{"id":13761,"date":"2025-03-06T09:34:43","date_gmt":"2025-03-06T09:34:43","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=13761"},"modified":"2025-03-06T09:34:45","modified_gmt":"2025-03-06T09:34:45","slug":"quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2025\/03\/06\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita\/","title":{"rendered":"Quem s\u00e3o os eleitores da extrema-direita?"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u00abNem suficientemente ricos, nem suficientemente pobres\u00bb<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Artigo no Le Monde Diplomatique | Edi\u00e7\u00e3o portuguesa<\/h3>\n\n\n\n<p>Beno\u00eet Br\u00e9ville<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Um partido capaz de conquistar oito milh\u00f5es de votos em vinte anos? D\u00e1 que pensar. Qual \u00e9 a receita da Reuni\u00e3o Nacional (RN) em Fran\u00e7a? E em que consistem os seus ingredientes ideol\u00f3gicos ou sociol\u00f3gicos? V\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es recentes contribuem com preciosas respostas para estas e outras quest\u00f5es.<\/h3>\n\n\n\n<p>quest\u00e3o suscitou tantos livros, col\u00f3quios e teses que poder-se-ia pensar que est\u00e1 resolvida. Quem vota na extrema-direita, e porqu\u00ea? Desde os seus primeiros sucessos h\u00e1 quarenta anos, a Frente Nacional (FN), que em 2018 se torna Reuni\u00e3o Nacional (RN), \u00e9&nbsp;<em>\u00abincontestavelmente o partido pol\u00edtico franc\u00eas mais estudado ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas\u00bb,<\/em>&nbsp;observa o cientista pol\u00edtico Alexandre Dez\u00e9. Entre 1980 e 2017 foram-lhe dedicados n\u00e3o menos de 210 livros&nbsp;(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nb1\">1<\/a>). E o fluxo continua. Como interpretar as l\u00f3gicas territoriais da sua implanta\u00e7\u00e3o? Ser\u00e1 a sua ascens\u00e3o um testemunho de uma direitiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds? Ser\u00e3o os seus eleitores principalmente animados por considera\u00e7\u00f5es sociais ou por preocupa\u00e7\u00f5es culturais?<\/p>\n\n\n\n<p>Os eleitores da RN n\u00e3o justificam o voto da mesma maneira, nem manifestam a mesma ades\u00e3o a este partido; as suas motiva\u00e7\u00f5es variam consoante os seus percursos biogr\u00e1ficos, a idade, a origem social, profissional, geogr\u00e1fica\u2026 Dever-se-\u00e1 ent\u00e3o falar \u00abdos\u00bb eleitores da RN, de tal forma este partido penetra em todos os terrenos. Nas elei\u00e7\u00f5es europeias de junho de 2024, a lista liderada por Jordan Bardella ficou em primeiro lugar em todas as categorias socioprofissionais, 53% nos oper\u00e1rios, 40% nos empregados, mas tamb\u00e9m 20% nos quadros (em igualdade com Rapha\u00ebl Glucksmann)&nbsp;(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nb2\">2<\/a>). A RN assenta numa base popular e pouco diplomada, mas pode tamb\u00e9m contar com uma certa burguesia. A maioria dos universit\u00e1rios abst\u00eam-se, ent\u00e3o, de tirar ensinamentos demasiado gerais, de considerar objetos demasiado amplos, e privilegiam estudos parcelares sobre um dado bairro ou profiss\u00e3o, a fim de examinar todas as sinuosidades das escolhas eleitorais. Quanto aos&nbsp;<em>media,<\/em>&nbsp;n\u00e3o se deixam embara\u00e7ar por&nbsp;<em>nuances<\/em>&nbsp;deste tipo.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo na d\u00e9cada de 1990, o ge\u00f3grafo Jacques L\u00e9vy tornou-se conhecido pela teoria do \u00abgradiente de urbanidade\u00bb&nbsp;(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nb3\">3<\/a>): o voto na FN, muito reduzido no centro dos aglomerados urbanos, lugar de diversidade e de conex\u00e3o internacional, aumentaria \u00e0 medida que nos dirig\u00edssemos para zonas menos densas e menos diversas, periurbanas e rurais, onde o apego \u00e0s identidades locais e tradicionais \u00e9 forte. Tudo assentaria no par densidade-diversidade. A tese de L\u00e9vy, invalidada por muitos contraexemplos, criticada por um uso duvidoso das estat\u00edsticas e por esquecer vari\u00e1veis sociais, nem por isso desapareceu dos debates. At\u00e9 porque alguns dos seus \u00e9mulos a afinaram, juntando-lhe considera\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas. Foi o caso do ge\u00f3grafo e consultor Christophe Guilluy, autor de um livro de sucesso em 2014&nbsp;(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nb4\">4<\/a>). A