{"id":13754,"date":"2025-03-04T08:20:48","date_gmt":"2025-03-04T08:20:48","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=13754"},"modified":"2025-03-04T08:21:26","modified_gmt":"2025-03-04T08:21:26","slug":"da-subida-dos-direitos-aduaneiros-aos-varios-dias-que-abalaram-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2025\/03\/04\/da-subida-dos-direitos-aduaneiros-aos-varios-dias-que-abalaram-o-mundo\/","title":{"rendered":"Da subida dos direitos aduaneiros aos v\u00e1rios dias que abalaram o mundo"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Parte VII \u2013 <\/strong>A GLOBALIZA\u00c7\u00c3O<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2025-03-04T08:20:48+00:00\">4 de Mar\u00e7o, 2025<\/time><\/div>\n\n\n<p>[Este texto corresponde \u00e0 s\u00e9tima parte do artigo sobre a globaliza\u00e7\u00e3o que temos vindo a publicar e que \u00e9 da autoria de <strong>Filipe do Carmo <\/strong>. Trata-se de uma abordagem atualizada do tema que tamb\u00e9m foi inserida na pe\u00e7a oportunamente publicada e que pode ser consultada em <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2025\/02\/28\/a-globalizacao-2\/\"><strong>A GLOBALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong>] .<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Esta Parte VII do meu texto come\u00e7ou a ser escrita (e estava praticamente acabada\u2026) fazendo refer\u00eancias \u00e0 economia dos Estados Unidos, tal como revelada por uma evolu\u00e7\u00e3o dos d\u00e9fices da respectiva balan\u00e7a de pagamentos, esses d\u00e9fices tendo sido evidenciados por gr\u00e1ficos da precedente Parte V. Problemas esses que, para algumas interpreta\u00e7\u00f5es, poder\u00e3o ter levado a que Donald Trump tenha sido atingido por uma esp\u00e9cie de p\u00e2nico. Mas talvez n\u00e3o seja bem p\u00e2nico. Uma personalidade como essa, com a import\u00e2ncia que atribui a um cont\u00ednuo enriquecimento, dever\u00e1 estar bastante mais afectada por outros motivos que n\u00e3o especificamente a economia do seu pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora se Trump chegou a falar em direitos aduaneiros de 60% a aplicar aos produtos chineses, mais tarde j\u00e1 s\u00f3 referia apenas 10%, e relativamente ao Canad\u00e1 e ao M\u00e9xico passou tamb\u00e9m de valores bastante elevados para outros mais baixos (e etc., etc.), neste momento ficou-se, em termos gerais, pelas \u201cTarifas Rec\u00edprocas\u201d. Ou seja, a aplica\u00e7\u00e3o de direitos aduaneiros \u00e0 generalidade das importa\u00e7\u00f5es que deveriam ser equivalentes \u00e0s que eram aplicadas nas fronteiras dos diferentes pa\u00edses \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es com origem nos EUA<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguiam-se ent\u00e3o no meu texto considera\u00e7\u00f5es que davam relev\u00e2ncia a que, caso se fosse insistir numa pol\u00edtica de subidas tarif\u00e1rias, o mundo iria muito provavelmente cair numa nova guerra comercial. Caindo-se ent\u00e3o na confus\u00e3o e inevitavelmente em menores n\u00edveis de coopera\u00e7\u00e3o internacional quando o que urge fazer \u00e9 encontrar solu\u00e7\u00f5es para as guerras em curso, a pobreza e as crescentes dificuldades em termos ambientais. E claro que haver\u00e1 sempre desenvolvimentos pol\u00edticos em curso a que \u00e9 indispens\u00e1vel dar aten\u00e7\u00e3o e procurar solu\u00e7\u00f5es que muitas vezes est\u00e3o associadas \u00e0s problem\u00e1ticas econ\u00f3micas, mas tamb\u00e9m frequentemente para l\u00e1 delas. S\u00e3o refer\u00eancias importantes relativas a tais desenvolvimentos que ser\u00e3o de dif\u00edcil apresenta\u00e7\u00e3o num texto que n\u00e3o pode ser muito longo, mas n\u00e3o posso deixar de dar duas indica\u00e7\u00f5es cuja leitura ser\u00e1 \u00fatil em tal contexto. Refiro-me a dois artigos que foram publicados entre n\u00f3s, na p\u00e1gina 6 do recente <em>P\u00fablico<\/em> de 11 de Fevereiro<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. <strong>No primeiro dos artigos<\/strong>, e apenas em particular, depois de se chamar