{"id":14577,"date":"2025-08-08T18:33:48","date_gmt":"2025-08-08T18:33:48","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=14577"},"modified":"2025-08-08T18:39:54","modified_gmt":"2025-08-08T18:39:54","slug":"o-chega-cresce-onde-a-esperanca-se-desvanece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2025\/08\/08\/o-chega-cresce-onde-a-esperanca-se-desvanece\/","title":{"rendered":"O Chega cresce onde a esperan\u00e7a se desvanece"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">OPINI\u00c3O &#8211; Poder\u00e1 o essencial estar a escapar aos partidos do poder?<\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2025-08-08T18:33:48+00:00\">8 de Agosto, 2025<\/time><\/div>\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-black-color has-luminous-vivid-amber-background-color has-text-color has-background\">TRIBUNA  <br>O QUE FAZ CRESCER A EXTREMA-DIREITA EM PORTUGAL E NO MUNDO?<\/h4>\n\n\n\n<div style=\"height:24px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Por Nelson Dias, perito do Banco Mundial em participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3<\/h3>\n\n\n\n<div style=\"height:45px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>O crescimento do partido Chega transformou, em poucos anos, o sistema pol\u00edtico portugu\u00eas. Com uma ret\u00f3rica agressiva, populista, divisionista e securit\u00e1ria, esse partido ocupou um espa\u00e7o que os tradicionais e muitos analistas erradamente consideravam marginal.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es legislativas de 2025, o Chega alcan\u00e7ou 22,56% dos votos e 60 deputados eleitos, tornando-se numa das for\u00e7as pol\u00edticas com maior express\u00e3o no pa\u00eds e na Assembleia da Rep\u00fablica, vencendo em regi\u00f5es inteiras e atraindo eleitorado popular, rural e urbano.<\/p>\n\n\n\n<p>Frente ao progressivo crescimento do Chega, as for\u00e7as pol\u00edticas do designado \u201carco da governa\u00e7\u00e3o\u201d adotaram uma estrat\u00e9gia de distanciamento e rejei\u00e7\u00e3o face aos conte\u00fados program\u00e1ticos e \u00e0 postura institucional do partido.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta aposta, no entanto, n\u00e3o tem surtido o efeito esperado.<\/p>\n\n\n\n<p>O Chega continua a crescer, impondo uma pergunta incontorn\u00e1vel: poder\u00e1 o essencial estar a escapar aos partidos do poder? Procurarei responder a esta quest\u00e3o ao longo das linhas que se seguem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O combate moral \u00e9 necess\u00e1rio, mas insuficiente<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A atitude dominante das principais for\u00e7as pol\u00edticas perante o Chega tem sido de condena\u00e7\u00e3o moral.<\/p>\n\n\n\n<p>Sentenciam o discurso xen\u00f3fobo e racista, as propostas autorit\u00e1rias, a agressividade verbal, o desprezo pelas institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e pelos direitos fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta condena\u00e7\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel e deve ser firme e clara. No entanto, ela tem-se revelado insuficiente como resposta pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos dos eleitores do Chega n\u00e3o se reveem na sua ideologia, mas votam nele por frustra\u00e7\u00e3o, desilus\u00e3o ou protesto.<\/p>\n\n\n\n<p>O discurso moralizante dos partidos do poder pode ser percebido por estes cidad\u00e3os como uma nova forma de elitismo: em vez de ouvirem as suas queixas, limitam-se a dizer-lhes que est\u00e3o errados.<\/p>\n\n\n\n<p>No entendimento de muitos, \u00e9 aqui que o Chega progride, pois aparece como o \u00fanico partido que, segundo esses, \u201cdiz a verdade\u201d e \u201cdiz o que o povo sente\u201d, mesmo que cometa abusos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O vazio pol\u00edtico: como o Chega ocupa os \u201cterrit\u00f3rios abandonados\u201d<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O crescimento do Chega exp\u00f5e um problema bem mais profundo: a eros\u00e3o da presen\u00e7a pol\u00edtica dos partidos tradicionais nos territ\u00f3rios mais fr\u00e1geis.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante d\u00e9cadas, PS e PSD foram-se afastando dos territ\u00f3rios rurais, das periferias urbanas, das regi\u00f5es empobrecidas. Muitas sec\u00e7\u00f5es perderam vitalidade e relev\u00e2ncia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Diversos eleitos locais ficaram isolados e algumas estruturas interm\u00e9dias deixaram de estar \u00e0 escuta.