{"id":15578,"date":"2025-11-21T19:25:00","date_gmt":"2025-11-21T19:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=15578"},"modified":"2025-11-21T19:25:01","modified_gmt":"2025-11-21T19:25:01","slug":"acabou-ainda-a-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2025\/11\/21\/acabou-ainda-a-tempo\/","title":{"rendered":"Acabou ainda a tempo"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Evitou-se uma guerra civil e instituiu-se a democracia<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color\">25 DE NOVEMBRO &#8211; O que h\u00e1 ainda por contar<\/h3>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"411\" height=\"460\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fmelro.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15579\" style=\"aspect-ratio:0.8934782608695652;width:144px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fmelro.jpg 411w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fmelro-268x300.jpg 268w\" sizes=\"(max-width: 411px) 100vw, 411px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">por <em>Francisco Melro<\/em><\/h3>\n\n\n\n<div style=\"height:21px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>20\/11\/2025<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Fiz servi\u00e7o militar enquanto durou o PREC. Entrei em Junho de 1974 na Escola Pr\u00e1tica de Infantaria em Mafra, para fazer a recruta para oficial miliciano, acabei suspenso, de licen\u00e7a registada, no dia 27 de Novembro de 1975 ao servi\u00e7o do Regimento da Pol\u00edcia Militar (RPM). Pelo meio, fiz, a partir de 28 de Setembro de 1974, a especialidade em cavalaria na Escola Pr\u00e1tica de Cavalaria em Santar\u00e9m e no in\u00edcio de 1975 incorporei no Regimento de Cavalaria Santa Margarida, como aspirante miliciano, um batalh\u00e3o de cavalaria (o 8425, se bem me recordo), com destino a Angola que se recusou, por unanimidade, a embarcar, tendo permanecido nesta&nbsp; unidade at\u00e9 ao final de Setembro do mesmo ano, momento em que o batalh\u00e3o foi desmobilizado e fui transferido para o RPM, onde me encontrava por altura dos acontecimentos do 25 de Novembro de 1975. Fiquei detido a 26 de Novembro e, no dia seguinte, entrei em licen\u00e7a registada.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Voc\u00ea era desses<\/h2>\n\n\n\n<p>Fui oficialmente confrontado, por duas vezes, com os registos oficiais das minhas viv\u00eancias no PREC: em Outubro de 1978, quando finalmente me passaram \u00e0 disponibilidade, e anos depois quando me colocaram na reserva territorial, sendo amea\u00e7ado por um capit\u00e3o, na primeira ocasi\u00e3o, e olhado, de soslaio e com desconfian\u00e7a, por um sargento, na segunda, com um coment\u00e1rio: \u201cHumm\u2026voc\u00ea era desses\u2026.\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei o que consta dos registos, nunca me mostraram, mas \u00e9 verdade. Eu era um \u201cdesses\u201d e era tamb\u00e9m verdade tudo aquilo de que o capit\u00e3o me acusara e que, certamente, integraria o conjunto de raz\u00f5es que tinha dado pretexto ao meu prolongado tempo de licen\u00e7a registada.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Com os grupos de extrema &#8211; esquerda<\/h2>\n\n\n\n<p>Os ventos do PREC entraram pelas portas que Abril de 1974 escancarou. Esse vend\u00e1vel emergiu logo nos primeiros dias da revolta militar quando a popula\u00e7\u00e3o de Lisboa a transformou em revolu\u00e7\u00e3o, alastrando ao Pa\u00eds, sobretudo ao Sul, entrando nos bairros e nos locais de trabalho, com saneamentos e exig\u00eancias de direitos sociais e laborais. e acabando por penetrar nos quart\u00e9is.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o irei ocupar-me com a descri\u00e7\u00e3o dos in\u00fameros epis\u00f3dios vividos nos quart\u00e9is, \u00fanicos na vida e demasiado <em>\u201ctwilight zone\u201d<\/em>, sobretudo 50 anos depois, para quem nunca os viveu. Est\u00e3o abundantemente descritos na literatura dos jornais e panfletos clandestinos dos militares de extrema-esquerda e tamb\u00e9m nos jornais da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro ano da revolu\u00e7\u00e3o, saneou-se, nacionalizou-se, ocupou-se herdades, ergueu-se um movimento popular suportado por comiss\u00f5es de moradores, de trabalhadores e sindicatos, e, sobretudo, pela cobertura e at\u00e9 impulso, desta radicaliza\u00e7\u00e3o social por parte do poder militar dominado pela \u201cEsquerda\u201d. Foi neste ambiente revolucion\u00e1rio e intervindo nos seus diferentes eventos que os grupos de extrema-esquerda foram ganhando adeptos e estruturando a sua organiza\u00e7\u00e3o. Foi com estes que estive sempre.