{"id":7725,"date":"2022-08-11T12:23:33","date_gmt":"2022-08-11T12:23:33","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=7725"},"modified":"2022-08-11T12:27:48","modified_gmt":"2022-08-11T12:27:48","slug":"albania-hoxhista-vertente-nacionalista-do-totalitarismo-na-europa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/2022\/08\/11\/albania-hoxhista-vertente-nacionalista-do-totalitarismo-na-europa\/","title":{"rendered":"Alb\u00e2nia hoxhista,  vertente nacionalista do totalitarismo na Europa"},"content":{"rendered":"\n<p><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>MUNDO <\/strong><\/mark>|  DOSSI\u00ca Alb\u00e2nia Hoje (8) \u2013 11 de agosto 2022 | Opini\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">por Carlos Ribeiro<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 suposto que num media de comunica\u00e7\u00e3o colaborativa, como \u00e9 o caso do Sem Fronteiras,  que a fun\u00e7\u00e3o de facilitador da participa\u00e7\u00e3o e da partilha de textos, imagens e opini\u00f5es se confunda com aquelas que produzem conte\u00fados opinativos, sendo na circunst\u00e2ncia recomendado um certo distanciamento e at\u00e9 uma inequ\u00edvoca neutralidade tranquilizadora para que seja assegurado um fluxo de conte\u00fados com qualidade e diversidade, garantindo um elevado sentido cr\u00edtico, pol\u00e9mico e at\u00e9 de controv\u00e9rsia.<\/p>\n\n\n\n<p>Vem este apontamento a prop\u00f3sito da excelente colabora\u00e7\u00e3o que<strong> Manuel Rodrigues<\/strong> introduziu no DOSSI\u00ca &#8220;Alb\u00e2nia Hoje&#8221; atrav\u00e9s do seu artigo de opini\u00e3o <a href=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/index.php\/2022\/07\/20\/naufragos-do-socialismo-agarram-se-a-tabua-podre-do-anticomunismo\/\">&#8220;N\u00e1ufragos do socialismo agarram-se \u00e0 t\u00e1bua podre do anticomunismo&#8221;<\/a> que public\u00e1mos no passado dia 20 de julho. Manuel Rodrigues \u00e9 um conhecedor da mat\u00e9ria e trouxe uma vis\u00e3o complementar aos artigos iniciais que no essencial forneceram informa\u00e7\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o e sobre o percurso da Alb\u00e2nia como pa\u00eds peculiar que assumiu durante um per\u00edodo o estatuto de &#8220;<strong>farol do socialismo no mundo<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>O tom de Manuel Rodrigues no seu artigo \u00e9 pr\u00f3prio de outros tempos, mas o seu interesse est\u00e1 em constituir-se como uma abordagem que incentiva ao debate e \u00e0 pol\u00e9mica p\u00fablica sobre temas eventualmente ultrapassados mas que nos levaram a organizar algumas ideias sobre esta vertente do totalitarismo na Europa, o nacionalismo alban\u00eas com roupagens socialistas, que chegou a criar ades\u00f5es em Portugal, \u00e0s tantas mais pelo romantismo do paradigma &#8220;aldeia de Asterix&#8221; que pela produ\u00e7\u00e3o te\u00f3rica que era francamente muito fraca e repleta de banalidades propagand\u00edsticas. Assim n\u00e3o tanto pela Alb\u00e2nia do passado mas antes pela procura de elementos antecipat\u00f3rios sobre as rela\u00e7\u00f5es entre o nacionalismo revolucion\u00e1rio e o populismo autorit\u00e1rio adiantamos alguns apontamentos que ter\u00e3o seguimento num segundo artigo a breve trecho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Confundir para condenar<\/h2>\n\n\n\n<p>Rodrigues, no seu artigo, emitiu opini\u00f5es claras em defesa do essencial da <strong>&#8220;experi\u00eancia do socialismo alban\u00eas&#8221;<\/strong> e exprimiu de forma convicta as suas ideias. Tratou-se de um artigo de opini\u00e3o. Mas o autor decidiu confundir o trabalho de reportagem e de jornalismo que procur\u00e1mos, a par d<a href=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/index.php\/2022\/07\/09\/naufragos-do-socialismo\/\">e Daniel Ribeiro e Rui Och\u00f4a do seman\u00e1rio Expresso<\/a>, facultar aos leitores, com um posicionamento pessoal e opinativo sobre quest\u00f5es de natureza pol\u00edtica e ideol\u00f3gica. <\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigues, no artigo em causa,  indicou mesmo a minha concord\u00e2ncia com conte\u00fados produzidos pelo  jornalista  Daniel Ribeiro, sem que eu a tenha declarado e informou sobre o meu eventual posicionamento pol\u00edtico-partid\u00e1rio sem me ter questionado sobre a