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste vazio, surgem movimentos que exploram o ressentimento social. O Chega n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um partido com presen\u00e7a medi\u00e1tica; \u00e9 tamb\u00e9m uma estrutura que aprendeu a capitalizar a aus\u00eancia dos outros.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>Onde o Estado falha na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, onde os sal\u00e1rios s\u00e3o reduzidos, onde a habita\u00e7\u00e3o \u00e9 inating\u00edvel e onde os partidos tradicionais se mostram ausentes ou indiferentes, cresce o voto no Chega.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Esta vis\u00e3o do \u201cproblema\u201d leva a considerar que existem alguns fatores essenciais que podem estar a escapar \u00e0s principais for\u00e7as do regime democr\u00e1tico, dos quais destaco:<\/p>\n\n\n\n<ul>\n<li>O desprezo por uma atitude de escuta ativa, que permita compreender verdadeiramente o descontentamento social sem o desqualificar como \u201ccorporativista\u201d, \u201csindical\u201d ou \u201cpopulista\u201d. Esta postura tende a ignorar que h\u00e1 uma parte do pa\u00eds que n\u00e3o se sente representada por ningu\u00e9m;<\/li>\n\n\n\n<li>A perda de presen\u00e7a territorial e dos la\u00e7os de proximidade. Sem contacto direto e cont\u00ednuo com a realidade das pessoas, a pol\u00edtica tornou-se distante, institucionalizada e, aos olhos de muitos, autocentrada e elitista;<\/li>\n\n\n\n<li>A aus\u00eancia de um projeto mobilizador. O discurso pol\u00edtico tem primado por narrativas excessivamente tecnocratas e reativas, constru\u00eddas para audit\u00f3rios televisivos e para as redes sociais. Para muitas pessoas parece faltar uma vis\u00e3o clara de futuro, um discurso mobilizador, uma promessa coletiva que v\u00e1 al\u00e9m da mera gest\u00e3o do Estado e do poder.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<div style=\"height:41px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"678\" data-id=\"14578\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta2-1024x678.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14578\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta2-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta2-300x199.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta2-768x508.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta2-1536x1017.jpg 1536w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta2.jpg 1994w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Foto DR<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:33px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>As vidas que n\u00e3o saem da \u201ccepa torta\u201d<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Uma an\u00e1lise cruzada dos indicadores concelhios de qualidade de vida<a href=\"https:\/\/www.sulinformacao.pt\/2025\/06\/o-chega-cresce-onde-a-esperanca-se-desvanece\/?fbclid=IwY2xjawMDFTZleHRuA2FlbQIxMABicmlkETFhOWVKQ3NMY1pRMlphUTFOAR6_TTeVHAgFAN1W5rFlPPhxIWHB15SyQy-exOCfpSh7P7t1rJV9X2_Y-csi4A_aem_fsBg7LMt0zHMg73Z0APkOw#_ftn1\">[1]<\/a>, com os resultados das elei\u00e7\u00f5es legislativas de 2025, em particular da vota\u00e7\u00e3o percentual obtida pelo Chega, permite extrair algumas reflex\u00f5es, calcular correla\u00e7\u00f5es e identificar padr\u00f5es territoriais de maior ou menor ades\u00e3o ao discurso da extrema-direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados desta an\u00e1lise apontam para uma correla\u00e7\u00e3o negativa moderada entre a vota\u00e7\u00e3o no Chega e os indicadores de qualidade de vida. Isto significa que, em geral, os concelhos que apresentam melhores condi\u00e7\u00f5es de vida \u2013 medidas por n\u00edveis de rendimento, emprego, acesso a servi\u00e7os e forma\u00e7\u00e3o escolar \u2013 tendem a votar menos neste partido.