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">De G3 na m\u00e3o, na parada de Mafra<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A resist\u00eancia a rupturas radicais com o anterior regime pol\u00edtico emergiu logo depois de 25 de Abril de 1974, quando Sp\u00ednola pretendeu impor, atrav\u00e9s de manobras palacianas, um poder presidencialista autorit\u00e1rio, controlar o poder das ruas e evitar a entrega das col\u00f3nias aos movimentos independentistas, chegando a tentar preservar a PIDE. Ouvi os apelos de Sp\u00ednola \u00e0 ordem e contra a anarquia, depois de o ter aguardado durante horas, devidamente fardado, formado e de G3 na m\u00e3o, ao Sol, na parada de Mafra, no Ver\u00e3o de 1974, no \u00e2mbito de um raide que Sp\u00ednola ent\u00e3o realizou pelos diferentes quart\u00e9is do Pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"709\" height=\"429\" data-id=\"15585\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/sinola.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15585\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/sinola.jpg 709w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/sinola-300x182.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"717\" height=\"488\" data-id=\"15584\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/spinola-em-mafra.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15584\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/spinola-em-mafra.jpg 717w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/spinola-em-mafra-300x204.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 717px) 100vw, 717px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Sp\u00ednola em Mafra, foto ANTT, SNI<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:22px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Mas de cada crise pol\u00edtica, de cada tentativa de golpe, foram sempre resultando impulsos para a radicaliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e para desloca\u00e7\u00e3o para a Esquerda na rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no governo e no Movimento das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi no seguimento da tentativa derrotada do golpe spinolista do 11 de Mar\u00e7o que foi constitu\u00eddo a 14 de Mar\u00e7o o&nbsp;Conselho da Revolu\u00e7\u00e3o. A sua composi\u00e7\u00e3o reflectiu a rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no seio do MFA \u00e0 sa\u00edda do golpe.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As coisas mudaram a partir do in\u00edcio do Ver\u00e3o de 1975<\/h2>\n\n\n\n<p>Houve dois impulsionadores decisivos e de efeitos cumulativos para o levantamento anti-PREC: os resultados das elei\u00e7\u00f5es para a Constituinte em 25 de Abril de 1975 e o retorno de centenas de milhares de colonos ao longo da segunda metade de 1975.<\/p>\n\n\n\n<ul>\n<li>Nas elei\u00e7\u00f5es para a Constituinte em 25 de Abril de 1975, os programas do conjunto do PCP e da extrema-esquerda receberam o apoio de apenas 21% dos votos expressos, ficando claro que a maioria esmagadora da popula\u00e7\u00e3o estava contra o rumo que o Pa\u00eds estava a seguir.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"824\" height=\"509\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/grafico-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15580\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/grafico-1.jpg 824w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/grafico-1-300x185.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/grafico-1-768x474.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 824px) 100vw, 824px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:23px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Sobretudo no Norte, de grande influ\u00eancia dos sectores mais retr\u00f3grados da Igreja Cat\u00f3lica, onde predominavam a pequena propriedade agr\u00edcola e as pequenas e m\u00e9dias empresas, e onde se temia a chegada do comunismo e dos ventos colectivizadores que sopravam do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m no Sul, como comprovaram tanto a cria\u00e7\u00e3o de sindicatos aut\u00f3nomos fora da CGTP por parte de trabalhadores das \u00e1reas dos servi\u00e7os como os resultados nas elei\u00e7\u00f5es para a Constituinte em 25 de Abril de 1975 no Distrito de Lisboa: o PS teve 45% dos votos expressos, tendo o conjunto dos votos no PCP e nos restantes partidos de Esquerda ficado aqu\u00e9m de 30%.