{"id":15880,"date":"2026-01-02T00:08:14","date_gmt":"2026-01-02T00:08:14","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=15880"},"modified":"2026-01-02T00:24:13","modified_gmt":"2026-01-02T00:24:13","slug":"christian-de-chalonge","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2026\/01\/02\/christian-de-chalonge\/","title":{"rendered":"Christian de Chalonge"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O cineasta Christian de Chalonge morreu em Saint-Denis no dia 6 de dezembro, aos 88 anos<\/h2>\n\n\n\n<p>Realizador do filme O Salto [1967] e vencedor do Pr\u00e9mio C\u00e9sar de Melhor Realizador em 1979, Christian de Chalonge surge para os portugueses como um protagonista fundamental do cinema contempor\u00e2neo ao retratar a imigra\u00e7\u00e3o dos anos 60, uma faceta particularmente relevante da hist\u00f3ria mais recente de Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-red-color has-text-color\">DOSSIER O SALTO &#8211; EMIGRA\u00c7\u00c3O PORTUGUESA CLANDESTINA<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"203\" data-id=\"15881\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/banerCdC-1024x203.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15881\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/banerCdC-1024x203.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/banerCdC-300x60.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/banerCdC-768x153.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/banerCdC.jpg 1480w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:19px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Christian de Chalonge nasceu em 21 de janeiro de 1937 em Douai, no norte de Fran\u00e7a e formou-se em Cinema pelo IDHEC (Institut des Hautes \u00c9tudes Cin\u00e9matographiques) ap\u00f3s o que inicialmente trabalhou como assistente de v\u00e1rios realizadores importantes:&nbsp;Ren\u00e9 Clem\u00e9nt, Serge Bourguignon, Alain Jessua, Tony Richardson, Roberto Bodegas, Costa-Gavras, Valerio Zurlini. Em alguns documentos \u00e9 referido tamb\u00e9m como tendo sido director de 2a unidade de filmagem na superprodu\u00e7\u00e3o de Tony Richardson &#8220;The Charge of the Light Brigade&#8221; de 1968.<\/p>\n\n\n\n<p>Dirigiu a sua primeira longa metragem,&nbsp;&#8220;Le Saut&#8221;&nbsp;em 1967, muito bem acolhida pela cr\u00edtica, logo seguido em 1971 por &#8220;L&#8217;Alliance&#8221;, em 1978&nbsp;&#8220;L&#8217;Argent des autres&#8221;, (considerado o seu trabalho mais bem sucedido) depois em 1980&nbsp;&#8220;Malevil&#8221;, 1982&nbsp;&#8220;Les Quaranti\u00e8mes rugissants&#8221;, 1990&nbsp;&#8220;Docteur Petiot&#8221;, 1991&nbsp;&#8220;Le Voleur d&#8217;enfants&#8221;, 1996&nbsp;&#8220;Le Bel \u00c9t\u00e9&#8221; 1914, 1997&nbsp;&#8220;Le Com\u00e9dien&#8221;<br>Foi ainda realizador de v\u00e1rias produ\u00e7\u00f5es televisivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Como ja se referiu, em 1966 Chalonge foi assistente do realizador Tony Richardson no seu filme &#8220;The Sailor from Gibraltar&#8221; e foi este ingl\u00eas que, admirado com as suas capacidades, o incentivou a &#8220;dar o salto&#8221; de assistente para realizador, desenvolvendo um projecto pr\u00f3prio com base numa ideia original, para um primeiro filme de longa metragem que o ajudaria a encontrar financiamento para o fazer. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\u201c<em>Je voulais juste montrer les choses comme elles se d\u00e9rouleraient en pareille circonstance selon moi. On est l\u00e0 et il faut montrer ce qui se passe pr\u00e9cis\u00e9ment<\/em>.\u201d <em>Christian de Chalonge<\/em><br><\/h3>\n\n\n\n<p>Inicialmente surgiu-lhe a ideia de fazer algo sobre um jovem perdido numa grande cidade, (com o t\u00edtulo &#8220;A viagem do Sil\u00eancio&#8221;) que corresponde a uma parte da hist\u00f3ria contada n&#8217;O Salto, mas em 1966\/67 em Paris (e por toda a Fran\u00e7a) estava j\u00e1 em &#8220;fermenta\u00e7\u00e3o&#8221; a revolu\u00e7\u00e3o que eclodiria em Maio de 68 fervilhando de ideias marxistas partilhadas entre estudantes e oper\u00e1rios das grandes f\u00e1bricas francesas, onde trabalhavam tamb\u00e9m bastantes emigrantes dos quais muitos portugueses, que tinham sa\u00eddo clandestinamente do seu pa\u00eds para fugir \u00e0 ditadura, \u00e0 mis\u00e9ria das aldeias ou \u00e0 guerra colonial. \u00c9 ent\u00e3o que com o argumentista espanhol Roberto Bodegas, exilado em Paris para fugir \u00e0 ditadura franquista escreve(m) &#8220;a 4 m\u00e3os&#8221; o argumento de &#8220;O Salto&#8221;, mais abrangente do que a ideia inicial e que (inspirado nos acontecimentos que eram not\u00edcia na altura) aborda a odisseia dos portugueses, que por essa altura chegavam a Fran\u00e7a aos milhares para tentar encontraruma vida melhor, tendo para tal contado com a colabora\u00e7\u00e3o (como consultores) de Carlos Saboga (argumentista de v\u00e1rios filmes portugueses entre os quais &#8220;O Lugar do Morto&#8221; de Ant\u00f3nio Pedro de Vasconcelos e mais tarde realizador) e tamb\u00e9m de Henrique Espirito Santo com um passado de intensa actividade cineclubistica e experi\u00eancia em produ\u00e7\u00e3o de filmes publicit\u00e1rios (e que mais tarde vira a ser um dos mais importantes produtores de cinema em Portugal tendo come\u00e7ado com &#8220;O Recado&#8221; o primeiro