{"id":15621,"date":"2025-11-26T11:08:31","date_gmt":"2025-11-26T11:08:31","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=15621"},"modified":"2025-11-26T11:10:51","modified_gmt":"2025-11-26T11:10:51","slug":"aprender-a-pensar-para-agir-na-complexidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2025\/11\/26\/aprender-a-pensar-para-agir-na-complexidade\/","title":{"rendered":"Aprender a pensar para agir na complexidade"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Impactos do Decreto-Lei 104\/2025 de 11 de Setembro<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"464\" height=\"443\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/olivia.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15622\" style=\"aspect-ratio:1.0474040632054176;width:140px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/olivia.jpg 464w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/olivia-300x286.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 464px) 100vw, 464px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Ol\u00edvia Santos Silva<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:26px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Complexos, acelerados e incertos s\u00e3o os tempos de hoje<\/strong>\u2026 A complexidade pede abertura, diversidade e integra\u00e7\u00e3o. A acelera\u00e7\u00e3o solicita flexibilidade e fluidez. A incerteza exige conhecimento, capacita\u00e7\u00e3o, confian\u00e7a, trabalho colaborativo. A complexidade deve ser olhada no seu sentido mais profundo de implica\u00e7\u00e3o, de entrela\u00e7amento, de algo tecido junto. \u201cO pensamento complexo esfor\u00e7a-se para religar\u201d. (Morin)<\/p>\n\n\n\n<p>A complexidade percebe tudo ligado a tudo. Uma rede de rela\u00e7\u00f5es e interdepend\u00eancias, onde todos se singularizam e se distinguem ao mesmo tempo\u2026 <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p><strong>O ser humano que n\u00e3o \u00e9 somente biol\u00f3gico e cultural\u2026 \u00e9 multidimensional.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"height:19px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O tempo da educa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Como afirmou Ant\u00f3nio N\u00f3voa, aquando do lan\u00e7amento do Referencial de n\u00edvel Secund\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o, em Lisboa, no dia 15 Novembro de 2006<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c(\u2026) a educa\u00e7\u00e3o \u00e9, de todas as \u00e1reas, aquela que se inscreve num tempo necessariamente mais longo. Hoje, encontramo-nos outra vez, como pa\u00eds que se compara num espa\u00e7o europeu, perante urg\u00eancias v\u00e1rias, em particular na educa\u00e7\u00e3o e na forma\u00e7\u00e3o. As estat\u00edsticas, os dados, os indicadores sucedem-se, uns ap\u00f3s outros, revelando a necessidade de investir na qualifica\u00e7\u00e3o dos portugueses. Volt\u00e1mos a ter uma consci\u00eancia aguda do problema. E ainda bem. E volt\u00e1mos a ter de recuperar os anseios iniciais do movimento da Educa\u00e7\u00e3o Permanente dos anos 60.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDe tempos a tempos, \u201ccampanhas e planos\u201d, \u201cm\u00e9todo, organiza\u00e7\u00e3o, esfor\u00e7o continuado\u201d, \u201ceduca\u00e7\u00e3o inscrita num tempo mais longo\u201d, \u201cpol\u00edticas de longo prazo\u201d, \u201cem estrat\u00e9gias concretas, coerentes\u201d \u2026 As condicionantes e as condi\u00e7\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o de adultos em Portugal, bem colocadas por Ant\u00f3nio N\u00f3voa.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:22px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um estrat\u00e9gia para a Educa\u00e7\u00e3o de Adultos<\/h2>\n\n\n\n<p>Com este t\u00edtulo,<strong>\u201c50 anos de tentativas de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-administrativa da Educa\u00e7\u00e3o de Adultos em Portugal. Uma breve e desditosa narrativa\u201d,<\/strong> escrevia, a outro tempo, Alberto Melo (Educa\u00e7\u00e3o de Adultos, Perspetivas e Associativismo, p. 60, 2021)<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>,<\/p>\n\n\n\n<p>(\u2026) em Portugal, as elites dirigentes n\u00e3o seguiram as pisadas de outros governos, que souberam integrar a Educa\u00e7\u00e3o de Adultos, como subsector do sistema educativo nacional e em paridade com os demais subsectores, (\u2026) uma s\u00f3lida e duradoura organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e administrativa, um financiamento adequado e est\u00e1vel e uma estrat\u00e9gia coerente e abrangente. