{"id":10031,"date":"2023-07-13T09:22:49","date_gmt":"2023-07-13T09:22:49","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=10031"},"modified":"2023-07-13T09:22:54","modified_gmt":"2023-07-13T09:22:54","slug":"vivemos-em-democracia-qual-o-nosso-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2023\/07\/13\/vivemos-em-democracia-qual-o-nosso-futuro\/","title":{"rendered":"VIVEMOS EM DEMOCRACIA? QUAL O NOSSO FUTURO?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2023-07-13T09:22:49+00:00\">13 de Julho, 2023<\/time><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>VI \u2013 A Plutocracia: do Decl\u00ednio \u00e0 Inclem\u00eancia e da Inclem\u00eancia ao Decl\u00ednio<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<div style=\"height:32px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"559\" height=\"359\" data-id=\"10036\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/emma.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10036\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/emma.jpg 559w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/emma-300x193.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 559px) 100vw, 559px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Emmanuel Todd (16 de maio de 1951) \u00e9 um cientista pol\u00edtico, dem\u00f3grafo, historiador, soci\u00f3logo e ensa\u00edsta franc\u00eas<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">por Filipe do Carmo<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>O<\/em> <em>Decl\u00ednio do Ocidente<\/em> \u2013 um <em>bestseller<\/em> publicado em 1918 e 1922 por Oswald Spengler (autor tido como conservador, que votou em Hitler em 1932, mas criticou posteriormente o nazismo) \u2013 foi recentemente citado por Ant\u00f3nio Guerreiro<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a> para p\u00f4r em destaque a compara\u00e7\u00e3o de \u201calguns tra\u00e7os fundamentais da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e cultural do nosso tempo com aquela que se viveu entre as duas Grandes Guerras\u201d. Esses tra\u00e7os fundamentais, tal como descritos por um colunista do <em>The Guardian<\/em> do passado 5 de Abril (cita\u00e7\u00e3o de Ant\u00f3nio Guerreiro), traduzir\u00e3o sinais de uma grande regress\u00e3o (crise em que os principais indicadores prov\u00eam sobretudo da Inglaterra e dos Estados Unidos):<\/p>\n\n\n\n<ol type=\"1\"><li>Diminui\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a de vida (j\u00e1 iniciada antes da pandemia);<\/li><li>Enfraquecimento dr\u00e1stico da assist\u00eancia social;<\/li><li>Crescimento acelerado da pobreza;<\/li><li>Colapso geracional da habita\u00e7\u00e3o.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Face a tal quadro \u2013 de que inquestionavelmente temos vivido no nosso pa\u00eds muitos aspectos, pelo menos desde a interven\u00e7\u00e3o da<em> troika<\/em> (com relev\u00e2ncia particular, nestes \u00faltimos tempos, para a habita\u00e7\u00e3o) \u2013 mais do que a compara\u00e7\u00e3o da sua natureza espec\u00edfica com o ocorrido entre as duas Grandes Guerras, podemos compreender a import\u00e2ncia do t\u00edtulo (<em>O Decl\u00ednio do Ocidente<\/em>) na sua aplica\u00e7\u00e3o ao que se tem passado neste nosso mundo ocidental (desde quando, exactamente? desde o final dos anos 70 \/ princ\u00edpio dos anos 80, com a afirma\u00e7\u00e3o crescente do neoliberalismo?).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Caracterizar o decl\u00ednio<\/h2>\n\n\n\n<p>Muito haver\u00e1 a dizer de modo a caracterizar adequadamente tal Decl\u00ednio \u2013 em que o problema habitacional tem um relev\u00e2ncia crescente, claramente agravado pelo brutal crescimento das desigualdades (que t\u00eam vindo a ser caracterizadas por autores como Piketty e a que tenho dado alguma aten\u00e7\u00e3o em textos meus anteriores) \u2013 mas, se as nossas preocupa\u00e7\u00f5es forem sobretudo os problemas sociais, n\u00e3o poderemos ignorar que, em tal perspectiva, o que se passa em muitos dos actualmente designados <strong>Pa\u00edses do Sul \u00e9<\/strong> francamente mais preocupante. N\u00e3o se devendo contudo abstrair de