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>O impacto social e pol\u00edtico do regresso de largas centenas de milhares de colonos e de trabalhadores dos servi\u00e7os p\u00fablicos coloniais, os \u201cretornados\u201d, radicalizados e em ruptura com a descoloniza\u00e7\u00e3o em curso e com o 25 de Abril, que passaram a engrossar as fileiras dos partidos da Direita e mesmo da extrema-direita.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"height:21px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A direita exprime-se local e eleitoralmente<\/h2>\n\n\n\n<p>Surgem grupos bombistas, sediados e financiados a partir de Espanha, casos do MDLP de Sp\u00ednola e do ELP, integrado por elementos da ex-PIDE, que radicalizam os com\u00edcios e manifesta\u00e7\u00f5es dos partidos da Direita, e at\u00e9 do PS, atacando, colocando bombas e incendiando sedes dos partidos de Esquerda e perseguindo e atacando os militantes destes partidos. Esta onda de viol\u00eancia teve a b\u00ean\u00e7\u00e3o e o apoio da hierarquia cat\u00f3lica nortenha, incluindo atrav\u00e9s de rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas com os grupos bombistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta deslocaliza\u00e7\u00e3o social para a Direita ficaria mais evidente nas elei\u00e7\u00f5es Legislativas em 1976, onde a Direita teve mais apoio do que o PS, o CDS obteve uma vota\u00e7\u00e3o expressiva e o peso do conjunto dos votos no PCP e na Extrema-Esquerda se quedou pelos 18,5%. Os eleitores de Direita e anti-PREC que tinham \u201cvotado \u00fatil\u201d no PS para a Constituinte, passaram a assumir-se. J\u00e1 n\u00e3o havia necessidade.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:24px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"922\" height=\"508\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/grafico-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15581\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/grafico-2.jpg 922w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/grafico-2-300x165.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/grafico-2-768x423.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 922px) 100vw, 922px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:22px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A onda de revolta anti-PREC passou para as ruas, exigindo a invers\u00e3o nas pol\u00edticas e a recomposi\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os de poder, no governo e nas For\u00e7as Armadas, em conson\u00e2ncia com a vontade das urnas. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>O Partido Socialista assumiu a lideran\u00e7a da contesta\u00e7\u00e3o que foi ganhando adeptos entre os militares.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"height:27px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Divis\u00e3o e agrega\u00e7\u00e3o dos militares em correntes opostas<\/h2>\n\n\n\n<p>O agravar do conflito dividiu os militares, fez emergir no seio do MFA tr\u00eas correntes: os \u201cgon\u00e7alvistas\u201d, afectos ao PCP, os do \u201cgrupo dos nove\u201d, defensores de uma via social-democrata, em converg\u00eancia com o PS, e os do \u201cgrupo do Copcon\u201d, em torno de Otelo e das for\u00e7as pol\u00edticas de extrema-esquerda. Ser\u00e1 o \u201cgrupo dos nove\u201d que ir\u00e1 agrupar o grosso dos militares democratas do MFA descontentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros militares com menores simpatias pela democracia navegavam, h\u00e1 muito, noutras \u00e1guas, aderindo \u00e0s c\u00e9lulas do MDLP e do ELP e estabelecendo \u201cpontes\u201d com o \u201cgrupo dos nove\u201d. Tinham sobretudo origem em militares do quadro permanente que conviveram bem com o anterior regime e que se sentiram penalizados pela subvers\u00e3o operada no poder hier\u00e1rquico pelos militares de Abril, que odiavam. Povoavam os Estados Maiores e as Direc\u00e7\u00f5es das diferentes Armas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>O