{"id":4791,"date":"2022-01-09T19:14:38","date_gmt":"2022-01-09T19:14:38","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=4791"},"modified":"2022-01-09T19:14:44","modified_gmt":"2022-01-09T19:14:44","slug":"thomas-piketty-a-luta-pela-igualdade-ainda-pode-ser-vencida","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/2022\/01\/09\/thomas-piketty-a-luta-pela-igualdade-ainda-pode-ser-vencida\/","title":{"rendered":"Thomas Piketty: &#8220;A luta pela igualdade ainda pode ser vencida&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>ALTERNATIVES ECONOMIQUES | Edi\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o Carlos Ribeiro | Entrevista AE<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Reproduzimos parcialmente uma entrevista que Thomas Piketty concedeu \u00e0 publica\u00e7\u00e3o Alternatives Economiques que desafia para uma reflex\u00e3o sobre o tema crucial da igualdade nas sociedades modernas.<\/h3>\n\n\n\n<p>O reputado economista publicou recentemente um livro cujo tema \u00e9 a hist\u00f3ria da Igualdade no qual aborda quest\u00f5es hist\u00f3ricas mas tamb\u00e9m econ\u00f3micas e pol\u00edticas como ali\u00e1s \u00e9 a marca da sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. N\u00e3o deixa de ser significativo o fato de Piketty referir que a luta pela igualdade foi vencida  em diversas oportunidades por via das lutas coletivas. Esta leitura \u00e9 representativa de uma vis\u00e3o do economista sobre o processo hist\u00f3rico e social dos \u00faltimos dois s\u00e9culos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim as interroga\u00e7\u00f5es que acompanham a sua reflex\u00e3o s\u00e3o extremamente desafiadoras. Destas destacamos: <meta charset=\"utf-8\">Como dividir o poder nas empresas? Como lutar contra a discrimina\u00e7\u00e3o? Como construir uma sociedade justa e participativa, baseada em uma organiza\u00e7\u00e3o descentralizada? Como financiar a vida pol\u00edtica e os media? <\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, um debate, com estes e outros temas que vale a pena promover e dinamizar porque as solu\u00e7\u00f5es que est\u00e3o \u00e1 m\u00e3o de semear pelo menos aparentam estar desfasadas no tempo ou a precisarem de ser refrescadas,<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Estudo das desigualdades<\/h2>\n\n\n\n<p>Depois de <strong>O Capital no S\u00e9culo 21<\/strong> (Seuil, 2013) e <strong>Capital et ideologia<\/strong> (Seuil, 2019), dois livros estimulantes de 976 e 1.197 p\u00e1ginas respectivamente, Thomas Piketty retorna aos seus assuntos favoritos no livro <strong>Uma Breve Hist\u00f3ria da Igualdade <\/strong>(Le threshold, 2021) em apenas\u2026 350 p\u00e1ginas! Tendo por base um estudo detalhado de dados hist\u00f3ricos, identifica os per\u00edodos nos quais ao longo do s\u00e9culo XX, podem ser verificados progressos na igualdade e tira li\u00e7\u00f5es sobre o que poder\u00edamos fazer hoje (ou deixar de fazer) para ganhar novas lutas nesta \u00e1rea. Tudo isso constitui um forte apelo para dar continuidade \u00e0 a\u00e7\u00e3o coletiva para \u201cconstruir uma sociedade justa e participativa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Do estudo das desigualdades em seus dois livros anteriores, &#8220;O Capital no S\u00e9culo 21&#8221; (Le Seuil, 2013) e &#8220;Capital e ideologia&#8221; (Le Seuil, 2019), voc\u00ea passou para o da igualdade. Porqu\u00ea essa invers\u00e3o de perspectiva?<\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c0 luz dos dados que recolhi, o movimento que me surgiu como o mais profundo foi uma marcha de longo curso em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 igualdade em todas as suas dimens\u00f5es, seja a do rendimento, do patrim\u00f3nio, dos direitos sociais e pol\u00edticos, de g\u00e9nero ou perten\u00e7a \u00e9tnica.<\/p>\n\n\n\n<p>Iniciado h\u00e1 dois s\u00e9culos, muito se deve \u00e0s lutas e mobiliza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ocorridas em momentos espec\u00edficos da hist\u00f3ria. A marcha para a igualdade come\u00e7ou notavelmente com a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (1789) e a revolta dos escravos em S\u00e3o Domingos (1791), que marcaram respectivamente o in\u00edcio do fim das sociedades privilegiadas e das sociedades escravistas coloniais. Prosseguiu no s\u00e9culo XIX com a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, com o in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o de um estatuto salarial e do direito do trabalho e, no s\u00e9culo XX, com o advento da seguran\u00e7a