h2>\n\n\n\n<p>Depois desta breve refer\u00eancia no que toca a \u201cencontros e coincid\u00eancias\u201d liter\u00e1rias venho com alguma vergonha sublinhar que s\u00f3 agora \u201ctropecei\u201d no autor brasileiro Geovani Martins. Se na edi\u00e7\u00e3o do ano passado da Feira do Livro de Lisboa descobri alguma da obra do tamb\u00e9m brasileiro Francisco Bosco, este ano, muito por for\u00e7a do que nos tem apontado o notabil\u00edssimo escritor portugu\u00eas Valter Hugo M\u00e3e, comprei e devorei em dois dias o livro \u00abO Sol na Cabe\u00e7a\u00bb do escritor carioca, editado em Portugal pela \u00abCompanhia das Letras\u00bb e que parece estar a revolucionar uma nova gera\u00e7\u00e3o de escritores no Brasil. Podem crer que este livro \u201cescolheu-me\u201d e n\u00e3o o contr\u00e1rio!<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel ficar indiferente a \u00abO Sol na Cabe\u00e7a\u00bb e a um cocktail de personagens ensombradas de esperan\u00e7a e desespero, mas sempre \u201ciluminadas\u201d pelo olhar sens\u00edvel do narrador que aqui vos apresento, como quando ele nos escreve a passagem <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cSeria toda a liga\u00e7\u00e3o que eu sentia pulsar entre a gente, apenas coisa da minha cabe\u00e7a? Ser\u00e1 que a verdade \u00e9 que nascemos sozinhos e morremos sozinhos, sem nunca permitir que o outro habite a nossa intimidade?\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8220;Deus e o Diabo se sentam \u00e0 mesma mesa&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p>A pequena obra \u00e9 apresentada sob a forma de 13 contos em que Geovani flana suas personagens pelo Rio de Janeiro das favelas, bem longe do cart\u00e3o postal que alguns insistem em (s\u00f3) ver da cidade. Hist\u00f3rias que relatam o mundo complexo de milhares de vidas de uma cidade efervescente, numa fronteira gigantesca entre os moradores dos morros da zona sul e os privilegiados, ou como o pr\u00f3prio autor indica em sua obra \u2013 em que \u201ca droga \u00e9 o combust\u00edvel da cidade. J\u00e1 te falei, vou falar de novo: uma semana sem drogas e o Rio de Janeiro para. N\u00e3o tem m\u00e9dico, n\u00e3o tem motorista de \u00f3nibus, n\u00e3o tem advogado, n\u00e3o tem pol\u00edcia, n\u00e3o tem gari, n\u00e3o tem nada.\u201d A cidade onde de facto \u201cDeus e o Diabo se sentam \u00e0 mesma mesa\u201d como calibrou t\u00e3o bem o cineasta Glauber Rocha. Contudo um dos aspectos que mais pode impressionar na obra de Geovani Martins \u00e9 que o autor, deliberadamente, omite as ra\u00e7as de suas personagens. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Cansado que est\u00e1, tamb\u00e9m ele, de que \u201cos negros da literatura sejam definidos, em primeiro lugar, por sua cor.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p> Tudo isto sem qualquer dose de um \u201cmoralismo\u201d paternalisticamente previs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><meta charset=\"utf-8\">\u00abSamba de Guerrilha\u00bb <\/h2>\n\n\n\n<p>A prop\u00f3sito de sua estreia liter\u00e1ria na famosa FLIP (Festa Liter\u00e1ria Internacional do Paraty) apercebeu-se justamente dessa condi\u00e7\u00e3o, quando sublinhou: \u201cali eu percebi que era negro. Porque era o \u00fanico. Todos os outros eram brancos\u201d. A quest\u00e3o da pele n\u00e3o pode de todo ser secundarizada quando falamos numa cidade como o Rio de Janeiro. Quem nunca ouviu o mais recente disco do Luca Argel &#8211; \u00abSamba de Guerrilha\u00bb &#8211; m\u00fasico brasileiro residente em Portugal ter\u00e1 v\u00e1rios motivos de interesse para o fazer. Quando falo em Geovani Martins creio de absoluta pertin\u00eancia invocar tamb\u00e9m a obra de Argel. Em primeiro lugar porque Luca \u00e9 daquela mat\u00e9ria com que muitos brasileiros nascem \u2013 destila m\u00fasica por todos os poros. Depois porque h\u00e1 outro grande motivo de interesse, ou n\u00e3o fosse o disco \u00abSamba de Guerrilha\u00bb uma aula de hist\u00f3ria protagonizada e declamada pela incr\u00edvel Telma Tvon. Mas n\u00e3o uma hist\u00f3ria qualquer e sim a hist\u00f3ria negra do Brasil de semente Africana. Ou se quiserem, a hist\u00f3ria dos \u201cpretos ou quase pretos de t\u00e3o pobres s\u00e3o tratados\u201d como escreveu Caetano e Gil, dessas que envergonhadamente ainda n\u00e3o contamos na escola (talvez por desconforto com o nosso passado colonizador ou sobretudo porque as quest\u00f5es raciais dominam ainda muitos sectores da nossa sociedade).