{"id":14677,"date":"2025-08-16T17:40:40","date_gmt":"2025-08-16T17:40:40","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=14677"},"modified":"2025-08-17T08:31:14","modified_gmt":"2025-08-17T08:31:14","slug":"ler-com-filipe-carmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2025\/08\/16\/ler-com-filipe-carmo\/","title":{"rendered":"Ler com Filipe Carmo"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Continuando a explorar as ideias e a vis\u00e3o de Peter Turchin<\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2025-08-16T17:40:40+00:00\">16 de Agosto, 2025<\/time><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\">Uma primeira incurs\u00e3o ao <em>Le Chaos qui Vient: \u00c9lites, Contre-\u00c9lites, et la Voie de la D\u00e9sint\u00e9gration Politique\u00a0<\/em>foi sugerida aqui no NSF com Filipe Carmo a guiar a leitura atrav\u00e9s das suas notas e reflex\u00f5es. Continua-se o exerc\u00edcio, desta feita com maior profundidade, e <strong>com alguns resumos e tabelas da nossa autoria <\/strong>[em amarelo] para apoiar o percurso que nos \u00e9 proposto por Filipe Carmo que j\u00e1 nos habituou a uma abordagem rigorosa e sistem\u00e1tica. <br>O texto explora o trabalho de Peter Turchin, destacando sua rejei\u00e7\u00e3o da ideia de \u201cgrandes g\u00e9nios\u201d como motores do progresso hist\u00f3rico, e a sua transi\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias naturais para o desenvolvimento da Cliodin\u00e2mica, campo que integra Hist\u00f3ria, Matem\u00e1tica e Ci\u00eancias Sociais para modelar e prever crises em sociedades humanas. Aponta, como Turchin previu, a instabilidade nos EUA em 2020, analisando causas estruturais recorrentes como sobreprodu\u00e7\u00e3o de elites, empobrecimento das massas e fal\u00eancia da autoridade central. O texto discute ainda a import\u00e2ncia das a\u00e7\u00f5es coletivas, o papel das ideologias, a integra\u00e7\u00e3o social e o valor da multidisciplinaridade na pesquisa, ressaltando que a Cliodin\u00e2mica ainda est\u00e1 em amadurecimento, sendo crucial o debate e a cr\u00edtica para seu desenvolvimento.\u00a0 <em>CVR- NSF Cood. Editorial <\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Por Filipe Carmo<\/h3>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">PREF\u00c1CIO por Peggy Sastre&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Turchin evidencia relut\u00e2ncia em atribuir progressos cient\u00edficos, em particular nas \u00e1reas pol\u00edtica, social, econ\u00f3mica, a g\u00e9nios, homens providenciais. \u00c9 algo que se aplica a quem usa o seu c\u00e9rebro exaustivamente para apreender a realidade na sua vasta e dur\u00e1vel complexidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os g\u00e9nios s\u00e3o simples sintomas de movimentos claramente estruturais da esp\u00e9cie humana e das suas sociedades. Algo que j\u00e1 se verifica h\u00e1 uma dezena de milhares de anos. Assim, as grandes figuras s\u00e3o apenas o resultado de uma s\u00e9rie de conting\u00eancias e de vari\u00e1veis nelas imbricadas que ocorreram num local adequado e num bom momento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tais indiv\u00edduos poder\u00e3o ter tido uma ac\u00e7\u00e3o decisiva sobre a evolu\u00e7\u00e3o das coisas, dos acontecimentos, mas n\u00e3o se ter\u00e1 tratado sen\u00e3o de uma gota de \u00e1gua que fez entornar um recipiente. Ou seja, uma \u00faltima dedada que levar\u00e1 enfim a que algo que j\u00e1 estava em curso desde h\u00e1 muito tempo tenha ent\u00e3o adquirido uma forma que reveste uma muito not\u00e1vel import\u00e2ncia na sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Refer\u00eancias ao passado de Turchin e sua fam\u00edlia {em particular o pai (f\u00edsico, cibern\u00e9tico e pioneiro da intelig\u00eancia artificial), cuja carreira conduz a persegui\u00e7\u00e3o pelo KGB e o leva, com a sua fam\u00edlia, a exilar-se e, ap\u00f3s algumas perip\u00e9cias, a conseguir um