a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de defender os direitos humanos, \u00e9 referido que se assiste na actualidade ao desastre moral e estrat\u00e9gico da grande pot\u00eancia mundial nas m\u00e3os de um presidente e de uma oligarquia que n\u00e3o escondem o seu prazer pela deporta\u00e7\u00e3o em massa ou pela limpeza \u00e9tnica. E tamb\u00e9m que a luta pelos valores tem sido substitu\u00edda pela procura do neg\u00f3cio, com a defesa dos direitos humanos a passar a ser um anacronismo. No caso ucraniano, tudo depender\u00e1 dos dividendos que os EUA e as suas oligarquias conseguirem extirpar das profundezas das terras invadidas pelos russos. No caso palestiniano, Trump estar\u00e1 a ir mais longe do que pensariam ir os mais extremistas do governo israelita, propondo a abjec\u00e7\u00e3o consistente na compra e terraplanagem da faixa de Gaza, com a sua transforma\u00e7\u00e3o numa sucess\u00e3o de hot\u00e9is e casinos antecedida da expuls\u00e3o do povo palestiniano. Seria ent\u00e3o ing\u00e9nuo pensar que se trataria apenas de uma fanfarronice; as tr\u00eas semanas que se seguiram \u00e0 tomada de posse desse presidente s\u00e3o a concretiza\u00e7\u00e3o do impens\u00e1vel. Esse curto per\u00edodo \u00e9 suficiente para que a Europa ent\u00e3o percebesse que talvez fosse melhor n\u00e3o contar com os EUA enquanto aliado, bem pelo contr\u00e1rio, e que haveria que refor\u00e7ar a sua autonomia e defender a sua dignidade. Trump n\u00e3o trata das quest\u00f5es do pa\u00eds, mas sim dos seus neg\u00f3cios e dos daqueles que o bajulam. <strong>No segundo artigo<\/strong>, come\u00e7a-se por referir que a presid\u00eancia da hiperpot\u00eancia militar do nosso mundo deu curso, em apenas tr\u00eas semanas, a um ataque ao direito internacional que j\u00e1 vai onde vai. Divagando sobre uma \u201cRiviera do M\u00e9dio Oriente\u201d, Trump j\u00e1 evidenciava o car\u00e1cter sinistro da forma como somou Gaza \u00e0 lista de territ\u00f3rios que passaram a estar sob amea\u00e7a de ocupa\u00e7\u00e3o (Gronel\u00e2ndia, Canad\u00e1, Canal do Panam\u00e1), afirmando que os EUA v\u00e3o \u201cocupar\u201d e \u201cser donos\u201d da Faixa de Gaza para criar \u201cdesenvolvimento econ\u00f3mico\u201d. E os milh\u00f5es de palestinianos dever\u00e3o sair de Gaza, transferindo-se para \u201cpa\u00edses vizinhos\u201d que, esses sim, dever\u00e3o ter \u201cum cora\u00e7\u00e3o humanit\u00e1rio\u201d. Essa desfa\u00e7atez racista havia, ali\u00e1s, sido iniciada com a ca\u00e7a aos imigrantes e refugiados nos EUA, mas agora \u00e9 recomendado aos outros que j\u00e1 acolhem milh\u00f5es de refugiados palestinianos que fa\u00e7am o contr\u00e1rio do que ele faz no seu pr\u00f3prio pa\u00eds. E essa desfa\u00e7atez \u00e9 acompanhada do desprezo mais absoluto (documentado como tal por v\u00e1rias ag\u00eancias da ONU) pelo direito internacional, que come\u00e7ou por levar o governo americano a encarregar Israel de proceder \u00e0 limpeza \u00e9tnica de Gaza, pressionando os seus \u201caliados\u201d \u00e1rabes a abrir as portas para a desloca\u00e7\u00e3o for\u00e7ada da popula\u00e7\u00e3o. E tudo isso em nome do \u201cdesenvolvimento econ\u00f3mico\u201d! Mas n\u00e3o s\u00f3: Se o direito internacional, as organiza\u00e7\u00f5es que resultam da sua institucionaliza\u00e7\u00e3o, os tratados e conven\u00e7\u00f5es em que se sustenta s\u00e3o o que s\u00e3o \u2013 limitados \u2013 a isso acresce que Trump tenha ent\u00e3o decretado san\u00e7\u00f5es contra todos os funcion\u00e1rios do Tribunal Penal Internacional (TPI) respons\u00e1veis pelos mandatos de captura de Netanyahu e do seu ex-ministro da Defesa. \u00c9 em momentos hist\u00f3ricos como este que se percebe que o direito internacional e a institucionaliza\u00e7\u00e3o que o acompanha, servem em princ\u00edpio para disciplinar os outros, mas n\u00e3o em geral para defender os direitos humanos e a autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos. E, verificando-se que tratados e conven\u00e7\u00f5es convivem com as guerras, constata-se que, no dia em que as