{"id":14195,"date":"2025-07-02T21:07:11","date_gmt":"2025-07-02T21:07:11","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=14195"},"modified":"2025-07-05T00:08:49","modified_gmt":"2025-07-05T00:08:49","slug":"os-novos-regeneradores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2025\/07\/02\/os-novos-regeneradores\/","title":{"rendered":"Os novos regeneradores"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">OPINI\u00c3O &#8211; Presidenciais 2026<\/h2>\n\n\n\n<p><em>Francisco Melro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>2 de Julho de 2025<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O fruto estava bem maduro e o Almirante avan\u00e7ou para a colheita. Candidata-se \u00e0 Presid\u00eancia para corrigir as maleitas do Pa\u00eds. O sentido da correc\u00e7\u00e3o pretendida foi durante algum tempo, confuso ou impreciso. Sabia-se apenas que as refer\u00eancias pol\u00edtico- ideol\u00f3gicas do Almirante se situariam, a crer no pr\u00f3prio, algures entre o PS e o PSD. Com o surgimento e com as declara\u00e7\u00f5es de Rui Rio como mandat\u00e1rio nacional desta campanha, e com diversos pronunciamentos posteriores do Almirante, esse sentido foi ficando mais claro, aumentando o alarme nas hostes do PS e do PSD.<\/p>\n\n\n\n<p>O descontentamento popular com as \u00faltimas governa\u00e7\u00f5es \u00e9 significativo, como resultou bem claro da tend\u00eancia dos resultados das \u00faltimas legislativas, tendendo a agrupar-se em torno do Chega, que lhes acena com um pacote econ\u00f3mico-social milagroso e com um regime autorit\u00e1rio, limpo de corrup\u00e7\u00e3o e com seguran\u00e7a garantida, \u00e0 maneira da boa vida de antes do 25 de Abril. O grupo que emerge em torno do Almirante dirige-se \u00e0 mesma massa de descontentes, apontando, embora, um sentido regenerador diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>A campanha revelou inicialmente, grande ades\u00e3o e entusiasmo em redor do Almirante. Dependendo da din\u00e2mica que conseguir ir criando, outras figuras p\u00fablicas e militantes partid\u00e1rios, incluindo ex-deputados e autarcas, do PSD, mas tamb\u00e9m do PS, poder\u00e3o ou n\u00e3o aderir a esta causa regeneradora. J\u00e1 por l\u00e1 deram nas vistas o \u00c2ngelo Correia, o Isaltino Morais, o Carreira de Cascais e o empres\u00e1rio M\u00e1rio Ferreira que det\u00e9m, entre outras, as empresas TVI\/CNN. O homem da imprensa do Almirante \u00e9 Lu\u00eds Bernardo, pr\u00f3ximo de M\u00e1rio Ferreira, que tem no curriculum a assessoria a Carrilho, S\u00f3crates e Lu\u00eds Filipe Vieira, entre outros ilustres desempenhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo contr\u00e1rio, para o PSD e o PS as elei\u00e7\u00f5es presidenciais s\u00e3o um embara\u00e7o. A op\u00e7\u00e3o do PSD pelo Marques Mendes parece um \u201cdesculpem l\u00e1, mas n\u00e3o arranj\u00e1mos nada melhor\u201d, enquanto nas hostes do PS se tem quase ignorado a candidatura do Seguro, \u201cs\u00f3 nos faltava este\u201d. Por que raio haveria o eleitorado do PSD votar no Seguro se tem o Marques Mendes a propor o mesmo e por que raio haveria o eleitorado do PS apoiar o Seguro que prop\u00f5e o mesmo que o candidato do PSD? O original \u00e9 sempre melhor do que a c\u00f3pia. S\u00f3 o espelho e os comentadores afectos ao PSD est\u00e3o entusiasmados com a candidatura de Seguro, mas todos estes confessam preferir Marques Mendes.<\/p>\n\n\n\n<p>O entusiasmo do PS em torno da candidatura de Seguro \u00e9 similar ao que rodeou a candidatura de Maria de Bel\u00e9m numa presidencial anterior, vinda por sinal da mesma \u00e1rea partid\u00e1ria e como a mesma estrat\u00e9gia de facto consumado, s\u00f3 que desta vez n\u00e3o existe o risco de o candidato do PS ser ultrapassado pelo Tino de Rans. O PS n\u00e3o tem alternativa. Mas Seguro poder\u00e1 vir a ter de se confrontar com um desafio mais complicado, uma candidatura emergente das \u00e1reas da Esquerda.