mat\u00e9ria e ainda sem que o assunto em causa exigisse informa\u00e7\u00e3o daquela natureza. N\u00e3o foram refer\u00eancias ing\u00e9nuas do articulista como veremos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tratou-se, no  caso, do recurso a t\u00e9cnicas de argumenta\u00e7\u00e3o que <strong>&#8220;colocam subliminarmente na boca dos outros o que d\u00e1 jeito para confundir e condenar&#8221;<\/strong>, constituindo formas de agir t\u00edpicas dos inquiridores dos regimes totalit\u00e1rios explicitadas e muito desenvolvidas por Arthur Koestler na sus obra incontorn\u00e1vel <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/O_Zero_e_o_Infinito\">&#8220;O zero e o infinito&#8221;<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:14px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"302\" height=\"304\" data-id=\"7727\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/koestler.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7727\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/koestler.jpg 302w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/koestler-298x300.jpg 298w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/koestler-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 302px) 100vw, 302px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"698\" data-id=\"7726\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/20220811_111934-1024x698.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7726\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/20220811_111934-1024x698.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/20220811_111934-300x204.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/20220811_111934-768x523.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/20220811_111934-1536x1047.jpg 1536w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/20220811_111934-2048x1396.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:12px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-vivid-red-background-color has-text-color has-background\">Arthur Koestler nasceu em Budapeste, na Hungria, em 1905, no seio de uma fam\u00edlia judaica. Foi escritor, jornalista e ativista pol\u00edtico, tendo passado pela Palestina, pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e por Espanha, onde, participando da Guerra Civil, foi condenado \u00e0 morte pelas tropas de Franco. Com o deflagrar da Segunda Guerra Mundial, radicou-se em Londres e cortou com o Partido Comunista ap\u00f3s as purgas estalinistas. Entre mais de duas dezenas de obras publicadas, destaca-se&nbsp;<em>Eclipse do Sol<\/em>, uma cr\u00edtica acutilante ao despotismo estalinista, considerado por George Orwell um dos poucos livros que poder\u00e3o mudar a Hist\u00f3ria. Em 1983, suicida-se na sua casa, em Londres.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pontos de partida m\u00ednimos<\/h2>\n\n\n\n<p>Teremos que admitir que o debate sobre quest\u00f5es relacionadas com o desenvolvimento humano, a mudan\u00e7a social e o &#8220;viver juntos&#8221;,  se n\u00e3o assentar em algumas premissas de base torna-se particularmente dif\u00edcil ou at\u00e9 mesmo ineficaz. <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se trata de reabrir um debate mais do que realizado (mas eventualmente de novo atual) sobre &#8220;reforma ou revolu\u00e7\u00e3o&#8221;. Os revolucion\u00e1rios dogm\u00e1ticos nunca se questionar\u00e3o sobre a evid\u00eancia hist\u00f3rica que revela que no p\u00f3s-revolu\u00e7\u00e3o de <strong>&#8220;assalto ao poder&#8221;<\/strong> surge inevitavelmente o terror e a ditadura, exercidos pelos novos dominadores e os reformistas conservadores, autocr\u00e1ticos e legalistas nunca aceitar\u00e3o e opor-se-\u00e3o de forma violenta \u00e0 ampla participa\u00e7\u00e3o popular nos processos de reforma que visem uma efetiva justi\u00e7a social, uma governan\u00e7a participada, uma co-responsabiliza\u00e7\u00e3o pelas pol\u00edticas p\u00fablicas, uma real aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da subsidiariedade nos processos de decis\u00e3o e um auto-controle e auto-gest\u00e3o das comunidades que garantam a inclus\u00e3o e a inova\u00e7\u00e3o social na base do lema &#8220;nada sobre n\u00f3s, sem n\u00f3s!&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ent\u00e3o que pontos de partida m\u00ednimos devem existir?