seu ver, a clivagem territorial \u00e9 bem real e opera-se entre uma&nbsp;<em>\u00abFran\u00e7a metropolitana\u00bb<\/em>&nbsp;pr\u00f3spera, atravessada pelos fluxos materiais, financeiros e humanos do capitalismo, a das&nbsp;<em>\u00abelites\u00bb<\/em>&nbsp;e dos&nbsp;<em>\u00abvencedores da globaliza\u00e7\u00e3o\u00bb,<\/em>&nbsp;e a&nbsp;<em>\u00abFran\u00e7a perif\u00e9rica\u00bb,<\/em>&nbsp;atingida pela desindustrializa\u00e7\u00e3o, \u00e0 margem da cria\u00e7\u00e3o de riqueza, afastada das bacias de emprego, a do&nbsp;<em>\u00abpovo\u00bb<\/em>&nbsp;e dos&nbsp;<em>\u00abesquecidos\u00bb,<\/em>&nbsp;que vota em massa na extrema-direita. Diversos especialistas criticaram Christophe Guilluy por homogeneizar a Fran\u00e7a dos campos e das cidades de pequena dimens\u00e3o, por dar uma imagem dela exageradamente sombria enquanto embeleza o destino reservado \u00e0s periferias urbanas populares.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns recordaram, apoiando-se em estudos, que o facto de se habitar em zonas periurbanas, quando a comuna de resid\u00eancia foi uma escolha e proporciona um quadro de vida agrad\u00e1vel, n\u00e3o favorece o voto na extrema-direita&nbsp;(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nb5\">5<\/a>). Outros sublinharam, cruzando um vasto conjunto de dados ao n\u00edvel das mesas de voto (registos eleitorais, question\u00e1rios \u00e0 sa\u00edda das urnas, estat\u00edsticas de recenseamento\u2026), que a localiza\u00e7\u00e3o determina menos as escolhas eleitorais do que a idade, o diploma ou a profiss\u00e3o. O ge\u00f3grafo Jean Rivi\u00e8re, que foi estudante na zona urbana de Nantes, sublinha que&nbsp;<em>\u00abas muta\u00e7\u00f5es eleitorais acompanham de forma estreita a trajet\u00f3ria sociol\u00f3gica dos bairros da metr\u00f3pole\u00bb<\/em>&nbsp;(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nb6\">6<\/a>). A fragmenta\u00e7\u00e3o dos blocos eleitorais e a pol\u00edtica tripartida decorrente da vit\u00f3ria de Emmanuel Macron em 2017 prejudicou, de certa forma, a sua teoria, mas Christophe Guilluy n\u00e3o d\u00e1 o bra\u00e7o a torcer:&nbsp;<em>\u00abN\u00e3o h\u00e1 tr\u00eas blocos, mas dois; as metr\u00f3poles contra a Fran\u00e7a perif\u00e9rica\u00bb,<\/em>&nbsp;continuava ele a explicar no&nbsp;<em>Le Figaro<\/em>&nbsp;em 15 de julho de 2024, logo a seguir \u00e0 segunda volta das elei\u00e7\u00f5es legislativas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>Kebabs,<\/em>&nbsp;pastilhas de caf\u00e9 e escolhas pol\u00edticas<\/h3>\n\n\n\n<p>No mercado das explica\u00e7\u00f5es eleitorais feitas atirando mapas chocantes, o consultor sofre agora a concorr\u00eancia de J\u00e9r\u00f4me Fourquet, do departamento de Opini\u00e3o do Instituto Franc\u00eas de Opini\u00e3o P\u00fablica (IFOP). Numa trilogia iniciada com o livro&nbsp;<em>L\u2019Archipel fran\u00e7ais<\/em>&nbsp;(Seuil, 2019) e de que faz parte&nbsp;<em>La France d\u2019apr\u00e8s. Tableau politique<\/em>&nbsp;(Seuil, 2023), o sondador corrige alguns defeitos dos seus predecessores. Examina diversas vari\u00e1veis, m\u00faltiplas escalas e d\u00e1 visibilidade \u00e0s fragmenta\u00e7\u00f5es locais. O resultado \u00e9 uma Fran\u00e7a, n\u00e3o cortada em dois, mas&nbsp;<em>\u00abarquipelizada\u00bb,<\/em>&nbsp;dividida entre grupos implantados em territ\u00f3rios diferentes, que n\u00e3o partilham os mesmos modos de vida, nem as mesmas conce\u00e7\u00f5es do mundo. No livro&nbsp;<em>La France d\u2019apr\u00e8s<\/em>&nbsp;aprende-se que na Als\u00e1cia os clubes de dan\u00e7a&nbsp;<em>country<\/em>&nbsp;concentram-se sobretudo nas zonas periurbanas (onde o voto na RN \u00e9 forte), enquanto os&nbsp;<em>kebabs<\/em>&nbsp;se situam essencialmente nas grandes cidades (Estrasburgo, Mulhouse, Colmar) e nas respetivas periferias (onde a esquerda tem os seus melhores resultados). Fica-se a saber que quem possui m\u00e1quinas de caf\u00e9 em c\u00e1psula votou mais em Macron em 2022, enquanto quem tem uma m\u00e1quina de caf\u00e9 em pastilhas privilegiou Marine Le Pen. Ou que uma forte densidade de lojas de produtos biol\u00f3gicos, de caf\u00e9s Starbucks, de estabelecimentos que servem&nbsp;<em>brunch<\/em>&nbsp;e restaurantes listados no guia&nbsp;<em>Fooding,<\/em>&nbsp;muito na moda, se traduziu numa vota\u00e7\u00e3o elevada nos ecologistas nas elei\u00e7\u00f5es municipais de 2020, como