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p><strong>N\u00e3o faltaram, no entanto, durante os \u00faltimos 50 anos, propostas e experi\u00eancias no sentido de conceder \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o de Adultos o estatuto institucional que merece e exige. Foram, por\u00e9m, sempre prec\u00e1rias e ef\u00e9meras, (\u2026), at\u00e9 hoje aparentemente insuper\u00e1veis.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"height:21px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Recomenda\u00e7\u00f5es do CNE<\/h2>\n\n\n\n<p>No mesmo texto, Melo lembra as recomenda\u00e7\u00f5es do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (id ibidem, p. 51).<\/p>\n\n\n\n<p>Retomando uma linha program\u00e1tica propugnada ao longo de d\u00e9cadas, o CNE recomendou agora, entre outras medidas:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; a cria\u00e7\u00e3o de uma estrutura a n\u00edvel nacional, um F\u00f3rum Permanente interministerial, sob a responsabilidade do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, com a miss\u00e3o de, nomeadamente, definir e acompanhar o desenvolvimento de uma pol\u00edtica p\u00fablica global de respostas educativas e formativas;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; a operacionaliza\u00e7\u00e3o local da pol\u00edtica de EFA, tendo como refer\u00eancia as freguesias, os munic\u00edpios e as comunidades intermunicipais (CIM), como elementos de uma pol\u00edtica assente em redes e parcerias educativas que atravessam o tecido social local (associativo, empresarial e institucional);<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; a cria\u00e7\u00e3o a n\u00edvel de cada Concelho (ou, consoante o territ\u00f3rio, Freguesia ou CIM) de uma estrutura que permita incentivar e animar a constru\u00e7\u00e3o de uma rede educativa local que inclua o conjunto dos parceiros sociais e um plano educativo local de educa\u00e7\u00e3o de adultos;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; a garantia de um sistema de financiamento adequado, est\u00e1vel e previs\u00edvel, combinando a utiliza\u00e7\u00e3o de fundos comunit\u00e1rios com a mobiliza\u00e7\u00e3o de verbas municipais e do Or\u00e7amento de Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>E terminava com este alerta,<\/p>\n\n\n\n<p>(\u2026) assim nos encontramos, uma vez mais, perante nova tentativa \u2013 dentro desta hist\u00f3ria tr\u00e1gico-institucional de 50 anos &#8211; para chamar \u00e0 raz\u00e3o os respons\u00e1veis pol\u00edticos, procurando que levem a s\u00e9rio um dos mais graves problemas estruturais do nosso pa\u00eds e que enveredem decididamente por um processo, devidamente fundamentado e participado, de (re)constru\u00e7\u00e3o do subsector de Educa\u00e7\u00e3o de Adultos, que reconhe\u00e7a a sua especificidade e autonomia e lhe outorgue o devido lugar na estrutura organizacional do sistema nacional de educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A eminente mudan\u00e7a que surpreendeu pelo desconcerto<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Pelo j\u00e1 dito, seria adequado sustentar que o campo da educa\u00e7\u00e3o de adultos estava bem? Que nada era preciso fazer? Precisava, sim, precisavam-se e esperavam-se mudan\u00e7as\u2026 O erro maior foi a centraliza\u00e7\u00e3o, foi o abandono dos operadores entregando-os a si pr\u00f3prios\u2026 N\u00e3o foi suficiente a presen\u00e7a apenas nos momentos solenes, mas forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, visibilidade e partilha de pr\u00e1ticas, acompanhamento e regula\u00e7\u00e3o ao longo dos projetos. Para isso foi constru\u00edda uma rede de acompanhamento leve, mas dedicada e organizada, que regional e localmente seguia os operadores e cujo desaparecimento \u00e9 da responsabilidade de todos os governos desde 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>E claro, obviamente que sim, muito h\u00e1 e haveria a melhorar. \u2026 mas s\u00f3 se a ANQEP, embora fragmentada, mas n\u00e3o tivesse sido decapitada e prosseguisse como uma entidade p\u00fablica dotada de personalidade jur\u00eddica, com autonomia cient\u00edfica, t\u00e9cnica e administrativa, enquanto respons\u00e1vel pela conce\u00e7\u00e3o, revis\u00e3o, supervis\u00e3o, atualiza\u00e7\u00e3o e melhoria das metodologias de interven\u00e7\u00e3o, pela promo\u00e7\u00e3o e condu\u00e7\u00e3o de programas e projetos de educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o de adultos e pela constru\u00e7\u00e3o e monitoriza\u00e7\u00e3o do sistema de reconhecimento e valida\u00e7\u00e3o das aprendizagens informais dos adultos (cf. DL n\u00ba 387\/99 de 28 de Setembro).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma solu\u00e7\u00e3o mal encontrada\u2026<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, que solu\u00e7\u00e3o encontrou este governo? <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p><strong>Em vez de melhorar, extinguiu a ANQEP enquanto estrutura com autonomia para definir e implementar medidas de pol\u00edtica de Educa\u00e7\u00e3o e Forma\u00e7\u00e3o de Adultos. <\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>E, acima do estilha\u00e7amento do seu conte\u00fado funcional e do ajustamento das suas compet\u00eancias, pesa mais a sua extin\u00e7\u00e3o, enquanto entidade com autonomia t\u00e9cnica e administrativa dedicada \u00e0 qualifica\u00e7\u00e3o dos adultos (e ao ensino profissional), levantando, de facto, quest\u00f5es s\u00e9rias \u2014 sobretudo num pa\u00eds como Portugal, onde os problemas de qualifica\u00e7\u00e3o de adultos continuam a ser estruturais.<\/p>\n\n\n\n<p>A segmenta\u00e7\u00e3o, mas sobretudo a extin\u00e7\u00e3o da ANQEP representa um golpe, um retrocesso na afirma\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o de adultos em Portugal: <\/p>\n\n\n\n<p>(1) A educa\u00e7\u00e3o de adultos perde poder e voz; <\/p>\n\n\n\n<p>(2) S\u00e3o desprezados os resultados do PIAAC; <\/p>\n\n\n\n<p>(3) Num mundo em constante mudan\u00e7a, em todos os dom\u00ednios da sociedade, \u00e9 secundarizada a necessidade de aprender ao longo da vida, <\/p>\n\n\n\n<p>(4) Ignoram-se os sinais que foram dados pelos agentes que operam no terreno e a quem afinal se pedem os resultados:<\/p>\n\n\n\n<ul>\n<li>Estabiliza\u00e7\u00e3o da imagem e da representa\u00e7\u00e3o social do sistema de EFA, evitando desacredita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, asfixia, descontinuidades, novos nomes, novas designa\u00e7\u00f5es.<\/li>\n\n\n\n<li>Prefer\u00eancia por pol\u00edticas integradas, numa l\u00f3gica crescente de descentraliza\u00e7\u00e3o e territorializa\u00e7\u00e3o, fazendo convergir os objetivos sociais, culturais e educativos com o desenvolvimento social e econ\u00f3mico local ou regional, do litoral e do interior, das cidades e das periferias.<\/li>\n\n\n\n<li>Concretiza\u00e7\u00e3o do papel do Estado, em (i) mecanismos de coordena\u00e7\u00e3o, regula\u00e7\u00e3o e apoio com vista \u00e0 coer\u00eancia, diversidade e qualidade das ofertas formativas, (ii) gest\u00e3o esclarecida e equitativa dos recursos, (iii) sistema eficaz e de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o numa linguagem clara,&nbsp;universal, acess\u00edvel (iv) processos organizacionais com equipas de proximidade (regionais, municipais ou intermunicipais) que incentivem, apoiem e regulem as pr\u00e1ticas e os projetos.<\/li>\n\n\n\n<li>Equil\u00edbrio da rela\u00e7\u00e3o tensa entre a press\u00e3o das metas e a qualidade dos processos.<\/li>\n\n\n\n<li>Estabelecimento de um novo contrato de confian\u00e7a e de compromisso entre o Estado e a sociedade civil, aproveitando a flexibilidade das organiza\u00e7\u00f5es privadas e valorizando as institui\u00e7\u00f5es de proximidade, como o movimento associativo e as coletividades de base local.<\/li>\n\n\n\n<li>Continua\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo com a comunidade internacional na promo\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o de adultos.