{"id":16113,"date":"2026-02-17T17:12:56","date_gmt":"2026-02-17T17:12:56","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=16113"},"modified":"2026-02-17T17:12:58","modified_gmt":"2026-02-17T17:12:58","slug":"complexo-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2026\/02\/17\/complexo-brasil\/","title":{"rendered":"Complexo Brasil"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cPodem existir, mas n\u00e3o podem ser voc\u00eas\u201d (I Parte)<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"586\" height=\"545\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/tiago-_colaborador.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16114\" style=\"aspect-ratio:1.075229357798165;width:137px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/tiago-_colaborador.jpg 586w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/tiago-_colaborador-300x279.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 586px) 100vw, 586px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>por Tiago Pereira da Silva<\/p>\n\n\n\n<p>Em \u00abComplexo Brasil\u00bb h\u00e1 centenas de imagens que, juntas, me tiraram o ch\u00e3o. N\u00e3o por serem \u201cchocantes\u201d, mas por serem demasiado claras, por mostrarem um tipo de racioc\u00ednio. N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 daquelas imagens que \u201cgritam\u201d, elas insistem. E eu insisto nesse racioc\u00ednio. Lembro-me do quadro do artista afro-ind\u00edgena maranhense cujo trabalho faz a releitura e interven\u00e7\u00f5es em obras coloniais. Uma mesa posta, reencenada com um deslocamento subtil do centro. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a iconografia do \u201cjantar\u201d colonial, com a servid\u00e3o negra como mobili\u00e1rio moral da sala. \u00c9 uma outra composi\u00e7\u00e3o, quase uma contra-formalidade, em que os corpos negros ocupam a mesa e o olhar. O detalhe que, curiosamente, mais me marcou n\u00e3o foi a comida nem a pose. Foi um mi\u00fado com telem\u00f3vel, de p\u00e9, a inserir a contemporaneidade sem pedir desculpa. O entendimento que fa\u00e7o dessa contemporaneidade \u00e9 simples. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>O autor talvez nos queira dizer que o passado n\u00e3o ficou no rodap\u00e9 da legenda, ele entrou connosco na sala.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ao lado, uma rua antiga \u00e9 atravessada por um pared\u00e3o de som absurdo, verde e totalmente desproporcional. \u00c9 empurrado por corpos negros que parecem ter decidido tomar conta do enquadramento inteiro. A cultura popular negra n\u00e3o surge como adere\u00e7o, mas como volume, territ\u00f3rio e afirma\u00e7\u00e3o. J\u00e1 numa outra sala temos um gigantesco pano de fundo que recusa qualquer leitura apaziguadora, um Atl\u00e2ntico cartografado como ferida longa. Linhas, muitas linhas, umas direitas e outras tortas, rotas, marcas e um navio apenas sugerido. H\u00e1 pequenas manchas vermelhas que impedem o olhar de repousar na vers\u00e3o confort\u00e1vel do nosso olhar europeu de \u201cgl\u00f3ria aos descobrimentos\u201d. Sa\u00ed de l\u00e1 com a impress\u00e3o de que a hist\u00f3ria do Brasil, quando \u00e9 bem contada, n\u00e3o cabe em datas ou slogans.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi com essa impress\u00e3o ainda acesa que, no dia seguinte, comecei a ouvir de outra maneira as conversas banais da rua. O senhor a quem vou cortar o cabelo, que se batizou a si mesmo de \u201cBaixinho\u201d, \u00e9 sempre af\u00e1vel, expedito e parece estar sempre \u201cde bem com a vida\u201d. Mas ele tem um h\u00e1bito que me intriga. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>A conversa, mais cedo ou mais tarde, descamba para o Brasil e, com uma naturalidade desarmante, para os \u201cperigos do socialismo\u201d. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ontem aconteceu-me o mesmo num Uber. Mais um passeio e mais um bolsonarista insuport\u00e1vel. Tr\u00eas encontros, tr\u00eas varia\u00e7\u00f5es da mesma certeza. N\u00e3o \u00e9 uma amostra com validade estat\u00edstica, eu sei. Pode ser s\u00f3 o acaso a meter-se comigo ou, simplesmente, como se diz agora, essa esp\u00e9cie de bolha algor\u00edtmica a transbordar para a rua. No entanto, a recorr\u00eancia come\u00e7a a compor esta parte da paisagem. S\u00e3o brasileiros em Portugal que falam de socialismo como quem fala de uma amea\u00e7a iminente, sem nomearem, ou sem quererem ver, o perigo sim\u00e9trico de um salvacionismo de extrema-direita. Ignoram a nostalgia autorit\u00e1ria e mant\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o demasiado indulgente com a mem\u00f3ria da ditadura militar. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>\u00c9 aqui que a conversa deixa de ser mero folclore pol\u00edtico e ganha gravidade hist\u00f3rica.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essa indulg\u00eancia n\u00e3o \u00e9 abstrata. Jair Bolsonaro, quando ainda era deputado, ao declarar o seu voto no processo de\u00a0<em>impeachment<\/em>\u00a0de Dilma Rousseff, evocou a mem\u00f3ria do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra e chamou-lhe \u201co pavor de Dilma Rousseff\u201d. Isto aconteceu em plena C\u00e2mara, no j\u00e1 long\u00ednquo ano de 2016. Ustra, recorde-se, foi comandante do DOI-CODI e figura central da repress\u00e3o, com o seu nome associado a den\u00fancias e processos relativos \u00e0 tortura. O pr\u00f3prio Estado brasileiro mant\u00e9m documenta\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria p\u00fablica sobre isso e o Superior Tribunal de Justi\u00e7a tratou, ainda em 2023, de a\u00e7\u00f5es ligadas a mortes e torturas no DOI-CODI. Trago isto para o in\u00edcio porque \u00e9 a\u00ed que o presente se torna uma esp\u00e9cie de chave interpretativa do passado. Quando algu\u00e9m teme \u201co socialismo\u201d como se fosse a grande rutura civilizacional, mas relativiza a exalta\u00e7\u00e3o de um torturador, o que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 apenas prefer\u00eancia partid\u00e1ria. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\u00c9, talvez, um modo de organizar a mem\u00f3ria. \u00c9 o que se considera \u201cexcessos do tempo\u201d, o que se normaliza, o que se varre para debaixo do tapete. Esse mecanismo de tornar suport\u00e1vel o que foi estruturalmente violento \u00e9 precisamente o que atravessa a hist\u00f3ria brasileira, da escravatura ao p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o.<\/h3>\n\n\n\n<p>Para certos setores do Brasil, a data de 13 de maio de 1888 continua a ser repetida como um ponto final. Qualquer coisa como insuflar as consci\u00eancias atuais de que, se se aboliu a escravatura, a miss\u00e3o foi cumprida. Mas sejamos s\u00e9rios. Do ponto de vista social, a aboli\u00e7\u00e3o foi menos um ponto final do que uma mudan\u00e7a de regime jur\u00eddico sem uma mudan\u00e7a proporcional de regime de cidadania. O Brasil aboliu a escravatura tarde e, sobretudo, de forma minimalista. Extinguiu a institui\u00e7\u00e3o sem instituir os meios de integra\u00e7\u00e3o. Ora, quando a liberdade \u00e9 decretada sem condi\u00e7\u00f5es materiais, produz-se uma liberdade que existe no papel, mas n\u00e3o se cumpre. O problema come\u00e7ou at\u00e9 antes da lei. Come\u00e7ou na escala. O Banco de Dados do Com\u00e9rcio Transatl\u00e2ntico de Escravos tornou hoje mais robustas as estimativas sobre o tr\u00e1fico. A ordem de grandeza para o Brasil \u00e9 de cerca de 4,86 milh\u00f5es de africanos escravizados ao longo de s\u00e9culos. \u00c9 um volume que faz do pa\u00eds o principal destino das Am\u00e9ricas. O Rio de Janeiro foi, no s\u00e9culo XIX, um epicentro dessa economia atl\u00e2ntica. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>H\u00e1 um estudo que o formula sem eufemismos, afirmando que, na primeira metade do s\u00e9culo XIX, o Rio de Janeiro era a maior cidade africana do mundo atl\u00e2ntico.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Se quisermos uma imagem mais exata ainda, podemos come\u00e7ar por um lugar: o Cais do Valongo. A UNESCO descreve-o como o ponto de desembarque constru\u00eddo em 1811 para receber africanos escravizados. Estima-se que at\u00e9 900 mil pessoas ali tenham entrado nas Am\u00e9ricas. \u00c9 dif\u00edcil olhar para este n\u00famero e imaginar que uma lei de dois artigos pudesse desfazer, por decreto, a arquitetura social que ele ajudou a erguer. \u00c9 por isso que os escritos de Joaquim Nabuco permanecem t\u00e3o actuais, quando escreve sobre a escravid\u00e3o (como se diz no Brasil) como um fen\u00f3meno que perdura para l\u00e1 da sua aboli\u00e7\u00e3o legal. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>A frase \u201ca escravid\u00e3o permanecer\u00e1 por muito tempo como a caracter\u00edstica nacional do Brasil\u201d n\u00e3o \u00e9 um ornamento ret\u00f3rico, \u00e9 um diagn\u00f3stico estrutural.