{"id":9851,"date":"2023-06-24T22:25:32","date_gmt":"2023-06-24T22:25:32","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=9851"},"modified":"2023-07-07T16:27:50","modified_gmt":"2023-07-07T16:27:50","slug":"vivemos-em-democracia-qual-e-o-nosso-futuro-5","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/nsf.pt\/index.php\/2023\/06\/24\/vivemos-em-democracia-qual-e-o-nosso-futuro-5\/","title":{"rendered":"VIVEMOS EM DEMOCRACIA? QUAL \u00c9 O NOSSO FUTURO?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2023-06-24T22:25:32+00:00\">24 de Junho, 2023<\/time><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>V \u2013 Crescimento demogr\u00e1fico; um \u201cPlano Verde\u201d para fazer face \u00e0 polui\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">por Filipe do Carmo<\/h2>\n\n\n\n<p><em>Editado por SF 7\/07<\/em> corre\u00e7\u00e3o dos dados estat\u00edsticos (n\u00e3o inseridos) das previs\u00f5es de evolu\u00e7\u00e3o populacional.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:31px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"829\" height=\"427\" data-id=\"9852\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/daca.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9852\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/daca.jpg 829w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/daca-300x155.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/daca-768x396.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 829px) 100vw, 829px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Daca, Bangladesh<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:38px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A acumula\u00e7\u00e3o de lixos (muito em particular no que diz respeito aos pl\u00e1sticos) tem, conforme referido no precedente texto, consequ\u00eancias extremamente graves para o ambiente, em particular no que concerne dom\u00ednios como o clima, a biodiversidade, os solos, os oceanos e a sa\u00fade humana. A an\u00e1lise dos resultados da cimeira de Paris relativa \u00e0 polui\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica, que ficou de ser feita no presente texto, n\u00e3o poder\u00e1 levar a que tais resultados possam ser considerados como muito positivos, conforme ser\u00e1 especificado mais \u00e0 frente. De imediato, e dada a possibilidade de a evolu\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica que nos espera poder contribuir bastante para o agravamento, em particular, de tal tipo de polui\u00e7\u00e3o (mas tamb\u00e9m, sem d\u00favida, no que respeita a outros tipos de degenera\u00e7\u00e3o ambiental), ir-se-\u00e1 dar pr\u00e9via aten\u00e7\u00e3o \u00e0s perspectivas dessa evolu\u00e7\u00e3o. E, tamb\u00e9m em particular, dando relevo especial ao que se poder\u00e1 passar numa \u00e1rea do globo em que, j\u00e1 havendo muito s\u00e9rios problemas de acumula\u00e7\u00e3o de lixos, se afigura que o crescimento demogr\u00e1fico possa conduzir a ainda mais graves problemas que os actuais.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Previs\u00f5es de evolu\u00e7\u00e3o populacional<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 acima (ver parte final do texto II) se referiram as previs\u00f5es de evolu\u00e7\u00e3o populacional e poder\u00e1 parecer que s\u00f3 um aumento at\u00e9 2100 de cerca de 25% n\u00e3o ser\u00e1 assim t\u00e3o grave. Se agora se der destaque a previs\u00f5es espec\u00edficas (anos de 2050 e 2100) feitas pela ONU, para alguns pa\u00edses de tr\u00eas regi\u00f5es do planeta (\u00c1sia do Sul, \u00c1frica do Norte e \u00c1frica Subsariana), ser\u00e1 dif\u00edcil evitar uma percep\u00e7\u00e3o de que alguma coisa estar\u00e1 errada (com os n\u00fameros abaixo indicados a representarem os valores expressos em milh\u00f5es para, respectivamente, 2020, 2050 e 2100)<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"786\" height=\"134\" data-id=\"9950\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/tans-Filipe.