aconteceu em Bord\u00e9us ou Grenoble. O livro \u00e9 um garantido sucesso medi\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e9r\u00f4me Fourquet conclui destes avan\u00e7os conceptuais que a extrema-direita se dirige ao&nbsp;<em>grupetto,<\/em>&nbsp;aos relegados da sociedade de consumo, num racioc\u00ednio que confunde estrat\u00e9gia eleitoral e coloca\u00e7\u00e3o de produto, grupos sociais e segmentos de mercado. Utiliza in\u00fameras vari\u00e1veis, mas geralmente s\u00f3 cruza uma dou duas, oportunamente escolhidas, e a justaposi\u00e7\u00e3o de mapas serve-lhe de demonstra\u00e7\u00e3o. Que os eleitores das pequenas cidades da Somme e do Aude (quinhentos a cinco mil inscritos) onde est\u00e3o implantadas e\u00f3licas tenham dado um&nbsp;<em>\u00abpr\u00e9mio de alguns pontos\u00bb<\/em>&nbsp;a Marine Le Pen em 2022 deve permitir pensar que as medidas ecol\u00f3gicas alimentariam o voto na extrema-direita. Para ilustrar a fratura, no 18.\u00ba bairro de Paris, entre o&nbsp;<em>\u00abButte<\/em>&nbsp;(Montmartre)&nbsp;<em>macronista\u00bb<\/em>&nbsp;e o&nbsp;<em>\u00abGoutte d\u2019Or melenchonista\u00bb,<\/em>&nbsp;Fourquet opta por recorrer ao imobili\u00e1rio e \u00e0 presen\u00e7a de lojas africanas, numa oposi\u00e7\u00e3o caricatural entre brancos ricos e imigrantes pobres.<\/p>\n\n\n\n<p>Examinemos estes dois exemplos com a ajuda de estudos universit\u00e1rios recentes. V\u00e1rios investigadores debru\u00e7aram-se sobre a quest\u00e3o das e\u00f3licas nos Altos-de-Fran\u00e7a&nbsp;(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nb7\">7<\/a>). Tamb\u00e9m eles observam um \u00absobrevoto\u00bb na RN nos munic\u00edpios onde estes equipamentos s\u00e3o implantados. Mas n\u00e3o se limitam a esta constata\u00e7\u00e3o. A an\u00e1lise dos dados sociodemogr\u00e1ficos destes territ\u00f3rios permite-lhes estabelecer que as comunas dotadas de e\u00f3licas albergam mais oper\u00e1rios, prec\u00e1rios e n\u00e3o-diplomados, ou seja, uma popula\u00e7\u00e3o mais disposta a votar na RN. \u00ab<em>Cada vez mais\u00bb,<\/em>&nbsp;notam os soci\u00f3logos,&nbsp;<em>\u00abas e\u00f3licas espalham-se de forma socialmente inigualit\u00e1ria\u00bb<\/em>&nbsp;em cidades entregues \u00e0 desregula\u00e7\u00e3o territorial e que n\u00e3o t\u00eam meios para resistir \u00e0 promo\u00e7\u00e3o agressiva dos operadores fundi\u00e1rios. Nesta perspetiva, o \u00absobrevoto\u00bb surge como o sintoma do tratamento reservado aos territ\u00f3rios populares, e n\u00e3o como a express\u00e3o de uma sensibilidade antiecol\u00f3gica dos eleitores de extrema-direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao 18.\u00ba bairro, as vari\u00e1veis escolhidas por J\u00e9r\u00f4me Fourquet t\u00eam como efeito associar automaticamente os imigrantes pobres ao voto em M\u00e9lenchon e os citadinos abastados ao voto em Macron. Um estudo levado a cabo numa zona urbana sens\u00edvel do norte de Paris, com uma composi\u00e7\u00e3o social pr\u00f3xima do Goutte-d\u2019Or, salienta outras realidades&nbsp;(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nb8\">8<\/a>). Por muito metropolitanos que sejam, os habitantes do bairro deram 13,7% dos seus sufr\u00e1gios a Marine Le Pen na primeira volta das presidenciais de 2017, ou seja, tr\u00eas vezes mais do que a m\u00e9dia parisiense. Entre estes eleitores encontram-se muitas fam\u00edlias brancas que lamentam a degrada\u00e7\u00e3o do seu bairro e responsabilizam os estrangeiros e os mu\u00e7ulmanos por essa realidade. Mas o voto na RN atrai tamb\u00e9m habitantes origin\u00e1rios do Magrebe ou da \u00c1frica subsariana. Como Abdelmalik, antigo oper\u00e1rio cabila que agora recebe uma pens\u00e3o de invalidez e v\u00ea com horror os \u00abislamitas\u00bb, ou Nadine, cat\u00f3lica emigrada do Congo e titular de um diploma de secretariado. Mostrando a liga\u00e7\u00e3o \u00e0 RN, ambos esperam distinguir-se dos outros n\u00e3o-brancos, para melhor sublinharem uma integra\u00e7\u00e3o bem-sucedida e mostrar que est\u00e3o do \u00ablado certo\u00bb. Estes \u00abcasos improv\u00e1veis\u00bb ilustram a for\u00e7a do mecanismo de distancia\u00e7\u00e3o nas escolhas da RN, muitas vezes decorrente de conflitos sociais localizados e de trajet\u00f3rias individuais que a compara\u00e7\u00e3o de dois mapas rudimentares n\u00e3o permite apreender.