que a \u201cdiminui\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a de vida\u201d, o \u201cenfraquecimento dr\u00e1stico da assist\u00eancia social\u201d e o \u201ccrescimento acelerado da pobreza\u201d amea\u00e7am de facto <strong>Todos<\/strong> neste planeta, quando temos em conta a evolu\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es ambientais neste nosso mundo (e n\u00e3o incluo os actualmente incontest\u00e1veis problemas habitacionais porque uma consequ\u00eancia poss\u00edvel das degrada\u00e7\u00f5es ambientais \u00e9 uma forte diminui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o mundial; sendo imposs\u00edvel determinar o \u201conde\u201d, o \u201cquando\u201d e o \u201cquanto\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;J\u00e1 fiz, em textos meus anteriores intitulados \u201cA Geopol\u00edtica no nosso s\u00e9culo XXI: o recente conflito Nato-R\u00fassia\u201d (datados de Fevereiro do corrente ano), refer\u00eancias a degrada\u00e7\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o imperialista dos Estados Unidos (com repercuss\u00f5es, ali\u00e1s, sobre os estatutos, em particular, dos seus aliados europeus, mas incluindo tamb\u00e9m japoneses e australianos). Ser\u00e1 agora um momento adequado para acrescentar rapidamente outras dificuldades que afectam o sistema imperial americano (dando relevo especial a situa\u00e7\u00f5es mais recentes), nomeadamente nos dom\u00ednios pol\u00edtico e econ\u00f3mico. Mas antes irei recordar, de modo sint\u00e9tico, o que escrevi nos meus textos anteriores a que acabo de fazer refer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Emmanuel Todd e a guerra<\/h2>\n\n\n\n<p>No meu primeiro texto em que analiso o conflito NATO-R\u00fassia, come\u00e7o por dar relevo \u00e0 tend\u00eancia de poss\u00edvel \u201cvassalidade\u201d da R\u00fassia face \u00e0 China, assim como \u00e0 crescente depend\u00eancia em que a Uni\u00e3o Europeia (e, logo, os Estados que a comp\u00f5em) se encontra face aos EUA e \u00e0 NATO. E continuo, descrevendo o que Emmanuel Todd refere a prop\u00f3sito das perspectivas que acompanharam o desencadeamento da guerra que op\u00f5e a R\u00fassia \u00e0 Ucr\u00e2nia (tanto no respeitante \u00e0 resist\u00eancia deste \u00faltimo pa\u00eds como \u00e0 que a economia russa tem demonstrado face \u00e0s san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas que o Ocidente lhe tem vindo a aplicar). Situa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o complementadas por desenvolvimentos que evidenciam mesmo a fragilidade americana, a qual tender\u00e1 a empurrar o respectivo sistema para o precip\u00edcio. E Todd afirma, em tal contexto, que n\u00f3s agora vivemos uma guerra sem fim, um afrontamento que n\u00e3o terminar\u00e1 sem o colapso da R\u00fassia ou dos Estados Unidos. \u00c9 que, sendo essa guerra n\u00e3o s\u00f3 militar e econ\u00f3mica mas tamb\u00e9m ideol\u00f3gica e cultural, o sentimento de superioridade ocidental \u00e9, do ponto de vista geopol\u00edtico, um erro num mundo em que a organiza\u00e7\u00e3o patrilinear do parentesco (mantendo-se como tal em 75% do planeta) conduz a uma compreens\u00e3o das atitudes russas, as quais s\u00e3o entendidas como um conservantismo moral tranquilizador. Situa\u00e7\u00e3o que, associada \u00e0 estabilidade social adquirida nos \u00faltimos 20 anos pela R\u00fassia (ap\u00f3s uma d\u00e9cada em que as suas condi\u00e7\u00f5es internas se degradaram significativamente), ter\u00e1 contribu\u00eddo para que o comum dos seus cidad\u00e3os entenda a guerra ucraniana como defensiva. Guerra essa que Todd interpreta como uma Terceira Guerra Mundial j\u00e1 de facto iniciada, que poder\u00e1 ter uma dura\u00e7\u00e3o de 5 anos e cujo resultado n\u00e3o poder\u00e1 agora ser antecipado.