{"id":8055,"date":"2022-10-15T19:57:16","date_gmt":"2022-10-15T19:57:16","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=8055"},"modified":"2022-10-18T07:33:57","modified_gmt":"2022-10-18T07:33:57","slug":"ver-e-ouvir-sobre-otelo-na-associacao-25-de-abril","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/2022\/10\/15\/ver-e-ouvir-sobre-otelo-na-associacao-25-de-abril\/","title":{"rendered":"Ver e ouvir sobre Otelo na Associa\u00e7\u00e3o 25 de Abril"},"content":{"rendered":"\n<p>publicado 15 de outubro 2022 | Agenda | Reeditado SF 18\/10*<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>Livro de Mouta Liz e de Romeu Franc\u00eas ser\u00e1 apresentado por Carlos Matos Gomes<\/strong><\/mark><\/h2>\n\n\n\n<div style=\"height:12px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"833\" height=\"392\" data-id=\"8056\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/livro.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8056\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/livro.jpg 833w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/livro-300x141.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/livro-768x361.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 833px) 100vw, 833px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:18px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Obrigado Otelo<\/strong> \u00e9 o t\u00edtulo da Exposi\u00e7\u00e3o de Fotografias de Carlos Martins Pereira que ser\u00e1 inaugurada no dia 19 de outubro na Associa\u00e7\u00e3o 25 de Abril por ocasi\u00e3o da apresenta\u00e7\u00e3o do livro <strong>Otelo Saraiva de Carvalho &#8211;<\/strong> <strong>Acusa\u00e7\u00e3o e Absolvi\u00e7\u00e3o &#8211; O Projeto Global e as FP 25 de Abril<\/strong> que decorrer\u00e1 \u00e0s 18h00 na Rua da Miseric\u00f3rdia, 95 sede da Associa\u00e7\u00e3o 25 de Abril.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-sf wp-block-embed-sf\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"9kvs0hn8Ow\"><a href=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/index.php\/2022\/05\/01\/homenagem-a-otelo-para-que-o-25-de-abril-seja-de-fato-25-de-abril\/\">Homenagem a Otelo para que o 25 de Abril seja de facto, 25 de Abril!<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Homenagem a Otelo para que o 25 de Abril seja de facto, 25 de Abril!&#8221; &#8212; SF\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/index.php\/2022\/05\/01\/homenagem-a-otelo-para-que-o-25-de-abril-seja-de-fato-25-de-abril\/embed\/#?secret=sVKbhvKFl3#?secret=9kvs0hn8Ow\" data-secret=\"9kvs0hn8Ow\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Apresenta\u00e7\u00e3o do livro pela Editora \u00c2ncora<\/h2>\n\n\n\n<p>Estamos perante um livro da maior import\u00e2ncia para percebermos uma quest\u00e3o essencial na sociedade portuguesa ap\u00f3s o 25 de Abril, e que \u00e9 ainda hoje atual: a rela\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, entendida como sistema judicial, e a pol\u00edtica, enquanto exerc\u00edcio do poder de julgar, de impor um dom\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<p>O 25 de Abril derrubou um regime, mas deixou intactos, ou quase, dois pilares fundamentais do exerc\u00edcio do poder do Estado: a Justi\u00e7a e a Diplomacia. Quanto ao sistema judicial, este manteve e mant\u00e9m a matriz corporativa, regida por conceitos de ordem assente no respeito pela propriedade, em detrimento dos direitos humanos e direitos sociais. Foi esse sistema judicial que julgou Otelo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um julgamento pol\u00edtico<\/h2>\n\n\n\n<p>Julgar Otelo seria sempre um julgamento pol\u00edtico. N\u00e3o podia ser de outra maneira. E seria sempre um julgamento ideol\u00f3gico, porque o Estado, logo o sistema judicial, tem uma ideologia subjacente. O Estado n\u00e3o \u00e9 neutro.<\/p>\n\n\n\n<p>Otelo foi julgado pela justi\u00e7a do Estado de Direito nos termos em que ele existe e foi ilibado pelo seu corpo de leis e procedimentos. O processo judicial de Otelo e dos seus camaradas decorreu como se fossem meros criminosos de delito comum, como se fossem o bando dos Cavacos, num processo c\u00e9lebre nos anos 80, \u00e0 margem do circunstancialismo pol\u00edtico da \u00e9poca. Decorreu como se a norma de todos serem iguais perante a justi\u00e7a correspondesse ao princ\u00edpio de que seria justo fornecer sapatos com o mesmo n\u00famero e modelo a todos os cidad\u00e3os, independentemente da fun\u00e7\u00e3o que desempenham na sociedade. A hist\u00f3ria da humanidade, do Velho Testamento \u00e0 atualidade est\u00e1 cheia de exemplos de classifica\u00e7\u00f5es distintas para atos apenas formalmente id\u00eanticos, da morte do Conde de Andeiro pelo rei Jo\u00e3o I, \u00e0 do Duque de Bragan\u00e7a pelo rei Jo\u00e3o II, seu cunhado, ao massacre da fam\u00edlia T\u00e1vora pelo Marqu\u00eas de Pombal. Quer isto dizer que o sistema judicial julga de acordo com o entendimento dos que exercem o poder e a narrativa que fica para a hist\u00f3ria \u00e9 a dos vencedores.