organiza\u00e7\u00f5es internacionais encarregadas de os fazer cumprir s\u00e3o desmanteladas, \u00e9 s\u00f3 mais simples fazer a guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>E tudo isto j\u00e1 se dizia antes da Confer\u00eancia de Seguran\u00e7a de Munique (que teve lugar recentemente, de 14 a 16 de Fevereiro), ocasi\u00e3o em que o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, apresentou o que se pode considerar \u201cos fundamentos da pr\u00e1tica pol\u00edtica dos Estados Unidos desde a sua funda\u00e7\u00e3o: o poder assenta na for\u00e7a dos fortes e \u00e9 essa for\u00e7a que permite apresentar os poderosos como virtuosos\u201d (j\u00e1 Maquiavel fazia a mesma afirma\u00e7\u00e3o alguns s\u00e9culos antes)<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Contudo, j\u00e1 pouco antes (11 de Fevereiro), na Cimeira de Paris sobre a Intelig\u00eancia Artificial (IA), esse alto respons\u00e1vel pol\u00edtico dos EUA tinha feito afirma\u00e7\u00f5es que deixaram os europeus at\u00f3nitos. Come\u00e7ando por criticar as \u201cveleidades\u201d do Velho Continente ao procurar regulamentar tecnologias que est\u00e3o em pleno desenvolvimento, justificou tais cr\u00edticas apresentando a defesa da prosperidade e da liberdade de express\u00e3o (dando especial relevo ao facto de tais esfor\u00e7os de modera\u00e7\u00e3o prejudicarem as empresas americanas) e afirmando que a IA deve ser defendida de preconceitos ideol\u00f3gicos. \u00c9 em tal contexto que os Estados Unidos (acompanhados do Reino Unido) recusaram assinar a declara\u00e7\u00e3o final da Cimeira negociada por 58 pa\u00edses (entre os quais a China, a \u00cdndia e os Estados membros da UE) a qual propunha o respeito pelo Ambiente, pelos Direitos Humanos, pela Integridade da Informa\u00e7\u00e3o e pela Propriedade Intelectual. Face \u00e0s cr\u00edticas de Vance e \u00e0 n\u00e3o assinatura da referida declara\u00e7\u00e3o pelos EUA e UK, personalidades como Emmanuel Macron e Ursula von der Leyen, tiveram reac\u00e7\u00f5es bastante moderadas, o que contrasta com o coment\u00e1rio desenvolvido por uma americana que participou na funda\u00e7\u00e3o de uma ONG cr\u00edtica da IA (AI Now Institute): \u201cA cimeira acabou em ruptura. Os partid\u00e1rios da acelera\u00e7\u00e3o da IA querem a expans\u00e3o nua e crua: mais capitais, mais energia, mais infraestruturas privadas e nada de proteccionismos\u201d.<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ora, na Confer\u00eancia de Munique, dias depois<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, Vance n\u00e3o s\u00f3 voltou a defender a prosperidade e a liberdade de express\u00e3o (e, desta vez, ainda a liberdade religiosa), alegadamente amea\u00e7adas pelos europeus, destacando em particular situa\u00e7\u00f5es que considerou pouco simp\u00e1ticas para posi\u00e7\u00f5es de extrema-direita por parte de institui\u00e7\u00f5es europeias. E isso de modos que deixou de novo at\u00f3nitos os presentes na Confer\u00eancia. Para al\u00e9m da estupefac\u00e7\u00e3o que atingiu os europeus presentes na Confer\u00eancia, ser\u00e1 tamb\u00e9m interessante destacar a incompreens\u00e3o e confus\u00e3o que os atingiu relativamente ao que a iniciativa de Trump para p\u00f4r fim \u00e0 guerra na Ucr\u00e2nia significava de facto. O que havia sido conhecido at\u00e9 ent\u00e3o era que o processo para chegar \u00e0 paz s\u00f3 come\u00e7aria por incluir a participa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m dos EUA, da R\u00fassia. Da\u00ed que come\u00e7assem por surgir posi\u00e7\u00f5es, como era de esperar, que exigissem em primeiro lugar a participa\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia e dos Europeus nas negocia\u00e7\u00f5es. Havendo a seguir muito a discutir sobre quest\u00f5es de fronteiras no respeitante aos espa\u00e7os ocupados pelos russos e garantias de seguran\u00e7a para a Ucr\u00e2nia (incluindo a possibilidade de ades\u00e3o \u00e0 NATO). E mais, em particular, para os Europeus a quest\u00e3o de \u201cdeverem\u201d aumentar as participa\u00e7\u00f5es nas despesas da