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O texto a seguir sobre o dito conflito (Parte II) \u00e9 iniciado com refer\u00eancias dadas por um cronista do <em>Le Monde<\/em> que d\u00e3o relevo \u00e0 solidez do sistema russo com base em factores de natureza econ\u00f3mica, financeira e pol\u00edtica. Solidez que n\u00e3o impediu contudo que a capacidade militar do pa\u00eds n\u00e3o tivesse sido afectada por dificuldades em certos sectores da economia e fortes pen\u00farias de m\u00e3o-de-obra derivadas do recrutamento militar ou da fuga ao alistamento. Este \u00e9 um comportamento da economia russa que \u2013 mantendo a sua capacidade para suportar a guerra (n\u00e3o obstante o PIB correspondente representar apenas 3,3% do seu equivalente ocidental) \u2013 tem explica\u00e7\u00e3o, segundo Todd, no facto de o PIB ser uma medida fict\u00edcia da produ\u00e7\u00e3o. Assim, retirando do PIB americano parcelas suas que incluem toda uma s\u00e9rie de servi\u00e7os mal definidos, como por exemplo as actividades ricamente remuneradas de advogados e economistas, compreender-se-\u00e1 que uma parte importante desse PIB n\u00e3o revela capacidade de produ\u00e7\u00e3o para a guerra. Ora a produ\u00e7\u00e3o de trigo na R\u00fassia, de 40 milh\u00f5es de toneladas em 2014 (data das primeiras san\u00e7\u00f5es que o pa\u00eds sofreu) passou para 90 milh\u00f5es em 2020 (tendo a equivalente produ\u00e7\u00e3o americana passado de 80 milh\u00f5es em 1980 para 40 milh\u00f5es em 2020) enquanto, em termos de tecnologia com repercuss\u00f5es militares, o pa\u00eds \u00e9 o primeiro exportador de centrais nucleares e afirma a sua superioridade com os seus m\u00edsseis hipers\u00f3nicos. Por outro lado, tendo presente que \u00e9 a disponibilidade de engenheiros que permite adapta\u00e7\u00f5es nos dom\u00ednios industrial e militar, Todd d\u00e1 relevo a que a R\u00fassia d\u00e1 forma\u00e7\u00e3o a mais 30% de engenheiros que os EUA, n\u00e3o obstante neste pa\u00eds a frequ\u00eancia universit\u00e1ria global ser 2,2 vezes superior. De qualquer modo, Todd est\u00e1 consciente que o dom\u00ednio que os EUA t\u00eam de certas tecnologias militares mais avan\u00e7adas tem contribu\u00eddo e sido decisivo para os sucessos militares ucranianos que t\u00eam ocorrido. Mas n\u00e3o ignora a incerteza que marca a guerra em curso \u2013 que as duas partes j\u00e1 reconhecem que dever\u00e1 ser longa \u2013 e considera que a sua evolu\u00e7\u00e3o depender\u00e1 do equil\u00edbrio entre tecnologias avan\u00e7adas e produ\u00e7\u00e3o em massa. E, numa guerra de atrito, n\u00e3o s\u00f3 os recursos humanos s\u00e3o importantes como a capacidade para se manter na luta depende da ind\u00fastria de produ\u00e7\u00e3o de armas menos sofisticadas. Situa\u00e7\u00e3o essa que \u2013 dadas as deslocaliza\u00e7\u00f5es a que, com a globaliza\u00e7\u00e3o, os Ocidentais procederam \u2013 coloca d\u00favidas sobre a respectiva capacidade de produzir armamentos em quantidade satisfat\u00f3ria (com maior relevo, conforme as not\u00edcias ultimamente vindas a p\u00fablico, para o que concerne as muni\u00e7\u00f5es). Mas tamb\u00e9m o problema da produ\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0 guerra se coloca do lado russo e o resultado da guerra, segundo Todd, depender\u00e1 fortemente destes factores. E, sendo essencial a disponibilidade de armamento para o desfecho da guerra, j\u00e1 o que \u00e9 descrito pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social como um conflito de valores pol\u00edticos \u00e9 considerado por Todd, a um n\u00edvel mais profundo, como um conflito de valores antropol\u00f3gicos. E isso poder\u00e1 dar mais vantagem \u00e0 R\u00fassia, que tender\u00e1 a ter do seu lado os 75% do planeta em que predominam os regimes autorit\u00e1rios e de organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias e patrilineares, face ao Ocidente com os seus sistemas de parentesco bilateral (com a filia\u00e7\u00e3o masculina e feminina a revelarem-se equivalentes para o estatuto social da crian\u00e7a e valores a serem repetidamente afirmados como de natureza democr\u00e1tica). Ter\u00e1 sido essa situa\u00e7\u00e3o de desvantagem ocidental \u2013 em que um decl\u00ednio de longo per\u00edodo dos EUA, sobretudo ap\u00f3s os insucessos sofridos no Iraque e no Afeganist\u00e3o, s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 reconhecido no Jap\u00e3o e na Europa \u2013 que levou um respons\u00e1vel pol\u00edtico indiano a afirmar que um