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 for\u00e7a de infografias sobre as agress\u00f5es a m\u00e9dicos e bombeiros, os assaltos, os locais dos&nbsp;<em>\u00abdeals\u00bb<\/em>&nbsp;ou os nomes pr\u00f3prios mu\u00e7ulmanos, a obra de Fourquet d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de uma Fran\u00e7a que se direitiza e se barrica \u00e0 medida que a imigra\u00e7\u00e3o aumenta. Vincent Tiberj, soci\u00f3logo, especialista em comportamentos eleitorais, n\u00e3o acredita nisso. Aglomerando dezenas de sondagens \u2014 mas pondo de parte as menos s\u00e9rias&nbsp;\u2014, construiu&nbsp;<em>\u00ab\u00edndices longitudinais de prefer\u00eancias culturais, sociais e de toler\u00e2ncia\u00bb<\/em>&nbsp;para medir a opini\u00e3o dos franceses no longo prazo&nbsp;(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nb9\">9<\/a>). Os seus resultados contraintuitivos enervaram o Le Figaro: porque, segundo Tiberj, a&nbsp;<em>\u00abdireitiza\u00e7\u00e3o francesa\u00bb<\/em>&nbsp;seria um&nbsp;<em>\u00abmito\u00bb.<\/em>&nbsp;Mais ainda: o pa\u00eds seria cada vez mais tolerante e progressista no que diz respeito \u00e0 sexualidade, \u00e0s religi\u00f5es, \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o, \u00e0 igualdade entre homens e mulheres\u2026 Em 1981, 29% dos sondados consideravam a homossexualidade como&nbsp;<em>\u00abuma maneira aceit\u00e1vel de viver a sua sexualidade\u00bb<\/em>; em 1995, eram 62%; e, desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, a percentagem situa-se \u00e0 volta de 90%. Em 1992, 44% das pessoas inquiridas viam os imigrantes como uma&nbsp;<em>\u00abfonte de enriquecimento cultural\u00bb<\/em>; passados trinta anos, eram 76%. E assim sucessivamente no que diz respeito \u00e0 pena de morte, \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o das minorias judaicas ou mu\u00e7ulmanas, ao uso de drogas\u2026 Esta constata\u00e7\u00e3o \u00e9 corroborada pelo cientista pol\u00edtico Luc Rouban&nbsp;(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nb10\">10<\/a>). O seu \u00ab\u00edndice de alteridade\u00bb sugere que mesmo os eleitores da RN se tornaram mais tolerantes. O seu voto seria, por isso, acima de tudo motivado por preocupa\u00e7\u00f5es sociais. Rouban apresenta como prova o \u00abbar\u00f3metro\u00bb elaborado em 2022 pelo Centro de Investiga\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica de Sciences Po (Cevipof): 38% dos eleitores da RN colocavam o poder de compra no topo das suas preocupa\u00e7\u00f5es e s\u00f3 18% escolhiam a imigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ent\u00e3o, por que motivo n\u00e3o se observa nas urnas esta \u00abesquerdiza\u00e7\u00e3o\u00bb da opini\u00e3o p\u00fablica? Para Vincent Tiberj, a culpa seria da&nbsp;<em>\u00abgrande demiss\u00e3o\u00bb<\/em>&nbsp;dos eleitores, isto \u00e9, a absten\u00e7\u00e3o.&nbsp;<em>\u00abSe h\u00e1 tantas diferen\u00e7as entre os valores dos cidad\u00e3os e os votos dos eleitores\u00bb,<\/em>&nbsp;avan\u00e7a ele,&nbsp;<em>\u00ab\u00e9 porque muitos deles j\u00e1 n\u00e3o se exprimem\u00bb.<\/em>&nbsp;Enquanto os eleitores conservadores, muitas vezes mais velhos, se mobilizariam em massa, galvanizados pelo discurso reacion\u00e1rio que pulula nos&nbsp;<em>media,<\/em>&nbsp;outros, muitas vezes jovens considerados mais progressistas, desinteressar-se-iam das cabinas de voto para marcar a sua dist\u00e2ncia relativamente \u00e0 oferta pol\u00edtica. O tempo jogaria, portanto, a favor da esquerda, que n\u00e3o precisa de convencer os eleitores da RN: bastar-lhe-ia esperar que as jovens gera\u00e7\u00f5es substitu\u00edssem os&nbsp;<em>\u00abboomers\u00bb<\/em>&nbsp;e remobilizar os desiludidos da pol\u00edtica favorecendo a democracia direta, nomeadamente a organiza\u00e7\u00e3o de referendos a todos os n\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Os que pagam muito e n\u00e3o recebem nada<\/h3>\n\n\n\n<p>Esta demonstra\u00e7\u00e3o, essencialmente fundada em sondagens, cont\u00e9m v\u00e1rias falhas. Em primeiro lugar, os jovens acabam por envelhecer. Na segunda volta das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2002, s\u00f3 7% da faixa dos 18-24 anos tinha votado em Jean-Marie Le Pen, cerca de tr\u00eas vezes menos do que os da faixa dos 25-34 anos (22%) e os da dos 35-44 anos (18%). Chegados \u00e0 idade adulta, esta mesma coorte (agora com idades entre os 38 e os 44 anos) deu a Marine Le Pen 47% dos votos em 2022 \u2014 bem mais do que