{"id":6522,"date":"2022-05-06T05:21:15","date_gmt":"2022-05-06T05:21:15","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?page_id=6522"},"modified":"2022-05-06T07:29:22","modified_gmt":"2022-05-06T07:29:22","slug":"dossie-ambiente-a-agressao-ao-planeta-6","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/dossie-ambiente-a-agressao-ao-planeta-6\/","title":{"rendered":"DOSSI\u00ca AMBIENTE | A AGRESS\u00c3O AO PLANETA"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-cyan-bluish-gray-background-color has-background\">AMBIENTE E ECONOMIA | DOSSI\u00ca &#8211; Parte 7<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A AGRESS\u00c3O AO PLANETA (VII)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 1974, Ren\u00e9 Dumont, no seu artigo \u201cLa dilapidation mortelle des ressources\u201d<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>, dizia que o \u201cCrescei e multiplicai-vos\u201d j\u00e1 causou danos suficientes, pois actua de modo impiedoso desde h\u00e1 mais de dois mil\u00e9nios. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"769\" height=\"546\" data-id=\"6525\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-3-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6525\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-3-2.jpg 769w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-3-2-300x213.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 769px) 100vw, 769px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"684\" data-id=\"6524\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4-1-1024x684.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6524\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4-1-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4-1-768x513.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4-1.jpg 1389w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Tendo-se candidatado \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica Francesa nesse mesmo ano com um programa ecologista, Dumont apenas conseguiu 1,32% dos votos. Os resultados das nossas recentes elei\u00e7\u00f5es legislativas, revelando falta de preocupa\u00e7\u00e3o ambiental por parte da maioria dos partidos pol\u00edticos (o tema predominante nos debates continuou a ser o crescimento econ\u00f3mico), confirmaram tal falta de preocupa\u00e7\u00e3o: os dois \u00fanicos pequenos partidos (sem representa\u00e7\u00e3o parlamentar) que foram claros a expressar tal preocupa\u00e7\u00e3o apenas conseguiram um apoio (0,23% dos votos) bastante mais baixo que o de Dumont.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O querer sempre mais e mais parece fazer claramente parte da natureza humana, e isso est\u00e1 bem evidenciado no que respeita aos mais abastados conforme se pode inferir de um dos textos que antecedem o actual. No que concerne os mais pobres, sobretudo os que lutam pela sobreviv\u00eancia, as preocupa\u00e7\u00f5es com as idades mais avan\u00e7adas t\u00eam-nos conduzido a procurar garantir uma descend\u00eancia que lhes permita fazer face \u00e0s necessidades mais b\u00e1sicas, o que estar\u00e1 em grande medida por detr\u00e1s da sua ades\u00e3o ao \u201cCrescei e multiplicai-vos\u201d. Contudo, a evolu\u00e7\u00e3o mais recente das sociedades humanas, com a conjuga\u00e7\u00e3o de uma mais baixa mortalidade com o desenvolvimento de um sistema educativo que vai no sentido de incentivar um investimento num n\u00famero limitado de filhos e a utiliza\u00e7\u00e3o de meios contraceptivos, tem levado a uma diminui\u00e7\u00e3o dos nascimentos que permite antever um termo ao processo de crescimento que temos conhecido. Mas esse termo ainda est\u00e1 a uma dist\u00e2ncia consider\u00e1vel, conforme j\u00e1 referido anteriormente, e haver\u00e1, pelo menos at\u00e9 meados deste s\u00e9culo, que lidar n\u00e3o s\u00f3 com os graves problemas que j\u00e1 existem de aquecimento global, de progressiva exaust\u00e3o de recursos naturais e de polui\u00e7\u00f5es