afrontamento entre a China e os Estados Unidos n\u00e3o viria a produzir vencedor e que isso deixaria espa\u00e7o n\u00e3o s\u00f3 para a \u00cdndia como para v\u00e1rios outros pa\u00edses (mas n\u00e3o Europeus, acrescenta Todd, pois um dos efeitos da retrac\u00e7\u00e3o do sistema imperial \u00e9 que os EUA refor\u00e7am o seu dom\u00ednio sobre os seus protectorados). E se os Ingleses e os Australianos ser\u00e3o os primeiros a perder toda a autonomia nacional e se no nosso continente europeu estamos de algum modo protegidos pelas nossas l\u00ednguas nacionais, isso n\u00e3o impedir\u00e1 que a perda da nossa autonomia, que j\u00e1 \u00e9 consider\u00e1vel, avance rapidamente.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>As degrada\u00e7\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o imperialista dos EUA \u2013 a fragilidade americana \u2013 t\u00eam sobretudo que ver com a perda crescente de apoio que Todd assinala e que poder\u00e1, em primeiro lugar, ser associada \u00e0 guerra aparentemente sem fim que \u00e9 travada com a R\u00fassia, embora com a utiliza\u00e7\u00e3o de meios humanos que s\u00e3o sobretudo fornecidos pela Ucr\u00e2nia. A referida fragilidade ter\u00e1 uma maior express\u00e3o no apoio que a R\u00fassia tender\u00e1 a reunir por parte dos 75% do planeta em que predominam os regimes autorit\u00e1rios (que ter\u00e3o do seu lado organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias e patrilineares). Ser\u00e1 em particular de ter em considera\u00e7\u00e3o os insucessos americanos sofridos no Iraque e no Afeganist\u00e3o e as posi\u00e7\u00f5es de respons\u00e1veis pol\u00edticos indianos no sentido de que n\u00e3o s\u00f3 a actual guerra poder\u00e1 fragilizar ainda mais o sistema americano, mas tamb\u00e9m que um afrontamento entre a China e os EUA deixaria espa\u00e7o para a \u00cdndia e para outros pa\u00edses n\u00e3o europeus. S\u00e3o quest\u00f5es que tamb\u00e9m s\u00e3o objecto de an\u00e1lises detalhadas de professores universit\u00e1rios (Radhika Desai \u2013 Univ. de Manitoba, Canada \u2013, Michael Hudson \u2013 Univ. do Missouri, USA \u2013 e Michael Dunford \u2013 Univ. de Sussex, U.K.) na \u00e1rea da geopol\u00edtica econ\u00f3mica. Num encontro recente entre eles (Maio de 2023) tiveram ocasi\u00e3o para apresentar elementos \u2013 em particular sobre quest\u00f5es ligadas \u00e0 guerra em curso na Ucr\u00e2nia e \u00e0s depend\u00eancias econ\u00f3micas face a interesses americanos a que esse pa\u00eds se tem sujeitado<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>&nbsp; \u2013 que corroboram ou refor\u00e7am as an\u00e1lises de Todd.<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda mais especificamente sobre a guerra na Ucr\u00e2nia, haver\u00e1 muito a dizer, em particular sobre as circunst\u00e2ncias que a provocaram (que s\u00e3o muito anteriores a Fevereiro de 2022), mas n\u00e3o me irei alongar a tal prop\u00f3sito. H\u00e1 bastantes textos que poder\u00e3o ser consultados que contradizem a vers\u00e3o mais divulgada pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social ocidentais. Limitar-me-ei em tal contexto a dar o seguinte link de um artigo bastante recente,<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-a-viagem-dos-argonautas wp-block-embed-a-viagem-dos-argonautas\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"ow6ZpGDWnv\"><a href=\"https:\/\/aviagemdosargonautas.net\/2023\/07\/09\/a-guerra-na-ucrania-a-cronologia-mais-recente-da-ucrania-conta-a-historia-por-joe-lauria\/\">A Guerra na Ucr\u00e2nia &#8212; &#8220;A cronologia [mais recente] da Ucr\u00e2nia conta a hist\u00f3ria&#8221; , por Joe Lauria<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;A Guerra na Ucr\u00e2nia &#8212; &#8220;A cronologia [mais recente] da Ucr\u00e2nia conta a hist\u00f3ria&#8221; , por Joe Lauria&#8221; &#8212; A Viagem dos Argonautas\" src=\"https:\/\/aviagemdosargonautas.net\/2023\/07\/09\/a-guerra-na-ucrania-a-cronologia-mais-recente-da-ucrania-conta-a-historia-por-joe-lauria\/embed\/#?secret=5Y5wzDScDQ#?secret=ow6ZpGDWnv\" data-secret=\"ow6ZpGDWnv\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>e