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Primeiro a liberdade e a democracia<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 razo\u00e1vel, ao avaliar o percurso hist\u00f3rico e pol\u00edtico de um pa\u00eds e ao caraterizar a sua situa\u00e7\u00e3o atual que se omita ou relegue para plano secund\u00e1rio as quest\u00f5es da democracia, da liberdade e dos direitos humanos. Mas, lamentavelmente, Rodrigues prefere a propaganda, ali\u00e1s quase caricata dos \u00eaxitos do socialismo alban\u00eas, num exerc\u00edcio de <strong>Alice no Pa\u00eds das Maravilhas<\/strong>, a clarificar de forma categ\u00f3rica as suas posi\u00e7\u00f5es neste plano determinante. Ou seja, depreende-se pela omiss\u00e3o volunt\u00e1ria da sua abordagem (ou refer\u00eancia discreta como &#8220;exagero&#8221; ou &#8220;excesso&#8221;) que Rodrigues admitir\u00e1, em nome do bem do povo e do proletariado alban\u00eas que tenha existido:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>uma ditadura estalinista de mais de 40 anos;<\/li><li>um partido \u00fanico que se instalou e perpetuou no poder eliminando todos os seus opositores com assassinatos e pris\u00f5es;<\/li><li>um estado policial, com pol\u00edcia pol\u00edtica repressiva, com m\u00e9todos de vigil\u00e2ncia, pris\u00e3o, interrogat\u00f3rios, tortura, assassinatos, id\u00eanticos aos da PIDE;<\/li><li>um Estado, dominado por um partido e por detentores de privil\u00e9gios, que funcionou sem separa\u00e7\u00e3o de poderes e consequentemente sem ser um Estado de direito;<\/li><li>um regime que recorreu \u00e0 figura mais desumana de todas as pr\u00e1ticas repressivas dos diversos ciclos civilizacionais &#8220;o campo de concentra\u00e7\u00e3o&#8221; que o Tarrafal nos deu a conhecer de forma dram\u00e1tica e direta;<\/li><li>um culto da personalidade de um dirigente pol\u00edtico e partid\u00e1rio que da mesma forma que o famigerado <strong>&#8220;pai dos povos&#8221;<\/strong> imp\u00f4s-se \u00e0 sociedade como um tirano e inviabilizou qualquer julgamento\/avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica sobre a sua lideran\u00e7a e sobre as suas pr\u00e1ticas anti-democr\u00e1ticas.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>\u00c0 valoriza\u00e7\u00e3o incondicional  da liberdade<\/strong>, Rodrigues prefere relativizar a necessidade do terror, da submiss\u00e3o, do sil\u00eancio das opini\u00f5es, do sofrimento de quem \u00e9 aprisionado fisicamente e nas suas ideias, em favor do &#8220;bom partido&#8221; e do &#8220;socialismo triunfante&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c0 democracia<\/strong>, Rodrigues prefere a ditadura dos &#8220;bons&#8221; sobre os &#8220;maus&#8221;; esta ser\u00e1 a \u00fanica forma de impor a vontade do<strong> partido que se auto-elege como o  representante leg\u00edtimo da vontade popular<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aos direitos humanos<\/strong>, \u00e0 sua universalidade e generaliza\u00e7\u00e3o na sociedade, Rodrigues prefere &#8220;os direitos do partido&#8221;  que determina quem pode exprimir as suas ideias e opini\u00f5es, quem pode reunir e debater ideias, quem pode manifestar-se e expressar o seu descontentamento, quem pode entrar e sair do pa\u00eds de forma livre e sem restri\u00e7\u00f5es, quem pode apresentar queixa contra abusos de poder ou injusti\u00e7as, quem pode recorrer \u00e0 justi\u00e7a e ser tratado de forma imparcial, quem pode exprimir a sua f\u00e9 e aceder de forma livre \u00e0 pr\u00e1tica religiosa, quem pode exprimir a sua criatividade art\u00edstica e produzir obras sem censura e sem imposi\u00e7\u00f5es de padr\u00f5es culturais. Enfim, e muitos outros direitos cujo exerc\u00edcio deixou de existir.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Alice e o Pa\u00eds das Maravilhas<\/h2>\n\n\n\n<p>Rodrigues confunde os seus desejos com a realidade ao apresentar <strong>os grandes \u00eaxitos do &#8220;socialismo alban\u00eas&#8221; na base da propaganda<\/strong>. \u00c9 preciso ter convic\u00e7\u00f5es religiosas profundas para n\u00e3o se aperceber que as suas refer\u00eancias sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida dos albaneses at\u00e9 finais dos anos 80 j\u00e1 foram desmistificadas pelos pr\u00f3prios albaneses a come\u00e7ar por Ramiz Alia que confirmou o estado de pobreza e de subdesenvolvimento do pa\u00eds aquando das t\u00edmidas tentativas de algumas reformas na fase p\u00f3s-Enver Hoxha (1985).