<\/p>\n\n\n\n<p>A principal fragilidade das candidaturas de Marques Mendes e de Seguro resulta do facto de n\u00e3o conseguirem atrair quem quer que seja fora das \u00e1reas a que pertencem, porque n\u00e3o t\u00eam, nem se atrevem a procurar, respostas para os problemas dissonantes das dos partidos donde emergem e de cujo apoio dependem.<\/p>\n\n\n\n<p>A Spinunviva retira moral, credibilidade e espa\u00e7o a Montenegro, inibindo-o de iniciar qualquer campanha cred\u00edvel de mudan\u00e7a no modo de funcionamento partid\u00e1rio e o novo candidato a l\u00edder do PS tamb\u00e9m n\u00e3o se interessa por esses assuntos. Com os dois grandes partidos incapazes de uma an\u00e1lise profunda dos seus problemas e da sua rela\u00e7\u00e3o com a sociedade, a campanha do Almirante, se for vitoriosa, tender\u00e1 a agravar a crise nessas hostes partid\u00e1rias. Ainda por cima, a campanha do Almirante traz na agenda o debate p\u00fablico sobre o investimento na Defesa e as amea\u00e7as e os desafios geo-estrat\u00e9gicos do Pa\u00eds e da Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>A clarifica\u00e7\u00e3o da candidatura do Almirante est\u00e1 tamb\u00e9m a causar embara\u00e7os a Ventura. O terreno social potencialmente sens\u00edvel para as mensagens do Almirante confunde-se com o do Chega, que tem hesitado, por isso, entre o apoio ao Almirante e a op\u00e7\u00e3o por uma candidatura pr\u00f3pria, neste caso, nunca do pr\u00f3prio Ventura, devido aos riscos de insucesso inerentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A campanha presidencial poder\u00e1 tamb\u00e9m vir a desencadear uma guerra entre as duas principais redes de comunica\u00e7\u00e3o privadas, a SIC\/Expresso e a CNN\/TVI. A primeira tender\u00e1 a apoiar Marques Mendes, seu comentador residente e do partido de Balsem\u00e3o. A segunda est\u00e1 j\u00e1 presente, em for\u00e7a e ao mais alto n\u00edvel, na candidatura do Almirante, atrav\u00e9s do seu dono.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa perspectiva bondosa, uma eventual vit\u00f3ria do Almirante poderia desencadear uma revolu\u00e7\u00e3o interna nos dois maiores partidos democr\u00e1ticos. Mas, realisticamente, teme-se que possa s\u00f3 degenerar num problema adicional para a democracia. Esta segunda hip\u00f3tese \u00e9 a mais cred\u00edvel. A primeira marcha de \u201cregenera\u00e7\u00e3o\u201d, protagonizada em Portugal pelo PRD de Eanes, nem deixou saudades nem descend\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em caso de vit\u00f3ria, o Almirante poderia vir a reclamar-se de um mandato independente dos partidos, de uma legitimidade pr\u00f3pria, vinda de uma maioria pr\u00f3pria, em torno das solu\u00e7\u00f5es que prop\u00f5e, podendo ser acudido por tenta\u00e7\u00f5es populistas, em confronto com os partidos e pisando os terrenos do Executivo. J\u00e1 vimos este filme. Estas tenta\u00e7\u00f5es tenderiam a crescer \u00e0 medida que fosse constatando a sua incapacidade para corresponder \u00e0s expectativas sociais criadas pela sua elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes desenvolvimentos s\u00e3o facilmente antecip\u00e1veis, tendo em conta que o Pa\u00eds n\u00e3o disp\u00f5e de capacidade para corresponder, a curto prazo, aos anseios, por muito justos que sejam, de diferentes camadas sociais: nem subida significativa dos rendimentos de todos, nem empregos suficientes para os jovens licenciados, nem reformas dignas para os reformados, nem melhores condi\u00e7\u00f5es e melhores remunera\u00e7\u00f5es para os trabalhadores p\u00fablicos, nem habita\u00e7\u00e3o abundante e acess\u00edvel, nem os investimentos indispens\u00e1veis para a melhoria significativa na presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos. As restri\u00e7\u00f5es vir\u00e3o da economia, num ambiente de estagna\u00e7\u00e3o da economia europeia, de conflitos, guerras e crise mundial, com Trump a espatifar a credibilidade do Ocidente, como s\u00f3 ele \u00e9 capaz de fazer.