{"id":13965,"date":"2025-05-29T05:52:41","date_gmt":"2025-05-29T05:52:41","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=13965"},"modified":"2025-05-29T05:53:31","modified_gmt":"2025-05-29T05:53:31","slug":"imigracao-e-luta-de-classes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2025\/05\/29\/imigracao-e-luta-de-classes\/","title":{"rendered":"Imigra\u00e7\u00e3o e luta de classes"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Olhemos para a Economia<\/strong><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2025-05-29T05:52:41+00:00\">29 de Maio, 2025<\/time><\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Por Francisco Melro<\/h3>\n\n\n\n<p>O Chega perdeu as elei\u00e7\u00f5es nas 3 freguesias do centro de Lisboa mais marcadas pela presen\u00e7a de comunidades asi\u00e1ticas e pelos protestos da extrema-direita contra a imigra\u00e7\u00e3o, onde n\u00e3o foi al\u00e9m de 15%. Mas ganhou em Marvila, tamb\u00e9m em Lisboa, o que deu origem a uma mensagem, amplamente divulgada, sugerindo que a percep\u00e7\u00e3o distorcida da realidade criada pelas redes sociais justificava grande parte dos sucessos do Ventura. Mas parece que n\u00e3o, a coisa n\u00e3o se justifica sobretudo por a\u00ed, embora esses altifalantes contribuam.<\/p>\n\n\n\n<p>As redes sociais e o debate sobre a inseguran\u00e7a n\u00e3o justificam, s\u00f3 por si, os insucessos da Esquerda e do conjunto das for\u00e7as democr\u00e1ticas. A realidade \u00e9 mais complexa. Nas freguesias do centro de Lisboa, onde as redes sociais est\u00e3o tamb\u00e9m muito presentes, as vota\u00e7\u00f5es no Chega ficaram aqu\u00e9m dos 15%, predominantemente, pr\u00f3ximas de 10%. Mas a vota\u00e7\u00e3o do Chega em Lisboa aumenta \u00e0 medida que se caminha para as freguesias das periferias da cidade e para os concelhos da Grande Lisboa, para as zonas menos ricas, para as historicamente mais de Esquerda. E o fen\u00f3meno vai em crescendo quando marchamos para o Sul do Pa\u00eds, onde o Chega aparece como a for\u00e7a mais votada ou a disputar a lideran\u00e7a. Ganhou em Vila Franca, tal como em Set\u00fabal, no Seixal, mas tamb\u00e9m em Beja e at\u00e9 em Baleiz\u00e3o e no distrito de Faro, para choque de toda a Esquerda.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"432\" height=\"294\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/GRA1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13968\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/GRA1-1.jpg 432w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/GRA1-1-300x204.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 432px) 100vw, 432px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Os inqu\u00e9ritos de opini\u00e3o efectuados pelas empresas de sondagens tinham conclu\u00eddo que as op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dos mais jovens privilegiariam o Chega, a Iniciativa Liberal e o Livre, em preju\u00edzo dos restantes partidos, especialmente os da Esquerda. Concluem tamb\u00e9m que os jovens mais instru\u00eddos se dividem entre a Iniciativa Liberal e o Livre, enquanto os menos instru\u00eddos optam pelo Chega. Olhando para os resultados das elei\u00e7\u00f5es por freguesias, deduz-se que os que optam pelo Chega tamb\u00e9m habitam nas zonas menos favorecidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Parece que de repente, no espa\u00e7o de uma d\u00e9cada, Portugal se tornou inseguro e racista, em sintonia com o discurso do Chega, sobretudo na popula\u00e7\u00e3o mais jovem que habita nas zonas menos favorecidas. Olhemos para o que se passou na \u00faltima d\u00e9cada e esque\u00e7amos, por favor e pelo menos para este efeito, as conversas sobre o S\u00f3crates, a troika, o Passos Coelho e o Costa. Olhemos para a economia.<\/p>\n\n\n\n<p>No final de 2024, o n\u00famero de estrangeiros a trabalhar em Portugal atingiu 650 mil, passando a representar 17% dos trabalhadores por conta de outrem, segundo c\u00e1lculos do Banco de Portugal, com base nos microdados das declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Seguran\u00e7a Social. Os novos empregos criados durante o ano de 2024 foram quase exclusivamente ocupados por trabalhadores imigrantes, especialmente brasileiros e indianos, 35,5% e 12,1% do total, respectivamente, aumentando 22,9% contra 0,2% de empregos nacionais, tendo estes novos empregos sido ocupados por trabalhadores com menos de 35 anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"441\" height=\"288\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/gra2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13967\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/gra2.jpg 441w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/gra2-300x196.