{"id":13674,"date":"2025-02-16T10:51:03","date_gmt":"2025-02-16T10:51:03","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=13674"},"modified":"2025-02-16T10:51:05","modified_gmt":"2025-02-16T10:51:05","slug":"o-esplendor-da-oligarquia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2025\/02\/16\/o-esplendor-da-oligarquia\/","title":{"rendered":"O esplendor da oligarquia"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">OPINI\u00c3O &#8211; O governo de Trump respeita a hierarquia de Plat\u00e3o, de que a oligarquia \u00e9 prefer\u00edvel \u00e0 democracia<\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2025-02-16T10:51:03+00:00\">16 de Fevereiro, 2025<\/time><\/div>\n\n\n<p>O discurso do vice presidente dos Estados Unidos, J..D Vance, na Confer\u00eancia de Seguran\u00e7a realizada em Munique, na semana de 10 a 15 de Fevereiro \u00e9 uma extraordin\u00e1ria li\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica. Independentemente do que cada um possa pensar de J.D. Vance, ou de Trump, ou dos EUA, ou da R\u00fassia, o discurso do vice-presidente dos EUA apresenta os fundamentos da pr\u00e1tica pol\u00edtica dos Estados Unidos desde a sua funda\u00e7\u00e3o: o poder assenta na for\u00e7a dos fortes e \u00e9 essa for\u00e7a que permite apresentar os poderosos como virtuosos. Maquiavel afirmou o mesmo. Os europeus praticaram estes princ\u00edpios at\u00e9 \u00e0 Segunda Guerra Mundial, que colocou um fim no colonialismo e na fal\u00e1cia da miss\u00e3o civilizadora do Ocidente.<\/p>\n\n\n\n<p>J. D. Vance foi a Munique afirmar o princ\u00edpio da for\u00e7a como fundamento do poder, o princ\u00edpio da unidade do poder e negar as bem-intencionadas teses da divis\u00e3o tripartida dos poderes, executivo, legislativo e judicial de Montesquieu. O vice presidente dos EUA foi a Munique expor a realidade em que assenta o poder nos Estados Unidos: a lei dos xerifes do Oeste: a lei sou eu e o meu rev\u00f3lver. Os poderes tradicionais e os n\u00e3o tradicionais devem estar submetidos ao detentor do poder executivo. J. D. Vance explicou que o \u00eaxito dos Estados Unidos e a vit\u00f3ria de Trump resultam do facto de o poder ser exercido por uma conjuga\u00e7\u00e3o de tirania e oligarquia, na classifica\u00e7\u00e3o de modos de governo estabelecido por Plat\u00e3o em&nbsp;<em>Rep\u00fablica<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Perante uma assembleia de funcion\u00e1rios pol\u00edticos europeus (raros pol\u00edticos eleitos), o vice-presidente dos EUA afirmou que o governo de Trump respeita a hierarquia de Plat\u00e3o, de que a oligarquia \u00e9 prefer\u00edvel \u00e0 democracia, que durante mil\u00e9nios foi eficaz para os poderosos exercerem o seu poder e gozarem os seus privil\u00e9gios, que a oligarquia constitui o \u00fanico sistema de governo que o que atualmente (desde o final da Segunda Guerra Mundial) \u00e9 designado por \u201cdemocracia\u201d s\u00e3o vers\u00f5es de oligarquias adaptadas aos meios para as legitimar.<\/p>\n\n\n\n<p>A vers\u00e3o de poder de Trump apresentada por J.D Vance em Munique pode ser traduzida com uma adapta\u00e7\u00e3o da conhecida frase de E\u00e7a de Queiroz: a nudez crua da verdade do poder da oligarquia sem o manto di\u00e1fano da fantasia das institui\u00e7\u00f5es reguladoras. J. D. Vance afirmou na cara dos at\u00f3nitos funcion\u00e1rios pol\u00edticos europeus reunidos em Munique que o perigo para a Europa se encontra no seu interior, na falsidade em que os pol\u00edticos assentam os seus princ\u00edpios, na dist\u00e2ncia entre as afirma\u00e7\u00f5es e a pr\u00e1tica dos pol\u00edticos europeus,na fraqueza do poder pol\u00edtico quer na Uni\u00e3o Europeia quer nos seus Estados nacionais, da\u00ed, da perce\u00e7\u00e3o de fraqueza dos seus dirigentes, a busca de novas formas de participa\u00e7\u00e3o dos povos no seu governo, que os funcion\u00e1rios (sempre muito moderados) apressam a classificar de extremistas e radicais.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 pol\u00edtica global, J.D. Vance deixou claro que quem define as rela\u00e7\u00f5es de poder no mundo atual s\u00e3o as oligarquias dos Estados Unidos, da R\u00fassia e da China porque s\u00e3o estas que dominam os circuitos do dinheiro, das mat\u00e9rias-primas, das tecnologias e da for\u00e7a armada, s\u00e3o elas que decidem a guerra e a paz, quem paga as contas e quem recolhe os lucros.