os da faixa dos 65-79 anos (29%). O tempo n\u00e3o tem, portanto, nada a ver com isto, e o horizonte \u00e9 ainda mais sombrio porque a RN agora parte de muito alto: em 2022, 32% dos da faixa dos 18-24 anos votaram em Marine Le Pen\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Nada indica tamb\u00e9m que uma massa de esquerda esteja escondida na sombra da absten\u00e7\u00e3o. A tend\u00eancia pode observar-se em certos bairros populares das periferias urbanas, mas noutros lugares \u00e9 mais duvidosa. Os inqu\u00e9ritos eleitorais indicam que muitos eleitores se abstinham antes de terem decidido dar o seu voto \u00e0 RN. O perfil sociol\u00f3gico dos abstencionistas aproxima-se, al\u00e9m disso, do dos eleitores de extrema-direita, mais popular do que a m\u00e9dia e menos diplomado. Um aumento da participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o beneficiaria automaticamente a esquerda, portanto. Ali\u00e1s, a RN obt\u00e9m muitas vezes os seus melhores resultados nos escrut\u00ednios mais mobilizadores, a come\u00e7ar pelas elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Acresce que a abordagem por sondagens aglomeradas n\u00e3o permite apreender as din\u00e2micas pol\u00edticas que atuam por tr\u00e1s das evolu\u00e7\u00f5es das mentalidades, em particular a maneira como a extrema-direita coloca em concorr\u00eancia certas causas, opondo a imigra\u00e7\u00e3o e o isl\u00e3o \u00e0 defesa das mulheres e dos homossexuais. Sem contar que a frente da mudan\u00e7a social n\u00e3o est\u00e1 congelada. Novos combates aparecem quando os anteriores s\u00e3o vencidos, o que permite ao campo conservador alimentar a polariza\u00e7\u00e3o cultural. \u00c9 o que observam Matt Grossmann e David Hopkins a prop\u00f3sito dos Estados Unidos, onde \u2014 em certa medida \u2014 os republicanos secundarizaram os ataques contra os homossexuais para visar as pessoas transg\u00e9nero, o \u00abwokismo\u00bb, a&nbsp;<em>cancel culture<\/em>\u2026 O mesmo esquema pode, assim, repetir-se d\u00e9cada ap\u00f3s d\u00e9cada:&nbsp;<em>\u00abPrimeiro, os conservadores exprimem a sua f\u00faria face \u00e0s novas mudan\u00e7as culturais, enquanto os progressistas as defendem como se fossem valores comuns\u00bb,<\/em>&nbsp;resumem os investigadores.&nbsp;<em>\u00abA seguir, os conservadores adaptam-se progressivamente a esta mudan\u00e7a aceitando a evolu\u00e7\u00e3o das normas. Por fim, os progressistas saem vencedores, estabelecendo o seu ponto de vista como um novo consenso \u2014 mesmo que percam muitas elei\u00e7\u00f5es pelo caminho\u00bb<\/em>&nbsp;(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nb11\">11<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>Um pa\u00eds mais tolerante e menos racista, eleitores da RN motivados principalmente por preocupa\u00e7\u00f5es sociais? O inqu\u00e9rito de terreno efetuado por F\u00e9licien Faury entre 2016 e 2022 em v\u00e1rias cidades de pequena dimens\u00e3o da regi\u00e3o de Proven\u00e7a-Alpes-C\u00f4te d\u2019Azur (PACA) revela uma outra realidade, onde o racismo \u00e9 consistentemente palp\u00e1vel&nbsp;(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nb12\">12<\/a>). Os eleitores da RN \u2014 mas n\u00e3o s\u00f3 \u2014 evocam os \u00ab\u00e1rabes\u00bb, os \u00abturcos\u00bb ou os \u00abmu\u00e7ulmanos\u00bb para se queixarem da falta de lugares nas creches, da degrada\u00e7\u00e3o da oferta escolar, do desaparecimento do com\u00e9rcio tradicional no centro das cidades, das dificuldades de acesso aos servi\u00e7os p\u00fablicos, da diminui\u00e7\u00e3o do poder de compra, dos impostos demasiado elevados para financiar \u00abos que n\u00e3o fazem nada\u00bb\u2026&nbsp;<em>\u00abA for\u00e7a da extrema-direita n\u00e3o residiu na sua capacidade de impor no debate p\u00fablico \u201cum\u201d s\u00f3 tema, o da imigra\u00e7\u00e3o, mas mais precisamente na de propor, ininterruptamente, liga\u00e7\u00f5es entre esta tem\u00e1tica e uma lista cada vez mais longa de outras quest\u00f5es sociais, econ\u00f3micas e pol\u00edticas\u00bb,<\/em>&nbsp;analisa o soci\u00f3logo, que considera, portanto, n\u00e3o fazerem sentido os \u00abbar\u00f3metros\u00bb que convidam os eleitores a hierarquizar as suas preocupa\u00e7\u00f5es, escolhendo entre v\u00e1rios itens.