{"id":7229,"date":"2022-06-28T06:24:21","date_gmt":"2022-06-28T06:24:21","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=7229"},"modified":"2022-06-28T06:30:01","modified_gmt":"2022-06-28T06:30:01","slug":"trabalhadores-do-sexo-uni-vos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/2022\/06\/28\/trabalhadores-do-sexo-uni-vos\/","title":{"rendered":"Trabalhadores do Sexo Uni-vos!"},"content":{"rendered":"\n<p><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>OPINI\u00c3O <\/strong><\/mark>| Leituras de salto alto <\/p>\n\n\n\n<p><strong>por Nelson Anjos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>(\u201cProlet\u00e1rios de todos os pa\u00edses, uni-vos!\u201d \u00e9 o c\u00e9lebre apelo deixado por Marx e Engels no seu Manifesto Comunista de 1848)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"251\" height=\"149\" data-id=\"7230\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SEXO1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7230\"\/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>De uma forma ousada a antrop\u00f3loga Ana Lopes exp\u00f5e neste livro o seu pensamento acerca das atividades ligadas ao sexo, prosseguindo alguma forma de interesse econ\u00f3mico. \u00c1rea de atividade em tudo semelhante a qualquer outra com o mesmo objetivo central, onde o mal n\u00e3o est\u00e1 na atividade em si mesma mas na aus\u00eancia de um quadro que regule o seu exerc\u00edcio, proteja e confira aos seus profissionais a mesma dignidade, em vez do estigma social a que se encontra sujeita.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;N\u00e3o pretendendo diminuir em valor a coragem da proposta, ou ver nela a raz\u00e3o para alguma conclus\u00e3o precipitada, preferiria contudo prescindir de algum respaldo que a autora for\u00e7a em terceiros, para acrescentar legitimidade ao seu pensamento. Por exemplo, n\u00e3o tenho a certeza de que n\u00e3o seja abusiva a conclus\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c(\u2026) Defendo que, na realidade, Marx, Engels e Kollontai sugeriram a possibilidade de considerar a prostitui\u00e7\u00e3o como mais um trabalho, posi\u00e7\u00e3o que eu partilho.\u201d (p. 179)<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Com efeito, as passagens dos textos dos autores citados, de que se socorre a autora para dar for\u00e7a ao seu ponto de vista, t\u00eam margem de ambiguidade suficiente para permitir outras interpreta\u00e7\u00f5es. No caso, por mim prefiro assumir por inteiro a responsabilidade da afirma\u00e7\u00e3o. E estou sem reservas com a autora quando reafirma, a partir de outro \u00e2ngulo, a mesma ideia:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c(\u2026) Se o trabalho do \u201cchulo\u201d \u00e9 imoral tamb\u00e9m o \u00e9 o de qualquer patr\u00e3o dentro deste sistema econ\u00f3mico.\u201d (p.114)<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Ser\u00e1 algum \u00f3rg\u00e3o, sistema ou parte do corpo humano, dotado de maior dignidade, que justifique a atribui\u00e7\u00e3o de estatuto superior ou diferente dos demais? Ser\u00e1 o sexo mais nobre que as pernas, as m\u00e3os ou o c\u00e9rebro? \u2013 claro que, colocada assim a quest\u00e3o, no quadro de uma l\u00f3gica simplista, a pergunta risca poder induzir alguma resposta errada. Anotem-se os riscos e avance-se, que o caminho faz-se caminhando.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;E Ana Lopes arrisca tudo quando conclui na introdu\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c(\u2026) Quando terminar de ler esta obra, espero encontrar em si, leitor, mais um aliado\/a do movimento em defesa dos profissionais do sexo. Porque os profissionais do sexo n\u00e3o querem ser salvos, por muito que isso lhe custe. Querem direitos laborais e c\u00edvicos. Querem o fim da estigmatiza\u00e7\u00e3o do seu trabalho. Querem dignidade e respeito.\u201d (p. 22)<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Finalmente, a autora n\u00e3o deixa margem para alus\u00e3o a qualquer suposto desconhecimento, da sua parte, relativamente ao meio a que se refere, ou ilegitimidade para falar em nome de uma classe. Lembra ter sido ela pr\u00f3pria tamb\u00e9m trabalhadora do sexo, ativista, e al\u00e9m do mais ter seguido um m\u00e9todo de trabalho que integra como participantes ativos os chamados \u201cinformantes\u201d, que, noutros modelos de investiga\u00e7\u00e3o s\u00e3o remetidos ao papel de agentes passivos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c(\u2026) aqueles que s\u00e3o designados como \u201cinformantes\u201d noutros tipos de investiga\u00e7\u00e3o devem, na verdade, participar diretamente no processo da investiga\u00e7\u00e3o\u201d (p. 235)<\/p>\n\n\n\n<p>(\u2026) A inclus\u00e3o dos profissionais do sexo, de todos os g\u00e9neros, como participantes, em vez de informantes passivos, foi um aspeto que fez deste trabalho um projeto inovador e de um valor \u00e9tico essencial\u201d (p. 254)<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Sem preocupa\u00e7\u00e3o em usar luva, branca ou de qualquer outra cor, o livro de Ana Lopes \u00e9 uma chapada na cara hip\u00f3crita e pind\u00e9rica da nossa sociedadezinha beata.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nelson Anjos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"407\" height=\"392\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/nelson-1-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7233\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/nelson-1-3.jpg 407w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/nelson-1-3-300x289.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 407px) 100vw, 407px\" \/><figcaption><strong>Nelson Anjos<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OPINI\u00c3O | Leituras de salto alto por Nelson Anjos (\u201cProlet\u00e1rios de todos os pa\u00edses, uni-vos!\u201d&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7231,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[317,99,121],"tags":[354],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SEXO.jpg",250,385,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SEXO-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SEXO-195x300.jpg",195,300,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SEXO.jpg",250,385,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SEXO.jpg",250,385,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SEXO.jpg",250,385,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SEXO.jpg",250,385,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SEXO.jpg",250,385,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SEXO.jpg",250,385,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SEXO.jpg",250,385,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SEXO-250x340.jpg",250,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SEXO-250x250.jpg",250,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/noticias\/\" rel=\"category tag\">NOTICIAS<\/a> <a href=\"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a> <a href=\"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/causas\/tribuna\/\" rel=\"category tag\">TRIBUNA<\/a>","tag_info":"TRIBUNA","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7229"}],"collection":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7229"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7229\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7234,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7229\/revisions\/7234"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7231"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7229"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7229"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7229"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}