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Otelo n\u00e3o foi condenado<\/h2>\n\n\n\n<p>Mas, mesmo sem contextualiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o processo acusat\u00f3rio n\u00e3o conseguiu, com as suas regras, condenar Otelo. \u00c9 um facto. Dir-se-\u00e1: um homic\u00eddio \u00e9 sempre um homic\u00eddio e essa n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o ideol\u00f3gica! \u00c9 assim apenas para quem morre, porque o que, numa dada circunst\u00e2ncia e num dado tempo, convinha ser tratado de uma forma, noutro contexto ser\u00e1 apreciado sob outro ponto de vista. O homic\u00eddio, a sedi\u00e7\u00e3o, a revolta podem ser atos pol\u00edticos da maior relev\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica \u00e9 determinada pelas circunst\u00e2ncias, \u00e9 por natureza oportunista e o processo contra Otelo e os seus companheiros revela-o, mesmo sem querer. A partir de determinado ponto este processo j\u00e1 n\u00e3o interessava ao poder pol\u00edtico. Por isso as raz\u00f5es pelas quais Otelo foi acusado, s\u00e3o as mesmas pelas quais o poder pol\u00edtico se desinteressou dele.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Otelo evitou uma guerra civil<\/h2>\n\n\n\n<p>Otelo \u00e9 uma figura carism\u00e1tica da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, foi o comandante da opera\u00e7\u00e3o militar e foi ele que introduziu o povo na revolu\u00e7\u00e3o, que sem ele n\u00e3o teria passado de um&nbsp;<em>putsch<\/em>, de um golpe! Ele entendeu ter uma responsabilidade \u00e9tica perante o povo a quem abriu a porta da liberdade e a quem incentivou a tomar o destino nas m\u00e3os atrav\u00e9s de f\u00f3rmulas e institui\u00e7\u00f5es de poder popular.<\/p>\n\n\n\n<p>A consci\u00eancia da sua responsabilidade tamb\u00e9m corresponde ao que Otelo entendeu ser o seu dever em 25 de Novembro de 1975, o de evitar uma guerra civil, recusando o confronto para o que queriam arrastar. Otelo entendeu, como poucos o entenderam, a armadilha que se encontrava por detr\u00e1s dos autores dessa a\u00e7\u00e3o. Ele recusou a provoca\u00e7\u00e3o feita atrav\u00e9s das tropas paraquedistas pelo chefe de estado-maior da For\u00e7a A\u00e9rea para gerar uma resposta mais violenta e retirou-se do poder, entregando o COPCON, mas n\u00e3o passou para o novo poder, nem organizou uma resposta violenta com elementos civis, lan\u00e7ou-se, isso sim, na luta pol\u00edtica atrav\u00e9s da express\u00e3o livre da vontade dos portugueses. Apresentou-se a elei\u00e7\u00f5es para a presid\u00eancia da Rep\u00fablica com o seu programa, imp\u00f4s um discurso social e de liberdade \u00e0 candidatura que reunia as for\u00e7as ditas moderadas, ou realistas, isto \u00e9, adeptas do alinhamento de Portugal com o pensamento dominante.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os restauracionistas queriam ir mais longe no 25 de novembro<\/h2>\n\n\n\n<p>Otelo aceita o resultado das elei\u00e7\u00f5es e do regime que delas emerge, de uma alian\u00e7a de democratas \u201crealistas\u201d, unidos pela obedi\u00eancia aos Estados Unidos, de herdeiros mais ou menos burocratizados do antigo regime e, por fim, de um setor muito ativo e agressivo de militantes integristas, de extrema-direita, irredut\u00edveis defensores do colonialismo e da ditadura, que se organizaram politicamente no MDLP e militarmente no ELP, mas tem a consci\u00eancia clara dos perigos de revanchismo violento, para que Portugal n\u00e3o fosse uma inspira\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria para outros povos e, principalmente, para utilizar Portugal como base de apoio a solu\u00e7\u00f5es neocolonialistas em Angola.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguem-se anos de amea\u00e7as s\u00e9rias \u00e0 democracia e ao Estado de Direito \u2013 leiam-se, entre outros, o livro de Miguel Carvalho \u00abQuando Portugal Ardeu\u00bb, de Gunther Wallraff \u00abDescoberta de uma Conspira\u00e7\u00e3o \u2013 A A\u00e7\u00e3o Sp\u00ednola\u00bb, \u00abA contra-revolu\u00e7\u00e3o no 25 de Abril: os &#8220;relat\u00f3rios Ant\u00f3nio Gra\u00e7a&#8221; sobre o ELP e Aginter Presse\u00bb, de Maria Jose Tiscar Santiago e que punham em causa o regime instaurado pelo grupo dos moderados, os \u00abnove\u00bb, que passou \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de inimigo das for\u00e7as restauracionistas. Um dos intervenientes no 25 de Novembro afirmou que n\u00e3o estavam satisfeitos com o que conseguiram. Queriam mais! Ir mais longe. Numa entrevista ao jornalista Jo\u00e3o Paulo Guerra, um militar que esteve com Sp\u00ednola em Madrid, no MDLP, confessava que o general propunha um ataque militar em for\u00e7a contra o regime em Portugal!