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta tend\u00eancia \u00e9 ainda mais evidente quando se analisa o \u00edndice de dinamismo econ\u00f3mico, refor\u00e7ando a hip\u00f3tese de que a inseguran\u00e7a financeira dos indiv\u00edduos poder\u00e1 ser um dos fatores que alimentam a ades\u00e3o a discursos populistas e autorit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, concelhos com piores indicadores socioecon\u00f3micos \u2013 especialmente no interior do pa\u00eds, em territ\u00f3rios com popula\u00e7\u00e3o envelhecida, maior taxa de abandono escolar e menor capacidade de atrair investimento \u2013 registam frequentemente vota\u00e7\u00f5es acima da m\u00e9dia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta distribui\u00e7\u00e3o territorial do voto extremista parece dar continuidade a um padr\u00e3o identificado noutros pa\u00edses europeus, onde o populismo de extrema-direita se instala com mais for\u00e7a em contextos de descontentamento social, fragilidade institucional e perce\u00e7\u00e3o de abandono pelo Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Por compara\u00e7\u00e3o, Oeiras, Lisboa, Porto e Coimbra s\u00e3o exemplos de concelhos com indicadores de qualidade de vida elevados e com vota\u00e7\u00e3o no Chega significativamente abaixo da m\u00e9dia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contraste, nos 29 concelhos<a href=\"https:\/\/www.sulinformacao.pt\/2025\/06\/o-chega-cresce-onde-a-esperanca-se-desvanece\/?fbclid=IwY2xjawMDFTZleHRuA2FlbQIxMABicmlkETFhOWVKQ3NMY1pRMlphUTFOAR6_TTeVHAgFAN1W5rFlPPhxIWHB15SyQy-exOCfpSh7P7t1rJV9X2_Y-csi4A_aem_fsBg7LMt0zHMg73Z0APkOw#_ftn2\">[2]<\/a>&nbsp;onde ultrapassou a fasquia de 30% dos votos, sendo o vencedor das elei\u00e7\u00f5es, verifica-se um padr\u00e3o consistente de associa\u00e7\u00e3o entre baixos indicadores de desenvolvimento socioecon\u00f3mico e elevados n\u00edveis de vota\u00e7\u00e3o no partido.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados analisados incidem sobre tr\u00eas dimens\u00f5es: rendimento m\u00e9dio mensal, taxa de desemprego e n\u00edvel de escolaridade superior.<\/p>\n\n\n\n<p>Na an\u00e1lise em apre\u00e7o verifica-se uma correla\u00e7\u00e3o negativa moderada entre o rendimento m\u00e9dio da popula\u00e7\u00e3o e a vota\u00e7\u00e3o no Chega.<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, os concelhos com rendimentos mais baixos \u2013 como Mour\u00e3o, Sousel ou Alter do Ch\u00e3o \u2013 registam vota\u00e7\u00f5es mais expressivas no partido.<\/p>\n\n\n\n<p>Este padr\u00e3o sugere que a prefer\u00eancia dos eleitores por esta for\u00e7a pol\u00edtica tende a ser mais forte em territ\u00f3rios com menor capacidade econ\u00f3mica e maiores n\u00edveis de vulnerabilidade financeira.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise evidencia tamb\u00e9m uma correla\u00e7\u00e3o positiva entre a taxa de desemprego e a vota\u00e7\u00e3o no Chega. Concelhos com taxas de desemprego mais elevadas apresentam, de forma sistem\u00e1tica, n\u00edveis mais altos de apoio eleitoral ao partido.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta tend\u00eancia refor\u00e7a a ideia de que o voto no Chega pode ser interpretado como express\u00e3o de descontentamento em contextos de precariedade laboral e inseguran\u00e7a social.<\/p>\n\n\n\n<p>Constata-se ainda uma correla\u00e7\u00e3o negativa clara entre a percentagem de popula\u00e7\u00e3o com ensino superior e a vota\u00e7\u00e3o no Chega.<\/p>\n\n\n\n<p>Concelhos com n\u00edveis mais baixos de qualifica\u00e7\u00e3o escolar \u2013 como Monforte, Fronteira ou Const\u00e2ncia \u2013 tendem a votar mais no partido, significando isso que existe uma maior recetividade ao discurso populista entre popula\u00e7\u00f5es com menor escolaridade, menos acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o qualificada e menor literacia pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, a an\u00e1lise permite concluir que nos concelhos onde o Chega alcan\u00e7a os seus melhores resultados observam-se frequentemente tr\u00eas fragilidades cumulativas: baixo rendimento, elevado desemprego e fraca qualifica\u00e7\u00e3o escolar.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes dados d\u00e3o for\u00e7a \u00e0 tese de que o Chega cresce em territ\u00f3rios onde o sentimento de abandono, de perda de oportunidades e de aus\u00eancia do Estado democr\u00e1tico \u00e9 mais intenso.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>Mais do que um fen\u00f3meno meramente ideol\u00f3gico, o voto no Chega emerge como um sintoma territorial de desigualdade e exclus\u00e3o, exigindo respostas pol\u00edticas estruturantes que devolvam dignidade, reconhecimento e perspetivas de futuro a estas comunidades.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"height:37px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"590\" data-id=\"14579\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta1-1024x590.