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9950\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/tans-Filipe.jpg 786w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/tans-Filipe-300x51.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/tans-Filipe-768x131.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 786px) 100vw, 786px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>E as previs\u00f5es para popula\u00e7\u00f5es urbanas ainda se revelam mais preocupantes (ou absurdas?), como se pode ver pelos valores seguintes, correspondentes a 2050 e 2100 (previs\u00f5es publicadas por um organismo da Universidade de Toronto, o <em>Global Cities Institute<\/em>, com valores tamb\u00e9m expressos em milh\u00f5es):<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-5 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"733\" height=\"81\" data-id=\"9951\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/tans2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9951\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/tans2.jpg 733w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/tans2-300x33.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 733px) 100vw, 733px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Creio que basta olhar para estes n\u00fameros (e estar consciente de que o planeta n\u00e3o poder\u00e1 suportar o que constituiria uma agress\u00e3o fortemente ampliada) para perceber que alguma coisa est\u00e1 a falhar em tais futurologias<a id=\"_ftnref2\" href=\"#_ftn2\">[2]<\/a>. Tal falhan\u00e7o derivar\u00e1 provavelmente, numa primeira perspectiva, da n\u00e3o considera\u00e7\u00e3o de que os Estados directamente amea\u00e7ados por tais evolu\u00e7\u00f5es se ver\u00e3o em breve obrigados a tomar medidas para as impedir (com os pr\u00f3prios habitantes a assumirem atitudes que complementem tais medidas)<a id=\"_ftnref3\" href=\"#_ftn3\">[3]<\/a>. Numa segunda perspectiva, esse falhan\u00e7o poder\u00e1 derivar da incapacidade de assumir que inevit\u00e1veis desastres sociais haver\u00e3o de resultar desses aumentos demogr\u00e1ficos exponenciais, substituindo-se \u00e0s ditas medidas. Ali\u00e1s, tais desastres (divulgados pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social e geralmente atribu\u00eddos \u00e0s consequ\u00eancias do aquecimento global) j\u00e1 come\u00e7am a resultar da evolu\u00e7\u00e3o que se tem verificado nas \u00faltimas d\u00e9cadas. E prosseguir com tais aumentos demogr\u00e1ficos s\u00f3 poder\u00e1 amplificar tais desastres e em vias que n\u00e3o ser\u00e3o s\u00f3 as do aquecimento global (o problema dos lixos ser\u00e1 uma dessas vias).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Migrantes tentam entrar na Europa<\/h2>\n\n\n\n<p>Um tipo de desastre que j\u00e1 ocorre deriva dos acabados de referir crescimentos demogr\u00e1ficos. S\u00e3o not\u00edcias correntes na comunica\u00e7\u00e3o social europeia as travessias do Mediterr\u00e2neo por migrantes que tentam entrar na Europa provenientes de pa\u00edses africanos e do Pr\u00f3ximo Oriente. Pode-se pensar que muitas dessas tentativas t\u00eam como origem raz\u00f5es de natureza pol\u00edtica, mas o que estar\u00e1 por detr\u00e1s (certamente que, muitas vezes, com elevada probabilidade, a dificuldade em alimentar um n\u00famero crescente de bocas) de tais motiva\u00e7\u00f5es pol\u00edticas? O que \u00e9 certo \u00e9 que os transportes navais se t\u00eam afundado com regularidade e, quando os migrantes conseguem chegar a terra, muitas vezes o que os espera s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es de indefini\u00e7\u00e3o que se arrastam em acampamentos onde as dificuldades se multiplicam. Por outro lado, nos pa\u00edses de eventual acolhimento, v\u00e3o-se gerando reac\u00e7\u00f5es que crescentemente conduzem ao refor\u00e7o de oposi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de extrema direita (algumas vezes com mudan\u00e7as significativas em pa\u00edses em que predominavam orienta\u00e7\u00f5es de esquerda), as quais, para al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o de obst\u00e1culos \u00e0 perman\u00eancia dos migrantes, tendem a criar conflitos sociais que, em termos de adicionais desastres, n\u00e3o se sabe onde poder\u00e3o chegar. Contudo, no concernente a quest\u00f5es mais pormenorizadas relativas a migra\u00e7\u00f5es, elas ter\u00e3o que ser deixadas para um pr\u00f3ximo texto.