posto de professor e investigador na Universidade de Col\u00fambia em Outubro de 1977}. Piotr (que na altura tem 20 anos e altera o seu nome para Peter Turchin) envereda por uma carreira de bi\u00f3logo te\u00f3rico (estudando a din\u00e2mica das popula\u00e7\u00f5es nos insectos e nos mam\u00edferos), mas, em 1997, farto de ter encontrado respostas \u00e0 maioria das quest\u00f5es que o empurraram para tal via, aproveita as facilidades que encontra na Universidade de Connecticut e muda-se para um novo campo: sai das ci\u00eancias naturais e entra nas ci\u00eancias humanas e sociais. E, seis anos depois, acompanhado por colegas que haviam optado pelas ci\u00eancias da complexidade, cria um novo campo de investiga\u00e7\u00f5es que combina a Hist\u00f3ria, as ci\u00eancias da evolu\u00e7\u00e3o e as matem\u00e1ticas aplicadas: a ent\u00e3o designada Cliodin\u00e2mica: uma explora\u00e7\u00e3o de dados, cuja quantidade pode chegar aos milh\u00f5es, para conceber um modelo matem\u00e1tico que viesse a permitir compreender e fazer previs\u00f5es relativas \u00e0 traject\u00f3ria do sistema indubitavelmente mais complexo que existe: uma sociedade humana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\"><tbody><tr><td><strong>Pessoa<\/strong>&nbsp;<\/td><td><strong>Rela\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;<\/td><td><strong>Profiss\u00e3o\/\u00c1rea<\/strong>&nbsp;<\/td><td><strong>Evento\/Realiza\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;<\/td><td><strong>Ano<\/strong>&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>Pai de Turchin&nbsp;<\/td><td>Pai&nbsp;<\/td><td>F\u00edsico, cibern\u00e9tico, pioneiro da intelig\u00eancia artificial&nbsp;<\/td><td>Persegui\u00e7\u00e3o pelo KGB, ex\u00edlio, professor\/investigador na Universidade de Col\u00fambia&nbsp;<\/td><td>Outubro de 1977&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>Piotr\/Peter Turchin&nbsp;<\/td><td>Filho&nbsp;<\/td><td>Bi\u00f3logo te\u00f3rico&nbsp;<\/td><td>Estudo da din\u00e2mica das popula\u00e7\u00f5es em insectos e mam\u00edferos&nbsp;<\/td><td>&#8211;&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>Peter Turchin&nbsp;<\/td><td>Filho&nbsp;<\/td><td>Cientista social&nbsp;<\/td><td>Mudan\u00e7a para ci\u00eancias humanas e sociais na Universidade de Connecticut&nbsp;<\/td><td>1997&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>Peter Turchin e colegas&nbsp;<\/td><td>&#8211;&nbsp;<\/td><td>Cientistas da complexidade&nbsp;<\/td><td>Cria\u00e7\u00e3o da Cliodin\u00e2mica, combina\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3ria, ci\u00eancias da evolu\u00e7\u00e3o e matem\u00e1ticas aplicadas&nbsp;<\/td><td>Seis anos depois de 1997&nbsp;<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, um pouco mais tarde, em 2010, num artigo numa revista e aplicando o modelo referido, Turchin utiliza os seus c\u00e1lculos para mostrar que a sociedade americana iria estar sujeita cerca de 2020 a um pico de instabilidade econ\u00f3mica, social e pol\u00edtica. Como, mas como, seria isso aceit\u00e1vel para quem segue as realidades deste Mundo Novo que, precisamente em 2010, acreditavam que viviam uma idade de ouro em que n\u00e3o s\u00f3 o progresso tecnol\u00f3gico era evidente como aspectos negativos das realidades pol\u00edticas e sociais \u2013 como as existentes com tiranias e fontes de disc\u00f3rdia nos dom\u00ednios raciais e sexuais \u2013 estavam em curso de desaparecer do quotidiano. O que, como primeiro opinava Luther King e mais recentemente Obama, sendo o arco do universo moral bastante longo, ele tendia de modo resoluto para a justi\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se chegou a 2020, na Am\u00e9rica, n\u00e3o foi poss\u00edvel ignorar o conjunto de ocorr\u00eancias que determinaram uma clara instabilidade econ\u00f3mica, social e pol\u00edtica. Instabilidade essa em concord\u00e2ncia com o que haviam calculado os \u201ccliodinamistas\u201d (termo que eu