<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de Rodrigues ser forte em n\u00fameros, o que n\u00e3o ser\u00e1 um atributo de todos, e pelos vistos nem de Daniel Ribeiro nem meu, existe na pr\u00e1tica de consultas \u00e0s bases de dados e \u00e0s informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis na Internet, por exemplo na Enciclop\u00e9dia Livre e Colaborativa Wikip\u00e9dia um aviso sobre a credibilidade dos conte\u00fados adiantados: <strong>&#8220;esta p\u00e1gina&nbsp;n\u00e3o cita fontes. Conte\u00fado n\u00e3o&nbsp;verific\u00e1vel&nbsp;pode ser&nbsp;removido&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Assim pode parecer despropositado a Rodrigues, face ao grande rigor dos dados que adiantou e \u00e0s fontes que citou, que os Relat\u00f3rios produzidos por peritos do Conselho da Uni\u00e3o Europeia para organizar o apoio \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de migra\u00e7\u00f5es cr\u00f3nicas na Alb\u00e2nia e na Regi\u00e3o (<em>Bruxelas, 17 de abril de 2000, Plano de A\u00e7\u00e3o para a Alb\u00e2nia e a Regi\u00e3o Lim\u00edtrofe, 7886\/00)<\/em> refiram a Alb\u00e2nia como o pa\u00eds mais pobre da Europa, com situa\u00e7\u00f5es de pobreza extrema <\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;26. Com um PIB per capita de cerca de 765 euros, em m\u00e9dia, a Alb\u00e2nia \u00e9 o pa\u00eds mais pobre da Europa. De acordo com o Banco Mundial, 30% dos seus 3,4 milh\u00f5es de habitantes vivem abaixo do limiar de pobreza, o que torna ainda mais dif\u00edcil a transi\u00e7\u00e3o para uma economia de mercado mais aberta&#8221; e &#8220;.A economia continua a ser sustentada pelas remessas enviadas por cerca de 20% da m\u00e3o&#8211;de-obra que trabalha no estrangeiro, principalmente na Gr\u00e9cia e na It\u00e1lia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Antitotalitarismo e anticomunismo<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Anticomunismo<\/h3>\n\n\n\n<p>Na realidade o tema central desta abordagem, mais ou menos controversa da hist\u00f3ria e do percurso pol\u00edtico-ideol\u00f3gico da Alb\u00e2nia no per\u00edodo <em>hoxhista,<\/em> que durou principalmente de 1945 a 1985, remete-nos para as quest\u00f5es do antitotalitarismo e do anticomunismo. <\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigues colocou as informa\u00e7\u00f5es de terreno e documentais assim como  as refer\u00eancias de princ\u00edpio adiantadas nas diversas pe\u00e7as publicadas sobre o Pa\u00eds das \u00c1guias no campo do anticomunismo. Trata-se, mais uma vez, do velho pap\u00e3o que os comunistas ortodoxos evocam junto dos fi\u00e9is para defender a sua dama e colocar, \u00e0 boa maneira da Inquisi\u00e7\u00e3o Vermelha, do lado da heresia quem apenas informa mas tamb\u00e9m, quando \u00e9 o caso, critica ou denuncia. Todos os processos estalinistas basearam-se nesta premissa do &#8220;anticomunismo&#8221; do &#8220;antirevolu\u00e7\u00e3o&#8221; e do &#8220;antipartido&#8221; daqueles que divergiram do rumo que estava a ser seguido <\/p>\n\n\n\n<p>No processo contra o <strong>&#8220;Bloco Anti-Sovi\u00e9tico de Direitistas e Trotskistas&#8221;<\/strong> realizado em Moscovo em 1938 os r\u00e9us eram Nikolai Bucarine, Presidente da Internacional Comunista, sucessor de Zinoviev, que fora fuzilado dois anos antes, Cristian Rakovsky ex-chefe da Rep\u00fablica Sovi\u00e9tica da Ucr\u00e2nia, ex-embaixador sovi\u00e9tico em Inglaterra e Fran\u00e7a, Nikolai Krestinsky antecessor de Estaline como Secret\u00e1rio-Geral do Partido Comunista da Rep\u00fablica Sovi\u00e9tica da Ucr\u00e2nia, ex-embaixador sovi\u00e9tico na Alemanha, Alexei Rykov sucessor de Lenine na Presid\u00eancia do Comissariado do Conselho do Povo e outros. Todos foram acusados de serem &#8220;anticomunistas&#8221;. renegados, traidores etc. <\/p>\n\n\n\n<p>Na Alb\u00e2nia, sabemos o que aconteceu a Mehmet Sheu, bra\u00e7o direito de Enver Hoxha. No dia&nbsp;17 de dezembro&nbsp;de&nbsp;1981, foi encontrado morto no seu quarto em&nbsp;Tirana, com um ferimento de bala na cabe\u00e7a. De acordo com o an\u00fancio oficial (18 de dezembro), ter-se-\u00e1 suicidado durante um ataque nervoso. Foi declarado um \u201cinimigo do povo\u201d e enterrado num terreno baldio nos arredores da vila de Ndroq, pr\u00f3ximo a Tirana. Depois da sua morte, Shehu foi acusado de ter trabalhado como agente n\u00e3o s\u00f3 para o&nbsp;servi\u00e7o secreto&nbsp;iugoslavo, mas tamb\u00e9m para a&nbsp;CIA&nbsp;e para a&nbsp;KGB.