{"id":12862,"date":"2024-11-05T18:50:36","date_gmt":"2024-11-05T18:50:36","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=12862"},"modified":"2024-11-05T19:05:30","modified_gmt":"2024-11-05T19:05:30","slug":"as-eleicoes-que-nao-vao-mudar-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2024\/11\/05\/as-eleicoes-que-nao-vao-mudar-o-mundo\/","title":{"rendered":"As Elei\u00e7\u00f5es que n\u00e3o v\u00e3o mudar o mundo"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As elei\u00e7\u00f5es presidenciais americanas fazem parte dos grandes espet\u00e1culos produzidos nos Estados Unidos com audi\u00eancias planet\u00e1rias<\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2024-11-05T18:50:36+00:00\">5 de Novembro, 2024<\/time><\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">OPINI\u00c3O &#8211; Carlos Matos Gomes<\/h3>\n\n\n\n<div style=\"height:11px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"421\" height=\"399\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/carlos-M-gomes.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12863\" style=\"aspect-ratio:1.055137844611529;width:196px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/carlos-M-gomes.jpg 421w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/carlos-M-gomes-300x284.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 421px) 100vw, 421px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:22px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Ver os an\u00fancios das TV sobre as reportagens das elei\u00e7\u00f5es nos Estados Unidos, ou os t\u00edtulos dos jornais transporta-nos ao mundo da fantasia do Circo, o maior Espet\u00e1culo do Mundo, com os melhores palha\u00e7os do mundo, os melhores trapezistas do mundo. Ou ao mundo do boxe, o Combate do S\u00e9culo, Cassius Clay contra Joe Frazier (Madison Square, 8 Mar\u00e7o de 1971). Agora temos Trump contra Kamala (Washington, 5 Novembro 2024)!<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas cita\u00e7\u00f5es ajudam a situar o espet\u00e1culo das elei\u00e7\u00f5es presidenciais norte-americanas na sua circunst\u00e2ncia, como o resultado de um processo civilizacional. Em&nbsp;<em>A Sociedade do Espet\u00e1culo<\/em>, publicado em 1967, Guy Debord, o autor, escrevia: \u201cToda a vida das sociedades nas quais reinam as modernas condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 uma imensa acumula\u00e7\u00e3o de espet\u00e1culos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O espet\u00e1culo, incluindo o pol\u00edtico, substituiu as religi\u00f5es como meio de conduzir povos\u200a\u2014\u200ade os unificar como um rebanho. Esta substitui\u00e7\u00e3o j\u00e1 tinha sido detectada por Ludwig Feurbach, um fil\u00f3sofo alem\u00e3o do s\u00e9culo XIX, em&nbsp;<em>Ess\u00eancia do Cristianismo,&nbsp;<\/em>onde escreveu<em>: \u201c<\/em>O nosso tempo prefere a imagem \u00e0 coisa, a c\u00f3pia ao original, a representa\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade, a apar\u00eancia ao ser. \u00c0 medida que decresce a verdade a ilus\u00e3o aumenta.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Os elementos mais relevantes destas elei\u00e7\u00f5es para presidente dos Estados Unidos n\u00e3o dizem respeito a qualquer altera\u00e7\u00e3o radical nem na vida dos norte-americanos, que continuar\u00e3o sem um sistema de sa\u00fade e um sistema de prote\u00e7\u00e3o social p\u00fablicos, a viver com m\u00e1s infraestruturas b\u00e1sicas, transportes, eletricidade, habita\u00e7\u00e3o, sem ordenamento do territ\u00f3rio (o que nem os resultados das tempestades tem alterado), a n\u00e3o ter qualquer interven\u00e7\u00e3o na defini\u00e7\u00e3o das guerras e dos neg\u00f3cios que elas proporcionam, a estarem sujeitos a l\u00f3bis poderosos como o do&nbsp;<em>American-Israel Public Affair Commitee<\/em>&nbsp;(AIPAC), que determina a pol\u00edtica dos Estados Unidos e que imp\u00f4s que desde 1946 at\u00e9 hoje, ano fiscal de 2024, estes tivessem apoiado Israel com 310 bili\u00f5es de d\u00f3lares (bili\u00e3o=mil