prefiro a cliodin\u00e2micos). Foi de facto um ano ca\u00f3tico em que se destacam acontecimentos violentos (derivados do Covid-19 \u2013 oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s vacinas e aos confinamentos \u2013, confrontos entre antifascistas e extremistas de direita e partid\u00e1rios de Trump a invadir o Capit\u00f3lio j\u00e1 no in\u00edcio de 2021). Tudo isto de caracter\u00edsticas algo superficiais; no entanto, se tentarmos avaliar em termos de profundidade (situa\u00e7\u00e3o em que tendemos a ver indefini\u00e7\u00e3o, confus\u00e3o), as causas da crise n\u00e3o deixam de se parecer com todas aquelas com que se defrontaram as sociedades humanas desde que \u00e9 poss\u00edvel estud\u00e1-las. Tal como faz Turchin com os seus estudos (incidentes sobre o per\u00edodo iniciado h\u00e1 10 mil anos e muito em particular a \u00faltima metade desse per\u00edodo, a das \u201cultra-sociedades\u201d em que j\u00e1 existem Estados), em que d\u00e1 relevo particular aos colapsos ou meros abalos estatais iniciados com a Saint-Barth\u00e9lemy (1572), a Revolu\u00e7\u00e3o francesa (desencadeada em 1789), a revolta dos Taiping na China (1851-64) e a guerra de Secess\u00e3o americana (1861-65).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E Turchin acrescenta que todos esses colapsos ou abalos s\u00e3o precedidos de um mesmo cocktail de causas estruturais:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Conflitos entre poderosos oriundos de uma sobreprodu\u00e7\u00e3o de elites&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Descontentamento das massas provocado por um empobrecimento das classes populares&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fal\u00eancia da autoridade central causada pela sua fr\u00e1gil sa\u00fade fiscal e um sistema profundamente injusto de extrac\u00e7\u00e3o de riqueza que deixa (quase) toda a gente \u00e0 beira de um ataque de nervos, incitando os mais revoltados \u2013 cada vez mais numerosos \u2013 a querer cortar cabe\u00e7as, dando livre curso a essa t\u00e3o peculiar propens\u00e3o humana que \u00e9 a busca de desculpas para odiar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tais causas constituem factores que tendem a provocar o caos, situa\u00e7\u00e3o em que \u00e0s elites que controlam o poder pol\u00edtico tendem a opor-se contra-elites, grupos de indiv\u00edduos em geral provenientes de etnias ou classes sociais diferentes das que det\u00eam o dito poder. Tais elites procuram naturalmente influenciar as massas populacionais que se sentem crescentemente desprovidas de controlo sobre as condi\u00e7\u00f5es do seu quotidiano e v\u00eaem com bons olhos esfor\u00e7os no sentido de derrubar o poder instalado. E \u00e9 com a percep\u00e7\u00e3o dessa realidade e tendo presente a perspectiva enunciada por um autor americano \u2013&#8221;Politics is the gentle art of getting votes from the poor and campaign funds from the rich, by promising to protect each from the other&#8221; (Oscar Ameringer, que viveu de 1870 a 1943) \u2013 que Turchin parece ir trabalhar no livro Le Chaos qui Vient: \u00c9lites, Contre-\u00c9lites, et la Voie de la D\u00e9sint\u00e9gration Politique.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\"><tbody><tr><td><strong>Fator<\/strong>&nbsp;<\/td><td><strong>Descri\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>Conflitos entre poderosos&nbsp;<\/td><td>Sobreprodu\u00e7\u00e3o de elites&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>Descontentamento das massas&nbsp;<\/td><td>Empobrecimento das classes populares&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>Fal\u00eancia da autoridade central&nbsp;<\/td><td>Fr\u00e1gil sa\u00fade fiscal e sistema injusto de extrac\u00e7\u00e3o de riqueza&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>Caos&nbsp;<\/td><td>Elites op\u00f5em-se a contra-elites de etnias ou classes sociais diferentes&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>Influ\u00eancia