de muitas naturezas, mas tamb\u00e9m com os acrescentos a que mais desenvolvimento econ\u00f3mico conduzir\u00e1, incluindo o que as tecnologias que se pretendem verdes vir\u00e3o a ocasionar. Situa\u00e7\u00e3o que s\u00f3 se poder\u00e1 agravar com o crescimento demogr\u00e1fico que ainda se prev\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 dois tipos de evolu\u00e7\u00e3o que poder\u00e3o ser determinantes at\u00e9, diga-se com uma ousadia algo desconfort\u00e1vel, cerca de 2050 (ir al\u00e9m de um horizonte de 30 anos \u00e9 jogar demasiado com as capacidades de previs\u00e3o). O primeiro desses tipos de evolu\u00e7\u00e3o tem a ver com os desastres ambientais que poder\u00e3o ocorrer e de que j\u00e1 se conhecem algumas \u201camostras\u201d em anos recentes: temperaturas elevad\u00edssimas, inc\u00eandios, destrui\u00e7\u00f5es de edifica\u00e7\u00f5es (n\u00e3o s\u00f3 habitacionais como industriais e outras) e de florestas e campos agr\u00edcolas, mortos e feridos. O sistema econ\u00f3mico dos pa\u00edses desenvolvidos tem, at\u00e9 agora, permitido limitar em grande medida a sentimentos de desola\u00e7\u00e3o as consequ\u00eancias dos desastres ocorridos. Isso devido n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 capacidade de reconstru\u00e7\u00e3o r\u00e1pida de que o sistema econ\u00f3mico tem dado provas, mas tamb\u00e9m \u00e0 exist\u00eancia de um subsistema segurador (por vezes complementado por fundos p\u00fablicos), o qual permite financiar partes substanciais de tal reconstru\u00e7\u00e3o. Mas, se os desastres em tais dom\u00ednios se agravarem e essa capacidade de reconstru\u00e7\u00e3o come\u00e7ar a falhar, o que suceder\u00e1? E se outros tipos de desastres (subida das \u00e1guas do mar devido ao degelo, doen\u00e7as causadas pelas polui\u00e7\u00f5es, redu\u00e7\u00e3o da capacidade de produzir alimentos) vierem a ocorrer? O segundo dos referidos tipos de evolu\u00e7\u00e3o tem a ver com o pr\u00f3prio crescimento populacional e come\u00e7a por afectar pa\u00edses em que n\u00e3o \u00e9 criado um trav\u00e3o a tal crescimento. Conforme j\u00e1 referido (ver Anexo Popula\u00e7\u00f5es), a popula\u00e7\u00e3o mundial, que actualmente \u00e9 de cerca de 7,8 mil milh\u00f5es, poder\u00e1 atingir em 2100 (de acordo com as previs\u00f5es da ONU) cerca de 3 mil milh\u00f5es adicionais. Previs\u00f5es de outro organismo colocam o pico populacional bastante antes, em 2064, embora com valores inferiores: 9,7 mil milh\u00f5es. Considerando um ou outro caso e a hip\u00f3tese admitida de que os efeitos da adop\u00e7\u00e3o de medidas no sentido da redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de nascimentos por mulher ainda n\u00e3o ter\u00e3o atingido o seu pleno em 2050, poder-se-\u00e1 esperar que nessa data a popula\u00e7\u00e3o mundial seja um pouco superior a 9 mil milh\u00f5es. Sabendo que a pegada ambiental da actual popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 ultrapassa de longe a capacidade do planeta, o que se pode esperar como consequ\u00eancias em termos de desastres adicionais que nos venham a afectar? Ou ser\u00e1 que tais desastres, directamente ou por vias que deles dependam (doen\u00e7as, movimentos de popula\u00e7\u00f5es, revoltas, guerras), vir\u00e3o entretanto a afectar tal evolu\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica para valores mais baixos?