{"id":8004,"date":"2022-09-29T10:25:37","date_gmt":"2022-09-29T10:25:37","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=8004"},"modified":"2022-09-30T09:27:44","modified_gmt":"2022-09-30T09:27:44","slug":"desertores-o-dever-de-apoio-ontem-e-hoje","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/2022\/09\/29\/desertores-o-dever-de-apoio-ontem-e-hoje\/","title":{"rendered":"Desertores, o dever de apoio ontem e hoje!"},"content":{"rendered":"\n<p>publicado 29 de setembro 2022 | Artur Monteiro no Mediapart &#8211; traduzido e editado por SF<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>S\u00f3 dentro da R\u00fassia a luta do povo contra o despotismo permitir\u00e1 p\u00f4r fim a esta guerra<\/strong><\/mark><\/h2>\n\n\n\n<div style=\"height:12px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/artur4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8007\" width=\"239\" height=\"238\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/artur4.jpg 385w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/artur4-300x298.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/artur4-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 239px) 100vw, 239px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Artur Monteiro | Paris<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desertores, o dever de apoio ontem e hoje! (Portugal\/R\u00fassia).<\/p>\n\n\n\n<p>Quando experiment\u00e1mos no passado, n\u00f3s mesmos ou \u00e0 nossa volta, as consequ\u00eancias do ato de desertar, temos o direito e o dever de saudar e apoiar a coragem de quem se atreve a desertar hoje. Ontem, anos 60\/70 em Portugal. Hoje, ano 2022 R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o de Putin de alargar a  incorpora\u00e7\u00e3o militar obrigat\u00f3ria a novos setores da popula\u00e7\u00e3o para continuar a guerra contra a Ucr\u00e2nia desencadeou um movimento de deser\u00e7\u00e3o entre a popula\u00e7\u00e3o. Para os desertores portugueses dos anos 60 e 70 que recusaram a guerra colonial, o dever de acolher hoje \u201ccombatentes\u201d contra a guerra (todas as guerras) torna-se um imperativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Num artigo no Mediapart, Zafer Sivrikaya relata que ap\u00f3s o discurso do presidente russo decretando &#8220;a mobiliza\u00e7\u00e3o parcial dos reservistas para enfrentar a contra-ofensiva do ex\u00e9rcito ucraniano, muitos cidad\u00e3os est\u00e3o a fugir do pa\u00eds para n\u00e3o serem enviados para a frente de batalha&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mas os dois conflitos armados n\u00e3o t\u00eam nada a ver um com o outro&#8221;\u2026 dizem-me alguns amigos. Claro, esta \u00e9 uma hist\u00f3ria diferente, trata-se de outro tempo e de uma disputa ou conflito  diferente. Hoje \u00e9 uma guerra de invas\u00e3o das tropas de Putin contra o povo ucraniano, em territ\u00f3rio europeu. Ontem foi uma guerra colonial travada por um pa\u00eds subdesenvolvido, Portugal, contra os povos de Angola, Mo\u00e7ambique, Guin\u00e9-Bissau\u2026 pa\u00edses africanos colonizados por Portugal h\u00e1 v\u00e1rios s\u00e9culos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em ambos os casos s\u00e3o guerras de invas\u00e3o, de ocupa\u00e7\u00e3o e em ambos as situa\u00e7\u00f5es, uma das formas de combat\u00ea-las, quando se \u00e9 confrontado diretamente com elas, passa pela recusa da guerra e, se for soldado, pela deser\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os \u201ccomit\u00e9s de apoio aos desertores\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>Portugal, um pa\u00eds sob uma ditadura fascista, (Salazar, ap\u00f3s seis anos como Ministro da Economia, assumiu o poder em 1932 com o &#8216;Estado Novo&#8217;), um pa\u00eds com um forte movimento migrat\u00f3rio (antes para sua ex-col\u00f3nia na Am\u00e9rica Latina, Brasil ) e desde a d\u00e9cada de 50 para os pa\u00edses europeus e, em particular, para a Fran\u00e7a. A guerra colonial, especialmente a partir de 1962, intensificou essa imigra\u00e7\u00e3o, com outra faixa et\u00e1ria, a de 18\/20 anos, para fugir ao servi\u00e7o militar.<\/p>\n\n\n\n<p>Eram jovens recrutas que foram para  outros pa\u00edses antes de embarcar para as col\u00f3nias, mas tamb\u00e9m desertores, opositores determinados \u00e0 guerra (quatro anos a combater em \u00c1frica). Uma das palavras-de-ordem das organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de resist\u00eancia ao fascismo incentivava os soldados a desertarem ap\u00f3s a recruta (tr\u00eas meses) ou j\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de combate e, em certos casos, com as armas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo v\u00e1rias fontes, incluindo as oficiais do pr\u00f3prio ex\u00e9rcito portugu\u00eas na altura, durante a d\u00e9cada de 60, at\u00e9 \u00e0 queda da ditadura a 25 de Abril de 1974, a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, havia 200.000 portugueses refrat\u00e1rios, incluindo os que foram chamados e que n\u00e3o comparecem quando convocados para o servi\u00e7o militar e 8.000 desertores (soldados que saem ilegalmente de sua unidade), que deram clandestinamente o \u201csalto\u201d (o salto, termo que designa a passagem clandestina da fronteira).<\/p>\n\n\n\n<p>Os desertores portugueses durante este per\u00edodo foram acolhidos e reconhecidos como desertores e, consequentemente como refugiados, pela Su\u00e9cia, Dinamarca e Holanda.