milh\u00f5es, pre\u00e7os correntes de 2022), enquanto no mesmo per\u00edodo o Egito, o segundo pa\u00eds mais beneficiado recebeu 165 bili\u00f5es, o Afeganist\u00e3o 160 bili\u00f5es, o Vietname do Sul 148 bili\u00f5es e a Ucr\u00e2nia, o quinto pa\u00eds mais beneficiado, 120 bili\u00f5es<a href=\"x-webdoc:\/\/01B26C3C-E747-4ADC-A2CB-2585CBABDA0C#m_7567663529423397061__ftn1\">[1]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o alterar\u00e3o as parcelas do or\u00e7amento destinadas ao complexo militar-industrial, nem a imposi\u00e7\u00e3o de verdades \u00fanicas atrav\u00e9s das ind\u00fastrias do&nbsp;<em>infoentretainment<\/em>&nbsp;, das igrejas evang\u00e9licas e dos gigantes das redes e bases de dados, a Google, a Microsoft, a Meta.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o Ocidente Global, a import\u00e2ncia das elei\u00e7\u00f5es norte-americanas diz respeito ao modo como os Estados Unidos v\u00e3o agir num mundo onde est\u00e3o a perder a supremacia e a confrontar-se com novos polos de poder, caso dos BRICS e com a desdolariza\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 um assunto para ser dirimido pelo l\u00f3bi financeiro, do qual os presidentes s\u00e3o meros instrumentos. Para o resto do mundo os Estados Unidos v\u00e3o manter os seus conhecidos e assumidos objetivos estrat\u00e9gicos permanentes e apenas ser\u00e3o detidos ou pela for\u00e7a ou pela cria\u00e7\u00e3o de alternativas que permitam dispensar a sua \u201cprote\u00e7\u00e3o\u201d ou paralisar a sua a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os animadores do espet\u00e1culo anunciam golpes espetaculares na guerra na Ucr\u00e2nia e no M\u00e9dio Oriente. N\u00e3o se vislumbram quais. Na Ucr\u00e2nia, a R\u00fassia j\u00e1 definiu o futuro: uma Ucr\u00e2nia neutral. No M\u00e9dio Oriente os Estados Unidos n\u00e3o podem fazer mais do que fizeram, fornecerem a Israel os meios para eliminar os palestinianos. O trabalho do novo presidente vai ser o restabelecimento de la\u00e7os proveitosos com as monarquias do petr\u00f3leo, agora renitentes em surgirem ao lado dos americanos c\u00famplices e patrocinadores de um genoc\u00eddio cometido sob os seus turbantes e barbas. Disp\u00f5em agora dos BRICS, uma alternativa que lhes alivia o la\u00e7o de depend\u00eancia dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>No pr\u00f3ximo fim de semana o mundo n\u00e3o vai estar diferente. Nem em Janeiro de 2025. O \u00fanico elemento excitante seria proporcionado por uma derrota de Trump, que este n\u00e3o aceitaria. Mas assaltar edif\u00edcios do governo e provocar tumultos s\u00e3o n\u00fameros j\u00e1 vistos e que at\u00e9 tiveram uma vers\u00e3o tropical em Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>O elemento degradante ser\u00e1 o da elei\u00e7\u00e3o de um ser grotesco para presidente. Mas a elei\u00e7\u00e3o de um ser como Trump \u00e9 um revelador da sociedade do espet\u00e1culo em que se transformou a sociedade americana. E essa transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto de uma ideologia em que o&nbsp;<em>ser<\/em>&nbsp;foi substitu\u00eddo pelo&nbsp;<em>ter<\/em>&nbsp;e pelo&nbsp;<em>parecer,&nbsp;<\/em>onde o indiv\u00edduo vale o que valer o seu poder de transmitir uma imagem. No caso, uma imagem de sucesso, n\u00e3o importa com que meios. Uma ideologia transmitida atrav\u00e9s de um discurso ininterrupto, reduzido, como \u00e9 patente no caso de Trump a um mon\u00f3logo autoelogioso, recitado como uma lengalenga de um vendedor de bugigangas.