{"id":11800,"date":"2024-05-02T10:16:18","date_gmt":"2024-05-02T10:16:18","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=11800"},"modified":"2024-05-02T10:16:21","modified_gmt":"2024-05-02T10:16:21","slug":"a-sociopatia-e-a-compreensao-das-reparacoes-coloniais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2024\/05\/02\/a-sociopatia-e-a-compreensao-das-reparacoes-coloniais\/","title":{"rendered":"A sociopatia e a compreens\u00e3o das repara\u00e7\u00f5es coloniais"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">OPINI\u00c3O &#8211; Carlos Matos Gomes<\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2024-05-02T10:16:18+00:00\">2 de Maio, 2024<\/time><\/div>\n\n\n<p><em>Nem quero imaginar quanto vai pagar a Espanha ao Iraque, ou \u00e0 Siria,de repara\u00e7\u00f5es pela Mesquita de C\u00f3rdova e pelo Alhambra de Granada, obras dos \u00e1rabes que vieram de Damasco e da Mesopot\u00e2mia com Abderram\u00e3o, o pr\u00edncipe fugitivo, e chegaram \u00e0 Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica atrav\u00e9s do Norte de \u00c1frica!<\/em><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:19px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"569\" height=\"322\" data-id=\"11801\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cmg.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11801\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cmg.jpg 569w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cmg-300x170.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 569px) 100vw, 569px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A proposta de repara\u00e7\u00f5es coloniais feita pelo presidente da Rep\u00fablica causou perplexidade a quem ainda \u00e9 dado a surpresas e interroga\u00e7\u00f5es a quem procura estabelecer rela\u00e7\u00f5es de causa e efeito nas suas atitudes. De um modo geral serviu para alimentar os comentadores e entreter os programas das televis\u00f5es ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es. O elenco do \u201ccirco comentarial\u201d dividiu-se entre malabaristas do Bugalho e ilusionistas do Marcelo. O que ter\u00e1 levado o senhor prior Montenegro a elevar o menino de coro a c\u00f3nego da sua confraria em Bruxelas e o mestre de fogos-de-artif\u00edcio de Bel\u00e9m a sacudir a esfarrapada passadeira que se desenrolou de Lisboa ao \u00cdndico durante cinco s\u00e9culos?<\/p>\n\n\n\n<p>Deixando Montenegro e Bugalho na prateleira dos monos, resta a quest\u00e3o mais s\u00e9ria do que parece das repara\u00e7\u00f5es coloniais. Porque tirou Marcelo um assunto t\u00e3o mal enterrado do jazigo onde repousava coberto de teias? O que pretende Marcelo? Matar o pai Baltazar, governador colonial e ministro das col\u00f3nias que passaram a ser prov\u00edncias ultramarinas e o padrinho Marcelo, esse sim, ministro das col\u00f3nias e chefe do governo que se ofereceu em sacrif\u00edcio por elas, sacrificando na guerra uma gera\u00e7\u00e3o de portugueses? O que pretende Marcelo com a proposta? Entalar a direita colonialista, dizendo-lhe, j\u00e1 que foram colonialistas, agora paguem e devolvam o que sacaram em caf\u00e9, em diamantes, petr\u00f3leo, em cervejas Cuca, Nocal, Laurentina e 2M, em tabaco, madeiras, amendoim e at\u00e9 em ch\u00e1 licungo, caju para aperitivos, min\u00e9rios de ferro e terras raras? Provocar a esquerda, dizendo-lhes, ora tomem l\u00e1 seus anticolonialistas de garganta, sou eu que vou fechar a loja do colonialismo, devolver aos fornecedores os produtos em d\u00edvida? Ou afrontar os dirigentes dos novos estados fruto do colonialismo, confront\u00e1-los com a sua matriz neocolonial? Dizer-lhes: Angola, Mo\u00e7ambique, a Guin\u00e9 apenas existem porque o colonialismo oficializado pelos europeus na Confer\u00eancia de Berlim de 1884\/5 lhes deu origem, como deu \u00e0s Rod\u00e9sias, hoje Z\u00e2mbia e Zimbau\u00e9, \u00e0 Tanz\u00e2nia, ao Senegal, \u00e0 Costa do Marfim, \u00e0 Rep\u00fablica Centro Africana, aos Camar\u00f5es, \u00e0 Nig\u00e9ria. Nem depois da dita confer\u00eancia de Berlim qualquer negro africano se considerava centroafricano, camaron\u00eas, liberiano, angolano, sudoesteafricano, mo\u00e7ambicano, guineense, ou guin\u00e9u, rodesiano, mas sim balanta, ovambo, mandinga, maliniano, bailundo, cuanhama, mandinga, macua, ronga, maconde, ajaua, papel. Enfim, afirmar aos presidentes de Angola, Mo\u00e7ambique, Guin\u00e9, Timor, S\u00e3o Tom\u00e9 e Cabo Verde que eles, n\u00e3o sendo sobas, n\u00e3o detendo a autoridade ancestral, t\u00eam a mesma legitimidade dos governadores coloniais!