sobre massas&nbsp;<\/td><td>Elites procuram influenciar massas desprovidas de controlo&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>Cita\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/td><td>Politics is the gentle art of getting votes from the poor and campaign funds from the rich, by promising to protect each from the other (Oscar Ameringer, 1870-1943)&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>Livro&nbsp;<\/td><td>Le Chaos qui Vient: \u00c9lites, Contre-\u00c9lites, et la Voie de la D\u00e9sint\u00e9gration Politique&nbsp;<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Entrevista a Turchin por Peggy Sastre (primeira parte)&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>A Fran\u00e7a menos avan\u00e7ada na via do caos que os EUA&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A resist\u00eancia que o Estado op\u00f4s aos Gilets Jaunes s\u00f3 foi poss\u00edvel porque n\u00e3o havia contra-elites bem organizadas e dispostas a derrubar o poder. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Havendo manifesta\u00e7\u00e3o de estranheza devido ao facto de em Fran\u00e7a n\u00e3o ter havido interesse em conhecer, seguir, os trabalhos no dom\u00ednio cient\u00edfico em que Turchin se notabiliza, o autor pensa ser poss\u00edvel que a raz\u00e3o esteja associada ao facto de o pa\u00eds ter tido uma grande escola hist\u00f3rica como a dos Annales. Ou ent\u00e3o porque os historiadores e investigadores franceses em ci\u00eancias sociais n\u00e3o gostam de comunicar em ingl\u00eas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sabendo-se que, em princ\u00edpio, o facto de n\u00e3o ter nascido nos EUA ter\u00e1 dado a Turchin alguma vantagem para poder compreender o estado em que se encontra esse pa\u00eds, o autor recorre a ideias que ocorrem na fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para se poder avan\u00e7ar nos estudos da din\u00e2mica das civiliza\u00e7\u00f5es humanas. \u00c9 que, para estudiosos que se encontrem longe da Terra, existe a possibilidade de estarem em condi\u00e7\u00f5es de propor e testar empiricamente, sem paix\u00e3o e sem se preocuparem de detalhes como o politicamente correcto, teorias sobre as sociedades humanas. E isso \u00e9 essencial porque os preconceitos ideol\u00f3gicos nos impedem de chegar \u00e0 verdade; tudo isso devido a que \u00e9 necess\u00e1rio compreender \u00e0 partida as causas profundas dos problemas que se quer resolver. Para isso \u00e9 essencial come\u00e7ar por uma compreens\u00e3o desprovida de paix\u00e3o e, a seguir, perceber como nos devemos servir dessa compreens\u00e3o para melhorar a vida para a maioria dos humanos. Turchin ter\u00e1 decidido contribuir sobretudo para a primeira etapa e da\u00ed procurar adoptar n\u00e3o s\u00f3 uma atitude pol\u00edtica t\u00e3o neutra quanto poss\u00edvel, ficando tamb\u00e9m satisfeito por n\u00e3o ter vivido mais jovem nos EUA, o que lhe ter\u00e1 permitido n\u00e3o ter subscrito os preconceitos culturais americanos sem se aperceber disso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Confrontado com a possibilidade de os indiv\u00edduos virem a ser influenciados com a possibilidade de as suas investiga\u00e7\u00f5es os perturbarem no sentido de ficarem conscientes de que contam muito pouco (tornando-se meros joguetes de for\u00e7as impessoais), Turchin refere o desejo de muitos leitores de saber mais sobre a nossa sociabilidade \u00fanica e sobre a maneira como os humanos desenvolveram a capacidade de cooperarem no seio de imensos grupos de indiv\u00edduos geneticamente n\u00e3o aparentados. Face a tal desejo, ele sugere a leitura do seu livro Ultrasociety. O facto \u00e9 que os humanos s\u00e3o seres intensamente sociais (e n\u00e3o meros \u201c\u00e1tomos sociais\u201d, indiv\u00edduos isolados), o que significa que n\u00f3s realizamos o nosso pleno potencial ao colaborar em grupo. E, para sair de uma crise, ser\u00e1 necess\u00e1ria uma ac\u00e7\u00e3o concertada por parte de grupos que cooperem sob a direc\u00e7\u00e3o de l\u00edderes pr\u00f3-sociais. Assim, cada um de n\u00f3s pode envidar esfor\u00e7os no sentido de uma mudan\u00e7a positiva ao juntar-se a, ou mesmo dirigir, um movimento social.