<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma alian\u00e7a entre comunica\u00e7\u00e3o social e o sistema judicial<\/h2>\n\n\n\n<p>Foi perante estas amea\u00e7as reais que Otelo deu corpo a uma Organiza\u00e7\u00e3o Unit\u00e1ria, com capacidade armada e gizou uma manobra de defesa e de dissuas\u00e3o. A a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Otelo e o seu apoio \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de resposta \u00e0 viol\u00eancia \u00e9 um ato de intelig\u00eancia, de coragem e de defesa da Liberdade. \u00c9 este o ponto de vista pelo qual as a\u00e7\u00f5es de Otelo devem ser apreciadas. N\u00e3o o foram. E o poder judicial, ao elidir a contextualiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da atividade de Otelo, fornece argumentos aos que, aproveitando Otelo, justificam as suas a\u00e7\u00f5es violentas em defesa de um regime de privil\u00e9gios, de desigualdades, de afastamento dos cidad\u00e3os da vida pol\u00edtica, t\u00edpicos do que se vem designando estados iliberais.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, no final dos anos 80 e nos anos 90, o sistema pol\u00edtico portugu\u00eas estava consolidado numa democracia liberal, a independ\u00eancia de Angola estava resolvida a contento dos Estados Unidos e da URSS (em processo de desagrega\u00e7\u00e3o) e os assuntos priorit\u00e1rios da pol\u00edtica portuguesa diziam respeito ao assalto das elites aos Fundos de Coes\u00e3o da ent\u00e3o CEE. A participa\u00e7\u00e3o de Otelo na revolu\u00e7\u00e3o portuguesa passara \u00e0 hist\u00f3ria. Ele j\u00e1 n\u00e3o podia perturbar o processo pol\u00edtico com organiza\u00e7\u00f5es de poder popular, comiss\u00f5es de rua, de bairro, de cidade, cooperativas. O processo arrasta-se burocraticamente ao sabor dos interesses de uma alian\u00e7a entre comunica\u00e7\u00e3o social e o sistema judicial, que dava os primeiros passos para a explora\u00e7\u00e3o sensacionalista dos casos judiciais, como a vemos hoje diariamente.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Otelo na Hist\u00f3ria<\/h2>\n\n\n\n<p>Este livro \u00e9 um documento da maior import\u00e2ncia para situarmos Otelo na Hist\u00f3ria, como uma figura maior e tamb\u00e9m, infelizmente, para situar o sistema judicial como um elemento que se colocou e, tanto quanto \u00e9 vis\u00edvel, se continua a colocar, \u00e0 margem dos grandes direitos que t\u00eam por base os valores da Justi\u00e7a. Em primeiro lugar o do direito \u00e0 dignidade dos cidad\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Este livro revela a dupla face do sistema judicial, em que a acusa\u00e7\u00e3o goza desde logo do privil\u00e9gio de induzir a opini\u00e3o p\u00fablica no sentido da culpa de um arguido atrav\u00e9s da publicidade de um dado alvo, enquanto protege outros, ou com o manto do esquecimento, ou com o do pr\u00e9mio pela dela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta atitude de sele\u00e7\u00e3o de arguidos pela conveni\u00eancia pol\u00edtica do momento parece ser comum nestes processos, foi assim com os GRAPO em Espanha e as suas liga\u00e7\u00f5es com o terrorismo, foi assim com o grupo Baader-Meinhof, na Alemanha, foi assim com as Brigadas Vermelhas em It\u00e1lia, cujos mandantes nunca foram levados a julgamento, nunca foram sequer incomodados, nem, muito menos, investigados.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os esquecidos e os crimes que cometeram<\/h2>\n\n\n\n<p>Em Portugal h\u00e1 os casos \u201cesquecidos\u201d, como os dos crimes do ELP, ou do assalto \u00e0 embaixada e ao consulado de Espanha, que tamb\u00e9m n\u00e3o tiveram respons\u00e1veis acusados e levados a julgamento. E h\u00e1 os casos tomados como normais, como o do momento decisivo do processo pol\u00edtico, o 25 de Novembro de 1975, que se inicia por um claro abuso de poder do ent\u00e3o chefe de Estado Maior da For\u00e7a A\u00e9rea, que determinou a passagem dos paraquedistas para o Ex\u00e9rcito e alterou fora das normas e de uma decis\u00e3o do Conselho de Chefes de Estado Maior o dispositivo militar, transferindo os meios a\u00e9reos das suas bases para uma outra, a da Cortega\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o estas algumas das quest\u00f5es suscitadas por este livro de Mouta Liz e Romeu Franc\u00eas que a Ancora teve a coragem de publicar. Num livro recente, \u00abN\u00e3o Matar\u00e1s\u00bb, de Teresa Martins Marques, baseado no assassinato do primeiro-ministro italiano Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas, fica bem expressa a depend\u00eancia pol\u00edtica do sistema judicial italiano, id\u00eantica ao do portugu\u00eas. O sistema judicial n\u00e3o investiga de modo a chegar aos verdadeiros mandantes da viol\u00eancia, n\u00e3o manifesta interesse pelos infiltrados, e, menos ainda, exp\u00f5e o m\u00f3bil pol\u00edtico ou material que esteve por detr\u00e1s do crime, que deixa de o ser para passar \u00e0 categoria de leg\u00edtimo exerc\u00edcio do poder.