uma mera passagem do mesmo:<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, no que diz respeito \u00e0s consequ\u00eancias na actualidade de referida guerra (embora tais consequ\u00eancias possam, no entanto, ter tamb\u00e9m parcialmente origem nos desenvolvimentos da economia neoliberal e mais em particular na pandemia que teve o seu in\u00edcio em 2020) ser\u00e1 de destacar, para j\u00e1, a quest\u00e3o da forte infla\u00e7\u00e3o que atinge os pa\u00edses ocidentais. \u00c9 um tema que tem sido abordado com elevada frequ\u00eancia nos \u00faltimos tempos e em que as medidas que s\u00e3o tomadas pelos bancos centrais para reduzir tal infla\u00e7\u00e3o t\u00eam sido objecto das mais variadas avalia\u00e7\u00f5es. Destaque poder\u00e1 ser dado, em particular, ao que se passou recentemente no Banco Central Europeu, sobretudo com as interpreta\u00e7\u00f5es que Lagarde expandiu no sentido de conseguir travar ajustamentos salariais (interpreta\u00e7\u00f5es recheadas de inclem\u00eancia que foram contestadas no nosso pa\u00eds pelos meios governamentais). Destaque que dever\u00e1 ser estendido naturalmente a reac\u00e7\u00f5es que v\u00e3o desde as dos meios de neg\u00f3cios \u00e0s dos partidos pol\u00edticos e \u00e0s an\u00e1lises feitas pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>A infla\u00e7\u00e3o que afecta os pa\u00edses ocidentais estar\u00e1 em princ\u00edpio para durar. \u00c9 ali\u00e1s essa a opini\u00e3o de uma economista (Gita Gopinath) com responsabilidades no FMI, tal como foi expressa em Sintra no recente f\u00f3rum anual do BCE. Tal opini\u00e3o aponta como raz\u00f5es da infla\u00e7\u00e3o, em primeiro lugar, a insufici\u00eancia de mat\u00e9rias primas e os transportes e a energia com custos mais elevados. Tais problemas ter\u00e3o sido agravados por tens\u00f5es geopol\u00edticas, n\u00e3o s\u00f3 a j\u00e1 referida guerra da Ucr\u00e2nia mas tamb\u00e9m as perturba\u00e7\u00f5es que se t\u00eam desenvolvido entre a China e os EUA<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Mas ainda, sem d\u00favida, devido aos custos crescentes da transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. A segunda grande raz\u00e3o do desenvolvimento da infla\u00e7\u00e3o ser\u00e1, por outro lado, a evolu\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica, com os pa\u00edses ocidentais (com baixa fecundidade, conduzindo a desequil\u00edbrios em que as idades mais baixas t\u00eam uma cada vez menor representa\u00e7\u00e3o) a defrontarem-se com faltas de m\u00e3o-de-obra e as consequentes press\u00f5es no sentido da subida dos sal\u00e1rios.<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a> Essa evolu\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica ter\u00e1 ainda tido um curso mais desfavor\u00e1vel para as empresas (menor disponibilidade de oferta de m\u00e3o de obra de baixo custo) com os obst\u00e1culos que t\u00eam vindo a ser criados em pa\u00edses europeus \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o. Gina Gopinath apresentou ainda uma terceira grande causa da infla\u00e7\u00e3o, que denominou como \u201cpol\u00edticas or\u00e7amentais bastante generosas\u201d, as quais ter\u00e3o surgido para apoiar as empresas e o poder de compra dos cidad\u00e3os (o que constituiria uma continua\u00e7\u00e3o do que j\u00e1 se havia verificado no decurso da pandemia).<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Termino por agora, lastimando n\u00e3o fazer os desenvolvimentos de pontos importantes que tenho vindo a indicar de modo extremamente reduzido (deixando em particular a quest\u00e3o das imigra\u00e7\u00f5es para outro texto). E fa\u00e7o-o procurando ainda lembrar que os custos (nomeadamente os que respeitam a armamento) da guerra na Ucr\u00e2nia para a generalidade dos pa\u00edses ocidentais t\u00eam subido de modo significativo. O que se depreende facilmente da inclem\u00eancia das exig\u00eancias americanas (que como se sabe s\u00f3 lucram com a guerra, n\u00e3o s\u00f3 com a subida dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo mas tamb\u00e9m com as vendas de armamento), as quais de in\u00edcio apontavam para que se caminhasse para 2% do PIB e agora come\u00e7am a referir que tais 2% dever\u00e3o ser um m\u00ednimo. E ser\u00e3o os encargos previstos para os or\u00e7amentos estatais (assist\u00eancia social, em particular sa\u00fade, infraestruturas, etc.) que ir\u00e3o ser ainda mais sacrificados e que contribuir\u00e3o fortemente para o crescimento acelerado da pobreza.