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">Resumo da apresenta\u00e7\u00e3o do livro Ultrasociety&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">As ideias centrais de Turchin sobre coopera\u00e7\u00e3o humana&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">Turchin destaca, na apresenta\u00e7\u00e3o do livro <em>Ultrasociety<\/em>, que a humanidade se distingue pela sua intensa sociabilidade, sendo capaz de formar grandes grupos de coopera\u00e7\u00e3o entre indiv\u00edduos n\u00e3o aparentados geneticamente. Segundo o autor, a nossa capacidade de colaborar em larga escala revela que realizamos o nosso verdadeiro potencial enquanto grupo, e n\u00e3o como entidades isoladas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">Para enfrentar crises profundas, Turchin argumenta que \u00e9 necess\u00e1ria uma a\u00e7\u00e3o concertada, liderada por grupos e l\u00edderes pr\u00f3-sociais, refor\u00e7ando que as mudan\u00e7as positivas dependem da mobiliza\u00e7\u00e3o coletiva. Esta vis\u00e3o contrasta com a ideia do indiv\u00edduo isolado, insistindo que a cultura e a integra\u00e7\u00e3o social s\u00e3o essenciais para o pleno desenvolvimento humano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">Assim, <em>Ultrasociety<\/em> prop\u00f5e que compreender a din\u00e2mica social e agir de forma colaborativa s\u00e3o caminhos fundamentais para superar desafios e promover o bem-estar da maioria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Confrontado ainda, face \u00e0 import\u00e2ncia que atribui \u00e0 ac\u00e7\u00e3o organizada, com uma poss\u00edvel desvaloriza\u00e7\u00e3o das ideologias, Turchin explicita que h\u00e1 boas e m\u00e1s ideologias, considerando que, em particular e por exemplo, o darwinismo social dos anos 1900 \u00e9 uma m\u00e1 ideologia. E esclarece a sua posi\u00e7\u00e3o afirmando que o conhecimento do conte\u00fado das ideologias professadas por diversos grupos revolucion\u00e1rios n\u00e3o constitui uma linha \u00fatil a seguir para compreender as suas ac\u00e7\u00f5es e o seu sucesso final. Ser\u00e1 que tais grupos acreditam, de modo sincero, nos maravilhosos slogans que avan\u00e7am? Ou ent\u00e3o o conte\u00fado de tais ideologias \u00e9 bastante male\u00e1vel e pode ser alterado de um momento para o outro. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><\/strong>&nbsp;<br><strong>E Turchin, que diz desenvolver tais quest\u00f5es mais \u00e0 frente no seu livro, d\u00e1 como exemplo o slogan dos bolcheviques quando chegam ao poder (\u201ca terra aos camponeses!\u201d), o que \u00e9 seguido, dez anos mais tarde, pela colectiviza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, e que equivaleu, de facto, a um regresso \u00e0 servid\u00e3o\u2026<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Turchin refere tamb\u00e9m que existem indiv\u00edduos livres, no sentido de n\u00e3o se filiarem em nenhum grupo (o que dever\u00e1 equivaler a \u201cnenhum partido\u201d), mas acha que eles n\u00e3o s\u00e3o verdadeiramente humanos. Tal como os Mowgli (tal como foram designadas crian\u00e7as selvagens descritas em livros publicados por um autor no final do s\u00e9culo XIX), que eram criaturas completamente pat\u00e9ticas. \u00c9 que, para ser plenamente humano, \u00e9 preciso crescer na sociedade, ou seja, ser \u201caculturado\u201d. A cultura \u00e9 muito importante, pelo menos tanto como os genes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o autor, todas as eras ca\u00f3ticas s\u00e3o precedidas de uma sucess\u00e3o de conflitos entre elites e a situa\u00e7\u00e3o que actualmente vivemos n\u00e3o \u00e9 excep\u00e7\u00e3o. E ser\u00e1 aparentemente positivo