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pacto Verde para a Europa<\/h2>\n\n\n\n<p>Foram, neste e em precedentes textos, feitas amplas refer\u00eancias \u00e0s consequ\u00eancias da acumula\u00e7\u00e3o de lixos para o ambiente (muito em particular no relativo aos pl\u00e1sticos), nomeadamente no que concerne ao enorme perigo que representa essa acumula\u00e7\u00e3o para o ambiente, a sa\u00fade e o clima. Foi tamb\u00e9m feita refer\u00eancia \u00e0s perspectivas que existiam nas v\u00e9speras da inaugura\u00e7\u00e3o da cimeira sobre a polui\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica que teve lugar em Paris de 29 de Maio e decorreu at\u00e9 2 do corrente m\u00eas de Junho (com uma previs\u00e3o de presen\u00e7a de negociadores de 175 pa\u00edses e de mais de 1500 cientistas e representantes da sociedade civil e da ind\u00fastria).<\/p>\n\n\n\n<p>As conclus\u00f5es que podem ser inferidas dos desenvolvimentos ocorridos na referida cimeira ser\u00e3o objecto de considera\u00e7\u00f5es neste texto. Convir\u00e1, contudo, dar previamente algumas indica\u00e7\u00f5es sobre o \u201cPacto Verde para a Europa\u201d, cuja proposta foi apresentada pela Comiss\u00e3o Europeia em 30 de Novembro de 2022 com o objectivo de encorajar a reciclagem e a reutiliza\u00e7\u00e3o das embalagens e outros recipientes e acabar com os respectivos res\u00edduos.<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a> O objectivo da UE seria levar a cabo at\u00e9 2030 uma altera\u00e7\u00e3o da natureza das embalagens (inferindo-se que tamb\u00e9m de outros recipientes) de modo a torn\u00e1-las todas recicl\u00e1veis (actualmente apenas 65% apresentam tal condi\u00e7\u00e3o), al\u00e9m de se conseguir reduzir em 15%, at\u00e9 2040 e uniformemente nos 27 pa\u00edses, os res\u00edduos que elas ocasionam. Previa-se ent\u00e3o um trabalho de uma complexidade extrema, ao se ter em considera\u00e7\u00e3o que ele requer uma rigorosa apreens\u00e3o das pr\u00e1ticas dos industriais e tamb\u00e9m dos h\u00e1bitos dos consumidores (no sentido igualmente de se conseguir ir longe no respeitante \u00e0 reutiliza\u00e7\u00e3o). Poder-se-\u00e1 ter uma melhor percep\u00e7\u00e3o dos problemas que se tinham como necess\u00e1rio defrontar quando se tem em considera\u00e7\u00e3o que al\u00e9m das embalagens pl\u00e1sticas propriamente ditas h\u00e1 as de papel, cart\u00e3o, vidro, lata, \u2026, al\u00e9m de objectos v\u00e1rios como talheres, c\u00e1psulas em alum\u00ednio para caf\u00e9, sacos de ch\u00e1, garrafas, boi\u00f5es, adesivos autocolantes e o que come\u00e7ava a ser designado por sobreembalagens (embalagens exteriores, como \u00e9 o caso dos inv\u00f3lucros em cart\u00e3o que mant\u00eam juntos, por exemplo, boi\u00f5es de iogurtes). No caso, por exemplo, da reutiliza\u00e7\u00e3o das garrafas para a cerveja e para o vinho, as dificuldades ent\u00e3o previstas tinham em considera\u00e7\u00e3o que, no caso das de cerveja apenas se antevia como poss\u00edvel uma percentagem de 25% para 2040 (a reutiliza\u00e7\u00e3o actual \u00e9 de 10%) enquanto para as do vinho ela \u00e9 de apenas 15% (5% actualmente). Dificuldades parecidas previam-se igualmente no que respeita \u00e0s embalagens para vendas dos restaurantes para consumo caseiro e para as que s\u00e3o utilizadas nas vendas com recurso \u00e0 internet. Dignas ainda de aten\u00e7\u00e3o, medidas previstas para ajudar o consumidor a integrar-se nos processos de reciclagem, como a promulga\u00e7\u00e3o de regras que conduzam \u00e0 afixa\u00e7\u00e3o em cada embalagem de etiquetas (tamb\u00e9m presentes nos cestos de lixo onde elas