{"id":15196,"date":"2025-10-12T16:43:50","date_gmt":"2025-10-12T16:43:50","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=15196"},"modified":"2025-10-12T16:43:54","modified_gmt":"2025-10-12T16:43:54","slug":"o-futuro-muda-se-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2025\/10\/12\/o-futuro-muda-se-agora\/","title":{"rendered":"O futuro muda-se agora"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mariana Teles, 18 anos, na apresenta\u00e7\u00e3o do livro Por Dentro do Chega, em Matosinhos<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOTECA DAS IDEIAS &#8211; Agir para um novo ciclo de esperan\u00e7a &#8211; Como combater a extrema-direita?<\/strong> [1]<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color\">Introdu\u00e7\u00e3o de Miguel Carvalho, in Facebook<\/h3>\n\n\n\n<p>[publica\u00e7\u00e3o autorizada pelo jornalista autor do livro Por Dentro do Chega]<\/p>\n\n\n\n<p>Deixo aqui o texto da autoria da Mariana Teles, de 18 anos, estudante do primeiro ano de Direito na Universidade do Porto, que adora Pol\u00edtica e j\u00e1 viajou duas vezes para Timor-Leste como volunt\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Convidei-a para a apresenta\u00e7\u00e3o do meu livro em Matosinhos, no dia 5 de Outubro. Leiam-na. \u00c9 um feixe de luz para o futuro, sim, mas \u00e9 sobretudo presente. Aqui e agora. Sem esmorecer.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mariana Teles, um feixe de luz para o futuro<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;Desde j\u00e1, tenho de real\u00e7ar o empenho e o trabalho do Miguel, e expressar um agradecimento enorme e sincero por me ter dado espa\u00e7o para falar.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta introdu\u00e7\u00e3o, vou reflectir sobre o poder deste partido junto dos jovens. O CHEGA cresce a partir da desinforma\u00e7\u00e3o; propaga a ideia de que os jornalistas \u2014 verdadeiras fontes de conhecimento \u2014 tudo fazem para prejudicar o partido. Com os chamados memes, v\u00eddeos curtos e discursos inflamados, simplifica o que \u00e9 complexo, recorrendo a uma linguagem emocional. Oferece respostas r\u00e1pidas para problemas profundos. Cria uma comunidade que parece acolhedora, mas que \u00e9 baseada na exclus\u00e3o do outro. Promove a ideia de \u201cn\u00f3s contra eles\u201d, onde qualquer diferen\u00e7a \u00e9 vista como um inimigo, e n\u00e3o como parte da riqueza de uma sociedade plural.<\/p>\n\n\n\n<p>Sei que muitos de v\u00f3s se sentem desapontados com a minha gera\u00e7\u00e3o. Por parecermos indiferentes, fracos. Pass\u00e1mos parte da nossa adolesc\u00eancia num clima de incerteza e crise pol\u00edtico-social (crescemos a ouvir e a saber que n\u00e3o vamos ter reforma, que n\u00e3o vamos conseguir comprar uma casa e, muitas vezes, que a \u00fanica op\u00e7\u00e3o que temos \u00e9 emigrar).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p><strong>Esta instabilidade origina dois grupos distintos: aqueles que, mais do que nunca, sentem a necessidade de lutar e aqueles que se sentem t\u00e3o enraivecidos que encontram esperan\u00e7a em movimentos de avers\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>H\u00e1 cerca de tr\u00eas, quatro anos, discutia entre amigos o discurso, rico em fal\u00e1cias, de Andr\u00e9 Ventura. Tudo o que dizia deixava-nos incr\u00e9dulos. Agora, esses mesmos jovens \u2014 com quem, por for\u00e7a de princ\u00edpios, deixei de conviver \u2014 gritam o nome dele nas redes sociais. \u00c9 dif\u00edcil mantermos a imparcialidade perante amigos com ideologias t\u00e3o extremas das nossas, pois a pol\u00edtica est\u00e1 em tudo. Por isso, por impulso humano, acabamos por nos afastar e, inconscientemente, criamos um fosso ainda maior de polariza\u00e7\u00e3o e solid\u00e3o. \u00c9 inerente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana o desejo de fazer parte de algo maior \u2014 e o partido sabe explorar este facto de forma singular. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p><strong>A extrema-direita tem esta particularidade: n\u00e3o cresce apenas pelo \u00f3dio que propaga, mas pelo acolhimento que simula. <\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Este falso sentimento de perten\u00e7a, numa idade t\u00e3o vol\u00e1til, atrai os jovens. Sentem-se seduzidos pela narrativa identit\u00e1ria que o partido constr\u00f3i, encontrando nela uma seguran\u00e7a aparente. Andr\u00e9 Ventura diz aos jovens: \u201cN\u00f3s vemos-te.