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Medo<\/h2>\n\n\n\n<p>H\u00e1 por isso aspectos que se cruzam na obra \u00abSamba de Guerrilha\u00bb de Luca Argel e de \u00abO Sol na Cabe\u00e7a\u00bb de Geovani Martins \u2013 como o medo. Mas se na obra do m\u00fasico exalta-se o medo que os tiranos sentiam do povo no per\u00edodo da escravatura, da\u00ed a sua imposi\u00e7\u00e3o e estabelecimento por s\u00e9culos e s\u00e9culos, na obra do escritor esse medo permanece perpetuado no obscurantismo de certas classes sociais, onde na condi\u00e7\u00e3o de pobreza h\u00e1 o medo real das crian\u00e7as que brincam e emergem num contexto muitas vezes de glorifica\u00e7\u00e3o do narcotraficante. Como dizia Chico Buarque h\u00e1 uns anos: \u201cn\u00e3o tem como um adolescente crescer numa favela e n\u00e3o se sentir atra\u00eddo pelo universo do narcotraficante. Os seus amigos que trabalham com o bagulho ostentam os fios de ouro, os t\u00e9nis de marca, ou a garota mais foda de toda a favela\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 sobretudo em \u00abO Sol na Cabe\u00e7a\u00bb o medo real das interven\u00e7\u00f5es desproporcionais da pol\u00edcia na favela e as v\u00edtimas das balas perdidas, numa guerra que nunca mais parece ter fim. Em que como reconheceram os cineastas brasileiros:\u00a0 Jos\u00e9 Padilha ou Fernando Meirelles \u201cno Rio o tipo de armas que \u00e9 utilizado no narcotr\u00e1fico \u00e9 utilizado em outras partes do mundo para fazer a guerra\u201d. Brasil que como nos lembra Luca Argel pela voz de Telma Tvon, emerge neste s\u00e9culo XXI herdeiro de uma \u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d esclavagista de mais de 350 anos. Mais de metade da idade do pa\u00eds. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cQuantas pessoas foram escravizadas? Pelo menos 5 milh\u00f5es. E onde estava a maioria deles? Precisamente no Rio de Janeiro. (\u2026)&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Por volta do ano de 1840 quase metade da popula\u00e7\u00e3o do Rio era de escravizados. Ali\u00e1s o Rio tinha por esses dias do s\u00e9culo XIX mais africanos do que qualquer outra cidade em \u00c1frica\u201d s\u00f3 para se ter uma no\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dos n\u00fameros. Escravatura essa, que como sabemos, s\u00f3 viria a ser abolida no decreto do 13 de Maio de 1888 no Brasil.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Falar do Rio de Janeiro \u00e9 falar desta hist\u00f3ria e \u00e9 n\u00e3o esquecer a hist\u00f3ria. Geovani Martins emerge como um dos filhos mais leg\u00edtimos deste caldo multi-cultutal de contrastes. E o seu livro \u00e9 um arrombo, que se torna ainda mais urgente no Brasil actual em que o seu l\u00edder m\u00e1ximo quer basear a sua natureza politica: na exclus\u00e3o, no medo, na ditadura do preconceito, propagandeando uma envangeliza\u00e7\u00e3o religiosa irracional no pensamento do brasileiro comum em contraste com a verdade do que a ci\u00eancia nos traz.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Constru\u00e7\u00e3o de linguagens<\/h2>\n\n\n\n<p>Alguns reputados cr\u00edticos liter\u00e1rios sublinham a capacidade que Geovani tem ao longo de toda a obra de \u201cpular entre a oralidade mais rasgada\u201d &#8211; em que a representa\u00e7\u00e3o real da oralidade da g\u00edria \u201cCarioca\u201d das favela quase se torna impercet\u00edvel para um leitor mais distra\u00eddo \u2013 para \u201co portugu\u00eas mais can\u00f3nico\u201d. Lembramo-nos ao ler \u00abO Sol na Cabe\u00e7a\u00bb de refer\u00eancias universais da nossa l\u00edngua como o brasileiro Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa e o seu \u00abGrande Sert\u00e3o: Veredas\u00bb em que o autor inova justamente pela constru\u00e7\u00e3o de linguagens, a come\u00e7ar na narra\u00e7\u00e3o do seu protagonista Riobaldo e suas andan\u00e7as pelo sert\u00e3o brasileiro, em que se traduz essa cristaliza\u00e7\u00e3o da oralidade popular de cada uma das suas personagens.