<\/p>\n\n\n\n<p>Oferecer compensa\u00e7\u00f5es pelo colonialismo aos atuais dirigentes dos estados africanos resultantes do colonialismo \u00e9 entalar-lhes o rabo.<\/p>\n\n\n\n<p>A quem entregar o esp\u00f3lio? A quem mais se bateu pela independ\u00eancia dos novos estados? Ao PAIGC na Guin\u00e9-Bissau, ao MPLA em Angola e \u00e0 FRELIMO em Mo\u00e7ambique? E os outros, a FLING, a FNLA, a UNITA, a COREMO, a UNDENAMO? E, na Guin\u00e9, quem recebe a cota dos caboverdeanos? E, em Angola, quem recebe a cota de Holden Roberto, mas tamb\u00e9m a dos irm\u00e3os Pinto de Andrade, ou de Chipenda, ou de Savimbi? E em Mo\u00e7ambique quem recebe a cota de Uria Simango, por exemplo, ou de Kavandame? E quem na Guin\u00e9 tem direito a receber a arte Nalu? Ou as cabe\u00e7as reduzidas dos Felupes? E, em Angola quem recebe as obras dos Tchokw\u00e9? E, em Mo\u00e7ambique, quem recebe as esculturas maconde? Porque dever\u00e3o ser restitu\u00eddas as obras de culturas ancestrais, com identidade pr\u00f3pria criada ao longo dos tempos, muito antes do colonialismo e muito antes dos novos estados-na\u00e7\u00e3o de matriz europeia aos dirigentes aculturados que hoje, fruto das circunst\u00e2ncias da Hist\u00f3ria, dirigem governos regidos por princ\u00edpios estrangeiros \u00e0s culturas de origem? E como devolvemos a esses povos os deuses que lhes mat\u00e1mos, substituindo-os pelos nossos?<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta de Marcelo levanta problemas onde eles n\u00e3o existiam. Esse \u00e9 um comportamento que a ci\u00eancia explica muito melhor do que a opini\u00e3o pol\u00edtica baseada no empirismo, no comentarismo de que Marcelo Rebelo de Sousa foi um mestre. \u00c9 um comportamento n\u00e3o apenas t\u00edpico dos assassinos em s\u00e9rie, mas de uma grande percentagem de \u201chomens de estado\u201d, ou de \u201cgrandes homens\u201d, ou pretendentes a s\u00ea-lo. Tipos que a ci\u00eancia classificou de \u201csociopatas\u201d, que em ingl\u00eas \u00e9 apresentado com a sigla DSM (<em>Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders)<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo um artigo cient\u00edfico de Renato M.E. Sabbatini, PhD, neurocientista, doutor pela Universidade de S\u00e3o Paulo e p\u00f3s-doutoramento no Instituto de Psiquiatria Max Planck, em Munique, o DSM define um \u201cdist\u00farbio da personalidade antissocial (DPA)\u201d e lista as suas principais caracter\u00edsticas: Os sociopatas s\u00e3o caracterizados pelo desprezo pelas obriga\u00e7\u00f5es sociais e por falta de considera\u00e7\u00e3o pelos sentimentos dos outros. Exibem egocentrismo patol\u00f3gico, emo\u00e7\u00f5es superficiais, falta de auto perce\u00e7\u00e3o, pobre controlo da impulsividade, irresponsabilidade, pouca empatia e aus\u00eancia de remorso. S\u00e3o geralmente c\u00ednicos, manipuladores, incapazes de manter uma rela\u00e7\u00e3o e de amar. Mentem sem vergonha, roubam, abusam, trapaceiam, negligenciam as suas fam\u00edlias e parentes. S\u00e3o \u201cpredadores intra esp\u00e9cies que usam o charme, a manipula\u00e7\u00e3o, intimida\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia para controlar os outros e para satisfazer as suas pr\u00f3prias necessidades. Na sua falta de consci\u00eancia e de sentimento pelos outros, apropriam-se friamente daquilo que querem, violando as normas sociais sem o menor senso de culpa ou arrependimento. Os sociopatas s\u00e3o incapazes de aprender com a puni\u00e7\u00e3o, e