<\/p>\n\n\n\n<p>As elei\u00e7\u00f5es presidenciais americanas fazem parte dos grandes espet\u00e1culos produzidos nos Estados Unidos com audi\u00eancias planet\u00e1rias, a par da cerim\u00f3nia dos \u00d3scares, ou da Superbowl, o jogo da final do futebol americano. Estes grandes espet\u00e1culos transformam em mercadoria a \u201csolid\u00e3o das multid\u00f5es\u201d, o isolamento dos indiv\u00edduos. Veiculam a ideologia da aliena\u00e7\u00e3o que destr\u00f3i o sentido cr\u00edtico e promove a quebra dos la\u00e7os sociais, que reduz o papel social dos indiv\u00edduos \u00e0 escolha para salvador da figura mais aberrante do mercado. Nada de novo. Um comportamento id\u00eantico ao dos povos que desde a antiguidade e em todo o planeta criaram e adoraram deuses-polvo, ou jacar\u00e9, ou elefante, ou uma hidra de sete cabe\u00e7as, ou uma serpente, como Tiamat, da Mesopot\u00e2mia. Deuses b\u00eabados, violadores, assassinos. H\u00e1 para todos os gostos. A novidade \u00e9 que na civiliza\u00e7\u00e3o do mercado e dos videojogos os monstros podem aparecer como her\u00f3is a fazer campanha para serem adorados e os fi\u00e9is votam neles dispostos a receber uma recompensa virtual.<\/p>\n\n\n\n<p>Quer ganhe Trump, ou Kamala, os sat\u00e9lites da Starlink de Elon Musk continuar\u00e3o a debitar dados aos servi\u00e7os de informa\u00e7\u00f5es da Ucr\u00e2nia e de Israel para estes referenciarem alvos, as 865 bases militares americanas continuar\u00e3o nos 130 pa\u00edses onde se encontram cerca de 350 mil soldados e os mais sofisticados armamentos. O ouro continuar\u00e1 a valorizar-se. A bolsa de Wall Street continuar\u00e1 a determinar o que cada um de n\u00f3s pode comprar com o dinheiro que recebe. A Europa, com UE e NATO, continuar\u00e1 desaparecida.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos cidad\u00e3os em geral resta o extraordin\u00e1rio exemplo da for\u00e7a dos movimentos populares dos espanh\u00f3is da martirizada regi\u00e3o de Val\u00eancia. Abandonados \u00e0 sua sorte pelas autoridades que os devia ter avisado a tempo da aproxima\u00e7\u00e3o da tormenta e por quem os devia ajudar a sobreviver, uniram as suas for\u00e7as, organizaram-se por si pr\u00f3prios e viraram as costas, por vezes com insultos de raiva, \u00e0queles que lhes haviam pedido o seu voto e n\u00e3o o souberam merecer.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"x-webdoc:\/\/01B26C3C-E747-4ADC-A2CB-2585CBABDA0C#m_7567663529423397061__ftnref1\">[1]<\/a>&nbsp;Dados recolhidos<a href=\"https:\/\/www.cfr.org\/article\/us-aid-israel-four-charts\"> NO ARTIGO<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As elei\u00e7\u00f5es presidenciais americanas fazem parte dos grandes espet\u00e1culos produzidos nos Estados Unidos com audi\u00eancias&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":12866,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[238,99,455],"tags":[518],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CMG-OPINAIA2.jpg",909,514,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CMG-OPINAIA2-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CMG-OPINAIA2-300x170.jpg",300,170,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CMG-OPINAIA2-768x434.jpg",640,362,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CMG-OPINAIA2.jpg",640,362,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CMG-OPINAIA2.jpg",909,514,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CMG-OPINAIA2.jpg",909,514,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CMG-OPINAIA2.jpg",909,514,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CMG-OPINAIA2-800x500.jpg",800,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CMG-OPINAIA2.jpg",909,514,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CMG-OPINAIA2-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CMG-OPINAIA2-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/tribuna-2\/\" rel=\"category tag\">TRIBUNA<\/a>","tag_info":"TRIBUNA","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12862"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12862"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12862\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12867,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12862\/revisions\/12867"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12866"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12862"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12862"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12862"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}