NATO e investir bastante mais em armamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando ao artigo j\u00e1 referido de Matos Gomes, ser\u00e1 de destacar algumas quest\u00f5es n\u00e3o encontradas no artigo do <em>Le Monde<\/em>. Em primeiro lugar, Vance ter\u00e1 explicado que o \u00eaxito dos EUA e a vit\u00f3ria de Trump resultam do facto de o poder ser exercido por uma conjuga\u00e7\u00e3o de tirania e oligarquia, na classifica\u00e7\u00e3o de modos de governo estabelecido por Plat\u00e3o em <em>A Rep\u00fablica<\/em>. Na descri\u00e7\u00e3o que se segue, a tirania deixa de ser considerada, com Vance a afirmar que a oligarquia \u00e9 prefer\u00edvel \u00e0 democracia, oligarquia essa que durante mil\u00e9nios teria sido eficaz para os poderosos exercerem os seus poderes e gozarem os seus privil\u00e9gios. Assim, desde o final da 2\u00aa Guerra Mundial, o sistema de governo que \u00e9 habitualmente designado por \u201cdemocracia\u201d corresponder\u00e1 a \u201cvers\u00f5es de oligarquias adaptadas aos meios para as legitimar\u201d. E, diante daqueles que aparentemente considera \u201cfuncion\u00e1rios pol\u00edticos europeus\u201d, Vance ter\u00e1 afirmado que o perigo para a Europa se encontra no seu interior (na falsidade em que os pol\u00edticos europeus assentam os seus princ\u00edpios, na dist\u00e2ncia entre as afirma\u00e7\u00f5es e as suas pr\u00e1ticas e na fraqueza do poder pol\u00edtico quer na Uni\u00e3o Europeia quer nos seus Estados Nacionais). Ser\u00e1 assim, devido a tal contexto e \u00e0 fraqueza dos seus dirigentes bem como \u00e0 busca de novas formas de participa\u00e7\u00e3o por parte dos povos nos seus governos, que os funcion\u00e1rios (sempre muito moderados) se apressam a classificar alguns participantes como extremistas e radicais.<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O que se passou na Confer\u00eancia de Munique levou naturalmente a que entre a Europa e os EUA se tenha verificado uma fractura profunda, uma ruptura hist\u00f3rica, como \u00e9 referido no editorial do <em>Le Monde<\/em> de 2025-02-18, cujo t\u00edtulo \u00e9 \u201cL\u2019Europe face \u00e0 un d\u00e9fi historique\u201d. E, na continua\u00e7\u00e3o, refere-se que a tempestade Trump que deflagrou sobre o Velho Continente levou a danos consider\u00e1veis, com os tr\u00eas dias que a Confer\u00eancia durou a abalarem o pilar do sistema internacional desde a 2\u00aa guerra mundial, ou seja, a rela\u00e7\u00e3o transatl\u00e2ntica. Esse choque imposto num designado clima execr\u00e1vel pela administra\u00e7\u00e3o americana teve, contudo, nos dizeres do editorial \u201co m\u00e9rito de provocar uma tomada de consci\u00eancia relativa \u00e0 insufici\u00eancia dos meios destinados \u00e0 defesa\u201d. \u201cM\u00e9rito\u201d que \u00e9 ali\u00e1s muito discut\u00edvel, interpreta\u00e7\u00e3o derivada da \u201cconcretiza\u00e7\u00e3o do impens\u00e1vel\u201d j\u00e1 acima referida, com os aumentos que t\u00eam sido propostos para aumentar os gastos em defesa por parte dos pa\u00edses da NATO a traduzirem sobretudo as ambi\u00e7\u00f5es por parte dos multimilion\u00e1rios americanos \u2013 apoiados por Trump e pela sua equipa \u2013 a elevar ainda mais os seus j\u00e1 fartos lucros.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas posi\u00e7\u00f5es distintas apresentadas na imprensa portuguesa (especificamente no <em>P\u00fablico<\/em> em 19 de Fevereiro, na p\u00e1gina 6) sobre o que sucedeu, desde o telefonema entre Trump e Putin e at\u00e9 \u00e0s declara\u00e7\u00f5es de Vance em Munique, t\u00eam conte\u00fados interessantes para serem contrapostas. <strong>A primeira posi\u00e7\u00e3o<\/strong>, de autoria de Nuno Severiano Teixeira (\u201cTr\u00eas dias que abalaram o mundo\u201d) come\u00e7a por referir que h\u00e1 momentos em que a Hist\u00f3ria acelera e dias que valem por d\u00e9cadas, parecendo esse um dos momentos hist\u00f3ricos que se seguem ao fim das guerras e mudam a ordem mundial (segundo diz, ter\u00e3o sido os casos do Tratado de Versalhes, em 1919, os de Ialta e Potsdam, em 1945, e o da queda do