conjunto dos militares anti-PREC organizaram-se clandestinamente para imporem uma mudan\u00e7a radical na rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Estas movimenta\u00e7\u00f5es gozaram da simpatia, do est\u00edmulo, do apoio e do financiamento dos governos dos Estados Unidos, da Espanha, dos pa\u00edses da Nato e dos respectivos servi\u00e7os secretos, \u00e0 \u00e9poca muito activos entre n\u00f3s. O KGB tamb\u00e9m andava por a\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:21px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"758\" height=\"486\" data-id=\"15586\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/elp-reune-em-salamanca-abril-1975-ANTT-Flama.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15586\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/elp-reune-em-salamanca-abril-1975-ANTT-Flama.jpg 758w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/elp-reune-em-salamanca-abril-1975-ANTT-Flama-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 758px) 100vw, 758px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">O ELP re\u00fane em Salamanca, Fonte ANTT, SNI<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:13px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O PCP e as estruturas do poder<\/h2>\n\n\n\n<p>O PCP seguira desde o 25 de 1974 uma pol\u00edtica de colagem aos militares do MFA, como partido moderado, disciplinado e alinhado com as pol\u00edticas governamentais, numa esp\u00e9cie de bra\u00e7o civil do MFA, fazendo dos sindicatos correias de transmiss\u00e3o da sua pol\u00edtica, chegando a opor-se e a condenar publicamente movimentos grevistas, enquanto ia obtendo lugares no governo e colocando militantes e simpatizantes nos \u00f3rg\u00e3os da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica e nas estruturas militares. A principal excep\u00e7\u00e3o esteve na Reforma Agr\u00e1ria, destacando-se na ocupa\u00e7\u00e3o de herdades nas zonas do Alentejo e Ribatejo, por via do Sindicato dos Trabalhadores Agr\u00edcolas, mas contando tamb\u00e9m com o apoio dos militares do MFA.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Deste modo, o PCP foi refor\u00e7ando a sua presen\u00e7a nos \u00f3rg\u00e3os de poder pol\u00edtico e militar, tendo um simpatizante muito pr\u00f3ximo como Primeiro-Ministro, Vasco Gon\u00e7alves, em sucessivos governos provis\u00f3rios, entre 17 de Julho de 1974 e 19 de Setembro de 1975.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Radicaliza\u00e7\u00e3o das posi\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>Com a contesta\u00e7\u00e3o ao PREC, o PCP foi perdendo margem de manobra e o V governo foi mesmo boicotado pelo PS e pela Direita, pelo que o&nbsp;Presidente da Rep\u00fablica&nbsp;demitiu Vasco Gon\u00e7alves e indigitou para primeiro-ministro do VI Governo Provis\u00f3rio o almirante Pinheiro de Azevedo, apoiado pelo PS e pelo PPD. O VI governo criou uma for\u00e7a militar paralela, o AMI, constitu\u00edda por ex-comandos e ex-paraquedistas contratados, e refor\u00e7ou o Regimento de Comandos da Amadora. Por sua vez, o Conselho da Revolu\u00e7\u00e3o passou a ser dominado pelo \u201cgrupo dos nove\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sentindo-se acossado, o PCP veio para a rua, chegando a criar uma alian\u00e7a com algumas for\u00e7as de extrema-esquerda, a FUR. O derrube do V governo e a proximidade da data da independ\u00eancia de Angola, que o PCP queria assegurar, entregando o poder ao MPLA, constitu\u00edram factores adicionais de radicaliza\u00e7\u00e3o do PCP.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a independ\u00eancia de Angola, em 11 de Novembro de 1975 n\u00e3o acalmou o PCP. Logo no dia 12 de novembro de 1975, o sindicato dos trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil, controlado pelo PCP, realizou uma manifesta\u00e7\u00e3o com dezenas de milhares de trabalhadores&nbsp;que cercou a&nbsp;Assembleia Constituinte&nbsp;durante dois dias. O VI governo entrou em greve e o PS, apoiado por toda a Direita, realizou grandes manifesta\u00e7\u00f5es populares por todo o Pa\u00eds, com destaque para Lisboa e Porto, de apoio ao VI governo e de contesta\u00e7\u00e3o ao PREC.