{"id":15081,"date":"2025-10-03T10:00:57","date_gmt":"2025-10-03T10:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=15081"},"modified":"2025-10-03T10:01:02","modified_gmt":"2025-10-03T10:01:02","slug":"lisboa-entre-moedas-falsas-e-figurinhas-de-feira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2025\/10\/03\/lisboa-entre-moedas-falsas-e-figurinhas-de-feira\/","title":{"rendered":"Lisboa, entre moedas falsas e figurinhas de feira"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Lisboa tem a estranha mania de se apaixonar por ilusionistas <\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2025-10-03T10:00:57+00:00\">3 de Outubro, 2025<\/time><\/div>\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"106\" data-id=\"15040\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/OLHARES-BANER-1-1024x106.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15040\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/OLHARES-BANER-1-1024x106.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/OLHARES-BANER-1-300x31.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/OLHARES-BANER-1-768x80.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/OLHARES-BANER-1.jpg 1463w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p><strong>DOSSI\u00ca NSF AUT\u00c1RQUICAS 2025 [2]<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color\">por Tiago Pereira da Silva<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-black-color has-text-color\"><em>Lisboa s\u00f3 continua a ser Lisboa porque milhares de homens e mulheres vindos de longe a sustentam, enquanto s\u00e3o tratados como problema em vez de solu\u00e7\u00e3o<\/em><\/h4>\n\n\n\n<p>Lisboa vai a votos, mas a cidade respira como um por\u00e3o h\u00famido, escondendo atr\u00e1s das fachadas ca\u00eddas a ferrugem que corr\u00f3i por dentro. O espet\u00e1culo \u00e9 previs\u00edvel: vaidades recicladas, promessas que cheiram a mofo, candidatos que desfilam como manequins gastos. Os lisboetas observam com raiva contida, sabendo que a cidade que habitam n\u00e3o \u00e9 a das luzes e congressos, mas a dos becos onde o lixo se acumula, dos pr\u00e9dios onde a renda asfixia, dos autocarros que nunca chegam. Lisboa \u00e9 vendida em fatias a turistas e investidores an\u00f3nimos, enquanto o que resta da vida quotidiana se esfarela como reboco velho a cair das paredes. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>\u00c9 uma cidade transformada em montra cintilante, mas por baixo \u2014 nas caves, nos becos, nos bairros que resistem \u2014 pulsa aquela que \u00e9 a verdade para muitos alfacinhas: uma comunidade exausta, empurrada para a margem, a tentar sobreviver \u00e0 encena\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Por um lado o engenheiro \u00a0Moedas, com o seu sorriso de gestor europeu e ar de ilusionista, ocupa o palco com a destreza de quem sabe que a pol\u00edtica, em Lisboa, se faz sobretudo de apar\u00eancias. Ciclovias que outrora eram pecado mortal s\u00e3o hoje proclamadas como trof\u00e9us; a higiene da cidade, que nunca se cumpre, \u00e9 convertida em liturgia de desculpas: culpa do funcion\u00e1rio, culpa do cidad\u00e3o, culpa at\u00e9 da meteorologia. Nunca dele. Mas eventos? A\u00ed, o talento floresce.\u00a0<em>Web Summit, Jornadas Mundiais da Juventude<\/em>: Lisboa transfigurada em passarela internacional, paga pelos contribuintes e usufru\u00edda por forasteiros de ocasi\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Moedas \u00e9 desse populismo perigoso: o que n\u00e3o grita, o que n\u00e3o se suja com insultos; o que se mascara de modera\u00e7\u00e3o e efici\u00eancia, enquanto pratica a mais insidiosa das artes, a do ilusionismo urbano. Reivindica obras que n\u00e3o fez, renega projetos que depois reaproveita, o mesmo que h\u00e1 quatros anos falava de fantasmas para desacreditar ciclovias. E h\u00e1 ainda a estrat\u00e9gia mais velha da direita envernizada: o fantasma da extrema-esquerda. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>Moedas treme teatralmente perante o perigo bolchevique, como se Lisboa fosse Petrogrado em 1917, quando, como sabemos, o que verdadeiramente amea\u00e7a a cidade \u00e9 a especula\u00e7\u00e3o que ele pr\u00f3prio acaricia, as rendas que expulsam fam\u00edlias, a mobilidade que nunca chega. