{"id":15939,"date":"2026-01-07T12:39:16","date_gmt":"2026-01-07T12:39:16","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=15939"},"modified":"2026-01-07T12:39:18","modified_gmt":"2026-01-07T12:39:18","slug":"porque-e-que-o-ocidente-quis-destruir-a-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2026\/01\/07\/porque-e-que-o-ocidente-quis-destruir-a-venezuela\/","title":{"rendered":"Porque \u00e9 que o ocidente quis destruir a Venezuela?"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Petr\u00f3leo, Imp\u00e9rio e uma Campanha de Vinte Anos<br><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Colabora\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Rodrigues<\/h3>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Um document\u00e1rio com uma leitura sobre os acontecimentos atuais que remete para um hist\u00f3rico de rela\u00e7\u00f5es no qual o petr\u00f3leo venezuelano \u00e9 central.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><br>Introdu\u00e7\u00e3o: o fim anunciado<\/h2>\n\n\n\n<p><br>O document\u00e1rio abre com um cen\u00e1rio dram\u00e1tico: a deten\u00e7\u00e3o de Nicol\u00e1s Maduro a 3 de janeiro de 2026, no contexto de uma invas\u00e3o militar norte-americana em Caracas. O autor assume tratar-se de um acontecimento chocante, mas argumenta que n\u00e3o \u00e9 inesperado. Pelo contr\u00e1rio, seria o culminar l\u00f3gico de uma campanha prolongada de desestabiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f3mica e diplom\u00e1tica conduzida pelos Estados Unidos e aliados ao longo de mais de duas d\u00e9cadas. A narrativa recua no tempo para explicar como um pa\u00eds com as maiores reservas de petr\u00f3leo do mundo se tornou um \u201cEstado p\u00e1ria\u201d sitiado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><br>A maldi\u00e7\u00e3o do ouro negro<\/h2>\n\n\n\n<p><br>A primeira grande tese do document\u00e1rio assenta na chamada \u201cMaldi\u00e7\u00e3o do Ouro Negro\u201d. Desde a Segunda Guerra Mundial, o petr\u00f3leo venezuelano desempenhou um papel estrat\u00e9gico central, abastecendo os Aliados e integrando a Venezuela no n\u00facleo energ\u00e9tico do sistema ocidental. Segundo o document\u00e1rio, este papel veio acompanhado de uma rela\u00e7\u00e3o estruturalmente desigual: empresas estrangeiras asseguraram lucros extraordin\u00e1rios enquanto o pa\u00eds permaneceu dependente da exporta\u00e7\u00e3o de crude.<br>A riqueza petrol\u00edfera n\u00e3o trouxe soberania, mas vulnerabilidade. O controlo externo dos fluxos energ\u00e9ticos, aliado \u00e0 depend\u00eancia fiscal do petr\u00f3leo, criou as condi\u00e7\u00f5es para interfer\u00eancia pol\u00edtica recorrente. Esta leitura segue de perto obras como A Blessing and a Curse, de Matt Wilde, que enquadra o petr\u00f3leo simultaneamente como motor de desenvolvimento e fonte de instabilidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><br>Hugo Ch\u00e1vez e o \u201cpecado original\u201d de 2002<\/h2>\n\n\n\n<p><br>A elei\u00e7\u00e3o de Hugo Ch\u00e1vez em 1998 marca uma rutura. Ch\u00e1vez prop\u00f4s recuperar o controlo soberano dos recursos naturais, reformar a PDVSA e redirecionar a renda petrol\u00edfera para pol\u00edticas sociais. O document\u00e1rio identifica aqui o \u201cpecado original\u201d: o golpe de Estado de abril de 2002.<br>Embora breve e fracassado, o golpe \u00e9 apresentado como um ponto de n\u00e3o retorno. Para os autores citados, revelou a disposi\u00e7\u00e3o dos EUA e das elites locais em remover um governo eleito quando este amea\u00e7ava interesses estrat\u00e9gicos. A partir desse momento, a mudan\u00e7a de regime deixaria de ser epis\u00f3dica para se tornar estrutural.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><br>Da oposi\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea \u00e0 dissid\u00eancia fabricada<\/h2>\n\n\n\n<p><br>Ap\u00f3s 2002, as t\u00e1ticas evoluem. O document\u00e1rio descreve o financiamento de ONG, meios de comunica\u00e7\u00e3o e programas de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica atrav\u00e9s da USAID e entidades associadas. Surgem os chamados \u201cstudent labs\u201d: incubadoras de ativismo juvenil treinadas em t\u00e9cnicas de protesto, comunica\u00e7\u00e3o digital e mobiliza\u00e7\u00e3o de massas.<br>A tese n\u00e3o \u00e9 que toda a oposi\u00e7\u00e3o fosse artificial, mas que descontentamentos reais foram amplificados, organizados e instrumentalizados. O objetivo, segundo o document\u00e1rio, era criar uma apar\u00eancia de colapso interno cont\u00ednuo que legitimasse san\u00e7\u00f5es e isolamento externo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><br>O cerco medieval: san\u00e7\u00f5es como arma central<\/h2>\n\n\n\n<p><br>A partir de 2014, as san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas tornam-se o eixo central da estrat\u00e9gia. O document\u00e1rio descreve este per\u00edodo como um \u201ccerco medieval\u201d: restri\u00e7\u00f5es financeiras, bloqueio de importa\u00e7\u00f5es essenciais, congelamento de ativos e exclus\u00e3o do sistema financeiro internacional.<br>A narrativa sustenta que estas medidas tiveram impacto direto na escassez de alimentos, medicamentos e pe\u00e7as industriais, agravando a crise econ\u00f3mica. A interpreta\u00e7\u00e3o apresentada \u00e9 clara: o sofrimento civil n\u00e3o seria um efeito colateral, mas um instrumento deliberado de press\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><br>O presidente sombra: Juan Guaid\u00f3<\/h2>\n\n\n\n<p><br>Em 2019, surge a figura de Juan Guaid\u00f3, reconhecido por Washington e aliados como \u201cpresidente interino\u201d. O document\u00e1rio trata este epis\u00f3dio como um experimento jur\u00eddico e pol\u00edtico sem precedentes: um governo paralelo sem controlo territorial, mas com acesso a ativos externos do Estado venezuelano.