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os acontecimentos do 25 de novembro<\/h2>\n\n\n\n<p>A nova hierarquia militar passou igualmente \u00e0 ofensiva. Nas v\u00e9speras de 25 de Novembro de 1975, o CEMFA ordenou a passagem \u00e0 licen\u00e7a registada de 1200 p\u00e1ra-quedistas da Base-Escola de Tancos, com o apoio do Presidente da Rep\u00fablica e do Conselho da Revolu\u00e7\u00e3o. Por sua vez, o CR nomeou Vasco Louren\u00e7o para comandante da RM&nbsp;de Lisboa, em substitui\u00e7\u00e3o de Otelo Saraiva de Carvalho, que ficaria apenas \u00e0 frente do Copcon.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:23px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-5 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"759\" height=\"510\" data-id=\"15583\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fonte-ANTT.-SNI-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15583\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fonte-ANTT.-SNI-1.jpg 759w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fonte-ANTT.-SNI-1-300x202.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 759px) 100vw, 759px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Vasco Louren\u00e7o e Otelo Saraiva de Carvalho.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:33px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Estas decis\u00f5es foram contestadas pela generalidade das unidades militares de Lisboa, tal como pelos paraquedistas que se amotinaram em Tancos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na madrugada de 25 de Novembro de 1975, o Conselho da Revolu\u00e7\u00e3o reafirmou as decis\u00f5es anteriores, que foram aceites por Otelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Otelo reuniu, no seguimento dessas decis\u00f5es, com oficiais na sede do COPCON, foi confrontado por Costa Martins, oficial da For\u00e7a A\u00e9rea pr\u00f3ximo do PCP, que por ali se encontrava, \u201cestranhamente\u201d, segundo Otelo, que lhe comunicou que os paraquedistas n\u00e3o aceitavam a sua extin\u00e7\u00e3o e que iriam ocupar as bases a\u00e9reas e o Comando da Regi\u00e3o A\u00e9rea. Otelo recusou apoiar essas ocupa\u00e7\u00f5es e, entretanto, abandonou a sede do CPCON.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de madrugada, para-quedistas ocuparam as bases a\u00e9reas de Tancos, Monte Real, Montijo e o Comando da 1.\u00aa Regi\u00e3o A\u00e9rea de Monsanto, detendo o comandante, general Pinho Freire e exigindo a demiss\u00e3o de Morais e Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>Era um passo em falso que os opositores n\u00e3o deixariam passar. Tinham cobertura legal, apoio institucional, PR e CR, e estavam preparados para agir, como os pr\u00f3prios reconheceram. Agradeceram a oportunidade, desencadeando o contra-golpe, previamente elaborado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cronologia do dia 25\/26 de Novembro<\/h2>\n\n\n\n<ul>\n<li>25 de Novembro: Costa Martins tenta convencer Otelo a apoiar as ocupa\u00e7\u00f5es dos paraquedistas. Otelo recusa. Ocupa\u00e7\u00e3o das unidades pelos paraquedistas. Morais e Silva ordena a concentra\u00e7\u00e3o de para-quedistas fi\u00e9is na base de Cortega\u00e7a. Otelo \u00e9 chamado e vai para Bel\u00e9m. Otelo fica em sintonia com Costa Gomes e recusa interven\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Militar para sair de Bel\u00e9m, quando contactado pelos comandantes desse regimento, assegurando \u201cn\u00e3o estou detido\u201d. Depois, fica incontact\u00e1vel e deixa a Regi\u00e3o Militar de Lisboa e as unidades do COPCON sem direc\u00e7\u00e3o. Comandos da Amadora saem para a rua. Costa Gomes re\u00fane com Cunhal. Cunhal desmobiliza os seus militantes. Paraquedistas abandonam as unidades ocupadas.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<ul>\n<li>Manh\u00e3 de 26 de Novembro: Presid\u00eancia da Rep\u00fablica faz ultimato aos comandantes do RPM para se entregarem em Bel\u00e9m. Comandos cercam o RPM, desencadeando-se um tiroteio. Morrem dois militares comandos e um militar que se encontrava no RPM. Comandantes do RPM mandam parar os disparos e entregam-se em Bel\u00e9m.