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c9 o truque de ilusionista que distrai o p\u00fablico com o monstro vermelho para melhor ocultar a sombra real: a cidade a ser desmantelada e vendida pe\u00e7a a pe\u00e7a. E quando se trata de imigrantes, Moedas usa o mesmo registo envergonhado de quem n\u00e3o sabe de que lado da Hist\u00f3ria se encontra. Insinua perigos, sugere desordens, fala de fluxos como se falasse de cheias ou de pragas, nunca de pessoas. Esquece-se, ou prefere esquecer-se, que Lisboa precisa dos imigrantes mais do que nunca: s\u00e3o eles que conduzem os autocarros que ainda restam, que limpam os caf\u00e9s, que servem os turistas, que cuidam dos velhos que o Estado abandonou. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">Lisboa s\u00f3 continua a ser Lisboa porque milhares de homens e mulheres vindos de longe a sustentam, enquanto s\u00e3o tratados como problema em vez de solu\u00e7\u00e3o. \u00c9 a ironia cruel desta governa\u00e7\u00e3o: a cidade que se proclama cosmopolita e aberta recusa o seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o pulsante, preferindo o postal tur\u00edstico a preto e branco, embalado em fado para consumo r\u00e1pido.<\/p>\n\n\n\n<p>Do outro lado, o Partido Socialista oferece-nos Alexandra Leit\u00e3o. N\u00e3o sabemos ainda se ser\u00e1 politicamente relevante, mas sabemos que \u00e9 competente, s\u00f3lida, capaz de pensar num pa\u00eds onde a pol\u00edtica tantas vezes se degrada em espet\u00e1culo de feira. Falta-lhe, por ora, o fogo e a ousadia que Lisboa exige, a chama que transforma um discurso bem escrito numa causa capaz de mobilizar multid\u00f5es. Mas n\u00e3o lhe falta outra coisa: a coragem de ser mulher, socialista e candidata num tempo em que Portugal parece inclinar-se perigosamente para o conforto de um conservadorismo machista e cinzento. S\u00f3 por isso, a sua presen\u00e7a j\u00e1 significa uma resist\u00eancia, um gesto pol\u00edtico que merece ser reconhecido. Lisboa n\u00e3o precisa de relat\u00f3rios, \u00e9 certo; precisa de combate, de rasgo. Mas precisa tamb\u00e9m de quem lembre que a pol\u00edtica pode ser feita sem histrionismo, sem insulto, sem testosterona raivosa. Alexandra Leit\u00e3o encarna esse outro modo de estar: discreto, sim, mas n\u00e3o menos necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos cantos do tabuleiro surgem vozes que se querem alternativas. Jo\u00e3o Ferreira insiste, com uma urg\u00eancia que parece anacr\u00f3nica mas \u00e9 profundamente necess\u00e1ria, na habita\u00e7\u00e3o como direito. Talvez a\u00ed se concentre a quest\u00e3o essencial da vida lisboeta. S\u00f3 que, numa capital convertida em parque tem\u00e1tico para milion\u00e1rios e n\u00f3madas digitais, essa insist\u00eancia soa mais a prega\u00e7\u00e3o num deserto do que a discurso pol\u00edtico com hip\u00f3teses de vingar. Mas conv\u00e9m n\u00e3o confundir solid\u00e3o com irrelev\u00e2ncia. Oito anos de experi\u00eancia na C\u00e2mara n\u00e3o se apagam, e quem olhar com seriedade para os tr\u00eas principais candidatos percebe que Ferreira \u00e9, possivelmente, o mais preparado de todos. Os preconceitos que a m\u00e1quina do PCP inevitavelmente lhe cola \u00e0 pele n\u00e3o devem enganar: se h\u00e1 candidato com dom\u00ednio dos dossiers, vis\u00e3o estruturada e coragem para enfrentar os problemas centrais da cidade, \u00e9 ele. S\u00f3 quem anda verdadeiramente distra\u00eddo com a pol\u00edtica nacional \u00e9 que n\u00e3o v\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Bruno Mascarenhas, no Chega, aparece travestido de moderado e se tal compara\u00e7\u00e3o se sustenta \u00e9 apenas porque o seu partido normalizou o grotesco. Adelaide Ferreira, no ADN, \u00e9 caricatura de si pr\u00f3pria: candidata de feira, mascote ruidosa de um discurso que h\u00e1 uma d\u00e9cada seria motivo de embara\u00e7o e hoje rende aplausos f\u00e1ceis. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>E enquanto tudo isto se encena, a Lisboa que amanhece, como nos cantava S\u00e9rgio Godinho, j\u00e1 n\u00e3o aguenta mais. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Tornou-se mercado imobili\u00e1rio para milion\u00e1rios sem v\u00ednculo, miragem inalcan\u00e7\u00e1vel para jovens que fogem, resist\u00eancia prec\u00e1ria para velhos empurrados para fora. O pre\u00e7o de um quarto rivaliza com o de um apartamento em algumas capitais europeias. O executivo de Moedas, entretanto, assobia para o lado, como se o mercado fosse deus redentor, quando na verdade \u00e9 o verdugo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na mobilidade urbana, a hipocrisia repete-se. Lisboa permanece ref\u00e9m do autom\u00f3vel, com transportes p\u00fablicos lentos, caros e insuficientes. As ciclovias s\u00e3o corredores interrompidos, mal ligados, percursos inseguros que servem por vezes de vitrine do que de alternativa. Quem n\u00e3o tem carro, vive penalizado e o discurso oficial insiste em chamar a isto progresso. Eis, portanto, o retrato destas elei\u00e7\u00f5es: de um lado, um populismo suave, perfumado, de fato Armani; do outro, um folgo socialista que ainda n\u00e3o lida bem com o passado. Pelo meio, vozes que ousam falar de casas, de transportes, de qualidade de vida, mas que raramente conseguem furar o ru\u00eddo ensurdecedor da propaganda tur\u00edstica. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">Lisboa merecia mais. Merecia ser habit\u00e1vel, limpa, dotada de transportes funcionais e de habita\u00e7\u00e3o a pre\u00e7os de vida, n\u00e3o de luxo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Os lisboetas ir\u00e3o decidir. Conv\u00e9m, por\u00e9m, que o fa\u00e7am com plena consci\u00eancia: cada mandato perdido \u00e9 mais um degrau descido na escada da desigualdade, da carestia e da insustentabilidade. Nenhuma\u00a0<em>Web Summit<\/em>\u00a0nos salvar\u00e1 disso, nenhum Papa, nenhum congresso reluzente. Lisboa tem a estranha mania de se apaixonar por ilusionistas. Uns vendem-na como startup unic\u00f3rnio, outros como postal de Alfama comprado \u00e0 pressa no aeroporto. Todos esquecem que a cidade \u00e9 feita de gente e n\u00e3o apenas de cen\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:26px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"586\" height=\"545\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/tiago-_colaborador.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14631\" style=\"aspect-ratio:1.075229357798165;width:169px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/tiago-_colaborador.jpg 586w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/tiago-_colaborador-300x279.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 586px) 100vw, 586px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\u00a0Tiago Pereira da Silva<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa tem a estranha mania de se apaixonar por ilusionistas DOSSI\u00ca NSF AUT\u00c1RQUICAS 2025 [2]&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14635,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[682,238],"tags":[228],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/tiago.jpg",602,402,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/tiago-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/tiago-300x200.jpg",300,200,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/tiago.jpg",602,402,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/tiago.jpg",602,402,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/tiago.jpg",602,402,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/tiago.jpg",602,402,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/tiago.jpg",602,402,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/tiago.jpg",602,402,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/tiago.jpg",602,402,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/tiago-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/tiago-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/autarquicas-2025\/\" rel=\"category tag\">AUT\u00c1RQUICAS 2025<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a>","tag_info":"DESTAQUE","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15081"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15081"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15081\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15082,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15081\/revisions\/15082"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14635"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15081"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15081"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15081"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}