dever\u00e3o ser colocadas) de modo a guiar o cidad\u00e3o a colocar cada tipo de lixo no local correcto. Ora, apesar de magistrados europeus terem considerado que o texto do Plano Verde era \u201co mais ambicioso no mundo para reduzir a polui\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica\u201d, n\u00e3o faltaram organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas que, reconhecendo tratar-se de uma \u201cviragem importante\u201d, n\u00e3o deixaram de deplorar que tal Plano tenha constitu\u00eddo \u201cuma ambi\u00e7\u00e3o revista em baixa relativamente a um projecto precedente\u201d. E tamb\u00e9m ser\u00e1 certamente adequado considerar que a Comiss\u00e3o Europeia foi muito pouco ousada ao esperar que a sua proposta s\u00f3 viesse a ser aprovada 18 meses mais tarde e a respectiva entrada em vigor ap\u00f3s mais 12 meses.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Come\u00e7ar por uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do recurso ao pl\u00e1stico<\/h2>\n\n\n\n<p>Relativamente ao que sucedeu na cimeira acima referida, relembre-se o que se disse no texto precedente sobre a necessidade de fixar \u201cn\u00edveis de obrigatoriedade\u201d em associa\u00e7\u00e3o com o princ\u00edpio do poluidor-pagador. Ora, sendo reconhecido que a polui\u00e7\u00e3o pelo pl\u00e1stico equivale a uma \u201cbombe \u00e0 retardement\u201d, haver\u00e1 que, antes de pensar em reciclagem e reutiliza\u00e7\u00e3o, come\u00e7ar por uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do recurso ao pl\u00e1stico. Avaliando os resultados da cimeira, um negociador europeu admitiu que se evitou o pior. Isso porque, come\u00e7ando pelo que se decidiu sobre a vota\u00e7\u00e3o relativa ao futuro tratado (a qual dever\u00e1 ter lugar em meados de 2025), v\u00e1rios pa\u00edses (em que predominava a Ar\u00e1bia Saudita) do Golfo P\u00e9rsico, a R\u00fassia, o Ir\u00e3o, a China, a \u00cdndia e o Brasil, opuseram-se \u00e0 sua aprova\u00e7\u00e3o \u2013 no caso de n\u00e3o haver consenso \u2013 por uma maioria de dois ter\u00e7os. Se bem que essa posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenha tido sucesso (tal modo de aprova\u00e7\u00e3o j\u00e1 havia sido validado na anterior cimeira de Novembro de 2022), esses Estados \u201cobstrucionistas\u201d n\u00e3o renunciaram a um direito de veto sobre o resultado final das negocia\u00e7\u00f5es. Assim, se por um lado um grande conjunto de pa\u00edses em que se incluem a maioria dos europeus, mas tamb\u00e9m o Jap\u00e3o e v\u00e1rios africanos<a id=\"_ftnref5\" href=\"#_ftn5\">[5]<\/a>, procuram p\u00f4r fim \u00e0 polui\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica at\u00e9 2040 (o que me parece pouco optimista), j\u00e1 os pa\u00edses produtores de g\u00e1s e de petr\u00f3leo, a China (primeiro produtor de pl\u00e1sticos) e os Estados Unidos (primeiro consumidor), n\u00e3o querem ouvir falar de medidas demasiado constringentes nem de restri\u00e7\u00f5es que possam estorvar o desenvolvimento dos seus grupos petroqu\u00edmicos.<a id=\"_ftnref6\" href=\"#_ftn6\">[6]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Lisboa, 20 de Junho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>Filipe do Carmo<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> N\u00e3o resisto a referir que nos anos 50, na minha escola prim\u00e1ria, me ensinaram que a popula\u00e7\u00e3o de Angola era, na altura, de cerca de 4,5 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Por exemplo, dois dos pa\u00edses acima referidos passariam a ter densidades populacionais extremamente elevadas em 2100: Paquist\u00e3o (457 habitantes\/km<sup>2<\/sup>) e Nig\u00e9ria (805 habitantes\/km<sup>2<\/sup>). Compare-se com o que sucede hoje em dia com os pa\u00edses mais populosos: China (146\/km<sup>2<\/sup>)e \u00cdndia (426\/km<sup>2<\/sup>); e, na Europa, com o Reino Unido (258\/km<sup>2<\/sup>) e Alemanha (233\/km<sup>2<\/sup>); ou, por curiosidade, com o nosso pa\u00eds (112\/km<sup>2<\/sup>).