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Ler tamb\u00e9m de Irene Pimentel<\/em><\/strong><em>, no NSF<\/em><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-incorporacao wp-block-embed-incorporacao\" style=\"margin-top:0;margin-right:var(--wp--preset--spacing--80);margin-bottom:0;margin-left:var(--wp--preset--spacing--80)\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"o64HCvQU9k\"><a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2022\/11\/26\/25-de-novembro-de-1975-fazer-a-sua-historia\/\">25 de Novembro de 1975, fazer a sua hist\u00f3ria<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;25 de Novembro de 1975, fazer a sua hist\u00f3ria&#8221; &#8212; \" src=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2022\/11\/26\/25-de-novembro-de-1975-fazer-a-sua-historia\/embed\/#?secret=O4kq7wYp5F#?secret=o64HCvQU9k\" data-secret=\"o64HCvQU9k\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">PCP e Cunhal  determinaram as movimenta\u00e7\u00f5es dos paraquedistas<\/h2>\n\n\n\n<p>O PCP e Cunhal em especial, sempre responsabilizaram os \u201cesquerdistas\u201d pelos acontecimentos do 25 de Novembro de 1975. Mas todos os envolvidos, especialmente os militares ligados ao PCP, sabem que foi, exclusivamente, a direc\u00e7\u00e3o do PCP, e em particular Cunhal, quem determinou as movimenta\u00e7\u00f5es dos paraquedistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Vers\u00e3o confirmada pelo alferes Lu\u00eds Pessoa, que dirigiu operacionalmente os paraquedistas, em carta que entregou, antes de falecer, a Pezarat Correia e a Vasco Louren\u00e7o, onde confirma que recebeu ordens directas de Cunhal, para ocupar e para desocupar. Este pronunciamento veio juntar-se a declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas anteriores, no mesmo sentido, da parte de Raimundo Narciso, \u00e0 \u00e9poca membro da direc\u00e7\u00e3o militar do PCP, profundamente envolvido nos acontecimentos, sob a direc\u00e7\u00e3o de Jaime Serra.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As vers\u00f5es dos acontecimentos<\/h2>\n\n\n\n<p>Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, diversos historiadores foram repetindo a vers\u00e3o de Cunhal acerca da culpa dos \u201cesquerdistas\u201d nos acontecimentos. Apresentaram uma explica\u00e7\u00e3o l\u00f3gica: o PCP s\u00f3 teria radicalizado o movimento social para assegurar a independ\u00eancia de Angola nas m\u00e3os do MPLA e, uma vez conseguido este feito no dia 11 de Novembro de 1975, ficara sem raz\u00f5es para continuar a radicalizar. Al\u00e9m do mais, a R\u00fassia n\u00e3o queria envolver-se num conflito com os Estados Unidos na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. O PCP at\u00e9 teria, de caminho, alcan\u00e7ado outro objectivo, \u201cdera corda\u201d aos militares esquerdistas e estes estamparam-se, vendo-se, assim, livre deles. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>Teria tido toda a l\u00f3gica. S\u00f3 que n\u00e3o foi assim.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Lu\u00eds Pessoa n\u00e3o era esquerdista, Costa Martins n\u00e3o era esquerdista, e tamb\u00e9m n\u00e3o o era aquele, que todos os envolvidos sabem quem foi, que, na aus\u00eancia de Otelo, quis dar ordens \u00e0s unidades, mas que n\u00e3o foi obedecido por ningu\u00e9m. Na RML s\u00f3 aceitariam ordens de Otelo, responderam-lhe.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que os militares, n\u00e3o comunistas, da RML, se manifestaram contra as mudan\u00e7as no comando da RML e contra a extin\u00e7\u00e3o do Regimento de Paraquedistas, mas n\u00e3o tiveram envolvimento directo nas ocupa\u00e7\u00f5es das bases militares que encararam com preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Ler tamb\u00e9m em NSF<\/em><\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-incorporacao wp-block-embed-incorporacao\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"ti3PYgeKN5\"><a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2025\/11\/14\/recuar-sem-deixar-rasto\/\">Recuar sem deixar rasto<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Recuar sem deixar rasto&#8221; &#8212; \" src=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2025\/11\/14\/recuar-sem-deixar-rasto\/embed\/#?secret=AsahZuMdKt#?secret=ti3PYgeKN5\" data-secret=\"ti3PYgeKN5\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Afinal quem pagou as favas?