<\/p>\n\n\n\n<p>Dada a insist\u00eancia sem repouso na promo\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f3mico (veja-se, entre n\u00f3s, o que a generalidade dos partidos pol\u00edticos prop\u00f4s nos debates que tiveram lugar visando as elei\u00e7\u00f5es legislativas) n\u00e3o \u00e9 de esperar que em breve surjam solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que procurem incentivar uma qualquer via no sentido do decrescimento. E os partidos contam com a preocupa\u00e7\u00e3o da maioria dos eleitores com os seus interesses imediatos, naturalmente os de curto\/m\u00e9dio prazo, para n\u00e3o dar a aten\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria a outros interesses que n\u00e3o se lhes apresentam como urgentes, n\u00e3o obstante poderem vir a revelar-se essenciais \u00e0 sobreviv\u00eancia da sua esp\u00e9cie: a humana. A prossecu\u00e7\u00e3o de um ideal de decrescimento ter-se-ia certamente que come\u00e7ar por se apoiar na sobriedade e isso s\u00f3 ganharia consist\u00eancia se, como factor de arranque, fossem postos em causa n\u00e3o s\u00f3 os rendimentos excessivos dos estratos sociais mais abastados mas tamb\u00e9m os seus patrim\u00f3nios avultad\u00edssimos. Mas sobriedade, para aqueles, de entre os estratos mais baixos, que se defrontam com problemas de subsist\u00eancia ou outros que conduzem a uma qualidade de vida muitas vezes deplor\u00e1vel? Seria necess\u00e1rio encontrar vias que, reestruturando os sistemas de produ\u00e7\u00e3o e de distribui\u00e7\u00e3o, conduzissem a redu\u00e7\u00f5es significativas da produ\u00e7\u00e3o global e a melhorias das condi\u00e7\u00f5es de vida dos mais pobres.<\/p>\n\n\n\n<p>O que seria necess\u00e1rio para atingir tal desiderato? Podemos admitir que um pa\u00eds isolado que viesse a optar por tal via (na sequ\u00eancia de uma revolu\u00e7\u00e3o, por exemplo, ou de elei\u00e7\u00f5es que dessem vantagem a um partido ou coliga\u00e7\u00e3o que defendessem tal orienta\u00e7\u00e3o) come\u00e7asse por ter algum sucesso. Mas um s\u00f3 pa\u00eds que n\u00e3o tenha um lugar de topo na hierarquia das comunidades humanas s\u00f3 poder\u00e1 aspirar a que um tal sucesso n\u00e3o conduza a boicote, a ac\u00e7\u00f5es de sabotagem (chegando a apoios ou mesmo \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de um golpe de estado), por parte de grandes pot\u00eancias que n\u00e3o deixariam de o considerar como um \u201cmau exemplo\u201d (podendo sentir-se al\u00e9m disso prejudicadas nos seus interesses econ\u00f3micos). Por outro lado, uma iniciativa dessas por parte de uma grande pot\u00eancia ou comunidade supranacional n\u00e3o \u00e9 conceb\u00edvel, pelo menos no contexto em que agora vivemos, dado o controlo que os grandes interesses econ\u00f3micos a\u00ed exercem sobre as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o que parece mais prov\u00e1vel nos pr\u00f3ximos tempos \u00e9 a de um agravamento dos desastres ambientais que n\u00e3o se limitar\u00e3o ao aquecimento global (e \u00e0s suas consequ\u00eancias que j\u00e1 t\u00eam sido bem sentidas em boa parte do planeta), continuando a abranger uma grande diversidade de tipos de polui\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m de uma incid\u00eancia significativa sobre a disponibilidade de recursos que t\u00eam vindo a ser explorados. No respeitante \u00e0s polui\u00e7\u00f5es, j\u00e1 foi referido, embora com pouco detalhe, o que se passa nos oceanos (para al\u00e9m naturalmente da que afecta a atmosfera e provoca o aquecimento global), mas n\u00e3o se poder\u00e1 esquecer a enorme difus\u00e3o de pl\u00e1sticos que est\u00e1 a inundar os terrenos, os lagos, os rios (um exemplo entre muitos \u00e9 dado por uma fotografia que mostra um terreno no Bangladesh atravessado por uma ponte que est\u00e1 rodeada de tal material e que acaba de ser publicada no <em>P\u00fablico<\/em> de 2022-01-26, p\u00e1gina 5). No que concerne a excessiva utiliza\u00e7\u00e3o de recursos do planeta, al\u00e9m do que se passa com o digital e com as baterias para os autom\u00f3veis el\u00e9ctricos e que j\u00e1 foi referido em texto anterior, convir\u00e1 acrescentar uma refer\u00eancia aos efeitos que come\u00e7am a ser sentidos sobre os pre\u00e7os de alguns desses recursos \u2013 por exemplo, chips e outros componentes do digital, o petr\u00f3leo e a electricidade \u2013 os quais t\u00eam sofrido aumentos significativos nos \u00faltimos meses (ainda n\u00e3o \u00e9 clara a poss\u00edvel comparticipa\u00e7\u00e3o que efeitos da pandemia que actualmente nos afecta t\u00eam tido nessas subidas de pre\u00e7os).