<\/p>\n\n\n\n<p>F\u00e9licien Faury apresenta o racismo como omnipresente, mas n\u00e3o o concebe como&nbsp;<em>\u00abum \u00f3dio abstrato ao outro\u00bb,<\/em>&nbsp;sendo antes o produto de&nbsp;<em>\u00abuma s\u00e9rie de interesses especificamente materiais, em que a hostilidade racial se mistura com preocupa\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas\u00bb.<\/em>&nbsp;Contrariamente \u00e0s numerosas investiga\u00e7\u00f5es que incidem sobre regi\u00f5es em decl\u00ednio, atingidas pela desindustrializa\u00e7\u00e3o, Faury fez a sua investiga\u00e7\u00e3o numa zona pr\u00f3spera, estimulada por uma economia tur\u00edstica e residencial de servi\u00e7os, mas submetida a forte press\u00e3o imobili\u00e1ria e a um grande aumento das desigualdades. Aqui, s\u00e3o sobretudo as classes populares estabilizadas, as pequenas classes m\u00e9dias e os pensionistas que votam na RN, verificando-se neste voto uma sobrerrepresenta\u00e7\u00e3o de certos setores (artesanato, com\u00e9rcio, profiss\u00f5es da seguran\u00e7a\u2026). Estes eleitores est\u00e3o protegidos do desemprego, mas apesar disso percecionam a sua situa\u00e7\u00e3o como fr\u00e1gil. Consideram que pertencem ao&nbsp;<em>\u00abmeio mau\u00bb<\/em>: n\u00e3o s\u00e3o suficientemente ricos para estarem descansados, nem suficientemente pobres para beneficiarem de apoio p\u00fablico; pagam muito e n\u00e3o recebem nada. Assim se desenha uma nova rela\u00e7\u00e3o de desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e, de forma mais geral, ao Estado-provid\u00eancia, visto como injusto e faltoso, privilegiando sempre \u00abos outros\u00bb em rela\u00e7\u00e3o \u00abaos que realmente o merecem\u00bb. A soci\u00f3loga Clara Deville tamb\u00e9m observou esta realidade no Libournais (Gironda), onde acompanhou benefici\u00e1rios de prote\u00e7\u00e3o social no p\u00e9riplo que efetuam para fazer valer os seus direitos&nbsp;(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nb13\">13<\/a>). Entre encerramentos de balc\u00f5es, desmaterializa\u00e7\u00e3o e controlos minuciosos, o inferno administrativo por vezes acaba por gerar preconceitos, quando um inquirido acredita na sua perce\u00e7\u00e3o de que&nbsp;<em>\u00abos negros e os \u00e1rabes\u00bb<\/em>&nbsp;conseguem mais do que ele:&nbsp;<em>\u00abVoc\u00ea vai dizer que eu sou racista, mas n\u00e3o, \u00e9 s\u00f3 que eu vejo bem que na CAF<\/em>&nbsp;(caixa de apoios familiares)&nbsp;<em>s\u00e3o os negros e tal que fazem fila e que reclamam\u00bb.<\/em>&nbsp;Assim, as discrimina\u00e7\u00f5es de que certas minorias s\u00e3o v\u00edtimas contribuem, num c\u00edrculo vicioso, para aumentar o estigma que sobre elas pesa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\u00abAqui toda a gente pensa assim\u00bb<\/h3>\n\n\n\n<p>Na Proven\u00e7a-Alpes C\u00f4te d\u2019Azur, o sentimento de se ser comprimido combina a tenaz social com o torno territorial, numa regi\u00e3o onde os pre\u00e7os do imobili\u00e1rio explodem e a mobilidade residencial est\u00e1 muito bloqueada. Apanhados entre espa\u00e7os inacess\u00edveis e outros desej\u00e1veis, os eleitores da RN temem a desclassifica\u00e7\u00e3o do seu bairro. Neste contexto, escreve F\u00e9licien Faury, as pessoas n\u00e3o-brancas parecem&nbsp;<em>\u00abdesvalorizar, pela sua simples presen\u00e7a, os territ\u00f3rios onde se instalam. O que \u00e9 mais temido, mais ainda do que os bairros situados na periferia, \u00e9 a instala\u00e7\u00e3o de novos residentes imigrantes num bairro vizinho ou, pior, no seu pr\u00f3prio bairro\u00bb.<\/em>&nbsp;A abertura de um caf\u00e9 sem \u00e1lcool ou de um talho&nbsp;<em>halal<\/em>&nbsp;no centro da cidade pode dar que falar durante meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta explora\u00e7\u00e3o das l\u00f3gicas de normaliza\u00e7\u00e3o \u00abpor baixo\u00bb da RN aproxima-se de algumas das observa\u00e7\u00f5es de Beno\u00eet Coquard nos campos desindustrializados do Grande Leste&nbsp;(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nb14\">14<\/a>), onde o voto na extrema-direita est\u00e1 tamb\u00e9m muito disseminado, nomeadamente entre os oper\u00e1rios, os prec\u00e1rios e os jovens adultos. Os dois soci\u00f3logos destacam territ\u00f3rios onde o voto na RN se tornou uma esp\u00e9cie de norma \u2014 n\u00e3o um desvio, um gesto vergonhoso a esconder, mas um ato que se pode reivindicar, um orgulho. \u00c9 uma maneira de assinalar que n\u00e3o se \u00e9 um&nbsp;<em>\u00abassistido\u00bb,<\/em>&nbsp;um&nbsp;<em>\u00abcaso social\u00bb,<\/em>&nbsp;algu\u00e9m&nbsp;<em>\u00abque n\u00e3o quer trabalhar\u00bb,<\/em>&nbsp;em suma, um&nbsp;<em>\u00abdos que se aproveitam do sistema\u00bb.