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista do amor-pr\u00f3prio \u00e9 compreens\u00edvel que as v\u00e1rias correntes do pensamento pol\u00edtico europeu tenham silenciado que decad\u00eancia, ou a irrelev\u00e2ncia da Europa, no atual cen\u00e1rio mundial tem como causa a incapacidade de esta ter gerado, ou mantido, ou reconstitu\u00eddo as suas oligarquias ap\u00f3s a derrota da Segunda Guerra Mundial. N\u00e3o \u00e9 popular defender a oligarquia e os oligarcas (da\u00ed que a comunica\u00e7\u00e3o de massas ocidentais reservem o termo para os advers\u00e1rios\u200a\u2014\u200aoligarca \u00e9 sempre russo, enquanto os oligarcas norte-americanos s\u00e3o bilion\u00e1rios), mas a verdade \u00e9 que at\u00e9 \u00e0 Primeira Grande Guerra a Europa foi governada por oligarquias aristocr\u00e1ticas, monarquias mais ou menos autorit\u00e1rias e que no per\u00edodo entre guerras a Europa conseguiu manter os seus governos olig\u00e1rquicos, extra\u00eddos, ou gerados pelas industrias das novas tecnologias, em particular pela motoriza\u00e7\u00e3o, autom\u00f3veis e avi\u00f5es, pela qu\u00edmica, pela energia (petr\u00f3leo), transportes e eletr\u00f3nica, tendo no topo a oligarquia financeira, mas um dos resultados da Segunda Guerra foi a extin\u00e7\u00e3o dos oligarcas europeus.<\/p>\n\n\n\n<p>As oligarquias europeias foram aniquiladas e a reconstru\u00e7\u00e3o europeia foi efetuada a partir dos Estados Unidos, com o plano Marshall, que colocou o poder da Europa nas m\u00e3os de burocratas de confian\u00e7a. S\u00e3o os descendentes desses burocratas ao servi\u00e7o dos EUA que se encontram hoje na dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos estados europeus, personagens que recebem um sal\u00e1rio para administrar os Estados nacionais e a Uni\u00e3o Europeia, empresas que funcionam por rotina.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o esses descendentes que ainda vivem na guerra fria que ficaram atordoados com o discurso de J D Vance, Entretanto, quer a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, quer a China constitu\u00edam novas representa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e novas classes de empreendedores atrav\u00e9s dos partidos comunistas e introduziram a no\u00e7\u00e3o de competitividade, responsabilidade, pr\u00e9mio, castigo, incentivo que promoveram o aparecimento de oligarcas de grande sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p>A aparentemente irrevers\u00edvel irrelev\u00e2ncia da Europa resulta em primeiro lugar da incapacidade de reconstituir as suas oligarquias no p\u00f3s Segunda Guerra, de recriar oligarquias empreendedoras, aut\u00f3nomas, audaciosas. E esta incapacidade inclui tamb\u00e9m e em boa parte do mundo do trabalho\u200a\u2014\u200asindicatos e corpora\u00e7\u00f5es\u200a\u2014\u200aque em vez de disputarem o poder reclamam a prote\u00e7\u00e3o do Estado burocr\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Independentemente do que cada um possa pensar de J D Vance, o que ele deixou claro na confer\u00eancia de Munique foi que os Estados Unidos t\u00eam um sistema pol\u00edtico que permite que o poder seja exercido por um macho dominante e que a Europa tem um sistema pol\u00edtico com uma hierarquia que n\u00e3o se distingue da que existe num avi\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhamos para as fotografias do chanceler Sholz (a quem J.D Vance negou um encontro de circunst\u00e2ncia com a rude justifica\u00e7\u00e3o que ele ser\u00e1 chanceler por pouco tempo), de Macron, de Von der Leyen, de Kallas, de Mark Rutte, o atual cabo da guarda da NATO e o que vemos \u00e9 um grupo de estarolas que n\u00e3o inspira confian\u00e7a sequer para atravessar uma rua, mesmo durante o dia e com os sem\u00e1foros a funcionar. Algu\u00e9m acredita que este painel de burocratas seja capaz de enfrentar os oligarcas norte americanos, russos ou chineses, que algum deles v\u00e1 morrer onde for preciso combater os oligarcas russos e defender o \u201cdemocrata\u201d Zelenski, exceto o almirante Gouveia e Melo, o general Isidro e o burocrata Mark Rutte? Por muito que nos desagrade, enquanto europeus, ouvir afirma\u00e7\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es duras atiradas como pedras, ap\u00f3s a derrota da Segunda Guerra Mundial, a Europa optou por ser um navio de cruzeiros em vez de um navio de batalha. A pergunta a fazer aos inabal\u00e1veis e vocais defensores de apoio \u00e0 Ucr\u00e2nia at\u00e9 \u00e0 derrota final e custe o custar \u00e9 como transformar um hotel flutuante num coura\u00e7ado, como substituir piscinas e jacuzzis por rampas de m\u00edsseis, empregados de camarote por artilheiros.