<\/p>\n\n\n\n<p>Lisboa, 11 de Julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>Filipe do Carmo<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> \u201cO Ocidente, onde o Sol se p\u00f5e\u201d, <em>P\u00fablico, \u00cdpsilon<\/em>, 2023-04-14, pg. 30.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ver o texto publicado sobre tal encontro (tradu\u00e7\u00e3o portuguesa) no link <a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/?tab=rm&amp;ogbl#label\/Viagem+dos+Argonautas%2FGuerra+da+Ucr%C3%A2nia\/FMfcgzGtvsTcGxCsMWVWxPzgjpwHHbjv\">https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/?tab=rm&amp;ogbl#label\/Viagem+dos+Argonautas%2FGuerra+da+Ucr%C3%A2nia\/FMfcgzGtvsTcGxCsMWVWxPzgjpwHHbjv<\/a>. Elementos aparentemente provenientes de um artigo do corrente ano de Michael Dunford, &#8220;China&#8217;s development path, 1949-2022&#8221;, permite a este autor apresentar dados sobre a evolu\u00e7\u00e3o das economias do leste europeu no per\u00edodo de 1989 a 2019, com a Ucr\u00e2nia a ter-se sujeitado a uma redu\u00e7\u00e3o significativa do seu PIB de 43,2%. O que contrasta com os crescimentos verificados na Pol\u00f3nia (151,7%), na Bielorr\u00fassia (94,8%) e na R\u00fassia (18,3%). Remetendo-nos ao que diz Todd sobre a aptid\u00e3o do PIB para caracterizar adequadamente as capacidades produtivas, poderemos naturalmente interrogar-nos sobre o significado real de tais percentagens. Dificuldades que se apresentar\u00e3o tamb\u00e9m sobre os dados relativos \u00e0 China, que ter\u00e1 aumentado o seu PIB em quase 15 vezes (ou seja, um crescimento de quase 1500%), mas que suscitam interroga\u00e7\u00f5es sobre a capacidade de Radhika Desai \u2013 que no encontro manifesta entusiasmo pela possibilidade de outros pa\u00edses, em particular a R\u00fassia, de repetirem o sucesso chin\u00eas \u2013 em compreender o mundo em que vivemos. Acreditar que o crescimento econ\u00f3mico em forte ritmo, sobretudo em pa\u00edses de elevadas popula\u00e7\u00f5es, ainda \u00e9 poss\u00edvel nos tempos que correm, \u00e9 para mim mera inconsci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Mas as degrada\u00e7\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o imperialista dos Estados Unidos s\u00e3o tamb\u00e9m vis\u00edveis no refor\u00e7o das rela\u00e7\u00f5es da China com todos os grandes produtores de petr\u00f3leo do M\u00e9dio Oriente, em particular no que concerne ao alinhamento, em termos de guerra tecnol\u00f3gica, da Ar\u00e1bia Saudita com essa pot\u00eancia imperial em expans\u00e3o. Tenha-se por outro lado em aten\u00e7\u00e3o a atitude dos Emirados \u00c1rabes Unidos, assumida em Fevereiro de 2022, de (al\u00e9m de aprofundarem os seus la\u00e7os com a R\u00fassia) comprarem avi\u00f5es de combate \u00e0 China, tendo previamente desistido de um acordo para comprar F35s americanos. Ver, a tais prop\u00f3sitos, os desenvolvimentos feitos pela Professora Helen Thompson em artigo consult\u00e1vel no link <a href=\"https:\/\/aviagemdosargonautas.net\/2023\/07\/10\/espuma-dos-dias-sera-que-o-ocidente-perdeu-o-controlo-do-petroleo-por-helen-thompson\/\">https:\/\/aviagemdosargonautas.net\/2023\/07\/10\/espuma-dos-dias-sera-que-o-ocidente-perdeu-o-controlo-do-petroleo-por-helen-thompson\/<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> Perturba\u00e7\u00f5es, acrescento eu, que v\u00e3o desde os boicotes que os EUA t\u00eam exercido (san\u00e7\u00f5es que ali\u00e1s os americanos t\u00eam feito todos os poss\u00edveis para que sejam tamb\u00e9m adoptadas pelos restantes pa\u00edses ocidentais) sobre as importa\u00e7\u00f5es provenientes da China \u2013 em particular visando desenvolvimentos industriais na \u00e1rea do digital \u2013 at\u00e9 ao favorecimento de uma \u201cdesglobaliza\u00e7\u00e3o\u201d que tem