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"482\" height=\"276\" data-id=\"7729\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/mehmet.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7729\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/mehmet.jpg 482w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/mehmet-300x172.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 482px) 100vw, 482px\" \/><figcaption>Mehemet Sheu<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"374\" height=\"218\" data-id=\"7728\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ehmet.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7728\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ehmet.jpg 374w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ehmet-300x175.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 374px) 100vw, 374px\" \/><figcaption>Hoxha e Sheu<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Antitotalitarismo<\/h3>\n\n\n\n<p>O conceito de Totalitarismo tem as suas origens, a sua hist\u00f3ria e as suas aplica\u00e7\u00f5es diversas, em contextos muito diferentes ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, desde as suas primeiras utiliza\u00e7\u00f5es no final dos anos 30 do s\u00e9culo passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas experi\u00eancias hist\u00f3ricas est\u00e3o na sua origem: o fascismo italiano (1922-1945), o nacional-socialismo alem\u00e3o (1033-1945) e o estalinismo russo (entre es anos 20 e meados dos anos 50 do s\u00e9culo XX). <\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m das diferen\u00e7as entre elas, atendendo \u00e0s suas origens e \u00e0s suas bases sociais, encontramos pontos comuns que s\u00e3o suficientemente globais para uma an\u00e1lise comparativa mas tamb\u00e9m para um aprofundamento de temas como a viol\u00eancia do Estado, a tend\u00eancia para reduzir as fronteiras entre o Estado e a sociedade e, entre outros mais, o paradoxo de um &#8220;Estado -todo-poderoso&#8221; que acaba por eliminar o pr\u00f3prio Estado reduzindo a dimens\u00e3o pol\u00edtica da fun\u00e7\u00e3o a processos de destrui\u00e7\u00e3o cuja express\u00e3o dram\u00e1tica fundamental reside no exterm\u00ednio e no genoc\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito, distinguindo-o pela sua dimens\u00e3o ideol\u00f3gica de outros que lhe s\u00e3o pr\u00f3ximos &#8211; tirania, autoritarismo, despotismo &#8211; surge como \u00fatil para aprofundar a abordagem aos regimes n\u00e3o-democr\u00e1ticos e para antecipar, na atualidade, as din\u00e2micas populistas numa fase de crescimento da extrema-direita no mundo e num per\u00edodo incerto quanto \u00e0 guerra e \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do Estado Social na Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o efeito, procurando realizar um esfor\u00e7o de aprofundamento e de abordagem atualizada destes temas, voltaremos ao assunto com um segundo artigo &#8220;Antitotalitalismo, reinven\u00e7\u00e3o da democracia e transforma\u00e7\u00e3o social&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carlos Ribeiro<\/strong>, 11 agosto 2022<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/crcirculo.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7730\" width=\"265\" height=\"254\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/crcirculo.jpg 418w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/crcirculo-300x288.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 265px) 100vw, 265px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Foto destaque \u00a9<\/p>\n\n\n\n<ul><li><a href=\"http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/3.0\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CC BY-SA 3.0<\/a><\/li><li>File:Former political prison in Girokaster.jpg<\/li><\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MUNDO | DOSSI\u00ca Alb\u00e2nia Hoje (8) \u2013 11 de agosto 2022 | Opini\u00e3o por 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