<\/p>\n\n\n\n<p>O choque das conclus\u00f5es do encontro de Munique n\u00e3o resulta da explica\u00e7\u00e3o dos fundamentos do poder nos EUA feita por JD Vance e transmitida em estilo de sargento dos&nbsp;<em>marines<\/em>&nbsp;aos recrutas, mas da insanidade dos l\u00edderes europeus em responder que v\u00e3o gastar 5% dos seus or\u00e7amentos a comprar equipamento militar aos EUA para se defenderem da R\u00fassia, que passou a ser considerada por aqueles como um dos v\u00e9rtices do novo poder mundial! No momento em que os Estados Unidos reconhecem a R\u00fassia e a China como competidores e v\u00e9rtices do tri\u00e2ngulo do poder mundial, e n\u00e3o como inimigos com quem seja estrategicamente vantajoso desencadear um confronto armado, os burocratas europeus prop\u00f5em comprar armas e tecnologias aos Estados Unidos para se defenderem de uma superpot\u00eancia que considera a Europa um saco de gatos que se anular\u00e3o em guerras entre si. \u00c9 a an\u00e1lise que a R\u00fassia faz da Europa, da\u00ed a irracionalidade, para n\u00e3o lhe dar o qualificativo adequado de estupidez dos analistas cujo pensamento foi magistralmente resumido pela doutora Ana Gomes: temos de nos defender dos russos porque se n\u00e3o o fizermos eles \u201cv\u00eam por a\u00ed abaixo\u201d!<\/p>\n\n\n\n<p>O discurso de Ant\u00f3nio Costa a repetir o apoio \u201cinabal\u00e1vel\u201d da Europa \u00e0 Ucr\u00e2nia \u00e9 um texto na linha dos argumentos de Ana Gomes, dos tempos da guerra fria, fora de tempo, \u00e9 um triste exemplo de um padre que entra numa missa p\u00f3s conc\u00edlio Vaticano II a proferir um serm\u00e3o em latim e a fazer esconjuros, perante a estupefa\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is. Bastava-lhe representar o papel do&nbsp;<em>croupier&nbsp;<\/em>e anunciar:&nbsp;<em>les jeux sont faits<\/em>!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OPINI\u00c3O &#8211; O governo de Trump respeita a hierarquia de Plat\u00e3o, de que a oligarquia&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13675,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[238,99],"tags":[518],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cmg1.jpg",577,390,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cmg1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cmg1-300x203.jpg",300,203,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cmg1.jpg",577,390,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cmg1.jpg",577,390,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cmg1.jpg",577,390,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cmg1.jpg",577,390,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cmg1.jpg",577,390,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cmg1.jpg",577,390,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cmg1.jpg",577,390,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cmg1-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cmg1-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a>","tag_info":"OPINI\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13674"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13674"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13674\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13676,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13674\/revisions\/13676"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13675"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13674"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13674"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13674"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}