Muro de Berlim, em 1989). No respeitante \u00e0 crise actual, o autor apresenta argumentos que procuram mostrar que \u00e9 a R\u00fassia que est\u00e1 a ser beneficiada pelas decis\u00f5es que t\u00eam estado a aparecer, que a Ucr\u00e2nia e a Europa constituem os perdedores, enquanto os EUA s\u00e3o os que, na pr\u00e1tica abandonam os seus aliados. Tudo isto inserido num conjunto de acontecimentos em que n\u00e3o foi a R\u00fassia que ganhou a guerra, foram os americanos que impuseram a derrota aos aliados e deram a vit\u00f3ria ao inimigo. Dizendo ainda que o que est\u00e1 em jogo vai muito para al\u00e9m da Ucr\u00e2nia e da seguran\u00e7a europeia, a mudan\u00e7a sendo da pr\u00f3pria ordem mundial. E, se os EUA asseguraram desde a 2\u00aa Guerra Mundial a coopera\u00e7\u00e3o internacional, a seguran\u00e7a e a paz, criando uma ordem internacional baseada em regras que prevaleceram tanto durante como ap\u00f3s a Guerra Fria, \u00e9 precisamente essa ordem internacional baseada em regras (j\u00e1 em eros\u00e3o) que Trump rejeita e a que agora p\u00f4s termo. E isso, explica, porque as regras e as institui\u00e7\u00f5es internacionais imp\u00f5em limites (tanto no plano econ\u00f3mico como no pol\u00edtico) \u00e0 sua ac\u00e7\u00e3o nacionalista, unilateral, transaccional e predadora. E isso porque Trump pretende uma ordem internacional baseada nos neg\u00f3cios e na diplomacia coerciva (as tarifas, as san\u00e7\u00f5es, as amea\u00e7as) que os sustenta, em que a for\u00e7a vale mais que a lei, o poder mais que a raz\u00e3o. \u00c9 o regresso \u00e0 velha rivalidade entre as grandes pot\u00eancias e ao choque dos imperialismos (em que a expans\u00e3o territorial das grandes pot\u00eancias \u00e9 considerada leg\u00edtima).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A segunda posi\u00e7\u00e3o<\/strong>, de autoria de Manuel Loff (\u201cGuerra e paz\u201d) come\u00e7a por referir um discurso belicista que existia antes da situa\u00e7\u00e3o na actualidade em que a paz era descrita como uma ilus\u00e3o ing\u00e9nua e a guerra uma inevitabilidade para a qual \u201cnos temos de preparar\u201d. Da\u00ed ter disparado a corrida ao armamento elevando-se progressivamente a meta do gasto militar a atingir: 2%, depois 3% e a seguir 5% do PIB. E acrescenta que, j\u00e1 na primavera passada, dirigentes europeus e da NATO desataram a pedir o regresso da conscri\u00e7\u00e3o militar, a assegurar que est\u00e1vamos em \u201c\u00e9poca de pr\u00e9-guerra\u201d e que \u201cse queres a paz\u201d faz a guerra, e a apelar \u00e0 \u201cdefesa dos nossos valores e do nosso modo de vida com armas na m\u00e3o e arriscando as nossas vidas\u201d. E, neste presente em que Trump surge a aparentar fazer uma pausa nas guerras em curso (Ucr\u00e2nia e Gaza) h\u00e1 cada vez mais press\u00f5es da NATO, da UE e dos EUA para acelerar a corrida ao armamento. E tais press\u00f5es para fazer a Europa rearmar-se mais do que nunca (o que significa sempre mais compras aos EUA) j\u00e1 v\u00eam desde a primeira presid\u00eancia Trump, foram muito fortes durante toda a guerra da Ucr\u00e2nia e tornaram-se desenfreadas desde o telefonema de Trump a Putin. E o autor acha conveniente referir ainda que o argument\u00e1rio que no passado tem procurado justificar as corridas ao armamento (a amea\u00e7a sovi\u00e9tica, a iraquiana, a norte-coreana, a islamista\u2026) poder\u00e1 ressurgir em breve com as amea\u00e7as americanas a territ\u00f3rios UE como a Gronel\u00e2ndia. Apresentando ainda a securitiza\u00e7\u00e3o como uma forma de regime (pol\u00edtico, econ\u00f3mico, social) baseado em teses autorit\u00e1rias que pretendem que nenhuma forma de liberdade e nenhum direito podem ser usufru\u00eddos sem que primeiro se garanta a seguran\u00e7a. A finalizar, o autor diz que n\u00e3o houve corridas ao armamento que n\u00e3o tenham redundado em guerra, generalizada (as duas mundiais) ou as que pareceram regionais (Coreia, Vietname, M\u00e9dio Oriente, Ucr\u00e2nia). \u00c9 que n\u00e3o se desviam recursos para o armamento para o deixar