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, nos restantes pa\u00edses europeus onde os portugueses procuraram ref\u00fagio, s\u00f3 foram aceites como imigrantes ditos econ\u00f3micos (era uma \u00e9poca mais f\u00e1cil para o mercado de trabalho e os imigrantes eram m\u00e3o-de-obra barata e f\u00e1cil de submeter) \u00e9 o caso da Fran\u00e7a, B\u00e9lgica, Alemanha ou Su\u00ed\u00e7a. N\u00e3o sendo reconhecidos como refugiados e n\u00e3o tendo sido acolhidos nessa base, n\u00e3o foram no entanto extraditados para Portugal, o que teria levado \u00e0 sua pris\u00e3o e interrogat\u00f3rio pela PIDE (pol\u00edcia pol\u00edtica).<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, para al\u00e9m das quest\u00f5es estrat\u00e9gicas das alian\u00e7as ou das oportunidades pol\u00edticas, parece-me necess\u00e1ria uma forte vontade social e humana que permita acolher e reconhecer os desertores russos como refugiados.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo sabendo que s\u00f3 dentro da R\u00fassia a luta do povo contra o despotismo permitir\u00e1 p\u00f4r fim a esta guerra.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"628\" height=\"261\" data-id=\"8005\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/sine\u0301.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8005\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/sine\u0301.jpg 628w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/sine\u0301-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 628px) 100vw, 628px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:16px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Desenho de <strong><em>Sin\u00e9,<\/em><\/strong> publicado no Expresso julho de 1960 (na Fran\u00e7a tamb\u00e9m havia desertores da guerra da Arg\u00e9lia, ver primeiro coment\u00e1rio na pe\u00e7a em franc\u00eas no Mediapart)<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:16px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"429\" height=\"238\" data-id=\"8006\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/desert.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8006\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/desert.jpg 429w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/desert-300x166.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 429px) 100vw, 429px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">(reprodu\u00e7\u00e3o do boletim para refugiados na Holanda e refer\u00eancia ao Comit\u00e9 de Apoio aos Desertores Portugueses em Fran\u00e7a 1974) Na jornal digital Sem Fronteiras, em Portugal<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/index.php\/2022\/09\/26\/apoio-europeu-aos-desertores-russos\/\">ARTIGO NO SEM FRONTEIRAS <\/a>| Apoio europeu aos desertores russos &#8211; Rui Mota<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a href=\"https:\/\/blogs.mediapart.fr\/arthur-porto\">Artur Monteiro<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Este artigo traduzido espontaneamente pelo Sem Fronteiras<a href=\"https:\/\/blogs.mediapart.fr\/arthur-porto\/blog\/280922\/deserteurs-devoir-de-soutien-hier-et-aujourd-hui-portugalrussie\"> pode ser lido em franc\u00eas no Blog do Club de Mediapart <\/a><\/p>\n\n\n\n<p><em>Imagem de destaque \u00a9 Fernando Mariano Cardeira e grupo de desertores da Academia Militar na fronteira do Ger\u00eas com Espanha.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>publicado 29 de setembro 2022 | Artur Monteiro no Mediapart &#8211; traduzido e editado por&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8008,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[238,317,99],"tags":[348],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/fc.jpg",728,338,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/fc-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/fc-300x139.jpg",300,139,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/fc.jpg",640,297,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/fc.jpg",640,297,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/fc.jpg",728,338,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/fc.jpg",728,338,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/fc.jpg",728,338,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/fc.jpg",728,338,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/fc.jpg",728,338,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/fc-540x338.jpg",540,338,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/fc-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/noticias\/\" rel=\"category tag\">NOTICIAS<\/a> <a href=\"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a>","tag_info":"OPINI\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8004"}],"collection":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8004"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8004\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8009,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8004\/revisions\/8009"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8008"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8004"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8004"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8004"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}