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Nesta linha, s\u00e3o problem\u00e1ticas as propostas de sucess\u00e3o nas atribui\u00e7\u00f5es e compet\u00eancias da ANQEP. Resta, ainda, uma esperan\u00e7osa exce\u00e7\u00e3o com uma desejada descentraliza\u00e7\u00e3o da EFA, conforme o Decreto-Lei n.\u00ba 104\/2025, de 11 de setembro, artigo 2.\u00ba &#8211; Sucess\u00e3o nas atribui\u00e7\u00f5es e compet\u00eancias, al\u00ednea d), <strong>As Comiss\u00f5es de Coordena\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Regional<\/strong>, I. P., em mat\u00e9ria de planeamento, gest\u00e3o e monitoriza\u00e7\u00e3o das redes de dupla certifica\u00e7\u00e3o para jovens, das ofertas educativas para adultos e dos centros especializados em qualifica\u00e7\u00e3o escolar de adultos, sem preju\u00edzo da supervis\u00e3o estrat\u00e9gica e da defini\u00e7\u00e3o de orienta\u00e7\u00f5es por parte do EduQA, I. P. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p><strong>Desde que a interven\u00e7\u00e3o desta estrutura descentralizada se concretize atrav\u00e9s de um modelo de trabalho de proximidade, respeitador dos territ\u00f3rios, integrado, regulador e colaborativo.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mas, esta reestrutura\u00e7\u00e3o, tal como est\u00e1 apresentada, acrescenta incerteza \u00e0 incerteza, traz aos agentes de EFA um evidente grau de inseguran\u00e7a e conting\u00eancia, introduzindo necessariamente entropia ao sistema, com perturba\u00e7\u00e3o, quebra nos ritmos e na efici\u00eancia dos processos, inseguran\u00e7a dos atores com efeitos no seu rendimento, envolvimento, implica\u00e7\u00e3o e comprometimento com os projetos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>As sequ\u00eancias e as consequ\u00eancias<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que, na linha de \u201cdestrui\u00e7\u00e3o criativa\u201d (Schumpeter), se argumente com a pretens\u00e3o de reorganizar e racionalizar administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, fundindo servi\u00e7os, evitando duplica\u00e7\u00f5es e reduzindo estruturas, numa l\u00f3gica de efici\u00eancia administrativa, como facilitadores de inova\u00e7\u00e3o e de incremento, n\u00e3o foi uma boa ideia porque conduz inexoravelmente a\u2026<\/p>\n\n\n\n<ul>\n<li>Perda de especializa\u00e7\u00e3o e foco estrat\u00e9gico: ANQEP tinha uma miss\u00e3o clara e espec\u00edfica: conceber, coordenar e implementar pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o de adultos. Ao ser integrada numa estrutura mais vasta ou dissolvida, perde-se essa especializa\u00e7\u00e3o, foco e capacidade de atua\u00e7\u00e3o dirigida.<\/li>\n\n\n\n<li>Descontinuidade pol\u00edtica e operacional: Portugal tem sido marcado por ciclos de avan\u00e7os e recuos em mat\u00e9ria de pol\u00edticas de Educa\u00e7\u00e3o de Adultos. A extin\u00e7\u00e3o da ANQEP pode ser lida como mais um momento de descontinuidade, o que dificulta a constru\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de m\u00e9dio e longo prazo e enfraquece a confian\u00e7a dos parceiros no sistema.<\/li>\n\n\n\n<li>Centraliza\u00e7\u00e3o e perda de agilidade: retirar autonomia t\u00e9cnica a uma ag\u00eancia especializada pode significar maior centraliza\u00e7\u00e3o, mais burocracia e menos capacidade de resposta \u00e0s din\u00e2micas territoriais e setoriais. Isto \u00e9 especialmente problem\u00e1tico quando se pretende uma abordagem integrada, flex\u00edvel e pr\u00f3xima dos territ\u00f3rios, das comunidades e dos atores locais.<\/li>\n\n\n\n<li>Mensagens pol\u00edticas contradit\u00f3rias: extinguir uma ag\u00eancia dedicada \u00e0 qualifica\u00e7\u00e3o e \u00e0 aprendizagem ao longo da vida n\u00e3o deixa de transmitir a mensagem de que esta \u00e1rea deixou de ser uma prioridade pol\u00edtica \u2014 mesmo que o discurso p\u00fablico diga o contr\u00e1rio.<\/li>\n\n\n\n<li>O contexto atual exige refor\u00e7o da educa\u00e7\u00e3o de adultos, n\u00e3o desmantelamento: o PIAAC e outras fontes t\u00eam vindo a demonstrar fragilidades persistentes no n\u00edvel de literacia, numeracia e compet\u00eancias digitais da popula\u00e7\u00e3o portuguesa. Este cen\u00e1rio exige precisamente mais capacidade institucional, n\u00e3o menos.