longa-metragem de Jos\u00e9 Fonseca e Costa em 1972). A eles junta-se o m\u00fasico e cantor de interven\u00e7\u00e3o Lu\u00eds C\u00edlia (tamb\u00e9m ele um exilado em Paris) para compor a banda sonora (contando com a participa\u00e7\u00e3o de &#8220;Paco&#8221; Ib\u00e1\u00f1ez), mas com outras fun\u00e7\u00f5es para al\u00e9m da m\u00fasica. Para conseguir financiamento Chalonge recorreu a Philippe de Broca que nos anos anteriores tinha dirigido alguns dos maiores exitos do cinema franc\u00eas: &#8220;Cartouche&#8221;, &#8220;L&#8217;Homme de Rio&#8221;, &#8220;Les Tribulations d&#8217;un Chinois en Chine&#8221;&#8230; convidando-o para produtor deste seu primeiro filme. E para director de fotografia \u00e9 escolhido o talentoso Alain Derobe que fez um belo trabalho segundo a opini\u00e3o de alguns cr\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:21px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"650\" height=\"800\" data-id=\"15883\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/le-saute-photos-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15883\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/le-saute-photos-1.jpg 650w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/le-saute-photos-1-244x300.jpg 244w\" sizes=\"(max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"781\" data-id=\"15884\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Voyage-1-1-1024x781.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15884\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Voyage-1-1-1024x781.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Voyage-1-1-300x229.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Voyage-1-1-768x586.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Voyage-1-1.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Algumas fotos do filme.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>O Salto tem um cunho neorrealista bastante inusitado no cinema franc\u00eas, tal como admite o realizador, n\u00e3o s\u00f3 pela op\u00e7\u00e3o pelo preto e branco mas tamb\u00e9m pelo recurso a actores n\u00e3o profissionais e a figurantes que na realidade eram mesmo gente dos bidonvilles (bairros clandestinos que foram crescendo na periferia de Paris formados por grandes aglomerados de barracas ou constru\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias sem qualquer planeamento ou fornecimento de \u00e1gua e esgotos cujo o nome vir\u00e1 do facto de por l\u00e1 haver muitos bid\u00f5es para guardar a \u00e1gua que transportavam dos fontan\u00e1rios para uso dom\u00e9stico) onde por falta de recursos financeiros viviam os emigrantes portugueses, espanh\u00f3is, italianos. Chalonge foi mesmo rodar nesses bairros e conseguiu a colabora\u00e7\u00e3o dos moradores como figurantes com algum trabalho de encena\u00e7\u00e3o n\u00e3o muito complicado e pagando o mesmo a todos, fossem franceses, portugueses ou espanh\u00f3is. Era gente humilde, pouco culta ou mesmo analfabeta mas ordeiros e suficientemente espertos para perceberem o que deles se pretendia. <\/p>\n\n\n\n<p>Fonte dos textos: DVDMania | FOTO DE DESTAQUE \u00a9Joel Robine<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;.<br>ficha t\u00e9cnica do filme completa (em franc\u00eas) em<br><a href=\"https:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Le_Saut_%28film,_1968%29\">https:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Le_Saut_(film,_1968)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cineasta Christian de Chalonge morreu em Saint-Denis no dia 6 de dezembro, aos 88&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15885,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[669,239,240],"tags":[741],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/cdc1.jpg",837,557,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/cdc1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/cdc1-300x200.jpg",300,200,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/cdc1-768x511.jpg",640,426,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/cdc1.jpg",640,426,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/cdc1.jpg",837,557,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/cdc1.jpg",837,557,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/cdc1.jpg",837,557,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/cdc1-800x500.jpg",800,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/cdc1.jpg",837,557,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/cdc1-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/cdc1-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/cinema\/\" rel=\"category tag\">CINEMA<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/especial-sf\/\" rel=\"category tag\">ESPECIAL-SF<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/memorias-vivas\/\" rel=\"category tag\">MEM\u00d3RIAS VIVAS<\/a>","tag_info":"MEM\u00d3RIAS VIVAS","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15880"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15880"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15880\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15890,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15880\/revisions\/15890"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15885"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}