<\/h2>\n\n\n\n<p>Cunhal procurou instrumentalizar a revolta dos paraquedistas e o descontentamento dos militares de Lisboa para pressionar Costa Gomes e impor uma recomposi\u00e7\u00e3o no CR e no Executivo governamental num sentido favor\u00e1vel ao PCP, em sintonia e na continuidade das exig\u00eancias insistentemente gritadas nas manifesta\u00e7\u00f5es que foi realizando. Contava com o apoio de Otelo e do COPCON, recuando quando viu que n\u00e3o o tinha e ficou confrontado com a interven\u00e7\u00e3o dos Comandos. Recebeu, como contrapartida, a garantia de Costa Gomes de que o PCP n\u00e3o sofreria repres\u00e1lias. Otelo e os militares do COPCON pagaram as favas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo que vi e vivi e pelo que fui sabendo pelas conversas que fui mantendo com diversos intervenientes, sempre discordei da vers\u00e3o de Cunhal. Diversos militares de Esquerda envolvidos nos acontecimentos, que sabem muito mais do que eu, t\u00eam mantido sil\u00eancio sobre o assunto, para \u201cn\u00e3o porem em causa camaradas\u201d, e \u201cn\u00e3o fazerem o jogo dos anti-comunistas\u201d. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>O depoimento de Raimundo Narciso e a carta deixada por Lu\u00eds Pessoa a P\u00e9zarat Correia e a Vasco Louren\u00e7o debilitaram esse \u201cpacto de sil\u00eancio\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"height:24px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O desenlace evitou uma guerra civil <\/h2>\n\n\n\n<p>Costa Gomes, os militares do grupo dos nove e Otelo, neste caso demitindo-se de dirigir, foram decisivos para o desenlace relativamente pac\u00edfico dos acontecimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Fui um dos derrotados do 25 de Novembro de 1975, mais concretamente, do 26 de Novembro, quando fiquei detido em conjunto com os restantes camaradas do RPM. O desenlace evitou uma guerra civil e conduziu \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o de um regime pol\u00edtico assente numa democracia parlamentar, assegurado pela Constitui\u00e7\u00e3o aprovada em 1976, que salvaguardou o Estado Social e as principais conquistas do 25 de Abril e que tem garantido a Liberdade e os Direitos Humanos durante os \u00faltimos 50 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos este sucesso aos militares e pol\u00edticos, com destaque para Costa Gomes, militares do Grupo dos Nove e M\u00e1rio Soares, e \u00e0s for\u00e7as democr\u00e1ticas que se empenharam em travar, por meios relativamente pac\u00edficos, os nossos projectos esquerdistas, contendo, em simult\u00e2neo, os objectivos revanchistas dos elementos da extrema-direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Poder\u00edamos ter vencido militarmente em 25 de Novembro. O COPCON e a Regi\u00e3o Militar de Lisboa tinham for\u00e7as mais do que suficientes para tal. Para al\u00e9m dos paraquedistas e dos militares das unidades de Lisboa, havia ainda as companhias de fuzileiros. Ficaram todos sem comando e orienta\u00e7\u00e3o quando Otelo se refugiou em Bel\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os extremistas de direita<\/h2>\n\n\n\n<p>A maioria esmagadora do Pa\u00eds estava contra n\u00f3s, pelo que a sequ\u00eancia inevit\u00e1vel de uma hipot\u00e9tica vit\u00f3ria nossa seria uma guerra civil, com o Pa\u00eds divido a meio. Num momento seguinte, o resto do Pa\u00eds, com a ajuda directa e indirecta dos pa\u00edses da Nato, impor-nos-ia a sua vontade.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as for\u00e7as vitoriosas do 25 de Novembro cogitavam-se nost\u00e1lgicos do antigo regime e diversos extremistas de direita, nomeadamente os associados aos bombistas, que ficaram insatisfeitos com a solu\u00e7\u00e3o pacificadora de concilia\u00e7\u00e3o encontrada, exigindo sangue, pris\u00f5es e ilegaliza\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias. Vimos algumas das suas figuras de proa assumi-lo, em p\u00fablico, pela TV, no pr\u00f3prio dia 26 de Novembro. N\u00e3o estavam satisfeitos!<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>Nunca se vingaram, como pretendiam, do 25 de Abril. Costa Gomes, Melo Antunes, o grupo dos Nove e M\u00e1rio Soares, a aprova\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o em 1976, a institucionaliza\u00e7\u00e3o da democracia parlamentar e os votos dos portugueses nunca lho permitiram.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mas tinham grande peso na hierarquia militar, nomeadamente entre spinolistas e naqueles que conviveram bem com a ditadura, que a revolu\u00e7\u00e3o permitiu que mantivessem os seus postos hier\u00e1rquicos.