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>N\u00e3o foi uma boa ideia porque\u2026<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Vivemos num mundo que n\u00e3o se compagina com uma l\u00f3gica simplificadora, linear, fragmentada e redutiva.&nbsp;Os pilares que sustentavam esse modelo est\u00e3o abalados. O imperativo da complexidade \u00e9 juntar, relacionar, agregar, interligar, integrar, seguir o caminho da religa\u00e7\u00e3o dos saberes, das pr\u00e1ticas e das decis\u00f5es\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Esta delibera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica retirou \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o de Adultos (EA) centralidade, capacidade de afirma\u00e7\u00e3o e de negocia\u00e7\u00e3o, com previs\u00edvel perda de escala e quebra dos resultados, (o mesmo figurino de 1993 com a extin\u00e7\u00e3o da Direc\u00e7\u00e3o-Geral de Extens\u00e3o Educativa (EA) e dilui\u00e7\u00e3o do seu conte\u00fado num N\u00facleo de Educa\u00e7\u00e3o Recorrente e Extra-Escolar (NEREE) do Departamento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica e os cursos de n\u00edvel secund\u00e1rio, desgarrados do seu todo, no Departamento de Ensino Secund\u00e1rio)<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>N\u00e3o foi ainda boa ideia porque ocasiona\u2026<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<ul>\n<li>Perda de especializa\u00e7\u00e3o e foco estrat\u00e9gico: ANQEP tinha a clara e espec\u00edfica miss\u00e3o de conceber, coordenar e implementar pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o de adultos. Ao ser dilu\u00edda por outras estruturas, perde-se essa especializa\u00e7\u00e3o e capacidade de atua\u00e7\u00e3o dirigida.<\/li>\n\n\n\n<li>Descontinuidade pol\u00edtica e operacional: Portugal tem sido marcado por ciclos de avan\u00e7os e recuos em mat\u00e9ria de pol\u00edticas de Educa\u00e7\u00e3o de Adultos. A extin\u00e7\u00e3o da ANQEP pode ser lida como mais um momento de descontinuidade, o que dificulta a constru\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de m\u00e9dio e longo prazo e fragiliza a credibilidade e a confian\u00e7a dos parceiros no sistema.<\/li>\n\n\n\n<li>Centraliza\u00e7\u00e3o e perda de agilidade: retirar autonomia t\u00e9cnica a uma ag\u00eancia especializada pode significar maior centraliza\u00e7\u00e3o, maior enredo organizacional, mais burocracia e menos capacidade de resposta \u00e0s din\u00e2micas territoriais e setoriais que se querem dialogantes. Isto \u00e9 especialmente problem\u00e1tico quando se pretende uma abordagem flex\u00edvel e pr\u00f3xima dos territ\u00f3rios, das comunidades e dos atores locais.<\/li>\n\n\n\n<li>Mensagens pol\u00edticas contradit\u00f3rias: extinguir uma ag\u00eancia dedicada \u00e0 qualifica\u00e7\u00e3o e \u00e0 aprendizagem ao longo da vida n\u00e3o deixa de transmitir a mensagem de que esta \u00e1rea deixou de ser uma prioridade pol\u00edtica \u2014 mesmo que o discurso p\u00fablico diga o contr\u00e1rio.<\/li>\n\n\n\n<li>Isolamento e esmorecimento das din\u00e2micas locais e territoriais de educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o de adultos.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Concluindo\u2026<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Esta (des)organiza\u00e7\u00e3o da ANQEP recusa a totalidade social e complexa em que se constituem todos os seres atrav\u00e9s das rela\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas que estabelecem com a natureza, a sociedade onde vivem, a cultura, o trabalho, as ci\u00eancias, as tecnologias, a cultura de seu espa\u00e7o-tempo, a pol\u00edtica etc. S\u00e3o pol\u00edticas positivistas de organiza\u00e7\u00e3o institucional do pa\u00eds pois abstraem o contexto onde nos constitu\u00edmos humanos, com as condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia, os meios de vida, as rela\u00e7\u00f5es culturais, a considera\u00e7\u00e3o dos valores da dignidade humana. No caso da educa\u00e7\u00e3o e da forma\u00e7\u00e3o profissional, essa