\u201d Diz: \u201cTu n\u00e3o est\u00e1s sozinho.\u201d E depois sussurra ao ouvido: \u201cA culpa \u00e9 deles\u201d \u2014 apontando o dedo ao imigrante, \u00e0 feminista, ao professor, ao artista. E os jovens, que muitas vezes n\u00e3o se sentem representados pelas institui\u00e7\u00f5es, pelos partidos tradicionais ou pelos discursos formais, encontram algo que o mundo real n\u00e3o tem conseguido oferecer: visibilidade, perten\u00e7a e causa.<\/p>\n\n\n\n<p>E aqui est\u00e1 o paradoxo: muitos dos meus colegas que hoje se deixam seduzir pelo discurso de for\u00e7a da extrema-direita s\u00e3o os mesmos que poderiam protagonizar mudan\u00e7as significativas. No fundo, querem mudar o sistema \u2014 mas est\u00e3o a ser instrumentalizados por aqueles que querem manter intactas as estruturas de opress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por isso, \u00e9 urgente criar espa\u00e7os de escuta <\/h2>\n\n\n\n<p>Oferecer alternativas reais. Falar com os jovens e n\u00e3o apenas sobre eles. Ensin\u00e1-los a duvidar, a questionar, a confrontar o \u00f3bvio. E, sobretudo, mostrar que existe um caminho que n\u00e3o passa pelo \u00f3dio, pela exclus\u00e3o ou pelo autoritarismo. N\u00e3o basta dizer que est\u00e3o errados \u2014 \u00e9 preciso mostrar-lhes por que est\u00e3o errados.<\/p>\n\n\n\n<p>O partido tenta reescrever a hist\u00f3ria, negar os factos, minimizar os crimes que incentiva, sem pudor. Em suma, procura reafirmar regimes totalit\u00e1rios. O CHEGA anda de m\u00e3os dadas com o racismo, o machismo e o preconceito. Parte do princ\u00edpio de que a liberdade de express\u00e3o inclui o direito de oprimir, de incitar \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o, de negar a exist\u00eancia de quem pensa, ama ou vive de forma diferente. Mas isso n\u00e3o \u00e9 liberdade \u2014 \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o total dos direitos fundamentais consagrados na nossa Constitui\u00e7\u00e3o. Julgam que as \u00fanicas pessoas v\u00e1lidas s\u00e3o aquelas que pensam e se parecem com eles. Contudo, s\u00f3 caminhando nos passos de um estranho conseguimos conhecer novas realidades.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p><strong>N\u00e3o posso deixar de reconhecer que a perda de esp\u00edrito cr\u00edtico, acompanhada pela diminui\u00e7\u00e3o da curiosidade e do conhecimento, caracteriza por vezes a minha gera\u00e7\u00e3o. <\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o nos estou a chamar de ignorantes. Mas devo admitir que alguns jovens n\u00e3o t\u00eam as ferramentas necess\u00e1rias para ler nas entrelinhas das afirma\u00e7\u00f5es deste partido \u2014 o que contribui para o aumento da sua popularidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es passadas, tive colegas que votaram no CHEGA. Perguntava-lhes v\u00e1rias vezes como \u00e9 que se reviam nas propostas apresentadas, no programa eleitoral. Infelizmente, a maioria nunca o tinha lido. Limitavam-se a seguir os TikToks virais ou os discursos populistas de Andr\u00e9 Ventura \u2014 cuidadosamente pensados e repensados para atrair as massas e captar a aten\u00e7\u00e3o dos mais descontentes.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O Tik Tok<\/h2>\n\n\n\n<p>Desesperava-me ver como um simples post nas redes sociais tinha mais peso do que pessoas corajosas e instru\u00eddas como o Miguel, que lutam todos os dias pela democracia no seu estado mais puro. A velocidade e o formato dos conte\u00fados publicados por pessoas como Rita Matias favorecem a superficialidade das discuss\u00f5es \u2014 e at\u00e9 a propaga\u00e7\u00e3o da desinforma\u00e7\u00e3o. A cria\u00e7\u00e3o de narrativas simplificadas ou distorcidas pode confundir o p\u00fablico, dificultando o desenvolvimento do pensamento cr\u00edtico. Ao utilizar o TikTok, o partido adapta eficazmente as suas mensagens ao formato que milh\u00f5es de jovens consomem diariamente.<\/p>\n\n\n\n<p>O que est\u00e1 em jogo neste momento n\u00e3o \u00e9 apenas a pol\u00edtica. \u00c9 o futuro. Encontro \u2014 e quero dar-vos \u2014 esperan\u00e7a na juventude que sai \u00e0 rua, que defende o planeta, que se faz ouvir, que inventa novas formas de existir. Nos meus amigos, que, tal como eu, n\u00e3o querem contribuir para o desprezo e ambicionam conhecer mais. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p><strong>Encontro esperan\u00e7a em cada sala de aula onde se ensina a pensar<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Dando o exemplo do meu professor de Hist\u00f3ria do 12.\u00ba ano \u2014 o seu desejo de ensinar e de formar alunos com consci\u00eancia social movia-o, e por isso lhe estou profundamente grata. Apesar de manter sempre a sua neutralidade, conseguia levar-nos a reflectir sobre as palavras de Andr\u00e9 Ventura, recorrendo a exemplos do nosso passado (se \u00e9 que os entendem).<\/p>\n\n\n\n<p>Um epis\u00f3dio em especial aconteceu nas elei\u00e7\u00f5es passadas dos Estados Unidos. Ap\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o dos resultados e o discurso de Kamala Harris \u2014 durante o qual chorei, sem vergonha \u2014, cheg\u00e1mos \u00e0 aula desolados. Pairava um medo claro, uma grande incerteza. O professor, com a sua habitual lucidez, conseguiu dar-nos palavras de incentivo e esperan\u00e7a. Esta \u00e9 a verdadeira fun\u00e7\u00e3o de um professor: dar-nos os pilares necess\u00e1rios para tomarmos decis\u00f5es acertadas e n\u00e3o cairmos em manifestos ilus\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p><strong>Encontro esperan\u00e7a em cada di\u00e1logo ou debate. <\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para mim, a esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 ing\u00e9nua \u2014 \u00e9 sinal de resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>E a resist\u00eancia come\u00e7a quando digo aos meus colegas que a liberdade n\u00e3o se vende em slogans \u2014 constr\u00f3i-se no dia-a-dia, com empatia. Constr\u00f3i-se em momentos como este, por pessoas como o Miguel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 esse o mundo pelo qual vale a pena lutar para construir. Juntos.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito obrigado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>MARIANA TELES<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"625\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mc1-625x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15198\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mc1-625x1024.jpg 625w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mc1-183x300.jpg 183w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mc1-768x1259.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mc1.jpg 886w\" sizes=\"(max-width: 625px) 100vw, 625px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mariana Teles, 18 anos, na apresenta\u00e7\u00e3o do livro Por Dentro do Chega, em Matosinhos BIBLIOTECA&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15197,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[519,238],"tags":[44],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mc2.jpg",890,556,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mc2-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mc2-300x187.jpg",300,187,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mc2-768x480.jpg",640,400,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mc2.jpg",640,400,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mc2.jpg",890,556,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mc2.jpg",890,556,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mc2.jpg",890,556,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mc2-800x500.jpg",800,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mc2.jpg",890,556,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mc2-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mc2-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/biblioteca-das-ideias\/\" rel=\"category tag\">BIBLIOTECA DAS IDEIAS<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a>","tag_info":"DESTAQUE","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15196"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15196"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15196\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15199,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15196\/revisions\/15199"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15197"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15196"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15196"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15196"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}