quietinho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 altura de recuar um pouco nas inten\u00e7\u00f5es que tinha de dar uma ideia global actualizada do que se passa neste mundo espec\u00edfico a que me tenho referido. A \u201cactualiza\u00e7\u00e3o\u201d tornou-se-me imposs\u00edvel e, al\u00e9m disso, arriscada no sentido de vir a traduzir algo que amea\u00e7a ser realidade mas que pode n\u00e3o passar disso e que aquilo que est\u00e1 de facto a passar-se s\u00f3 ser\u00e1 de facto conhecido com um m\u00ednimo de rigor daqui a algum tempo (duas, tr\u00eas semanas ou mesmo mais). E se as 24 horas que Trump referia, antes de ser presidente, para acabar com a guerra na Ucr\u00e2nia, ou as tarifas aduaneiras de 60% a aplicar \u00e0 China, constitu\u00edam meros exageros de negociante que prop\u00f5e pre\u00e7os de venda estratosf\u00e9ricos ou valores rid\u00edculos de compra para chegar a valores reais de transac\u00e7\u00e3o que lhe s\u00e3o mais favor\u00e1veis, j\u00e1 o que vi na passada quarta-feira (2025-02-26) em meros minutos no telejornal da RTP2 amplia de modo incomensur\u00e1vel o que at\u00e9 agora tendia a referir como \u201cmeros exageros\u201d. Recordo desse telejornal a inquieta\u00e7\u00e3o de Zelensky (habitualmente na expectativa de protec\u00e7\u00e3o por parte dos governantes americanos) quando percebeu que Trump esperava que o presidente ucraniano, na sua desloca\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima a Washington, assinasse um acordo que n\u00e3o s\u00f3 garantisse aos EUA a explora\u00e7\u00e3o das terras raras no seu pa\u00eds mas tamb\u00e9m que reconhecesse uma d\u00edvida aos Estados Unidos de 500 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares (todos n\u00f3s temos presente que o que se passou no decorrer da guerra ainda em curso com o envio repetido de armamentos \u00e0 Ucr\u00e2nia se tratava de uma ajuda e n\u00e3o de uma \u201cajuda\u201d). A dita inquieta\u00e7\u00e3o de Zelensky, conv\u00e9m dizer, n\u00e3o o impediu de dizer que n\u00e3o h\u00e1 d\u00edvida nenhuma da Ucr\u00e2nia, nem de 500 mil milh\u00f5es nem de nenhum outro valor.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante o acima anunciado recuo, acho ainda \u00fatil assinalar o que se passou no final da Confer\u00eancia de Munique no que respeita \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es que atingiram os pol\u00edticos europeus. Essas preocupa\u00e7\u00f5es foram tais que Emmanuel Macron convocou uma reuni\u00e3o a ocorrer em Paris e a ter in\u00edcio de imediato, dia 17 de Fevereiro, com alguns dirigentes europeus (7 al\u00e9m de Macron, um deles o primeiro ministro brit\u00e2nico), mas tamb\u00e9m alguns representantes da NATO e dois da UE (Von der Leyen e Ant\u00f3nio Costa). Convir\u00e1 desde j\u00e1 concluir que, se o que se passou at\u00e9 ent\u00e3o com as decis\u00f5es do governo americano mostrou que os Estados europeus deixaram de ser aliados dos EUA, passando a ser, com a aquiesc\u00eancia europeia, meros vassalos, j\u00e1 a aus\u00eancia de 19 dos representantes dos Estados europeus da UE come\u00e7a por mostrar que come\u00e7a a perceber-se que esses 19 Estados est\u00e3o a ser tratados como apenas sub-vassalos.<\/p>\n\n\n\n<p>Macron foi a Washington depois da reuni\u00e3o de Paris, com inten\u00e7\u00f5es que n\u00e3o parecem as mais claras e depois de ouvir do secret\u00e1rio geral que os europeus se deviam impor, n\u00e3o se queixando, mas com proposi\u00e7\u00f5es concretas, em particular exigindo garantias de seguran\u00e7a. N\u00e3o vou procurar perceber adequadamente as perspectivas que o presidente franc\u00eas levava para Washington. Isso requereria longas leituras a que n\u00e3o me posso entregar de imediato sob pena de se tornar dif\u00edcil terminar este texto em tempo \u00fatil. Retenho apenas que o furor que se podia esperar desse presidente depois das posi\u00e7\u00f5es assumidas por Trump n\u00e3o o impediram de acompanhar este com manifesta\u00e7\u00f5es de grande alegria como \u00e9 vis\u00edvel em duas p\u00e1ginas do <em>P\u00fablico<\/em> de 25 de Fevereiro.