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 441px) 100vw, 441px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O peso dos trabalhadores imigrantes \u00e9 especialmente relevante nalgumas actividades, em torno de 30% no alojamento e restaura\u00e7\u00e3o, nas atividades administrativas e na constru\u00e7\u00e3o e mais de 40% na Agricultura e Pescas. Em conjunto com a Ind\u00fastria Transformadora, estes sectores acolheram 84% dos trabalhadores imigrantes entrados entre 2014 e 2023. Em 2024 representaram mais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"443\" height=\"321\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/gra3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13969\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/gra3.jpg 443w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/gra3-300x217.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 443px) 100vw, 443px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>H\u00e1 concelhos do Pa\u00eds que se destacam pela presen\u00e7a relativa destes trabalhadores. Representam quase 80% do total em Odemira e mais de 30% em v\u00e1rios concelhos do Algarve, do Alentejo, do Ribatejo e at\u00e9 de Lisboa e mais de 20% em v\u00e1rios concelhos dos distritos de Lisboa, Algarve, Alentejo e Set\u00fabal, ou seja, nas zonas do Pa\u00eds mais prolet\u00e1rias onde a Esquerda era historicamente maiorit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A comunidade brasileira predomina entre os imigrantes representando mais de 40% do total. Esse predom\u00ednio \u00e9 vis\u00edvel na generalidade dos sectores. Exceptuam-se a Agricultura e Pescas, onde predominam os trabalhadores asi\u00e1ticos. No entanto, \u00e9 sobretudo contra os asi\u00e1ticos e contra a comunidade cigana que o Chega incide as suas campanhas. A cor da pele, a religi\u00e3o e a maior fragilidade destes trabalhadores e destas comunidades, mais do que outras raz\u00f5es, parecem justificar esta sanha.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"437\" height=\"293\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/gra4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13970\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/gra4.jpg 437w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/gra4-300x201.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 437px) 100vw, 437px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica de Portugal da \u00faltima d\u00e9cada foi impulsionada pelo Turismo que arrastou outros sectores, predominantemente de fraco valor acrescentado com utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra intensiva de baixo custo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"418\" height=\"290\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/gra5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13971\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/gra5.jpg 418w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/gra5-300x208.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 418px) 100vw, 418px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Na verdade, entre 2014 e 2024, o emprego por conta de outrem cresceu 39,2%, gra\u00e7as \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es determinantes dos sectores da Agricultura, do Turismo, Restaura\u00e7\u00e3o, Constru\u00e7\u00e3o e Actividades Administrativas, tendo em conta as declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Seguran\u00e7a Social.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"435\" height=\"294\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/gra6.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13972\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/gra6.jpg 435w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/gra6-300x203.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 435px) 100vw, 435px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A fragilidade nacional dos sectores econ\u00f3micos de maior valor acrescentado e a consequente escassez de empregos qualificados empurraram para a emigra\u00e7\u00e3o fornadas anuais de novos jovens licenciados que nem no sector p\u00fablico encontraram oportunidades, dadas as necessidades de controle das contas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"439\" height=\"294\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/GRA7.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13973\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/GRA7.jpg 439w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/GRA7-300x201.