{"id":15989,"date":"2026-01-29T18:45:27","date_gmt":"2026-01-29T18:45:27","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=15989"},"modified":"2026-01-29T18:46:47","modified_gmt":"2026-01-29T18:46:47","slug":"isto-nao-e-a-america","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2026\/01\/29\/isto-nao-e-a-america\/","title":{"rendered":"Isto n\u00e3o \u00e9 a Am\u00e9rica"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">AGIR &#8211; Nas ruas, na den\u00fancia e no voto<\/h2>\n\n\n\n<p>Um bom exemplo de cidadania, que temos obriga\u00e7\u00e3o de replicar em situa\u00e7\u00f5es id\u00eanticas. N\u00c3O somos os EUA!Recusamos o racismo, em especial quando conduzido pelas for\u00e7as da &#8220;ordem&#8221;, do facebook de Victor Louro<\/p>\n\n\n\n<p>Den\u00fancia e alerta da autoria de Sofia de Magalh\u00e3es Costa. Original <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sofia.magalhaescosta\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.facebook.com\/sofia.magalhaescosta\">AQUI.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Somos a muralha d&#8217;a\u00e7o&#8230; Ou nem por isso?<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, nas minhas idas e vindas, deparei-me com uma das situa\u00e7\u00f5es mais asquerosas que testemunhei nos \u00faltimos tempos.<\/p>\n\n\n\n<p>No Cais do Sodr\u00e9, cerca de 40 a 50 pol\u00edcias, ou talvez mais, aguardavam a chegada de um comboio. Estranhei. Abrandei o passo para perceber o que se passava, j\u00e1 com a certeza de que nada de bom poderia ser.<\/p>\n\n\n\n<p>Parei antes das cancelas. \u00c0 minha frente, uma linha de pol\u00edcias perfilados. Em grupos de quatro ou cinco, iam retirando pessoas da multid\u00e3o, cercando-as e iniciando a \u201cac\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O que tinham todos em comum? Adivinhem.<\/p>\n\n\n\n<p>Nenhum era branco.<\/p>\n\n\n\n<p>Homens negros e indo-asi\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dirigi-me ao pol\u00edcia mais pr\u00f3ximo, por acaso, algu\u00e9m que j\u00e1 tinha visto em manifesta\u00e7\u00f5es, e perguntei o que se estava a passar. Sem lhe conceder a import\u00e2ncia que n\u00e3o tinha, perguntei quem era o respons\u00e1vel, quem comandava aquela opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque h\u00e1 sempre um comando. Gaguejou e acabou por apontar para o chefe.<\/p>\n\n\n\n<p>Carregada de sacos, guarda-chuva e indigna\u00e7\u00e3o, fui directa ao respons\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00ea \u00e9 o chefe desta ac\u00e7\u00e3o? O que \u00e9 isto? Aqui ainda n\u00e3o \u00e9 a Am\u00e9rica. Est\u00e3o a fazer um controlo racista? \u00c9 s\u00f3 para pretos?<\/p>\n\n\n\n<p>Claramente apanhado de surpresa, tentou negar em poucas palavras, dizendo que n\u00e3o era exclusivo a pessoas negras.<\/p>\n\n\n\n<p>Apontei para os tr\u00eas grupos de pol\u00edcias que cercavam tr\u00eas homens africanos e, um a um, indiquei-os com o dedo:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o \u00e9? Ent\u00e3o por que raz\u00e3o s\u00e3o tr\u00eas homens negros, quando o comboio onde eu vim estava cheio maioritariamente de pessoas brancas?<\/p>\n\n\n\n<p>Continuei, sem baixar o tom:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Isto n\u00e3o \u00e9 a Am\u00e9rica. Voc\u00eas n\u00e3o s\u00e3o o ICE. Isto \u00e9 proibido em Portugal. O fascismo acabou em 1974.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltou a dizer que n\u00e3o era essa a inten\u00e7\u00e3o. Respondi-lhe que era. Que era t\u00e3o evidente que eu precisei de 30 segundos para perceber o que ali estava a acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Tinha outro comboio para apanhar, mas fiquei mais uns minutos a observar. Passageiros iam passando pelas cancelas. Dois pol\u00edcias colocaram-se ao meu lado. Perguntei se os estava a incomodar, disse que podia recuar um passo, mas que n\u00e3o sairia dali. N\u00e3o responderam.