{"id":8218,"date":"2022-11-09T21:53:31","date_gmt":"2022-11-09T21:53:31","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=8218"},"modified":"2022-11-10T04:33:15","modified_gmt":"2022-11-10T04:33:15","slug":"jornal-o-alarme-recordado-na-imprensa-francesa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/2022\/11\/09\/jornal-o-alarme-recordado-na-imprensa-francesa\/","title":{"rendered":"Jornal O Alarme recordado na imprensa francesa"},"content":{"rendered":"\n<p>9 de novembro, 2022<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">50 anos depois, ainda precisamos de Alarme para nos alertar<\/mark><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Por Artur Monteiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 50 anos em Grenoble, nasceu O Alarme!..<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 uma cr\u00f3nica de recorda\u00e7\u00e3o! No bairro de La Plaine de St Martin-d&#8217;H\u00e8res, em Junho de 1972, um grupo de trabalhadores imigrantes portugueses (econ\u00f3micos, pol\u00edticos, desertores) decidiu lan\u00e7ar um jornal, O Alarme!.. &#8211; jornal dos portugueses da regi\u00e3o de Grenoble &#8211; um jornal de alerta e resist\u00eancia!<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO \u2019Alarme\u201d foi publicado de julho de 1972 a dezembro de 1975 (37 n\u00fameros). Resultado de uma redac\u00e7\u00e3o de trabalhadores-militantes-jornalistas, animada por Manuel Branco, refugiado em Fran\u00e7a desde 1966.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, numa edi\u00e7\u00e3o de anivers\u00e1rio, recorda-se que este jornal \u201cfoi um amigo que nas noites escuras mobilizou, animou e uniu milhares de portugueses que lutavam contra o fascismo e a guerra colonial\u2019\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro n\u00famero surgiu em julho, com a inten\u00e7\u00e3o de que os imigrantes portugueses o levassem na bagagem quando partissem nas f\u00e9rias de agosto, sabendo que em Portugal, sob o regime de Salazar,  n\u00e3o era publicado nenhum jornal, sem a men\u00e7\u00e3o, &#8220;visado pela censura&#8221;. A liberdade de express\u00e3o n\u00e3o existia e era reprimida pelo regime.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi assim que participou na conscientiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o da comunidade migrante portuguesa sobre a realidade da ditadura e da guerra colonial, tendo um papel importante no apoio aos desertores. O Alarme foi tamb\u00e9m uma voz, um meio de informa\u00e7\u00e3o, sobre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho em Fran\u00e7a dos imigrantes (econ\u00f3micos, pol\u00edticos) portugueses e de outras nacionalidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Apoiado por ativistas antifascistas e personalidades do mundo pol\u00edtico e intelectual franc\u00eas, o nome de Jean-Paul Sartre, como diretor de publica\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m contribuiu para isso. Todos os jornais publicados em Fran\u00e7a deviam ter um editor de nacionalidade francesa. A Comunidade Portuguesa tinha uma s\u00e9rie de jornais voltados para a imigra\u00e7\u00e3o, mais ou menos peri\u00f3dicos, distribu\u00eddos nas associa\u00e7\u00f5es e mercados frequentados pelos trabalhadores portugueses.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o primeiro n\u00famero o jornal foi distribu\u00eddo noutras cidades de Fran\u00e7a e noutros pa\u00edses onde se organizavam militantes antifascistas portugueses. Neste n\u00b038, 50 anos depois, constam hist\u00f3rias e  mem\u00f3rias de resistentes que atravessaram os \u00faltimos anos da ditadura fascista portuguesa. Uma refer\u00eancia ao ODTI (Observat\u00f3rio da Discrimina\u00e7\u00e3o e Territ\u00f3rios Interculturais), lei de associa\u00e7\u00e3o 1901 criada em Grenoble em 1970, ao Tino Flores, activista e cantor militante na imigra\u00e7\u00e3o, ao Helder Costa, refugiado, encenador ontem em Fran\u00e7a hoje em Portugal ,ao Jos\u00e9 Vieira, documentarista que filmou extensivamente sobre a hist\u00f3ria da imigra\u00e7\u00e3o e muitos outros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>50 anos depois, ainda precisamos de Alarme para nos alertar\u2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCelebrar\u201d<strong>,<\/strong> hoje, que sentido tem? Al\u00e9m da necessidade de recolher as nossas mem\u00f3rias, de transmitir a luta de ontem aos jovens de hoje, \u00e9 tamb\u00e9m alertar, como um Alarme!