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14579\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta1-1024x590.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta1-300x173.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta1-768x443.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta1-1536x886.jpg 1536w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta1.jpg 2026w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Foto DR<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:29px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O caso do Algarve<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise dos concelhos do Algarve, onde o partido Chega foi o mais votado<a href=\"https:\/\/www.sulinformacao.pt\/2025\/06\/o-chega-cresce-onde-a-esperanca-se-desvanece\/?fbclid=IwY2xjawMDFTZleHRuA2FlbQIxMABicmlkETFhOWVKQ3NMY1pRMlphUTFOAR6_TTeVHAgFAN1W5rFlPPhxIWHB15SyQy-exOCfpSh7P7t1rJV9X2_Y-csi4A_aem_fsBg7LMt0zHMg73Z0APkOw#_ftn3\">[3]<\/a>, tamb\u00e9m permite identificar padr\u00f5es territoriais relevantes que ajudam a compreender o enraizamento deste fen\u00f3meno pol\u00edtico na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A vari\u00e1vel com maior correla\u00e7\u00e3o positiva na amostra \u00e9 a dos estrangeiros residentes, que em alguns concelhos ultrapassa os 20% do total da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>Os dados evidenciam que uma maior presen\u00e7a de imigrantes coincide com a maior vota\u00e7\u00e3o no Chega. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Esta correla\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa necessariamente rejei\u00e7\u00e3o direta, mas poder\u00e1 traduzir perce\u00e7\u00f5es de concorr\u00eancia no acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, aos servi\u00e7os p\u00fablicos ou ao mercado de trabalho, particularmente em setores mais pressionados como a constru\u00e7\u00e3o civil, a agricultura e o turismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os concelhos analisados apresentam, em geral, n\u00edveis de rendimento m\u00e9dio superiores \u00e0 m\u00e9dia nacional, refletindo a economia regional impulsionada pelo turismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, essa prosperidade m\u00e9dia n\u00e3o impede vota\u00e7\u00f5es elevadas no Chega. Este dado sugere que, no Algarve, a ades\u00e3o a este partido n\u00e3o est\u00e1 diretamente associada \u00e0 pobreza absoluta, mas antes a desigualdades internas, a bolsas significativas de pobreza, a exclus\u00f5es invis\u00edveis e um sentimento de injusti\u00e7a social.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>As popula\u00e7\u00f5es que n\u00e3o beneficiam diretamente de uma certa prosperidade econ\u00f3mica da regi\u00e3o podem sentir que os ganhos s\u00e3o desigualmente distribu\u00eddos, o que alimenta ressentimento e frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Outro dos fatores cr\u00edticos que ajuda a compreender o desconforto social no Algarve \u00e9 a explos\u00e3o dos pre\u00e7os da habita\u00e7\u00e3o, resultado de uma combina\u00e7\u00e3o entre press\u00e3o tur\u00edstica, especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, prolifera\u00e7\u00e3o do alojamento local e forte procura por parte de estrangeiros com maior poder de compra.<\/p>\n\n\n\n<p>Em alguns concelhos, os pre\u00e7os m\u00e9dios por metro quadrado e os valores de arrendamento ultrapassam largamente a capacidade financeira das fam\u00edlias, sobretudo daquelas com rendimentos baixos ou inst\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Para muitos residentes, o acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o nunca foi um direito garantido, o que contribui para um sentimento de exclus\u00e3o dentro do seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio, criando terreno f\u00e9rtil para o voto de protesto, que o Chega tem sabido capitalizar.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dos concelhos do Algarve com maior vota\u00e7\u00e3o no partido apresentam taxas de desemprego mais elevadas do que a m\u00e9dia regional.