social, dos impostos progressivos, do sufr\u00e1gio feminino e das independ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As lutas coletivas e a igualdade<\/h2>\n\n\n\n<p>A luta pela igualdade foi vencida em diversas oportunidades por via das lutas coletivas. Ent\u00e3o ela pode ser vencida de novo. Insistir na marcha para a igualdade n\u00e3o \u00e9, no entanto, um apelo balofo, pelo contr\u00e1rio. Em vez disso, \u00e9 um apelo para continuar a lutar numa base hist\u00f3rica espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>As rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a pol\u00edticas desempenham um papel central neste processo e mas temos que perceber que por si s\u00f3 n\u00e3o chegam. A marcha para a igualdade tamb\u00e9m e acima de tudo depende da sa\u00edda institucional a que essas lutas pelo poder levar\u00e3o. Porque uma coisa \u00e9 derrubar as institui\u00e7\u00f5es existentes, mas depois temos que pensar em novas regras fiscais, educacionais, sociais ou eleitorais que sejam genuinamente emancipadoras e igualit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 consenso espont\u00e2neo sobre o que deveria ser uma sociedade justa. Como dividir o poder nas empresas? Como lutar contra a discrimina\u00e7\u00e3o? Como construir uma sociedade justa e participativa, baseada em uma organiza\u00e7\u00e3o descentralizada? Como financiar a vida pol\u00edtica e os media? S\u00e3o perguntas para as quais devemos encontrar respostas coletivamente, com base nas li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria. Estou tentando contribuir com isso neste novo livro.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-4 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<div class=\"wp-block-columns alignfull is-layout-flex wp-container-2 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column has-background is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"background-color:#a6afb7;flex-basis:100%\">\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"744\" height=\"424\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/picketty.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4792\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/picketty.jpg 744w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/picketty-300x171.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 744px) 100vw, 744px\" \/><figcaption>Thomas Piketty<\/figcaption><\/figure><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Thomas Piketty, nascido em Clichy (Fran\u00e7a) em 1971, \u00e9 professor catedr\u00e1tico na\u00a0<em>\u00c9cole des Hautes \u00c9tudes en Sciences Sociales<\/em>\u00a0e professor da\u00a0<em>\u00c9cole d\u2019\u00c9conomie de Paris<\/em>.<br>De Thomas Piketty, a Temas e Debates publicou\u00a0<em>O Capital no S\u00e9culo XXI<\/em>\u00a0(2014), traduzido em 40 l\u00ednguas e que vendeu mais de 2,5 milh\u00f5es de exemplares em todo o mundo,\u00a0<em>Por Um Tratado de Democratiza\u00e7\u00e3o da Europa<\/em>\u00a0(em coautoria, 2017) e\u00a0<em>Capital e Ideologia<\/em>\u00a0(2019).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ALTERNATIVES ECONOMIQUES | Edi\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o Carlos Ribeiro | Entrevista AE Reproduzimos parcialmente uma entrevista&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4792,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[237,242],"tags":[271,272],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/picketty.jpg",744,424,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/picketty-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/picketty-300x171.jpg",300,171,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/picketty.jpg",640,365,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/picketty.jpg",640,365,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/picketty.jpg",744,424,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/picketty.jpg",744,424,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/picketty.jpg",744,424,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/picketty.jpg",744,424,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/picketty.jpg",744,424,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/picketty-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/picketty-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/causas\/\" rel=\"category tag\">CAUSAS<\/a> <a href=\"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/livros-musica\/\" rel=\"category tag\">LIVROS &amp; 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