&#8230; porque as raz\u00f5es de ontem, sob outras formas, continuam presentes.<\/p>\n\n\n\n<p>O contexto das guerras em \u00c1frica mudou, mas, e atualmente na Europa, persistem os mesmos processos de explora\u00e7\u00e3o que estruturam os conflitos armados.<\/p>\n\n\n\n<p>E se a democracia se estabeleceu gra\u00e7as \u00e0 revolta dos Capit\u00e3es de Abril e \u00e0 vontade popular em Portugal, a sua fragilidade \u00e9 grande e a crise democr\u00e1tica c\u00e1 e l\u00e1 est\u00e1 presente. At\u00e9 se pode dizer que o sistema econ\u00f3mico vigente, dentro e fora do pa\u00eds, \u00e9 por vezes incompat\u00edvel com uma \u201cdemocracia\u201d para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, como se o capital financeiro e os interesses dos superpoderosos tivessem criado uma \u201cdemocracia\u201d \u00e0 sua imagem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2026 e uma extrema direita que espia!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>E contando com o perigo da extrema direita que, como em Fran\u00e7a, tamb\u00e9m se ativa em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>A tirada racista h\u00e1 dois dias na Assembleia Nacional francesa de Gr\u00e9goire de Fournas, deputado lepenista, recorda a do primeiro deputado portugu\u00eas de extrema-direita, Andr\u00e9 Ventura, que, em janeiro de 2020, disse a uma deputada negra para &#8220;regressar ao seu pa\u00eds de origem&#8221; (Joacine Moreira nascida na ex-col\u00f3nia da Guin\u00e9-Bissau), por ter defendido a restitui\u00e7\u00e3o de obras de arte \u00e0s ex-col\u00f3nias portuguesas. &#8220;Proponho que a pr\u00f3pria deputada Joacine seja mandada de volta ao seu pa\u00eds de origem. Seria muito melhor para o mundo inteiro&#8221;, declarou o deputado. A extrema-direita tinha um eleito em 2019 e obteve 12 lugares nas elei\u00e7\u00f5es de janeiro 2022. A progress\u00e3o lusitana recorda tamb\u00e9m a das elei\u00e7\u00f5es legislativas em Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><em>A solidariedade entre os imigrantes de ontem (dos quais o Alarme foi um dos atores) e os de hoje, \u00e9 nosso compromisso, mas tamb\u00e9m a mobiliza\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para nosso futuro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>ARTUR MONTEIRO<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ARTUR.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8221\" width=\"321\" height=\"294\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ARTUR.jpg 634w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ARTUR-300x274.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 321px) 100vw, 321px\" \/><figcaption>Artur Monteiro<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Artigo publicado inicialmente no <a href=\"https:\/\/blogs.mediapart.fr\/arthur-porto\/blog\/041122\/il-y-50-ans-grenoble-o-alarme-est-ne\">Club Mediapart<\/a> \/ <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/index.php\/2021\/03\/08\/dpssie-ice-olha-o-alarme-jornal-dos-trabalhadores-portugueses\/\">Outros artigo sobre o tema no SEM FRONTEIRAS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ilustra\u00e7\u00f5es  complementares e edi\u00e7\u00e3o SF<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:13px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"214\" height=\"300\" data-id=\"244\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/alarme\/aO-AlarmeN\u00b016.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-244\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/alarme\/aO-AlarmeN\u00b016.jpg 214w, 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