<\/p>\n\n\n\n<p>A insufici\u00eancia de recursos alimentares tamb\u00e9m, inevitavelmente, tem tend\u00eancia a afirmar-se com maior gravidade. \u00c9 que essa insufici\u00eancia, que se tem manifestado sobretudo em pa\u00edses menos desenvolvidos nos tempos mais recentes, vai assumir uma maior import\u00e2ncia em pa\u00edses como os da \u00c1frica Subsariana e mesmo alguns asi\u00e1ticos, \u00e0 medida que o crescimento populacional que os caracteriza se vai tornando mais intenso. Se nos limitarmos a avaliar o que se poder\u00e1 passar em alguns pa\u00edses da \u00c1frica Subsariana, convir\u00e1 recordar-nos que (ver um dos textos anteriores) as previs\u00f5es demogr\u00e1ficas apontam para 401 milh\u00f5es em 2050 na Nig\u00e9ria (206 em 2020), 135 na Tanz\u00e2nia (60 em 2020), 194 no Congo (90 em 2020), 66 no N\u00edger (24 em 2020) e 77 em Angola (33 em 2020). Esta evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 devida a uma diminui\u00e7\u00e3o bastante forte da mortalidade ao sul do Sara, abrangendo em particular as crian\u00e7as de 0 a 5 anos (passando de 30,9% em 1950 a 7,8% actualmente) enquanto a fecundidade pouco baixou no mesmo per\u00edodo. Assim, segundo um estudo realizado num n\u00famero consider\u00e1vel de pa\u00edses africanos na primeira d\u00e9cada do nosso s\u00e9culo, o n\u00famero ideal de crian\u00e7as declarado por mulheres casadas era em m\u00e9dia superior a 5 (em dois casos \u2013 Chade e N\u00edger \u2013 superior a 9). Essa \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o que conduz a uma utiliza\u00e7\u00e3o reduzida de contraceptivos, o que \u00e9 refor\u00e7ado pela atitude dos \u201crespons\u00e1veis pol\u00edticos e sanit\u00e1rios de tais pa\u00edses, que manifestam uma indiferen\u00e7a total a esta quest\u00e3o, quando n\u00e3o s\u00e3o mesmo muito favor\u00e1veis a uma forte fecundidade\u201d.<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Estes fortes crescimentos populacionais em \u00c1frica s\u00f3 muito dificilmente poder\u00e3o ser suportados pelos pr\u00f3prios pa\u00edses em que ocorrem, o que significa que uma parte bastante numerosa do que se poder\u00e1 designar \u201cexcedentes\u201d tender\u00e1 a recorrer \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o para assegurar a sua sobreviv\u00eancia (uma situa\u00e7\u00e3o ali\u00e1s que j\u00e1 se tem verificado de alguns anos para c\u00e1 com consequ\u00eancias gravosas para tais migrantes, j\u00e1 bem conhecidas da opini\u00e3o p\u00fablica, que v\u00e3o desde a acumula\u00e7\u00e3o de fortes contingentes em campos de concentra\u00e7\u00e3o na Europa, ou perto das suas fronteiras, aos desastres mar\u00edtimos que ocorrem no Mediterr\u00e2neo). Mas as situa\u00e7\u00f5es que em princ\u00edpio se v\u00e3o viver ser\u00e3o bastante mais problem\u00e1ticas dado que os n\u00fameros que se podem prever de migrantes envolvidos ultrapassar\u00e3o de longe os que at\u00e9 agora se t\u00eam verificado. Por outro lado, as reac\u00e7\u00f5es que se podem esperar nos pa\u00edses de destino tender\u00e3o a agravar-se consideravelmente. Se por um lado a migra\u00e7\u00e3o se apresenta como conveniente para as entidades patronais destes \u00faltimos pa\u00edses (m\u00e3o de obra barata que vai ocupar postos de trabalho que al\u00e9m disso os naturais tendem a n\u00e3o aceitar), por outro a evolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que a\u00ed vir\u00e1 a ocorrer ter\u00e1 grande probabilidade de se apresentar como extremamente negativa. Os movimentos populistas de extrema direita que j\u00e1 t\u00eam vindo a afirmar-se de h\u00e1 uns anos para c\u00e1 ver\u00e3o certamente nesse afluxo de migrantes uma grande oportunidade para se refor\u00e7arem.