come\u00e7ado por incentivar uma reindustrializa\u00e7\u00e3o (seria conveniente, a tal prop\u00f3sito, ter em considera\u00e7\u00e3o o IRA \u2013 <em>Inflation Reduction Act<\/em> \u2013, uma lei que as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas americanas aprovaram em Agosto passado visando criar condi\u00e7\u00f5es para tal reindustrializa\u00e7\u00e3o e combater a infla\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 algo que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer neste texto) no seu territ\u00f3rio (e que pa\u00edses de UE procuram seguir). Sabemos que a fraca infla\u00e7\u00e3o das \u00faltimas d\u00e9cadas que os apoiantes do neoliberalismo t\u00eam atribu\u00eddo aos desenvolvimentos de tal sistema econ\u00f3mico tiveram em grande medida como causa as importa\u00e7\u00f5es de produtos chineses de baix\u00edssimos pre\u00e7os. Ou seja, a globaliza\u00e7\u00e3o que agora se come\u00e7ou j\u00e1 a fazer recuar.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Situa\u00e7\u00e3o que, segundo as not\u00edcias que v\u00e3o aparecendo, est\u00e1 em fase mais avan\u00e7ada no Reino Unido e nos EUA. Mas em que Lagarde se quis apoiar para convencer os governantes portugueses de que a causa da infla\u00e7\u00e3o em Portugal \u00e9, ou podia vir a ser, o crescimento dos custos salariais (parece claro que tal crescimento est\u00e1 em curso num sector espec\u00edfico \u2013 o turismo \u2013 mas por raz\u00f5es espec\u00edficas associadas \u00e0 forte \u201cinvas\u00e3o\u201d tur\u00edstica dos \u00faltimos tempos).<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn6\" href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a> Sobre tal interven\u00e7\u00e3o da economista do FMI no f\u00f3rum anual do BCE ver a cr\u00f3nica de Philippe Escande no <em>Le Monde<\/em> de 2023-06-28, p\u00e1gina 16 (\u201cInflation, ces trois v\u00e9rit\u00e9s qui d\u00e9rangent\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"407\" height=\"368\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/filipe1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10037\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/filipe1.jpg 407w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/filipe1-300x271.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 407px) 100vw, 407px\" \/><figcaption>Filipe do Carmo<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VI \u2013 A Plutocracia: do Decl\u00ednio \u00e0 Inclem\u00eancia e da Inclem\u00eancia ao Decl\u00ednio Emmanuel Todd&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10036,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[238,99],"tags":[333],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/emma.jpg",559,359,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/emma-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/emma-300x193.jpg",300,193,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/emma.jpg",559,359,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/emma.jpg",559,359,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/emma.jpg",559,359,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/emma.jpg",559,359,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/emma.jpg",559,359,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/emma.jpg",559,359,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/emma.jpg",559,359,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/emma-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/emma-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a>","tag_info":"OPINI\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10031"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10031"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10031\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10038,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10031\/revisions\/10038"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10036"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10031"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10031"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10031"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}