<\/em>&nbsp;Toda a gente conhece amigos, pais, familiares, comerciantes que fazem o mesmo, e a sociabilidade conduz a um autorrefor\u00e7o.&nbsp;<em>\u00abAqui toda a gente pensa assim\u00bb, \u00abtoda a gente vai lhe dizer isto\u00bb, \u00abeu n\u00e3o sou o \u00fanico a dizer isto\u00bb,<\/em>&nbsp;responde-se frequentemente aos dois soci\u00f3logos.&nbsp;<em>\u00abO voto na RN, partilhado por um n\u00famero crescente de eleitores, pode ent\u00e3o ser apresentado, n\u00e3o como uma patologia, mas como \u201cl\u00f3gico\u201d; n\u00e3o j\u00e1 como extremo, mas \u201cmuito normal\u201d\u00bb,<\/em>&nbsp;observa F\u00e9licien Faury, enquanto Beno\u00eet Coquard concorda:&nbsp;<em>\u00abAqui, exibir que se \u00e9 \u201cpela Le Pen\u201d \u00e9 um posicionamento leg\u00edtimo, f\u00e1cil de sustentar em p\u00fablico\u00bb.<\/em>O mesmo n\u00e3o acontece com quem afirma ser de esquerda. Nos campos do Grande Leste, algu\u00e9m de esquerda arrisca-se a&nbsp;<em>\u00abprovocar cr\u00edticas e esc\u00e1rnio sobre o tema da presumida falta de vontade para trabalhar ou da ingenuidade\u00bb.<\/em>&nbsp;A esquerda, praticamente ausente destes territ\u00f3rios, nomeadamente por causa das din\u00e2micas territoriais que empurram os diplomados para as grandes cidades, \u00e9 identificada com o fechamento entre si das elites locais ou com os bem-falantes de Paris. Pessoas que vivem confortavelmente, mas ainda assim se permitem \u00abdar li\u00e7\u00f5es\u00bb, numa mistura de hipocrisia e presun\u00e7\u00e3o. S\u00e3o particularmente visados os professores, os universit\u00e1rios, os artistas, os jornalistas, mas tamb\u00e9m os trabalhadores associativos locais e os quadros dos servi\u00e7os p\u00fablicos. Isto \u00e9, a pequena elite do diploma, que simboliza o saber no quotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p>Sun Tzu teorizou-o em&nbsp;<em>A Arte da Guerra<\/em>: para vencer uma batalha \u00e9 preciso conhecer o advers\u00e1rio, mas tamb\u00e9m conhecer-se a si mesmo. Ser\u00e3o, portanto, de esperar igual n\u00famero de livros sobre a esquerda, os seus dirigentes, militantes e eleitores para nos dizer como p\u00f4de ela apartar-se tanto das classes populares.<\/p>\n\n\n\n<p>Beno\u00eet Br\u00e9ville<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nh1\">1<\/a>)&nbsp;Alexandre Dez\u00e9, \u00abQue sait-on du Front national?\u00bb, em Olivier Fillieule, Florence Haegel, Camille Hamidi e Vincent Tiberj (dir.),&nbsp;<em>Sociologie plurielle des comportements politiques,<\/em>&nbsp;Presses de Sciences Po, Paris, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nh2\">2<\/a>)&nbsp;\u00abSociologie des \u00e9lectorats et profil des abstentionnistes. \u00c9lections europ\u00e9ennes, 9\u2002de junho de\u20022024\u00bb,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ipsos.com\/\">www.ipsos.com\ufeff<\/a>&nbsp;\ufeff<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nh3\">3<\/a>)&nbsp;Jacques L\u00e9vy,&nbsp;<em>L\u2019Espace l\u00e9gitime. Sur la dimension g\u00e9ographique de la fonction politique,<\/em>&nbsp;Presses de Sciences Po, 1994. \ufeff<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nh4\">4<\/a>)&nbsp;Christophe Guilluy,&nbsp;<em>La France p\u00e9riph\u00e9rique. Comment on a fractur\u00e9 les classes populaires,<\/em>&nbsp;Flammarion, Paris, 2014. \ufeff<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nh5\">5<\/a>)&nbsp;\u00c9ric Charmes, Lydie Launay e St\u00e9phanie Vermeersch,&nbsp;<em>Quitter Paris? Les classes moyennes entre p\u00e9riph\u00e9ries et centres,<\/em>&nbsp;Cr\u00e9aphis, Grane, 2019. \ufeff<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nh6\">6<\/a>)&nbsp;Jean Rivi\u00e8re,&nbsp;<em>L\u2019Illusion du vote bobo. Configurations \u00e9lectorales et structures sociales dans les grandes villes fran\u00e7aises,<\/em>&nbsp;Presses universitaires de Rennes, 2022. \ufeff<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nh7\">7<\/a>)&nbsp;Jimmy Grimault, Tristan Haute, Leny Patinaux e Pierre Wadlow, \u00abLes voix du vent. D\u00e9veloppement \u00e9olien et vote aux \u00e9lections r\u00e9gionales dans les Hauts-de-France\u00bb,&nbsp;<em>Mouvements,<\/em>&nbsp;vol. 118, n.