{"id":7337,"date":"2022-07-09T16:49:40","date_gmt":"2022-07-09T16:49:40","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=7337"},"modified":"2022-07-20T21:25:17","modified_gmt":"2022-07-20T21:25:17","slug":"naufragos-do-socialismo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/2022\/07\/09\/naufragos-do-socialismo\/","title":{"rendered":"N\u00e1ufragos do socialismo"},"content":{"rendered":"\n<p><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>MUNDO<\/strong><\/mark> | DOSSI\u00ca Alb\u00e2nia Hoje (2) \u2013 9 de julho 2022 | PESQUISA SF \u00a9<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/carlosvalentimribeiro\/\">carlosribeiro<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o de 1992 a capa da Revista do Expresso chocava os setores da extrema-esquerda portuguesa que nos anos antecedentes esteve ligada \u00e0 corrente albanesa do movimento comunista internacional pondo a nu um pa\u00eds \u00e0 deriva, pobre e sem esperan\u00e7a. <strong>N\u00e1ufragos do Socialismo<\/strong> foi o t\u00edtulo que Daniel Ribeiro e Rui Och\u00f4a (fotos) constru\u00edram com arte e saber jornal\u00edstico para abrir as portas da revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<strong>O pa\u00eds que chegou a ser considerado o Farol do Socialismo na Europa n\u00e3o \u00e9 hoje mais do que ru\u00edna &#8211; onde, por ironia, os cortes de luz s\u00e3o constantes<\/strong>&#8221; assim abriram o dossier que fomos recuperar para ilustrar a progress\u00e3o nas \u00faltimas d\u00e9cadas deste pequeno territ\u00f3rio que assumiu, durante muitos anos,  o papel de &#8220;aldeia de Asterix&#8221;contra os romanos do capitalismo, do imperialismo e do social-imperalismo  do p\u00f3s-2\u00aa Guerra Mundial.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"758\" height=\"1024\" data-id=\"7343\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145523-758x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7343\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145523-758x1024.jpg 758w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145523-222x300.jpg 222w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145523-768x1037.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145523-1138x1536.jpg 1138w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145523-1517x2048.jpg 1517w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145523-1024x1382.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145523-scaled.jpg 1896w\" sizes=\"(max-width: 758px) 100vw, 758px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"662\" height=\"1024\" data-id=\"7344\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/alba2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7344\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/alba2.jpg 662w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/alba2-194x300.jpg 194w\" sizes=\"(max-width: 662px) 100vw, 662px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:38px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Realidade e miragens<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;A Alb\u00e2nia \u00e9 um pa\u00eds sinistrado, as suas f\u00e1bricas n\u00e3o funcionam, o seu povo perdeu a esperan\u00e7a e nas cidades prospera o caos e a anarquia. A Alb\u00e2nia pertence ao quarto mundo e tem um n\u00edvel de vida inferior a muitos pa\u00edses da \u00c1frica Negra&#8221;  o diagn\u00f3stico n\u00e3o podia ser mais aterrador. No meio das refer\u00eancias de avalia\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o os nossos guias do Expresso (no tempo em que o seman\u00e1rio era uma institui\u00e7\u00e3o central da informa\u00e7\u00e3o em Portugal) adiantam uma anedota muito representativa da grande mentira que foram as declara\u00e7\u00f5es dos dirigentes do Partido do Trabalho da Alb\u00e2nia ao longo de anos a fio <strong>&#8220;Na Alb\u00e2nia comunista o leque salarial era de tr\u00eas para um, porque apenas havia pastores de primeira, de segunda e de terceira&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Era mentira!<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Era mentira e a prova \u00e9 hoje perempt\u00f3ria<\/strong>&#8220;, afirma-se no artigo a prop\u00f3sito da pretensa via albanesa para o socialismo e para a <strong>&#8220;constru\u00e7\u00e3o de um socialismo diferente e mais feliz do que o da URSS ou da China&#8221;.<\/strong>  A realidade \u00e9 tra\u00e7ada de forma nua e crua sendo destacada a aus\u00eancia de bens de primeira necessidade, a paralisa\u00e7\u00e3o ou o abandono das f\u00e1bricas e das cooperativas agr\u00edcolas e a mis\u00e9ria reinante.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00f3s ganhamos muito pouco, o sal\u00e1rio de um oper\u00e1rio alban\u00eas vai de 500 a 800 leks e de um alto funcion\u00e1rio 2000. Vinte d\u00f3lares correspondem a dois sal\u00e1rios mensais.&#8221; adianta-se a prop\u00f3sito do quotidiano dos albaneses que se encontram na sua maioria no desemprego. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"7345\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145613.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7345\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145613.jpeg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145613-300x225.jpeg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145613-768x576.