<\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento econ\u00f3mico nacional tem sido liderado pelo turismo e por sectores de m\u00e3o de obra barata, gerando empregos menos exigentes em qualifica\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas, sendo a oferta nacional deste tipo de m\u00e3o de obra, para os n\u00edveis remunerat\u00f3rios propostos, insuficiente para corresponder \u00e0s necessidades empresariais.<\/p>\n\n\n\n<p>Da\u00ed, o recurso crescente a imigrantes, com os inevit\u00e1veis impactos sociais a que nos vamos habituando. As empresas desses sectores anunciam mesmo que precisam de muitos mais.<\/p>\n\n\n\n<p>A natureza da candidatura do Almirante e a incapacidade mobilizadora da candidatura de Seguro junto das fileiras do PS, t\u00eam criado um espa\u00e7o \u00e0 Esquerda para uma candidatura aglutinadora. A candidatura de Sampaio da N\u00f3voa parece estar a ser a mais desejada.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta ou outra candidatura similar ter\u00e1 sempre um elefante na sala: as op\u00e7\u00f5es geoestrat\u00e9gicas da Europa e de Portugal, as amea\u00e7as russas e chinesas e o consequente investimento na Defesa, temas incontorn\u00e1veis no actual contexto pol\u00edtico, que a campanha do Almirante ir\u00e1, seguramente, introduzir. Ora as posi\u00e7\u00f5es na Esquerda, sobre este tema, v\u00e3o do apoio \u00e0 Ucr\u00e2nia e ao refor\u00e7o do investimento em Defesa na Europa democr\u00e1tica, vindos sobretudo das \u00e1reas do PS e do Livre, at\u00e9 ao pacifismo, \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o das amea\u00e7as russas, \u00e0 justifica\u00e7\u00e3o da sua agress\u00e3o \u00e0 Ucr\u00e2nia e at\u00e9 \u00e0 toler\u00e2ncia para com a pr\u00f3pria natureza ditatorial e imperial do regime de Putin, muito presentes nas \u00e1reas do BE e em especial da CDU.<\/p>\n\n\n\n<p>Desconhe\u00e7o o que Sampaio da N\u00f3voa pensa sobre estes temas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Foto de destaque \u00a9 do site Honrar Portugal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OPINI\u00c3O &#8211; Presidenciais 2026 Francisco Melro 2 de Julho de 2025 O fruto estava bem&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14196,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[238,99],"tags":[296],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/goubeia-e-melo-lancamento.jpg",2132,1104,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/goubeia-e-melo-lancamento-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/goubeia-e-melo-lancamento-300x155.jpg",300,155,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/goubeia-e-melo-lancamento-768x398.jpg",640,332,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/goubeia-e-melo-lancamento-1024x530.jpg",640,331,true],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/goubeia-e-melo-lancamento-1536x795.jpg",1536,795,true],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/goubeia-e-melo-lancamento-2048x1061.jpg",2048,1061,true],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/goubeia-e-melo-lancamento-1115x715.jpg",1115,715,true],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/goubeia-e-melo-lancamento-800x500.jpg",800,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/goubeia-e-melo-lancamento-1024x530.jpg",1024,530,true],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/goubeia-e-melo-lancamento-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/goubeia-e-melo-lancamento-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a>","tag_info":"OPINI\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14195"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14195"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14195\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14201,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14195\/revisions\/14201"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14196"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}