\u00b0 3, Paris, 2024. \ufeff<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nh8\">8<\/a>)&nbsp;Lorenzo Barrault-Stella e Cl\u00e9mentine Berjaud, \u00abQuand des minorit\u00e9s ethno-raciales des milieux populaires soutiennent le Front national\u00bb, em Safia Dahani, Estelle Delaine, F\u00e9licien Faury e Guillaume Letourneur (dir.),&nbsp;<em>Sociologie politique du Rassemblement national. Enqu\u00eates de terrain,<\/em>&nbsp;Presses universitaires du Septentrion, Villeneuve-d\u2019Asq, 2023. \ufeff<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nh9\">9<\/a>)&nbsp;Vincent Tiberj,&nbsp;<em>La Droitisation fran\u00e7aise. Mythe et r\u00e9alit\u00e9s,<\/em>&nbsp;PUF, Paris, 2024. \ufeff<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nh10\">10<\/a>)&nbsp;Luc Rouban, La Vraie Victoire du RN, Presses de Sciences Po, 2022, e&nbsp;<em>Les Ressorts cach\u00e9s du vote RN,<\/em>&nbsp;Presses de Sciences Po, 2024. \ufeff<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nh11\">11<\/a>)&nbsp;Matt Grossmann e David A. Hopkins,&nbsp;<em>Polarized by Degrees. How the Diploma Divide and the Culture War Transformed American Politics,<\/em>&nbsp;Cambridge University Press, 2024. \ufeff<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nh12\">12<\/a>)&nbsp;F\u00e9licien Faury,&nbsp;<em>Des \u00e9lecteurs ordinaires. Enqu\u00eate sur la normalisation de l\u2019extr\u00eame droite,<\/em>&nbsp;Seuil, Paris, 2024. \ufeff<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nh13\">13<\/a>)&nbsp;Clara Deville,&nbsp;<em>L\u2019\u00c9tat social \u00e0 distance. D\u00e9mat\u00e9rialisation et acc\u00e8s aux droits des classes populaires rurales,<\/em>&nbsp;\u00c9ditions du Croquant, Vulaines-sur-Seine, 2023. \ufeff<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html#nh14\">14<\/a>)\u00a0Beno\u00eet Coquard,\u00a0<em>Ceux qui restent. Faire sa vie dans les campagnes en d\u00e9clin,<\/em>\u00a0La D\u00e9couverte, Paris, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2025\/03\/quem-sao-os-eleitores-da-extrema-direita.html\">ARTIGO <\/a>no Le Monde Diplomatique<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Ler outros artigos Assine o Le Monde Diplomatique<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"456\" height=\"565\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/lmd2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13762\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/lmd2.jpg 456w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/lmd2-242x300.jpg 242w\" sizes=\"(max-width: 456px) 100vw, 456px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abNem suficientemente ricos, nem suficientemente pobres\u00bb Artigo no Le Monde Diplomatique | Edi\u00e7\u00e3o portuguesa Beno\u00eet&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13763,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[238,622],"tags":[576],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/lmd3.jpg",649,338,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/lmd3-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/lmd3-300x156.jpg",300,156,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/lmd3.jpg",640,333,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/lmd3.jpg",640,333,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/lmd3.jpg",649,338,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/lmd3.jpg",649,338,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/lmd3.jpg",649,338,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/lmd3.jpg",649,338,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/lmd3.jpg",649,338,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/lmd3-540x338.jpg",540,338,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/lmd3-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/o-mundo-em-transicao\/\" rel=\"category tag\">O MUNDO EM TRANSI\u00c7\u00c3O<\/a>","tag_info":"O MUNDO EM TRANSI\u00c7\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13761"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13761"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13761\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13764,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13761\/revisions\/13764"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13763"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13761"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13761"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13761"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}