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:21px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Privil\u00e9gios e mis\u00e9ria<\/h2>\n\n\n\n<p>Recorde-se que nos tempos da ditadura de Enver Hohxa e do partido \u00fanico alguns elementos eram bem reveladores de uma sociedade subdesenvolvida na qual prevaleciam privil\u00e9gios para uns poucos e mis\u00e9ria de forma generalizada para a popula\u00e7\u00e3o das cidades e dos campos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\"><li>as lojas eram do Estado e todos os albaneses viviam na base de senhas de racionamento;<\/li><li>s\u00f3 o Estado e o Partido podiam possuir carros;<\/li><li>as empresas, todas do Estado, paravam regularmente por falta de mat\u00e9ria-prima e os resultados da produ\u00e7\u00e3o eram geridos pelo partido <\/li><li>quem acedia ao ensino, nomeadamente o superior, era o partido em fun\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios de interesse ideol\u00f3gico ou de vantagens em benef\u00edcio pr\u00f3prio<\/li><li>os altos dignat\u00e1rios do Estado-Partido possu\u00edam casas de f\u00e9rias em est\u00e2ncias balneares e nas zonas de montanha mas a eletricidade (que era exportada) n\u00e3o chegava \u00e0s aldeias remotas e as interrup\u00e7\u00f5es de fornecimento de energia eram frequentes,<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-5 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"1017\" data-id=\"7346\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145151.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7346\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145151.jpeg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145151-300x298.jpeg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145151-150x150.jpeg 150w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145151-768x763.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"7347\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145234.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7347\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145234.jpeg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145234-300x225.jpeg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145234-768x576.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"has-black-color has-white-background-color has-text-color has-background wp-block-heading\">Presos pol\u00edticos e liberdade<\/h2>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros das v\u00edtimas do regime s\u00e3o controversos no entanto segundo a reportagem de Daniel Ribeiro e Rui Och\u00f4a alguns s\u00e3o certos:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Antes das \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, que falharam, havia 1200 prisioneiros pol\u00edticos na Alb\u00e2nia. No total ter\u00e3o passado pelas pris\u00f5es ou pelos campos de trabalho do ditador Enver Hohxa cerca de 250.000 pessoas o que leva a avaliar em cerca de um milh\u00e3o ou ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o total, o n\u00famero de pessoas que sofreu a repress\u00e3o. Porque, quando um homem era preso, a sua mulher e os seus filhos tamb\u00e9m sofriam, e muito  eram pressionados  e humilhados, limitavam-lhes as senhas para o racionamento e recebiam a visita frequente da pol\u00edcia secreta, a <strong>Segurim<\/strong>i&#8221; explicou ao Expresso Kujtim Cashku dirigente do F\u00f3rum dos Direitos do Homem. &#8220;Temos muitas dificuldades em encontrar n\u00fameros exactos porque eles destru\u00edram os documentos, tentando assim apagar os rastos dos seus crimes. N\u00e3o sabemos exatamente quantas pessoas morreram com a tortura, calculamos que o n\u00famero de mortos por motivos pol\u00edticos andar\u00e1 entre os dez e os vinte mil&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">S\u00f3 tentei emigrar<\/h2>\n\n\n\n<p>Os ex-prisioneiros pol\u00edticos viviam com imensos problemas. Um deles detido durante 17 anos num campo de trabalhos for\u00e7ados de Fieri, no sul do pa\u00eds, apesar de ter sido libertado h\u00e1 um ano, ainda n\u00e3o se adaptou \u00e0 liberdade. N\u00e3o quer falar do que viveu, comove-se, afirma que n\u00e3o foi preso por ser pol\u00edtico &#8211; <strong>eu s\u00f3 tentei emigrar <\/strong>&#8211; explicou. Muitos ex-prisioneiros  permanecem nas regi\u00f5es onde foram deportados, sem dinheiro para a viagem de regresso e a fam\u00edlia n\u00e3o sabe o seu paradeiro. Duas centenas de &#8220;internados&#8221; n\u00e3o querem abandonar o local, e a\u00ed vegetam vivendo em cabanas em condi\u00e7\u00f5es infra-humanas (alguns deles h\u00e1 perto de 20 anos).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-7 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"7352\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145547.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7352\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145547.jpeg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145547-300x225.jpeg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/20220708_145547-768x576.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"718\" data-id=\"7353\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/alba7.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7353\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/alba7.jpeg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/alba7-300x210.jpeg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/alba7-768x539.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:23px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Durres<\/h2>\n\n\n\n<p>Durres possui como Vlora um porto muito activo. Foi destes dois portos que os refugiados albaneses partiram para It\u00e1lia quando da crise dos embaixadores. Em apenas um ano  emigraram cerca de 500.000 albaneses, um n\u00famero enorme num pa\u00eds com tr\u00eas milh\u00f5es de habitantes. Durres parece estar em estado de sitio. O porto \u00e9 protegido por devesas barreiras de tropa e arame farpado. Os militares albaneses e italianos, receiam que a popula\u00e7\u00e3o assalte os barcos. &#8220;H\u00e1 muitos albaneses armados, faz parte da tradi\u00e7\u00e3o local&#8221;afirmam os militares para os quais este elemento \u00e9 particularmente cr\u00edtico para a miss\u00e3o que t\u00eam que cumprir.