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o quero acabar esta parcela do meu texto sem retomar uma opini\u00e3o minha que j\u00e1 expressei em escritos anteriores e que \u00e9 algo que considero que os cidad\u00e3os europeus (e, naturalmente, tamb\u00e9m os de outros pa\u00edses) necessitam de ter consci\u00eancia: os regimes pol\u00edticos em que vivemos n\u00e3o s\u00e3o, tal como \u00e9 considerado na maioria dos tratados pol\u00edticos e na grande maioria dos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social, democracias. Ser\u00e3o sim oligarquias, que combinam poderes predominantemente plutocr\u00e1ticos com \u00f3rg\u00e3os de natureza burocr\u00e1tica e que merecem, para que seja traduzida a sua habilidade que consiste em permitir aos cidad\u00e3os terem a ilus\u00e3o de que as elei\u00e7\u00f5es lhes d\u00e3o o poder pol\u00edtico, que as passem apenas a designar, como me pareceu que Matos Gomes fez no seu texto acima referido, como \u201cdemocracias\u201d. Mas h\u00e1 muito mais a dizer para expressar adequadamente a natureza das ilus\u00f5es de natureza pol\u00edtica em que todos n\u00f3s estamos a viver. E eu tenho consci\u00eancia que me continuam, n\u00e3o obstante os meus esfor\u00e7os para superar tal situa\u00e7\u00e3o, a faltar conhecimentos que me permitam explicitar como gostaria tais conjuntos de circunst\u00e2ncias. Resta-me de momento recomendar aos meus leitores para poderem ir um pouco mais longe, um artigo recente de algu\u00e9m que dever\u00e1 ser lido. Estou a pensar em Viriato Soromenho-Marques, que recentemente escreveu \u201cSobre as rela\u00e7\u00f5es da UE com os EUA\u201d<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Lisboa, 1 de Mar\u00e7o de 2025<\/p>\n\n\n\n<p>Filipe do Carmo<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Veja-se o artigo de S\u00e9rgio An\u00edbal \u2013 \u201d\u2019Olho por olho\u2019, Trump prepara taxas rec\u00edprocas para o resto do mundo\u201d \u2013 no <em>P\u00fablico<\/em> de 2025-02-13, p\u00e1g. 24. No quadro apresentado, h\u00e1 15 pa\u00edses com taxas de 4,75% (M\u00e9xico) a 11,87% (\u00cdndia); os valores mais baixos (pa\u00edses economicamente mais desenvolvidos) v\u00e3o de 2,42% (Jap\u00e3o) \u00e0 China (3,12%). Num Editorial (\u201cProtectionnisme: les dangereuses gesticulations de Trump\u201d) do <em>Le Monde <\/em>de 2025-02-17, p\u00e1g. 31, s\u00e3o justificadas as tarifas mais elevadas devido a disposi\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), a qual considera que deve ser adoptado um tratamento diferenciado em fun\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de desenvolvimento dos diferentes pa\u00edses, os mais pobres necessitando de maiores protec\u00e7\u00f5es ou de condi\u00e7\u00f5es de exporta\u00e7\u00e3o preferenciais.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Refiro-me a \u201cO mundo \u00e9 um neg\u00f3cio e Trump quer lucrar com ele\u201d, de Am\u00edlcar Correia e \u201cIsto ainda \u00e9 s\u00f3 o in\u00edcio\u201d, de Manuel Loff.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Ver o artigo de Carlos Matos Gomes, \u201cO Esplendor da Oligarquia\u201d, em <em>A Viagem dos Argonautas<\/em>, 18 de Fevereiro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> Estas refer\u00eancias \u00e0 Cimeira de Paris s\u00e3o baseadas num artigo do <em>Le Monde<\/em> de 2025-02-13 (p\u00e1g. 13), da autoria de Alexandre Piquard e Philippe Ricard: \u201cIA: un sommet parisien qui acte des divisions\u201d. Num Editorial do mesmo dia do mesmo jornal (\u201cIntelligence artificielle: la necessit\u00e9 d\u2019une troisi\u00e8me voie\u201d, p\u00e1g. 31) \u00e9 referido que, sendo a IA uma tecnologia bastante prometedora, ela \u00e9, no entanto, excessivamente exigente em energia, tem uma forte capacidade para manipular as opini\u00f5es e exercer uma vigil\u00e2ncia perigosa para as liberdades p\u00fablicas, tende a desestabilizar o mercado de trabalho e pode ser utilizada para matar quando integrada em sistemas de armamento.