que em vez de solu\u00e7\u00f5es para tais conflitos caracterizados sistematicamente, como em casos conhecidos do passado, por mortes de um lado e&nbsp;de outro \u2013 sejam elas causadas por assassinatos ou por duelos (tenhamos presente a hist\u00f3ria dos Tr\u00eas Mosqueteiros) ou ainda sangrentos tumultos citadinos (por exemplo, o que se passou com os irm\u00e3os Gracos na Roma Antiga) \u2013, tenham passado a ocorrer meros assassinatos de reputa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Entrevista a Turchin por Peggy Sastre (segunda parte)&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Referindo-se ao excesso populacional[1], Turchin considera que era muito mais importante no decurso do per\u00edodo pr\u00e9-industrial[2]. Considera, por outro lado, que o despovoamento, com alguma frequ\u00eancia a consequ\u00eancia de uma crise nos Estados agr\u00e1rios, conduzia \u00e0 reinicializa\u00e7\u00e3o do ciclo econ\u00f3mico, diminuindo a oferta de m\u00e3o-de-obra e aumentando os sal\u00e1rios dos trabalhadores. Da\u00ed o impacto negativo sobre o sistema de acumula\u00e7\u00e3o de riquezas (e logo a diminui\u00e7\u00e3o das desigualdades), \u201creequilibrando\u201d as sociedades hist\u00f3ricas e permitindo-lhes entrar num per\u00edodo de integra\u00e7\u00e3o (caracterizado pelo bem-estar crescente da maioria populacional, pela paz interna e uma maior ordem).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Colocado perante a realidade de a civiliza\u00e7\u00e3o industrial ter conduzido ao crescimento econ\u00f3mico e tornado menos explosivo o cocktail da acumula\u00e7\u00e3o de riquezas, diminu\u00eddo tamb\u00e9m as desigualdades e o empobrecimento das classes populares, Turchin admite que o car\u00e1cter sustentado do crescimento econ\u00f3mico tenha mudado a natureza do \u201cjogo\u201d, passando de uma soma nula a uma soma positiva, o que, em teoria, deveria permitir a cada gera\u00e7\u00e3o de viver melhor que a dos seus pais.[3] &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Confrontado com a hip\u00f3tese de a Cliodin\u00e2mica se estar a revelar como uma boa plataforma entre a Hist\u00f3ria, as Matem\u00e1ticas, a Sociologia, as Ci\u00eancias da Evolu\u00e7\u00e3o, a Cibern\u00e9tica e n\u00e3o s\u00f3, Turchin considera que, hoje em dia, a quase totalidade da investiga\u00e7\u00e3o de ponta \u00e9 multidisciplinar (as diferentes disciplinas a trabalharem lado a lado, mas cada uma a manter o seu pr\u00f3prio m\u00e9todo e perspectiva) ou mesmo transdisciplinar (as disciplinas cruzam-se e integram-se de forma profunda, criando novas abordagens ou mesmo novos conhecimentos que n\u00e3o pertencem a uma \u00fanica disciplina) e que as barreiras acad\u00e9micas constituem um obst\u00e1culo que \u00e9 necess\u00e1rio superar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, numa hip\u00f3tese pessimista de um colapso estatal em que nos poderemos encontrar, com a Cliodin\u00e2mica a defrontar-se com problemas de acesso a recursos e log\u00edstica, Turchin considera que a sua \u00faltima preocupa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 a de poder aceder a um grande volume de dados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A opini\u00e3o de Turchin sobre o lugar dos cientistas na estrutura social, em particular no respeitante ao seu poder como elite pol\u00edtica, \u00e9 de que isso depende bastante do pa\u00eds em que se encontram. Se por exemplo estiverem em Fran\u00e7a, alguns Professores, nomeadamente os que est\u00e3o ligados a grandes institui\u00e7\u00f5es, fazem de facto parte da elite e t\u00eam poder pol\u00edtico (o caso exemplar de Bernard-Henri L\u00e9vy, com um grande poder ideol\u00f3gico). Nos Estados Unidos tudo se passa de um outro modo: o \u00fanico meio para um Professor de fazer parte da elite dirigente \u00e9 o de ser eleito para uma posi\u00e7\u00e3o de n\u00edvel pol\u00edtico (exemplos: Woodrow Wilson e Henry Kissinger) ou de ser cronista no New York Times (o exemplo de Paul Krugman).