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Um exemplo de tais medidas est\u00e1 no que se passa na \u00cdndia (que, com os seus 1,4 mil milh\u00f5es de habitantes, ter\u00e1 ultrapassado recentemente a China), pa\u00eds que, procurando evitar esses excessos populacionais, tem reagido e j\u00e1 apresenta um \u00edndice de fecundidade de 2,0 (nas zonas urbanas tal \u00edndice \u00e9 de apenas 1,6 e nas zonas rurais de 2,1), quando em 2015-2016 ele era de 2,2 e em 2005-2006 de 2,7. Isso foi poss\u00edvel com um planeamento familiar que, oficializado h\u00e1 d\u00e9cadas, procurou subir a idade do casamento e tornar acess\u00edveis m\u00e9todos contraceptivos a todos (diferentemente do que se passa nos pa\u00edses ocidentais, onde a p\u00edlula contraceptiva tem a prefer\u00eancia das mulheres, as indianas t\u00eam privilegiado a esteriliza\u00e7\u00e3o). Outros exemplos de planeamento familiar, os da Indon\u00e9sia e do Bangladesh (pa\u00edses de dominante mu\u00e7ulmana), conduziram mesmo a resultados melhores em mat\u00e9ria de baixa das taxas de natalidade. E na pr\u00f3pria \u00cdndia, o seu Estado mais alfabetizado \u2013 o Kerala \u2013 j\u00e1 havia apresentado nos anos 1990 quedas da fecundidade para valores inferiores ao n\u00edvel de substitui\u00e7\u00e3o (induzindo-se portanto que, tal como na Europa, tais valores para a fecundidade est\u00e3o correlacionados com os do n\u00edvel do ensino).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> Ver a tal prop\u00f3sito, por um lado, o artigo de Virginie Malingre, \u201cL\u2019\u00e9xecutif europ\u00e9en veut recycler tous les d\u00e9chets d\u2019emballage\u201d (<em>Le Monde<\/em>, 2022-12-02, p\u00e1g. 8) e, por outro, o que \u00e9 apresentado no link <a href=\"https:\/\/france.representation.ec.europa.eu\/informations\/pacte-vert-pour-leurope-en-finir-avec-les-dechets-demballages-encourager-la-reutilisation-et-le-2022-11-30_fr#:~:text=Le%20grand%20objectif%20vise%20%C3%A0,sans%20modification%20de%20la%20l%C3%A9gislation\">https:\/\/france.representation.ec.europa.eu\/informations\/pacte-vert-pour-leurope-en-finir-avec-les-dechets-demballages-encourager-la-reutilisation-et-le-2022-11-30_fr#:~:text=Le%20grand%20objectif%20vise%20%C3%A0,sans%20modification%20de%20la%20l%C3%A9gislation<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Alguns pa\u00edses em desenvolvimento, tidos como as principais v\u00edtimas da polui\u00e7\u00e3o pelos pl\u00e1sticos, procuram formar uma nova frente nestas quest\u00f5es, defendendo que sejam os pa\u00edses industrializados a financiar a solu\u00e7\u00e3o dos correspondentes problemas e mostrando-se favor\u00e1veis \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um novo fundo, quando, por exemplo, a UE prefere a manuten\u00e7\u00e3o do recurso ao GEF (Global Environment Facility, geralmente designado em portugu\u00eas por Fundo Mundial do Ambiente; sobre este fundo veja-se <a href=\"https:\/\/www.thegef.org\/\">https:\/\/www.thegef.org\/<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn6\" href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a> Sobre este conjunto de quest\u00f5es veja-se mais um artigo de St\u00e9phane Mandard: \u201cPollution au plastique: vers un trait\u00e9 mondial\u201d (<em>Le Monde<\/em>, 2023-06-05, pg. 13).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">Filipe do Carmo<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"407\" height=\"368\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/filipe1-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9826\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/filipe1-2.jpg 407w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/filipe1-2-300x271.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 407px) 100vw, 407px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V \u2013 Crescimento demogr\u00e1fico; um \u201cPlano Verde\u201d para fazer face \u00e0 polui\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica? 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