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que a correla\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja muito forte, ela indica que a precariedade laboral e a inseguran\u00e7a econ\u00f3mica s\u00e3o combust\u00edveis pol\u00edticos e funcionam como fatores de mobiliza\u00e7\u00e3o para o voto de contesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, o discurso do Chega, centrado na cr\u00edtica \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e \u00e0 \u201cinjusti\u00e7a do sistema\u201d, ganha particular tra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, verifica-se tamb\u00e9m uma correla\u00e7\u00e3o negativa entre o n\u00edvel de escolaridade e a ades\u00e3o ao Chega. Concelhos com menor propor\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o com forma\u00e7\u00e3o superior tendem a apresentar maior apoio ao partido, significando isso que n\u00edveis mais baixos de literacia pol\u00edtica e menor acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o qualificada s\u00e3o fatores que facilitam a simpatia com discursos populistas, simplificadores e polarizadores.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>Em s\u00edntese, o voto no Chega, no Algarve, pode resultar de uma conjuga\u00e7\u00e3o de fatores econ\u00f3micos, sociais e identit\u00e1rios. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a de comunidades imigrantes, as estruturais dificuldades no acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, os efeitos sociais do turismo, a precaridade, as desigualdades internas e a baixa escolaridade em certos territ\u00f3rios constroem o terreno prop\u00edcio para a ascens\u00e3o de um discurso populista e punitivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que um fen\u00f3meno marginal, o Chega afirma-se como uma for\u00e7a que explora clivagens latentes e capitaliza o mal-estar social onde o Estado \u00e9 sentido como ausente.<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta n\u00e3o pode ser apenas de rejei\u00e7\u00e3o \u2013 deve incluir pol\u00edticas p\u00fablicas territoriais, inclusivas e redistributivas, que devolvam dignidade, sentimento de perten\u00e7a e confian\u00e7a \u00e0s popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Compreender n\u00e3o \u00e9 legitimar: o Chega n\u00e3o \u00e9 solu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Compreender as raz\u00f5es do crescimento do Chega \u00e9 essencial para qualquer an\u00e1lise s\u00e9ria da democracia portuguesa. Mas \u00e9 igualmente fundamental afirmar com clareza: o Chega n\u00e3o \u00e9 e nunca vai ser a resposta aos problemas que denuncia.<\/p>\n\n\n\n<p>O partido construiu a sua ascens\u00e3o sobre o mal-estar social, o medo e a indigna\u00e7\u00e3o leg\u00edtima de muitos cidad\u00e3os, mas em vez de canalizar esse descontentamento para uma proposta de transforma\u00e7\u00e3o construtiva, o Chega converte-o em f\u00faria, em exclus\u00e3o e em divis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>Do ponto de vista ideol\u00f3gico, o partido defende posi\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias, regressivas e incompat\u00edveis com os princ\u00edpios democr\u00e1ticos e constitucionais. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Prop\u00f5e o enfraquecimento dos direitos humanos, a persegui\u00e7\u00e3o de minorias e a substitui\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a pela vingan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista program\u00e1tico, apresenta respostas simplistas para problemas complexos, baseadas na repress\u00e3o, no corte de direitos e na estigmatiza\u00e7\u00e3o de grupos vulner\u00e1veis. Estas propostas n\u00e3o apenas s\u00e3o ineficazes, como agravariam as desigualdades e as tens\u00f5es sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>No plano simb\u00f3lico, o Chega banaliza o discurso de \u00f3dio, ataca sistematicamente a diferen\u00e7a e promove um estilo de comunica\u00e7\u00e3o que destr\u00f3i a confian\u00e7a entre os cidad\u00e3os e entre estes e as institui\u00e7\u00f5es. O seu objetivo n\u00e3o \u00e9 construir, mas destruir o que existe, sem apresentar alternativa vi\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>Por tudo isto, \u00e9 fundamental dizer com firmeza: o Chega n\u00e3o \u00e9 solu\u00e7\u00e3o. \u00c9 parte do problema. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c9 o produto de um sistema que evidencia falhas significativas na capacidade de ouvir, de proteger e de incluir, mas a sua resposta \u00e9 uma promessa falsa que conduz a mais exclus\u00e3o, mais injusti\u00e7a e menos democracia.