<br>O fracasso do projeto Guaid\u00f3 \u00e9 interpretado como prova dos limites da engenharia pol\u00edtica externa. Apesar do apoio internacional, n\u00e3o conseguiu mobilizar as For\u00e7as Armadas nem garantir legitimidade interna duradoura.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><br>Guerra h\u00edbrida: ciberataques e sabotagem<\/h2>\n\n\n\n<p><br>O document\u00e1rio dedica aten\u00e7\u00e3o especial aos apag\u00f5es el\u00e9tricos massivos, apresentados como resultado de guerra cibern\u00e9tica e sabotagem de infraestruturas cr\u00edticas. Embora reconhe\u00e7a a aus\u00eancia de provas p\u00fablicas conclusivas, a narrativa enquadra estes eventos num padr\u00e3o mais amplo de guerra h\u00edbrida, combinando san\u00e7\u00f5es, opera\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas e ataques digitais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><br>Citgo, ouro e a batalha pelos ativos<\/h2>\n\n\n\n<p><br>Dois casos simbolizam, para o document\u00e1rio, a dimens\u00e3o material do conflito. O primeiro \u00e9 a disputa pela Citgo, filial da PDVSA nos EUA, cujos ativos foram transferidos para o controlo do governo paralelo. O segundo envolve o ouro venezuelano retido no Bank of England.<br>Ambos s\u00e3o apresentados como precedentes perigosos: a expropria\u00e7\u00e3o de ativos soberanos sob justifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, enfraquecendo normas b\u00e1sicas do direito internacional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><br>Opera\u00e7\u00f5es falhadas e desgaste imperial<\/h2>\n\n\n\n<p><br>Tentativas mais diretas, como a Opera\u00e7\u00e3o Gideon \u2014 uma incurs\u00e3o armada mal sucedida \u2014 refor\u00e7am a narrativa de improvisa\u00e7\u00e3o e desespero estrat\u00e9gico. O document\u00e1rio argumenta que, \u00e0 medida que as t\u00e1ticas indiretas falharam, o custo pol\u00edtico do impasse aumentou, empurrando os EUA para op\u00e7\u00f5es cada vez mais expl\u00edcitas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><br>A alternativa multipolar<\/h2>\n\n\n\n<p><br>Face ao cerco, a Venezuela procurou apoio em pot\u00eancias n\u00e3o ocidentais, integrando-se numa l\u00f3gica multipolar emergente. R\u00fassia, China e outros atores surgem como linhas de cr\u00e9dito, coopera\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e escudo diplom\u00e1tico. Para o document\u00e1rio, este movimento explica parte da urg\u00eancia ocidental: a Venezuela como s\u00edmbolo de resist\u00eancia \u00e0 hegemonia unipolar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><br>Conclus\u00e3o: o regresso da Doutrina Monroe<\/h2>\n\n\n\n<p><br>O document\u00e1rio encerra com uma leitura clara: a invas\u00e3o de 2026 n\u00e3o \u00e9 uma anomalia, mas a reativa\u00e7\u00e3o expl\u00edcita da Doutrina Monroe no s\u00e9culo XXI. A \u201ccampanha de vinte anos\u201d falhou em provocar colapso interno suficiente; a interven\u00e7\u00e3o direta surge como \u00faltimo recurso.<br>A implica\u00e7\u00e3o central \u00e9 inquietante: se a Venezuela p\u00f4de ser tratada desta forma, o precedente estende-se a qualquer pa\u00eds que combine recursos estrat\u00e9gicos, pol\u00edticas soberanas e alinhamento fora da \u00f3rbita ocidental. O document\u00e1rio n\u00e3o exige concord\u00e2ncia, mas convida \u00e0 reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre poder, petr\u00f3leo e os limites reais da ordem internacional baseada em regras.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">V\u00cdDEO &#8211; DOCUMENT\u00c1RIO<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Why the West Wanted Venezuela Destroyed | A History Documentary\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gM9c-jmIDhI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Petr\u00f3leo, Imp\u00e9rio e uma Campanha de Vinte Anos Colabora\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Rodrigues Um document\u00e1rio com&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15940,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[238,449],"tags":[744],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/VENEZUELA-6.jpg",1133,701,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/VENEZUELA-6-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/VENEZUELA-6-300x186.jpg",300,186,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/VENEZUELA-6-768x475.jpg",640,396,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/VENEZUELA-6-1024x634.jpg",640,396,true],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/VENEZUELA-6.jpg",1133,701,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/VENEZUELA-6.jpg",1133,701,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/VENEZUELA-6-1115x701.jpg",1115,701,true],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/VENEZUELA-6-800x500.jpg",800,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/VENEZUELA-6-1024x634.jpg",1024,634,true],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/VENEZUELA-6-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/VENEZUELA-6-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/local\/\" rel=\"category tag\">MUNDO<\/a>","tag_info":"MUNDO","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15939"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15939"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15939\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15941,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15939\/revisions\/15941"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15940"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15939"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15939"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15939"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}