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 439px) 100vw, 439px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Os trabalhadores portugueses que ficaram passaram a enfrentar as consequ\u00eancias de uma oferta acrescida de m\u00e3o de obra no mercado nacional, sobretudo nas camadas mais jovens. Esta oferta abundante de m\u00e3o de obra, predominantemente mais barata e desprotegida, beneficiou transversalmente a competitividade dos neg\u00f3cios de m\u00e3o de obra intensiva e baixo valor acrescentado. Mas passou tamb\u00e9m a pressionar as condi\u00e7\u00f5es laborais dos trabalhadores nacionais dos restantes sectores, frequentemente com contratos prec\u00e1rios e baixos sal\u00e1rios, habitualmente estagnados, sem progress\u00e3o na carreira, com perda de direitos e regalias, potencialmente descart\u00e1veis. Este ambiente atingiu n\u00e3o s\u00f3 trabalhadores menos qualificados, mas igualmente outros mais qualificados e experientes das grandes empresas que come\u00e7aram a retalhar os seus processos produtivos, adjudicando a terceiros parte das suas actividades, de montagem, repara\u00e7\u00f5es, distribui\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia t\u00e9cnica a clientes, atendimento, angaria\u00e7\u00e3o de clientes e outras. As empresas adjudicantes passaram a contratar trabalhadores com v\u00ednculos ainda mais prec\u00e1rios e sal\u00e1rios mais baixos. Os callcenters s\u00e3o o exemplo mais t\u00edpico, mas quando algu\u00e9m nos bate \u00e0 porta ao servi\u00e7o das empresas do com\u00e9rcio e da distribui\u00e7\u00e3o, da distribui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, da electricidade ou do g\u00e1s, j\u00e1 todos sabemos que se trata deste tipo de empresas. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 os trabalhadores ao servi\u00e7o de empresas de plataformas digitais, tipo Uber e Glovo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o controle das contas p\u00fablicas fragilizou adicionalmente a capacidade de fornecimento de servi\u00e7os p\u00fablicos, em quantidade e qualidade, com destaque para a Sa\u00fade, a Justi\u00e7a, a Educa\u00e7\u00e3o e a Seguran\u00e7a, sendo o sector p\u00fablico frequentemente marcado por fen\u00f3menos de descontentamento, desmotiva\u00e7\u00e3o, protesto e paralisa\u00e7\u00e3o, penalizando especialmente as popula\u00e7\u00f5es mais idosas, menores rendimentos e das zonas isoladas do interior.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento da popula\u00e7\u00e3o teve como consequ\u00eancia uma enorme press\u00e3o sobre o mercado da habita\u00e7\u00e3o, sobretudo nas zonas de maior actividade tur\u00edstica, com destaques para Lisboa e Algarve. Os pre\u00e7os de venda e de arrendamento de alojamentos dispararam, atingindo n\u00edveis incomport\u00e1veis para os baixos rendimentos de grande parte dos trabalhadores. A remunera\u00e7\u00e3o bruta m\u00e9dia mensal em Mar\u00e7o de 2025 ficava abaixo dos 2 mil euros na generalidade dos sectores de actividade e era pr\u00f3xima de 1.000 euros nos sectores que t\u00eam vindo a criar o grosso dos empregos, sendo que estas remunera\u00e7\u00f5es m\u00e9dias eram ainda mais baixas quando destinadas a trabalhadores imigrantes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"430\" height=\"293\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/GRA8.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13974\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/GRA8.jpg 430w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/GRA8-300x204.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 430px) 100vw, 430px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0 press\u00e3o da procura de habita\u00e7\u00e3o de novos residentes e de servi\u00e7os tur\u00edsticos, os novos contratos de arrendamento subiram cerca de 50% entre o 1\u00ba trimestre de 2020 e o final de 2024 no conjunto do Pa\u00eds. Esta subida foi superior em munic\u00edpios em torno de Lisboa, em especial munic\u00edpios de Loures, Sintra, Set\u00fabal e Seixal, onde se aproximou dos 60%.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"431\" height=\"286\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/GRA9.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13975\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/GRA9.jpg 431w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/GRA9-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 431px) 100vw, 431px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Pelas mesmas raz\u00f5es, os pre\u00e7os de venda dos alojamentos dispararam a partir de 2016, acelerando esta tend\u00eancia durante os dois \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"454\" height=\"299\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/GRA10.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13976\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/GRA10.jpg 454w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/GRA10-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 454px) 100vw, 454px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Esta din\u00e2mica econ\u00f3mica ir\u00e1 prosseguir, antevendo-se o agravamento dos seus efeitos no tecido social. Os empres\u00e1rios dos sectores que lideram o crescimento j\u00e1 pediram mais 100 mil trabalhadores imigrantes. Em contrapartida, n\u00e3o surgem iniciativas de investimento empresarial com caracter\u00edsticas inovadoras e com capacidade para criar valor acrescentado significativo e para gerar um n\u00famero relevante de empregos bem remunerados capazes de corresponder aos anseios dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o Estado est\u00e1 com dificuldades para encontrar solu\u00e7\u00e3o para os problemas no mercado da Habita\u00e7\u00e3o e para acudir \u00e0s necessidades de uma popula\u00e7\u00e3o envelhecida de baixos rendimentos e muitas vezes isolada, que se sente abandonada e vulner\u00e1vel, e \u00e0 press\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es que exigem mais e melhores presta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o bem como \u00e0s exig\u00eancias dos seus servidores que querem melhores condi\u00e7\u00f5es, incluindo financeiras. Os investimentos associados ao PRR ser\u00e3o insuficientes para acudir a todos estes clamores. A situa\u00e7\u00e3o poder-se-\u00e1 agravar, caso venha a eclodir uma crise econ\u00f3mica internacional provocada pelas pol\u00edticas delirantes e irrespons\u00e1veis do novo inquilino da Casa Branca e\/ou pelo agravamento das guerras em curso.<\/p>\n\n\n\n<p>O Chega ir\u00e1 cavalgar o descontentamento resultante destes impactos. \u00c9 para estas tend\u00eancias que os partidos democr\u00e1ticos t\u00eam de se preparar. Vai dar para todos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por agora, atingem sobretudo dom\u00ednios da Esquerda. H\u00e1 uma massa de trabalhadores jovens de baixos rendimentos, grupo social que historicamente suportava a Esquerda, que passou a apoiar o Chega. Vive em desesperan\u00e7a, est\u00e1 contra o \u201csistema\u201d, contra a sua incapacidade de corresponder aos seus anseios, englobando toda a Esquerda no sistema, insens\u00edvel e desculpando at\u00e9 toda a campanha de ataques \u00e0 democracia, mentiras, patranhas e falsas promessas por parte do Chega.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isto tamb\u00e9m vai sobrar para a AD, tamb\u00e9m faz parte do sistema democr\u00e1tico, desenhando-se uma tend\u00eancia similar \u00e0 registada nos Estados Unidos e em diversos pa\u00edses da Europa, onde a direita radical, anti-imigra\u00e7\u00e3o e anti-democr\u00e1tica, tem vindo a ganhar enorme apoio em diversas camadas da juventude menos favorecidas, acantonando progressivamente as for\u00e7as democr\u00e1ticas. A AD ainda conseguiu, por agora, conter preju\u00edzos nas suas hostes e at\u00e9 ganhar alguns apoios adicionais, atendendo reivindica\u00e7\u00f5es dos agentes do Estado, incluindo remunerat\u00f3rias, e aumentando as reformas. Mas como a economia n\u00e3o tende a proporcionar grandes folgas or\u00e7amentais, este caminho ser\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil de trilhar. E vem a\u00ed o impacto das despesas acrescidas com a Defesa.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"435\" height=\"381\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/melro-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13977\" style=\"aspect-ratio:1.141732283464567;width:225px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/melro-1.jpg 435w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/melro-1-300x263.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 435px) 100vw, 435px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Francisco Melro | Economista<\/h3>\n\n\n\n<p>Foto \u00a9 CVR-NSF<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olhemos para a Economia Por Francisco Melro O Chega perdeu as elei\u00e7\u00f5es nas 3 freguesias&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13978,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[238,528,99],"tags":[296],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/voto.jpg",877,449,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/voto-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/voto-300x154.jpg",300,154,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/voto-768x393.jpg",640,328,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/voto.jpg",640,328,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/voto.jpg",877,449,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/voto.jpg",877,449,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/voto.jpg",877,449,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/voto-800x449.jpg",800,449,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/voto.jpg",877,449,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/voto-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/voto-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/o-debate-na-esquerda\/\" rel=\"category tag\">O DEBATE NA ESQUERDA<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a>","tag_info":"OPINI\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13965"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13965"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13965\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13980,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13965\/revisions\/13980"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13978"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}