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:46px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-5 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"534\" data-id=\"14580\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/br_fuzeta4-1024x534.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14580\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/br_fuzeta4-1024x534.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/br_fuzeta4-300x156.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/br_fuzeta4-768x400.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/br_fuzeta4-1536x801.jpg 1536w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/br_fuzeta4.jpg 2026w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Foto DR<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:35px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tirar a cabe\u00e7a da areia e construir novas respostas democr\u00e1ticas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Combater o crescimento do Chega n\u00e3o passa simplesmente por rejeit\u00e1-lo. O partido cresce onde a esperan\u00e7a desaparece. Afirma-se onde o Estado n\u00e3o chega, onde a vida \u00e9 mais dura e onde a pol\u00edtica deixou de tocar as pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 urgente compreender que n\u00e3o se combate o populismo com tecnocracia, nem o ressentimento com moralismo. A \u00fanica resposta sustent\u00e1vel est\u00e1 em fazer com que a democracia volte a ser sentida como lugar de perten\u00e7a, de justi\u00e7a e de possibilidade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>N\u00e3o basta ter uma narrativa de defesa da democracia. \u00c9 preciso fazer com que as pessoas sintam que esta tamb\u00e9m as defende.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Por tudo isto \u00e9 necess\u00e1rio entender a pol\u00edtica como exerc\u00edcio de reencontro. \u00c9 urgente reconstruir o pacto democr\u00e1tico em torno de seis eixos fundamentais:<\/p>\n\n\n\n<ul>\n<li><strong>Justi\u00e7a territorial e coes\u00e3o social<\/strong>. Um programa que devolva dignidade aos territ\u00f3rios desfavorecidos, com investimento p\u00fablico, servi\u00e7os de qualidade e pol\u00edticas que combatam as assimetrias;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Direito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o digna<\/strong>. Uma estrat\u00e9gia robusta de habita\u00e7\u00e3o acess\u00edvel que caminhe a par de uma maior regula\u00e7\u00e3o do mercado e do combate \u00e0 especula\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Revaloriza\u00e7\u00e3o do trabalho<\/strong>. Uma aposta no respeito por quem trabalha e combata a precariedade e os baixos sal\u00e1rios;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Reforma da justi\u00e7a<\/strong>. O pa\u00eds necessita de um sistema judicial mais c\u00e9lere, acess\u00edvel, eficaz e sem agenda pol\u00edtica, capaz de reconstruir a confian\u00e7a dos cidad\u00e3os;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Promo\u00e7\u00e3o da cidadania ativa<\/strong>. A democracia precisa de ir muito al\u00e9m dos votos peri\u00f3dicos. A participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica efetiva deve ser incentivada, valorizada e institucionalizada como parte de uma cultura pol\u00edtica inclusiva;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Reencantamento da pol\u00edtica<\/strong>. A democracia precisa de voltar a falar ao cora\u00e7\u00e3o das pessoas, \u00e0 esperan\u00e7a e ao futuro. Precisa de l\u00edderes que inspirem e projetos que mobilizem.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A for\u00e7a do Chega n\u00e3o reside na qualidade das suas propostas, mas no aproveitamento de fragilidades acumuladas por um sistema que, em muitas circunst\u00e2ncias, n\u00e3o conseguiu proteger, escutar ou representar plenamente os cidad\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O populismo ganha terreno onde a democracia mostra sinais de cansa\u00e7o ou dist\u00e2ncia. Por isso, defend\u00ea-la hoje exige transform\u00e1-la com ambi\u00e7\u00e3o, coragem e sentido de urg\u00eancia. O tempo de adiar acabou.<\/h4>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.sulinformacao.pt\/2025\/06\/o-chega-cresce-onde-a-esperanca-se-desvanece\/?fbclid=IwY2xjawMDFTZleHRuA2FlbQIxMABicmlkETFhOWVKQ3NMY1pRMlphUTFOAR6_TTeVHAgFAN1W5rFlPPhxIWHB15SyQy-exOCfpSh7P7t1rJV9X2_Y-csi4A_aem_fsBg7LMt0zHMg73Z0APkOw#_ftnref1\">[1]<\/a>&nbsp;Organizados pela Marktest, em 2024, e que resultam de um \u00edndice composto que agrega 39 vari\u00e1veis, distribu\u00eddas por tr\u00eas dimens\u00f5es fundamentais: dinamismo demogr\u00e1fico, dinamismo econ\u00f3mico e qualidade de vida.