{"id":14761,"date":"2025-08-23T18:36:15","date_gmt":"2025-08-23T18:36:15","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=14761"},"modified":"2025-08-23T18:36:24","modified_gmt":"2025-08-23T18:36:24","slug":"para-alem-do-genocidio-o-sionismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2025\/08\/23\/para-alem-do-genocidio-o-sionismo\/","title":{"rendered":"Para al\u00e9m do genoc\u00eddio, o sionismo"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Afinal quem \u00e9 esta gente?<\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2025-08-23T18:36:15+00:00\">23 de Agosto, 2025<\/time><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"544\" height=\"540\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/carlos-Ribeiro-colaboradores.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14762\" style=\"aspect-ratio:1.0074074074074073;width:226px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/carlos-Ribeiro-colaboradores.jpg 544w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/carlos-Ribeiro-colaboradores-300x298.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/carlos-Ribeiro-colaboradores-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 544px) 100vw, 544px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">OPINI\u00c3O &#8211; Carlos V. Ribeiro<\/h3>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00f5es internacionais as situa\u00e7\u00f5es de facto, s\u00e3o o que s\u00e3o. Em muitos casos de pouco valem as aprecia\u00e7\u00f5es baseadas na ideologia ou nas op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para encontrar explica\u00e7\u00f5es para situa\u00e7\u00f5es aparentemente paradoxais. S\u00e3o rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a e principalmente din\u00e2micas de Estado que muitas vezes pouco t\u00eam a ver, circunstancial e especificamente, com quem est\u00e1 no poder. Isto a prop\u00f3sito de Israel e do conflito\u00a0no M\u00e9dio Oriente que n\u00e3o pode ser justificado apenas pela lideran\u00e7a da extrema-direita radical que governa em Telavive.  A guerra do p\u00f3s 7 outubro fez emergir para o cen\u00e1rio mais global das disputas entre as principais pot\u00eancias do globo\u00a0o que aparentava ser mat\u00e9ria circunscrita a uma regi\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas a quest\u00e3o da exist\u00eancia do Estado de Israel foi-se colocando de forma cada vez mais pragm\u00e1tica, como uma situa\u00e7\u00e3o de facto e os Acordos de Oslo, nem sempre de forma entusi\u00e1stica, passaram a ser uma refer\u00eancia razo\u00e1vel com potencial de pacifica\u00e7\u00e3o e de coabita\u00e7\u00e3o de povos que se encontram em conflito desde 1948, desde a ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio palestiniano pelos israelitas ocorrida com a prote\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es internacionais, com a b\u00ean\u00e7\u00e3o dos ingleses e mais tarde com o apoio dos Estados Unidos da Am\u00e9rica.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje a acusa\u00e7\u00e3o de anti sionismo encontra-se na boca de todos os defensores das pol\u00edticas belicistas de Telavive quando pretendem afastar das suas consci\u00eancias o genoc\u00eddio em Gaza e tentam marginalizar politicamente quem exige uma Palestina Livre. Acusam e dramatizam para tentar colar o anti sionismo ao anti semitismo e no fundo tentar fazer passar a mensagem que os defensores de uma Palestina Livre e Aut\u00f3noma s\u00e3o contra os judeus e eventualmente at\u00e9 poder\u00e3o at\u00e9 ter tido alguma insensibilidade face ao Holocausto.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>Na verdade, importa recordar que os primeiros anti sionistas foram os pr\u00f3prios judeus <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>que recusaram a ideia absurda de deixarem de ser cidad\u00e3os franceses, holandeses, gregos, colombianos, canadianos, entre outros, com uma vida social id\u00eantica \u00e0 de milh\u00f5es de compatriotas, recusando\u00a0ser considerados outra coisa que o que eram efetivamente: parte dos povos a que sempre pertenceram. As teorias sionistas de Theodor Herzl, divulgadas no seu livro \u201cO Estado Judeu\u201d [1896], foram consideradas devaneios de setores radicais e extremistas, sem qualquer sentido para uma esmagadora maioria dos judeus do mundo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma face a situa\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o objetivamente verific\u00e1veis, a recusa de qualquer solu\u00e7\u00e3o da chamada quest\u00e3o judaica fora do quadro mais geral da luta de minorias pela justi\u00e7a e pela igualdade no quadro das movimenta\u00e7\u00f5es organizadas pela III\u00aa Internacional Comunista levou milh\u00f5es de trabalhadores judeus de todos os pa\u00edses do mundo a rejeitar liminarmente qualquer ideia separatista e isolacionista de um Estado Judeu e marcou um alinhamento anti sionista de grande relev\u00e2ncia na Hist\u00f3ria do S\u00e9culo XX.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>Muitos historiadores recusam de forma categ\u00f3rica a rela\u00e7\u00e3o determinante entre a Shoa e a funda\u00e7\u00e3o do Estado de Israel em 1948. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Referem que o sentimento dominante nos judeus no p\u00f3s-segunda guerra mundial era a vergonha e n\u00e3o a vingan\u00e7a. Tamb\u00e9m a ideia de um ref\u00fagio seguro, depois da dram\u00e1tica tentativa de extermina\u00e7\u00e3o por parte dos nazis, n\u00e3o \u00e9 valorizada pelos avaliadores de impacto do conflito global imposto por Hitler e pelos aliados da Alemanha nazi, atendendo \u00e0 inseguran\u00e7a que o projeto de \u201cviver na terra de Israel\u201d representava. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto de uma Estado Judeu aparenta ter sido concebido e concretizado principalmente associado a interesses geopol\u00edticos e econ\u00f3micos, a radicalismos religiosos e a utopias libertadoras pouco precisas que cavalgaram no ambiente imperialista, colonial e emocional do p\u00f3s-guerra.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, face ao genoc\u00eddio e \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Estado de Israel como um Estado terrorista, os traidores involunt\u00e1rios da sua pr\u00f3pria mem\u00f3ria e consci\u00eancia e da sua leitura do mundo com exig\u00eancia de justi\u00e7a e defesa inabal\u00e1vel do princ\u00edpio da autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos dificilmente conseguir\u00e3o manter-se no registo conciliador, pragm\u00e1tico e at\u00e9 generoso dos Acordos de Oslo. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O genoc\u00eddio em curso, em Gaza, suscita muitas interroga\u00e7\u00f5es para al\u00e9m das quest\u00f5es militares, humanit\u00e1rias, geopol\u00edticas. Leva-nos a repensar o que discretamente nos tinha sido proposto como um sono intranquilo, mas apesar de tudo aceit\u00e1vel. Mas estamos a despertar, n\u00e3o principalmente das posi\u00e7\u00f5es, mas antes da ina\u00e7\u00e3o e perguntamos: mas afinal que \u00e9 esta gente?\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Afinal quem \u00e9 esta gente? OPINI\u00c3O &#8211; Carlos V. 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