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">PROGRAMA NA SIC SOBRE AS FP-25<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"\u00c0 Lei da Bomba FP25 Abril (1 de 5) SIC 1995\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MY716Ff7tjc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:19px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A viol\u00eancia pol\u00edtica numa \u00e9poca de radicalismos<\/h2>\n\n\n\n<p>Em resumo, este livro pode e deve contribuir para colocar a atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Otelo durante a revolu\u00e7\u00e3o no lugar que lhe compete. Serve para compreendermos as suas op\u00e7\u00f5es, a racionalidade pol\u00edtica delas, incluindo a quest\u00e3o central da pol\u00edtica e do exerc\u00edcio do poder: dispor de for\u00e7a. Estamos, pois, perante um trabalho relevante para conhecermos a nossa sociedade, a nossa hist\u00f3ria e uma dos mais marcantes personalidades do passado recente. Estamos ainda, e para finalizar, perante uma obra que nos deve fazer refletir sobre a viol\u00eancia pol\u00edtica numa \u00e9poca de radicalismos religiosos e ideol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, para certos setores pol\u00edticos, e logo ideol\u00f3gicos, o aproveitamento da figura de Otelo \u00e9 uma arma para outras guerras: para atacar o Estado de Direito e o Estado Social, para denegrir as altera\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e propiciadoras de maior justi\u00e7a social que resultou do 25 de Abril de 1974, que limitam a lei da selva do neoliberalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os democratas europeus v\u00e3o confrontar-se com situa\u00e7\u00f5es muito complexas e perigosas, que a guerra da Ucr\u00e2nia ajudou a potenciar, e devem saber distinguir o que se encontra por detr\u00e1s das falsas promessas, das falsas not\u00edcias, das falsas isen\u00e7\u00f5es e neutralidades dos comentadores e videntes que enxameiam os \u00f3rg\u00e3os de manipula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>31 Ago 2022<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-style-default\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ancora-editora.pt\/documentos\/image\/eventos\/OOTELO.jpg\" alt=\"Otelo Saraiva de Carvalho \u2013 Acusa\u00e7\u00e3o e Absolvi\u00e7\u00e3o \u2013 O Projeto Global e as FP-25 de Abril\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Reeditado titulo de pe\u00e7a anterior <a href=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/index.php\/2022\/05\/01\/homenagem-a-otelo-para-que-o-25-de-abril-seja-de-fato-25-de-abril\/\">Homenagem a Otelo para que o 25 de Abril seja de facto, 25 de Abril!<\/a> (Coment\u00e1rio de Fernando Cardeira)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>publicado 15 de outubro 2022 | Agenda | Reeditado SF 18\/10* Livro de Mouta Liz&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8057,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[207,238],"tags":[215],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/OTELO.jpg",526,304,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/OTELO-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/OTELO-300x173.jpg",300,173,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/OTELO.jpg",526,304,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/OTELO.jpg",526,304,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/OTELO.jpg",526,304,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/OTELO.jpg",526,304,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/OTELO.jpg",526,304,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/OTELO.jpg",526,304,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/OTELO.jpg",526,304,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/OTELO.jpg",526,304,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/OTELO-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/agenda-2\/\" rel=\"category tag\">AGENDA<\/a> <a href=\"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a>","tag_info":"DESTAQUE","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8055"}],"collection":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8055"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8055\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8061,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8055\/revisions\/8061"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8057"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8055"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8055"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8055"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}