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.sulinformacao.pt\/2025\/06\/o-chega-cresce-onde-a-esperanca-se-desvanece\/?fbclid=IwY2xjawMDFTZleHRuA2FlbQIxMABicmlkETFhOWVKQ3NMY1pRMlphUTFOAR6_TTeVHAgFAN1W5rFlPPhxIWHB15SyQy-exOCfpSh7P7t1rJV9X2_Y-csi4A_aem_fsBg7LMt0zHMg73Z0APkOw#_ftnref2\">[2]<\/a>&nbsp;Peniche (30,3%), Benavente (36,3%), Salvaterra de Magos (36,2%), Almeirim (31,8%), Montijo (31,4%), Palmela (30,3%), Sesimbra (31,0%), Const\u00e2ncia (32,7%), Ponte de S\u00f4r (30,2%), Alter do Ch\u00e3o (30,6%), Fronteira (31,6%), Sousel (32,5%), Monforte (34,7%),&nbsp;<strong>Elvas (43,5%)<\/strong>, Campo Maior (33,4%), Reguengos de Monsaraz (31,6%), Mour\u00e3o (31,9%), Moura (36,7%), Barrancos (31,0%), Viana do Alentejo (30,1%), Lagos (31,6%), Portim\u00e3o (36,8%), Lagoa (39,7%), Silves (37,6%), Albufeira (39,4%), Loul\u00e9 (33,5%), Olh\u00e3o (37,5%), Vila Real de Santo Ant\u00f3nio (38,6%) e Castro Marim (36,1%).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.sulinformacao.pt\/2025\/06\/o-chega-cresce-onde-a-esperanca-se-desvanece\/?fbclid=IwY2xjawMDFTZleHRuA2FlbQIxMABicmlkETFhOWVKQ3NMY1pRMlphUTFOAR6_TTeVHAgFAN1W5rFlPPhxIWHB15SyQy-exOCfpSh7P7t1rJV9X2_Y-csi4A_aem_fsBg7LMt0zHMg73Z0APkOw#_ftnref3\">[3]<\/a>&nbsp;Com vota\u00e7\u00f5es superiores a 30% em alguns concelhos e, em certos casos, pr\u00f3ximas dos 40%.<\/p>\n\n\n\n<p>[texto publicado no <a href=\"https:\/\/www.sulinformacao.pt\/2025\/06\/o-chega-cresce-onde-a-esperanca-se-desvanece\/\">SUL Informa\u00e7\u00e3o <\/a>como artigo de Opini\u00e3o a 3 de junho 2025]<\/p>\n\n\n\n<p>Editado por NSF &#8211; subt\u00edtulo, destaques e ilustra\u00e7\u00f5es- Fotos \u00a9 CVR &#8211; NSF | Reprodu\u00e7\u00e3o autorizada pelo autor.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"610\" height=\"642\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/nd_colaboradores.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14581\" style=\"aspect-ratio:0.9501557632398754;width:229px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/nd_colaboradores.jpg 610w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/nd_colaboradores-285x300.jpg 285w\" sizes=\"(max-width: 610px) 100vw, 610px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">     Nelson Dias<\/h2>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OPINI\u00c3O &#8211; Poder\u00e1 o essencial estar a escapar aos partidos do poder? TRIBUNA O QUE&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14582,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[238,99,455],"tags":[662],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta3.jpg",2026,1172,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta3-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta3-300x174.jpg",300,174,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta3-768x444.jpg",640,370,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta3-1024x592.jpg",640,370,true],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta3-1536x889.jpg",1536,889,true],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta3.jpg",2026,1172,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta3-1115x715.jpg",1115,715,true],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta3-800x500.jpg",800,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta3-1024x592.jpg",1024,592,true],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta3-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/BR_fuzeta3-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/tribuna-2\/\" rel=\"category tag\">TRIBUNA<\/a>","tag_info":"TRIBUNA","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14577"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14577"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14577\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14587,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14577\/revisions\/14587"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14582"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14577"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14577"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14577"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}