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Turchin, a Cliodin\u00e2mica est\u00e1 ainda longe de constituir uma \u201cdisciplina amadurecida\u201d. Da\u00ed, e n\u00e3o s\u00f3, que cr\u00edticas de fundo sobre as ideias desenvolvidas sejam bem-vindas, e que um debate sobre as nossas abordagens gen\u00e9ricas, os nossos dados e os nossos modelos, seja algo bastante \u00fatil. O facto \u00e9 que, sendo sua inquieta\u00e7\u00e3o, quando escreveu o Le Chaos qui Vient, que o livro fosse ignorado, isso felizmente n\u00e3o se verificou. Assim, no\u00e7\u00f5es como o excesso de produ\u00e7\u00e3o de elites e o crescimento das desigualdades derivado do sistema de acumula\u00e7\u00e3o de riquezas t\u00eam vindo a ser cada vez mais discutidas na infoesfera. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na altura em que foi entrevistado, Turchin precisou que era ent\u00e3o sua prioridade a elabora\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise de uma base de dados relativa a sociedades passadas que tinham atravessado crises e que as tinham superado. Al\u00e9m de facilitar a compreens\u00e3o das eras ca\u00f3ticas hist\u00f3ricas, essa dilig\u00eancia permitiu tamb\u00e9m a elabora\u00e7\u00e3o de modelos de previs\u00e3o semelhantes a outro que foi utilizado em 2010 para poder prever as turbul\u00eancias dos anos 2020 nos EUA. Hoje est\u00e1-se em vias de desenvolver uma tal abordagem para a aplicar a dez Estados contempor\u00e2neos (entre eles a Fran\u00e7a), para tentar saber como ser\u00e1 a pr\u00f3xima d\u00e9cada para cada um deles. O que representa um trabalho monumental, dado que cada modelo espec\u00edfico para um pa\u00eds deve ser adaptado \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o social que corresponde ao Estado em causa. Sendo bastante dif\u00edcil, por outro lado, obter alguns dos dados que s\u00e3o necess\u00e1rios (porque n\u00e3o s\u00e3o recolhidos pelos governos e ainda menos reunidos num mesmo local para poderem ser facilmente transfer\u00edveis), n\u00e3o \u00e9 por isso que o trabalho n\u00e3o continua\u2026&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&nbsp;<br>CONCLUS\u00c3O<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">Em suma, as reflex\u00f5es de Turchin revelam que a compreens\u00e3o profunda dos ciclos sociais e pol\u00edticos exige n\u00e3o apenas rigor cient\u00edfico, mas tamb\u00e9m uma abertura ao di\u00e1logo multidisciplinar e ao questionamento das ideologias dominantes. A an\u00e1lise das din\u00e2micas entre elites, massas e estruturas institucionais mostra que o caminho para superar crises reside na capacidade de criar movimentos coletivos e lideran\u00e7as pr\u00f3-sociais capazes de promover mudan\u00e7as estruturais. Ao mesmo tempo, Turchin defende que o estudo imparcial, livre de paix\u00f5es e preconceitos, \u00e9 fundamental para desvendar as causas profundas das convuls\u00f5es sociais e, assim, abrir caminho para solu\u00e7\u00f5es duradouras. A colabora\u00e7\u00e3o, a cultura e a mobiliza\u00e7\u00e3o coletiva emergem como pilares essenciais para a constru\u00e7\u00e3o de sociedades mais equilibradas e resilientes diante dos desafios do presente e do futuro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:27px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"340\" height=\"261\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/filipe-carmos5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14678\" style=\"aspect-ratio:1.3026819923371646;width:274px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/filipe-carmos5.jpg 340w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/filipe-carmos5-300x230.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Filipe Carmo<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>[1] Tema tamb\u00e9m abordado como \u201cpress\u00e3o malthusiana sobre os recursos\u201d, que Turchin desenvolve num seu livro anterior que incide bastante sobre os Estados agr\u00e1rios: War and Peace and War. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>[2] O que \u00e9 certamente discut\u00edvel, dada sobretudo a relev\u00e2ncia que os grandes n\u00fameros (embora n\u00e3o s\u00f3, quando se sabe que os gastos dos bilion\u00e1rios e de outras categorias de grandes consumidores t\u00eam tamb\u00e9m grande import\u00e2ncia) t\u00eam actualmente no impacto incidente sobre os recursos naturais do planeta e, portanto, sobre os problemas ambientais. Conv\u00e9m observar que o termo \u201cbilion\u00e1rio\u201d (tradu\u00e7\u00e3o de \u201cbillionaire\u201d), que ir\u00e1 ser utilizado com frequ\u00eancia nesta tradu\u00e7\u00e3o do livro de Turchin, referir-se-\u00e1 a quem det\u00e9m riquezas de um valor m\u00ednimo de mil milh\u00f5es de d\u00f3lares (tal como no original em ingl\u00eas). Isso porque n\u00e3o parece haver utiliza\u00e7\u00e3o na l\u00edngua portuguesa de um termo espec\u00edfico para uma correcta tradu\u00e7\u00e3o do dito termo da l\u00edngua inglesa (o termo \u201cbilion\u00e1rio\u201d em portugu\u00eas refere-se a valores de \u201cmilh\u00f5es de milh\u00f5es\u201d, ou seja, a partir de 1012, e n\u00e3o de 109, sem que sejam atingidos valores de \u201ctrili\u00f5es\u201d).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>[3] Embora, para que se mantenha uma const\u00e2ncia no bem-estar, ser\u00e1 necess\u00e1rio fazer recuar a realidade do crescimento das desigualdades. Mas n\u00e3o houve neste enquadramento refer\u00eancia ao problema dos excessos populacionais nos pa\u00edses industrializados (ou, pelo menos, nos mais desenvolvidos economicamente). Al\u00e9m de que o que se verifica actualmente, pelo menos em pa\u00edses como o nosso \u2013 Portugal \u2013 \u00e9 que as novas gera\u00e7\u00f5es vivem bastante pior que os seus pais.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Continuando a explorar as ideias e a vis\u00e3o de Peter Turchin Uma primeira incurs\u00e3o ao&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14682,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[519,450],"tags":[610],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/chaos-capa.jpg",1306,732,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/chaos-capa-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/chaos-capa-300x168.jpg",300,168,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/chaos-capa-768x430.jpg",640,358,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/chaos-capa-1024x574.jpg",640,359,true],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/chaos-capa.jpg",1306,732,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/chaos-capa.jpg",1306,732,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/chaos-capa-1115x715.jpg",1115,715,true],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/chaos-capa-800x500.jpg",800,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/chaos-capa-1024x574.jpg",1024,574,true],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/chaos-capa-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/chaos-capa-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/biblioteca-das-ideias\/\" rel=\"category tag\">BIBLIOTECA DAS IDEIAS<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/livros\/\" rel=\"category tag\">LIVROS<\/a>","tag_info":"LIVROS","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14677"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14677"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14677\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14694,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14677\/revisions\/14694"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14682"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14677"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14677"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14677"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}