de modificar os seus comportamentos. Quando descobrem que o seu comportamento n\u00e3o \u00e9 tolerado pela sociedade, reagem escondendo-o, mas nunca o suprimindo, disfar\u00e7ando de forma inteligente as suas caracter\u00edsticas de personalidade. Por isso, os psiquiatras usaram no passado o termo \u2018insanidade moral\u2019 ou \u2018insanit\u00e9 sans d\u00e9lire\u2019 para caracterizar esta psicopatologia. \u201c<\/p>\n\n\n\n<p>O sociopata geralmente exibe um charme superficial e tem uma intelig\u00eancia normal ou acima da m\u00e9dia. Tem boa presen\u00e7a social e boa flu\u00eancia verbal. Em alguns casos os sociopatas s\u00e3o os l\u00edderes sociais. Poucas pessoas, mesmo ap\u00f3s um contacto duradouro com os sociopatas, s\u00e3o capazes de imaginar o seu \u201clado negro\u201d, que a maioria dos sociopatas \u00e9 capaz de esconder com sucesso durante sua vida inteira, levando a uma dupla exist\u00eancia. Sob situa\u00e7\u00f5es de&nbsp;<em>stress<\/em>, os sociopatas podem adquirir o status de l\u00edderes regionais ou nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Se analisarmos os comportamentos dos chefes pol\u00edticos, todos eles, \u00e0 luz dos comportamentos t\u00edpicos da sociopatia\u200a\u2014\u200ase os tomarmos como potenciais sociopatas\u200a\u2014\u200atalvez consigamos encontrar respostas para muitas interroga\u00e7\u00f5es a prop\u00f3sito das atitudes dos pol\u00edticos que nos surgem a propor-se para nos conduzirem \u00e0 felicidade.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Transcri\u00e7\u00e3o autorizada pelo autor<\/em> <\/p>\n\n\n\n<p>Carlos Matos Gomes<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-medium is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"300\" height=\"221\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/matos-gomes2-300x221.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11357\" style=\"aspect-ratio:1.3574660633484164;width:300px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/matos-gomes2-300x221.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/matos-gomes2.jpg 655w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OPINI\u00c3O &#8211; Carlos Matos Gomes Nem quero imaginar quanto vai pagar a Espanha ao Iraque,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11801,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[317,99,470],"tags":[518],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cmg.jpg",569,322,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cmg-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cmg-300x170.jpg",300,170,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cmg.jpg",569,322,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cmg.jpg",569,322,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cmg.jpg",569,322,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cmg.jpg",569,322,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cmg.jpg",569,322,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cmg.jpg",569,322,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cmg.jpg",569,322,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cmg-540x322.jpg",540,322,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cmg-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/noticias\/\" rel=\"category tag\">NOTICIAS<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/voz-ativa\/\" rel=\"category tag\">VOZ ATIVA<\/a>","tag_info":"VOZ ATIVA","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11800"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11800"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11800\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11802,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11800\/revisions\/11802"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11801"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11800"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11800"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11800"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}