vis\u00e3o dual ou fragmentada expressa-se, historicamente, na hierarquia entre institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 imperativo refletir sobre&nbsp;as potencialidades abertas por outras experi\u00eancias de \u201cterritorializa\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o de iniciativa central, que, numa l\u00f3gica de interpela\u00e7\u00e3o da realidade,&nbsp;d\u00e1 voz \u00e0s necessidades, aos anseios, aos saberes e aos sentires dos atores locais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p><strong>\u201c\u00c9 pela rutura com uma&nbsp;l\u00f3gica de exterioridade e de centralismo&nbsp;que se pode mobilizar para as&nbsp;mudan\u00e7as sociais de sentido democratizante e emancipat\u00f3rio\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>\u201cPor baixo \u00e9 que as panelas fervem\u201d<\/strong> (Alberto Melo, 2023)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Reestrutura\u00e7\u00e3o da EFA: segmentar, segregar e fragmentar como ilus\u00e3o de reformar<a id=\"_ftnref2\" href=\"#_ftn2\"><strong>[2]<\/strong><\/a><\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A segmenta\u00e7\u00e3o \u00e9 caminho para e manifesta\u00e7\u00e3o das desigualdades territoriais, econ\u00f3micas e sociais; a segrega\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma complexa e violenta de diferencia\u00e7\u00e3o, baseada na separa\u00e7\u00e3o; a fragmenta\u00e7\u00e3o, incorpora a segmenta\u00e7\u00e3o e a segrega\u00e7\u00e3o, gerando pulveriza\u00e7\u00e3o para retirar poder e espa\u00e7o de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> MELO, A. (2021). 50 anos de tentativas de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-administrativa da Educa\u00e7\u00e3o de Adultos em Portugal. Uma breve e desditosa narrativa. In Loureiro, Armando e Feliciano, Paulo (Orgs). Educa\u00e7\u00e3o de Adultos, Perspetivas e Associativismo. Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Educa\u00e7\u00e3o e Forma\u00e7\u00e3o de Adultos \u2013 Aprend\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> ALVES, Ot\u00e1vio Augusto dos Santos. (2022).Segmenta\u00e7\u00e3o, Segrega\u00e7\u00e3o, Fragmenta\u00e7\u00e3o. https:\/\/doi.org\/10.35701\/rcgs.v23.817<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impactos do Decreto-Lei 104\/2025 de 11 de Setembro Ol\u00edvia Santos Silva Complexos, acelerados e incertos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15623,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[238,520],"tags":[711],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/educa_olivia.jpg",678,422,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/educa_olivia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/educa_olivia-300x187.jpg",300,187,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/educa_olivia.jpg",640,398,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/educa_olivia.jpg",640,398,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/educa_olivia.jpg",678,422,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/educa_olivia.jpg",678,422,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/educa_olivia.jpg",678,422,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/educa_olivia.jpg",678,422,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/educa_olivia.jpg",678,422,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/educa_olivia-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/educa_olivia-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/educacao\/\" rel=\"category tag\">EDUCA\u00c7\u00c3O<\/a>","tag_info":"EDUCA\u00c7\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15621"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15621"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15621\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15627,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15621\/revisions\/15627"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15623"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15621"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15621"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15621"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}