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:28px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-7 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"772\" height=\"513\" data-id=\"15589\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fonte-antt-sni-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15589\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fonte-antt-sni-1.jpg 772w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fonte-antt-sni-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fonte-antt-sni-1-768x510.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 772px) 100vw, 772px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;<em>Pouco depois (22h00), foi anunciado que o General Pinho Freire retomou o comando da 1\u00aa Regi\u00e3o A\u00e9rea. O R\u00e1dio Clube Portugu\u00eas cessou as suas emiss\u00f5es (22h10), e foi anunciada a rendi\u00e7\u00e3o da Base de Monte Real (22h20). A base da Ota regressou \u00e0 anterior linha de comando e os paraquedistas abandonaram tamb\u00e9m a Base de Tancos (00h15)<\/em>&#8221; fonte &#8211; site 50anos25abril.pt<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os intentos revanchistas<\/h2>\n\n\n\n<p>Nunca perdoaram a Costa Gomes nem aos restantes militares do grupo dos nove, que odiavam, basta ler os colunistas da direita nos jornais e pasquins da altura, e usaram a recupera\u00e7\u00e3o dos poderes hier\u00e1rquicos para se vingarem dos militares que mais se tinham destacado no 25 de Abril de 1974, estragando a vida de alguns deles, incluindo a carreira militar de integrantes do grupo dos nove, nomeadamente, a Melo Antunes e a Salgueiro Maia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a este 25 de Novembro de intentos revanchistas que os dirigentes do Chega e do CDS e algumas \u00e1reas da Direita v\u00e3o buscar as suas refer\u00eancias e os seus her\u00f3is novembristas para as suas celebra\u00e7\u00f5es. As suas celebra\u00e7\u00f5es n\u00e3o exaltam o 25 de Abril. Celebram sim um 25 de Novembro revanchista que nunca se cumpriu. Basta ouvir falar Ventura e Nuno Melo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Vasco Louren\u00e7o e outros militares democratas fazem muito bem em ficarem fora destas celebra\u00e7\u00f5es.<\/h3>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Foto de destaque , ANTT, SNI &#8211; site 50anos25abril.pt<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Evitou-se uma guerra civil e instituiu-se a democracia 25 DE NOVEMBRO &#8211; O que h\u00e1&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15587,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[605,238],"tags":[296],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fonte-antt-sni.jpg",772,513,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fonte-antt-sni-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fonte-antt-sni-300x199.jpg",300,199,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fonte-antt-sni-768x510.jpg",640,425,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fonte-antt-sni.jpg",640,425,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fonte-antt-sni.jpg",772,513,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fonte-antt-sni.jpg",772,513,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fonte-antt-sni.jpg",772,513,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fonte-antt-sni-772x500.jpg",772,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fonte-antt-sni.jpg",772,513,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fonte-antt-sni-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/fonte-antt-sni-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/25-de-novembro\/\" rel=\"category tag\">25 de novembro<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a>","tag_info":"DESTAQUE","comment_count":"3","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15578"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15578"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15578\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15590,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15578\/revisions\/15590"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15587"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15578"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15578"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15578"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}