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Ver em geral, para os desenvolvimentos que se seguem, um artigo no <em>Le Monde<\/em> de 2025-02-17, p\u00e1gina 2, de t\u00edtulo \u201c\u00c0 Munich, un parfum de guerre id\u00e9ologique\u201d e da autoria de Elsa Conesa e Sylvie Kauffmann. Para se ter uma ideia mais completa das reac\u00e7\u00f5es europeias \u00e0s posi\u00e7\u00f5es assumidas por Vance, considere-se ainda o t\u00edtulo que surge no mesmo jornal \u2013 p\u00e1gina 1: \u201cJ.D. Vance d\u00e9clare une guerre id\u00e9ologique \u00e0 l\u2019Europe\u201d \u2013 e tamb\u00e9m o t\u00edtulo do outro artigo da p\u00e1gina 2: \u201cApr\u00e8s Elon Musk, J.D. Vance prend parti en faveur d\u2019Alternative pour l\u2019Allemagne\u201d. Todos saber\u00e3o certamente que \u201cAlternative pour l\u2019Allemagne\u201d \u00e9 o partido da extrema direita alem\u00e3 que disputou recentemente as elei\u00e7\u00f5es no seu pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> O artigo de Matos Gomes \u00e9 mais longo, mas continua a desenvolver-se de um modo que torna dif\u00edcil, na minha opini\u00e3o, distinguir o que Vance de facto afirmou daquilo que o autor desenvolve como cr\u00edtica \u00e0s respectivas afirma\u00e7\u00f5es ou ao pensamento e \u00e0s pr\u00e1ticas da actual Administra\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica americana. Da\u00ed que me seja dif\u00edcil transmitir o que \u00e9 realmente a minha inten\u00e7\u00e3o, que visa fundamentalmente as ditas afirma\u00e7\u00f5es e o pensamento e pr\u00e1ticas referidas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> Esse artigo pode ser obtido no seguinte link: <a href=\"https:\/\/www.pressreader.com\/portugal\/jornal-de-letras-9Y9B\/20250219\/282076282596667?srsltid=AfmBOorNsIClPPkNc9U01KSgNEiJDeQtcajzQ6mB8uBEBFFHee_Iygjt\">https:\/\/www.pressreader.com\/portugal\/jornal-de-letras-9Y9B\/20250219\/282076282596667?srsltid=AfmBOorNsIClPPkNc9U01KSgNEiJDeQtcajzQ6mB8uBEBFFHee_Iygjt<\/a> . Para outros artigos do mesmo autor, escritos para o Di\u00e1rio de Not\u00edcias, ver o link <a href=\"https:\/\/www.dn.pt\/t\/viriato-soromenho-marques\/\">https:\/\/www.dn.pt\/t\/viriato-soromenho-marques\/<\/a> .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parte VII \u2013 A GLOBALIZA\u00c7\u00c3O [Este texto corresponde \u00e0 s\u00e9tima parte do artigo sobre a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13758,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[238,622,99],"tags":[333],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/foto.jpg",1024,768,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/foto-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/foto-300x225.jpg",300,225,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/foto-768x576.jpg",640,480,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/foto.jpg",640,480,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/foto.jpg",1024,768,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/foto.jpg",1024,768,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/foto-1024x715.jpg",1024,715,true],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/foto-800x500.jpg",800,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/foto.jpg",1024,768,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/foto-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/foto-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/o-mundo-em-transicao\/\" rel=\"category tag\">O MUNDO EM TRANSI\u00c7\u00c3O<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a>","tag_info":"OPINI\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13754"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13754"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13754\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13759,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13754\/revisions\/13759"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13758"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13754"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13754"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13754"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}