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, dois homens indo-asi\u00e1ticos aproximaram-se e foram imediatamente barrados por um grupo de pol\u00edcias. Chamei novamente o chefe, apontei para a cena e repeti:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Isto n\u00e3o \u00e9 a Am\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Estava num estado de raiva dif\u00edcil de conter. N\u00e3o podia permanecer ali muito mais tempo. Pedi \u00e0s pessoas amigas que ali se dirigissem, que vissem o que se estava a passar, que tirassem fotografias, eu pr\u00f3pria me tinha esquecido de o fazer, absorvida pela confronta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Desci em direc\u00e7\u00e3o ao metro. Ao virar a curva, deparei-me com mais uns 20 pol\u00edcias. Passei as cancelas com a ang\u00fastia no limite. Voltei atr\u00e1s e tirei a fotografia, porque percebi que o m\u00e9todo era exactamente o mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o me digam que isto \u00e9 igual a outras coisas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9. A dist\u00e2ncia entre um Estado de direito e um Estado policial constr\u00f3i-se assim: passo a passo, corpo a corpo, normalizando o inaceit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas pr\u00e1ticas t\u00eam de ser combatidas de forma firme. Temos de cerrar fileiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, fui a \u00fanica a reagir. Ou, pelo menos, a \u00fanica a n\u00e3o fingir que n\u00e3o estava a ver.<\/p>\n\n\n\n<p>E isto acontece num momento em que se disputam elei\u00e7\u00f5es que podem dar for\u00e7a ao fascismo ou isol\u00e1-lo, derrot\u00e1-lo e envergonh\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Depende de todos n\u00f3s. De todos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o me venham com desculpas. Abram os olhos. Ou desliguem a televis\u00e3o e o telem\u00f3vel e olhem para o que se passa \u00e0 vossa volta.<\/p>\n\n\n\n<p>Celebramos, hoje, a liberta\u00e7\u00e3o do campo de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz. N\u00e3o como ritual vazio, mas como aviso hist\u00f3rico. Auschwitz n\u00e3o come\u00e7ou com c\u00e2maras de g\u00e1s. Come\u00e7ou com desumaniza\u00e7\u00e3o, com excep\u00e7\u00f5es legais, com corpos escolhidos, com o sil\u00eancio c\u00famplice de quem achou que n\u00e3o era com eles.<\/p>\n\n\n\n<p>O fascismo n\u00e3o surge de repente. Instala-se.<\/p>\n\n\n\n<p>E s\u00f3 vence quando n\u00e3o encontra resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSomos a vanguarda do povo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Sejamos, ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sejamos a muralha de a\u00e7o contra o fascismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas ruas, na den\u00fancia e no voto.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Foto \u00a9 Sofia Magalh\u00e3es Costa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AGIR &#8211; Nas ruas, na den\u00fancia e no voto Um bom exemplo de cidadania, que&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15990,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[489,238],"tags":[38],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/sofia-magalhaes-Costa.jpg",404,332,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/sofia-magalhaes-Costa-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/sofia-magalhaes-Costa-300x247.jpg",300,247,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/sofia-magalhaes-Costa.jpg",404,332,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/sofia-magalhaes-Costa.jpg",404,332,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/sofia-magalhaes-Costa.jpg",404,332,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/sofia-magalhaes-Costa.jpg",404,332,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/sofia-magalhaes-Costa.jpg",404,332,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/sofia-magalhaes-Costa.jpg",404,332,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/sofia-magalhaes-Costa.jpg",404,332,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/sofia-magalhaes-Costa.jpg",404,332,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/sofia-magalhaes-Costa-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/agir\/\" rel=\"category tag\">AGIR<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a>","tag_info":"DESTAQUE","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15989"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15989"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15989\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15992,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15989\/revisions\/15992"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15990"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15989"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15989"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15989"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}