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Novas ondas culturais<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;Num passado muito recente uma pessoa corria o risco de ser presa se fosse apanhada a ouvir m\u00fasica deste tipo &#8211; rom\u00e2nticas italianas, Beatles, Rolling Stones,  etc &#8211; por isso ouv\u00edamo-la clandestinamente, com o som bem baixo, por causa dos vizinhos que nos podiam denunciar&#8221; declara\u00e7\u00f5es de Arben que se considera um comunista moderado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ramiz Alia<\/h2>\n\n\n\n<p>No dossier a que nos reportamos, Daniel Ribeiro teve oportunidade de entrevistar Ramiz Alia. O ex-n\u00famero dois do regime de Hohxa  surge com uma avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica face aos pontos fundamentais da governa\u00e7\u00e3o na \u00faltima fase e condena a incapacidade de impulsionar a economia e de n\u00e3o ter sido facilitada a propriedade privada e a iniciativa econ\u00f3mica n\u00e3o-estatal. <\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m nas liberdades e garantias de direitos Alia reconhece que houve falta de lucidez, excessos e que o pluralismo \u00e9 essencial &#8220;o que hoje chamamos de partido-estado foi um dos maiores erros porque o Estado foi transformado num partido. Foi um erro porque o partido \u00e9 sempre uma minoria na sociedade. Deveria ter sido um aparelho de Estado independente a dirigir o pa\u00eds e n\u00e3o o partido&#8221;. <\/p>\n\n\n\n<p>Ramiz Alia confessou que os aspetos nacionais prevaleceram sempre sobre os aspetos ideol\u00f3gicos, nos grandes debates com a URSS, a China e a Jugosl\u00e1via e que os partidos europeus que apoiaram o PTA foram muitas vezes &#8220;utilizados&#8221; nestas contendas, porque para os albaneses o que contava verdadeiramente era a Alb\u00e2nia independente e senhora da sua soberania nacional &#8220;fal\u00e1vamos com eles dos aspetos nacionais, mas , de facto quando discut\u00edamos com os outros dirigentes marxistas-leninistas sobre as nossas diverg\u00eancias com a URSS, por exemplo,  estes aspetos nacionais eram muito atenuados , valoriz\u00e1vamos as quest\u00f5es ideol\u00f3gicas. Eram estas \u00faltimas  que estavam em primeiro plano nas discuss\u00f5es&#8221; e \u00e0 pergunta sobre a cr\u00edtica que era realizada a Tito da Jugosl\u00e1via como sendo fundamentalmente nos aspetos nacionais, Alia confirma &#8220;Exatamente. N\u00e3o se tratava de uma discuss\u00e3o de princ\u00edpios. Eram, sem d\u00favida, as quest\u00f5es nacionais as mais importantes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-9 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"716\" data-id=\"7349\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/alia3.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7349\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/alia3.jpeg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/alia3-300x210.jpeg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/alia3-768x537.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p> Fonte : REVISTA DO EXPRESSO 7 de mar\u00e7o de 1992 &#8211; Jornalista DANIEL RIBEIRO Fot\u00f3grafo Rui Och\u00f4a<\/p>\n\n\n\n<p>Artigo e pesquisa que se insere no Projeto PEOPLE | Europa para os Cidad\u00e3os | Contributos para o combate \u00e0 Opress\u00e3o, Repress\u00e3o e Persegui\u00e7\u00e3o nos regimes autorit\u00e1rios na Europa | Carlos Ribeiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MUNDO | DOSSI\u00ca Alb\u00e2nia Hoje (2) \u2013 9 de julho 2022 | PESQUISA SF \u00a9carlosribeiro&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7354,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[377,238,236],"tags":[370,360],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1992.jpeg",1024,853,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1992-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1992-300x250.jpeg",300,250,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1992-768x640.jpeg",640,533,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1992.jpeg",640,533,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1992.jpeg",1024,853,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1992.jpeg",1024,853,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1992-1024x715.jpeg",1024,715,true],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1992-800x500.jpeg",800,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1992.jpeg",1024,853,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1992-540x340.jpeg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1992-400x250.jpeg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/albania-2022\/\" rel=\"category tag\">ALB\u00c2NIA 2022<\/a> <a href=\"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/mundo\/\" rel=\"category tag\">MUNDO<\/a>","tag_info":"MUNDO","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7337"}],"collection":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7337"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7337\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7357,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7337\/revisions\/7357"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7354"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}