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que mais \u201crola\u201d aqui com ou sem Gloss\u00e1rio \u00e9 que Geovani parece narrar o quotidiano carioca bem ao estilo de um Realismo Urbano consagrado por nomes como o cubano Pedro Juan Guti\u00e9rrez e a sua respeitad\u00edssima \u00abTrilogia Suja de Havana\u00bb. Criando no leitor a sensa\u00e7\u00e3o, o tempo todo, de uma fic\u00e7\u00e3o que se mistura com o real. Bem que se poderia dizer que mais do que ser fruto de sua criatividade, \u00abO Sol na Cabe\u00e7a\u00bb parece ser um comp\u00eandio de coisas que Geovani viu acontecer consigo e seus companheiros de inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, na sobreviv\u00eancia di\u00e1ria que \u00e9 ou dever\u00e1 ser o dia-a-dia numa favela. \u201cNascido e criado nas favelas cariocas\u201d, Geovani deixa-nos\u00a0 com o seu \u00abO Sol na Cabe\u00e7a\u00bb 13 contos em forma de relatos, em que <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201co amor, a amizade, o prazer dos banhos do mar, as brincadeiras de rua, a adrenalina das pinturas de murais, namoros fugazes\u201d <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>tendo quase sempre as favelas como pano de fundo e as limita\u00e7\u00f5es da vida do habitante comum resultantes do bar\u00f3metro do narcotr\u00e1fico como o espelho real e fervilhante do que \u00e9 o rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Chamam-lhe uma das novas grandes vozes da literatura escrita em portugu\u00eas. Se por estes dias for \u00e0 Feira do Livro (Porto ou Lisboa), confira tamb\u00e9m!<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Tiago Pereira da Silva<\/h3>\n\n\n\n<p><em>Professor do Ensino Oficial e Professor Assistente no Ensino Superior. Treinador e orientador de pr\u00e1ticas desportivas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"817\" height=\"605\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/tiago.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3951\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/tiago.png 817w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/tiago-300x222.png 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/tiago-768x569.png 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/tiago-80x60.png 80w\" sizes=\"(max-width: 817px) 100vw, 817px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LIVROS SEM FRONTEIRAS | Sol na cabe\u00e7a, Geovani Martins | Editado CR-SF por Tiago Pereira&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3952,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[242],"tags":[218,228],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/sol3.png",1052,588,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/sol3-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/sol3-300x168.png",300,168,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/sol3-768x429.png",640,358,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/sol3-1024x572.png",640,358,true],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/sol3.png",1052,588,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/sol3.png",1052,588,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/sol3.png",1052,588,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/sol3.png",800,447,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/sol3.png",1024,572,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/sol3.png",540,302,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/sol3.png",400,224,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/livros-musica\/\" rel=\"category tag\">LIVROS &amp; M\u00daSICA<\/a>","tag_info":"LIVROS &amp; M\u00daSICA","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3950"}],"collection":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3950"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3950\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3954,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3950\/revisions\/3954"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3952"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3950"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3950"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3950"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}