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa hip\u00f3tese bastante ficcional em que as popula\u00e7\u00f5es do nosso planeta \u2013 orientadas por uma classe pol\u00edtica que tivesse a percep\u00e7\u00e3o de que a actual evolu\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode desencadear um desastre planet\u00e1rio \u2013 compreendessem que o interesse da esp\u00e9cie humana teria que passar por uma redu\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica significativa, haveria que planear com o m\u00e1ximo detalhe e rigor o conjunto de medidas que seria necess\u00e1rio adoptar para inverter a via do crescimento econ\u00f3mico que predomina no presente e ajustar a viv\u00eancia humana \u00e0 disponibilidade de recursos que o planeta oferece. Ningu\u00e9m sabe se essa via de invers\u00e3o \u2013 num sentido que teria possivelmente que levar a quedas populacionais de 80 ou 90% para manter uma viv\u00eancia aceit\u00e1vel e digna (e n\u00e3o uma esp\u00e9cie de retorno \u00e0 Idade M\u00e9dia ou mesmo \u00e0 Idade da Pedra) para os humanos que actualmente existem \u2013 \u00e9 poss\u00edvel. Excluindo desenvolvimentos catastr\u00f3ficos (como os de guerras ou doen\u00e7as altamente mort\u00edferas) para al\u00e9m de toda a razoabilidade em termos de capacidade de gest\u00e3o, o tempo que seria necess\u00e1rio a tal evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia deixar de ser extremamente longo, oferecendo oportunidades adicionais para que desastres planet\u00e1rios como o que acima \u00e9 conjecturado ocorram. Por outro lado, a aplica\u00e7\u00e3o do referido conjunto de medidas defrontar-se-ia com dificuldades tremendas que se encontram para al\u00e9m de toda a imagina\u00e7\u00e3o. Basta pensar nos problemas que a gest\u00e3o de cidades, de infraestruturas, de \u00e1reas industriais, constru\u00eddas para alojar, servir, dar suporte econ\u00f3mico a cerca de oito mil milh\u00f5es de humanos, n\u00e3o deixaria de ocasionar quando confrontada com a necessidade de a ajustar a popula\u00e7\u00f5es em forte decrescimento. Em particular, como reconverter espa\u00e7os concebidos para 5 ou 10 vezes mais habitantes do que os que a humanidade que lhes sucederia necessitava. Ou como resolver os problemas de ordem econ\u00f3mica e financeira que da\u00ed adviriam e que se afiguram como indescrit\u00edveis. Tudo isto refor\u00e7a claramente o car\u00e1cter ficcional da hip\u00f3tese imaginada.<\/p>\n\n\n\n<p>Lisboa, 2 de Fevereiro de 2022<\/p>\n\n\n\n<p>Filipe do Carmo<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/filipe1-7.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6523\" width=\"330\" height=\"298\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/filipe1-7.jpg 407w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/filipe1-7-300x271.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 330px) 100vw, 330px\" \/><figcaption>Filipe do Carmo<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Artigo republicado recentemente (Outubro-Novembro de 2019) em <em>La Bombe Humaine, Pression d\u00e9mographique sur la plan\u00e8te<\/em> (edi\u00e7\u00e3o do <em>Monde Diplomatique, Mani\u00e8re de Voir<\/em>), p\u00e1ginas 14-15.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ver o artigo \u201cLa famille nombreuse entrave le d\u00e9veloppement de l\u2019Afrique\u201d, inclu\u00eddo na publica\u00e7\u00e3o <em>La Bombe Humaine<\/em>\u2026, referida na nota de rodap\u00e9 precedente (p\u00e1ginas 22-25).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AMBIENTE E ECONOMIA | DOSSI\u00ca &#8211; Parte 7 A AGRESS\u00c3O AO PLANETA (VII) Em 1974,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6526,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/6522"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6522"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/6522\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6527,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/6522\/revisions\/6527"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6526"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6522"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}