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nabuco percebe que a escravatura n\u00e3o foi apenas um regime de trabalho for\u00e7ado. Foi tamb\u00e9m uma escola de sociabilidade, uma gram\u00e1tica de hierarquias e um treino do olhar. Ensinou quem devia mandar e quem devia obedecer, quem merecia confian\u00e7a e quem era suspeito por defini\u00e7\u00e3o. Castro Alves, por outro lado, oferece a acusa\u00e7\u00e3o moral que impede o conforto da neutralidade hist\u00f3rica. Em \u00abO Navio Negreiro\u00bb, ele denuncia a opera\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica pela qual uma comunidade se reveste de emblemas para esconder o que fez. N\u00e3o \u00e9 por acaso que o Brasil oscilou entre a celebra\u00e7\u00e3o est\u00e9tica da sua negritude cultural e a recusa em encarar as condi\u00e7\u00f5es materiais da vida negra.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre Nabuco e Castro Alves forma-se ent\u00e3o um poss\u00edvel arco interpretativo. De um lado, a perman\u00eancia social de uma estrutura. Do outro, a tend\u00eancia coletiva para a encobrir com narrativa. \u00c9 nesse arco que se percebe melhor a frase que d\u00e1 t\u00edtulo a este texto: \u201cpodem existir, mas n\u00e3o podem ser voc\u00eas\u201d. Numa tradu\u00e7\u00e3o menos acad\u00e9mica, tratou-se de um regime de autoriza\u00e7\u00e3o. A popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 admitida enquanto presen\u00e7a, mas a sua exist\u00eancia \u00e9 regulada. No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, os negros eram encarcerados quase sem pretexto. A sua cultura podia ser consumida, mas o seu direito \u00e0 cidade, \u00e0 autoridade e ao reconhecimento pleno era restringido. A inclus\u00e3o era condicional. Existia, mas vinha com cl\u00e1usulas. O p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o brasileiro \u00e9 a hist\u00f3ria dessas cl\u00e1usulas. Libertou-se sem integrar. Sem reforma latifundi\u00e1ria, sem escolariza\u00e7\u00e3o massiva e sem prote\u00e7\u00e3o laboral consistente, o resultado foi uma liberdade sem meios. Isso empurrou popula\u00e7\u00f5es para os morros, para a periferia e para a precariedade, consolidando desigualdades racializadas como se fossem \u201cnaturais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a desigualdade se quer \u201cnatural\u201d, o Estado tende a tratar as express\u00f5es de autonomia como problema de ordem p\u00fablica. Da\u00ed a criminaliza\u00e7\u00e3o do corpo e da cultura. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>A capoeira, por exemplo, foi tipificada como crime no C\u00f3digo Penal de 1890. No caso do samba, carregar um pandeiro podia levar \u00e0 deten\u00e7\u00e3o. Este ponto \u00e9 decisivo para desfazer a ilus\u00e3o do \u201cpreto e branco\u201d cronol\u00f3gico. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A aboli\u00e7\u00e3o n\u00e3o inaugurou automaticamente a legitimidade das formas de vida negras. Pelo contr\u00e1rio, o s\u00e9culo XX foi atravessado por um processo de disciplinamento. Tolerou-se a cultura desde que ela perdesse a capacidade de afirmar perten\u00e7a e poder. E, no entanto, o Brasil construiu a sua identidade cultural exatamente a partir dessas express\u00f5es. O pa\u00eds deve a sua alma \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que mais oprimiu e raramente reconhece isso plenamente. Reconhecer plenamente n\u00e3o \u00e9 aplaudir, \u00e9 redistribuir estatuto. N\u00e3o \u00e9 consumir a cultura como repert\u00f3rio nacional e deixar os seus produtores \u00e0 margem do capital simb\u00f3lico e pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil foi e continua a ser em parte essa partitura coletiva, s\u00f3 que durante demasiado tempo a autoria e a batuta n\u00e3o coincidiram. Quem comp\u00f4s e sustentou a cad\u00eancia nem sempre foi quem beneficiou do aplauso. Penso naquele verso de Gilberto Gil na can\u00e7\u00e3o \u201cTradi\u00e7\u00e3o\u201d, curto e cortante, sobre o tempo em que <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cpreto n\u00e3o entrava no baiano nem pela porta da cozinha\u201d. <\/h2>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A frase descreve uma engenharia social de acessos e de perten\u00e7as negadas. Volto, ent\u00e3o, ao interior daquela magn\u00edfica exposi\u00e7\u00e3o. Volto ao meu barbeiro, ao Uber e ao t\u00e1xi. N\u00e3o para reduzir o Brasil a essas vozes, mas para notar como elas s\u00e3o sintomas de uma disputa por mem\u00f3ria. H\u00e1 quem tema o socialismo porque aprendeu a reconhecer como amea\u00e7a tudo o que mexe na distribui\u00e7\u00e3o de direitos, mas n\u00e3o reconhece como amea\u00e7a a indulg\u00eancia com a viol\u00eancia de Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Aboliu-se a escravatura, mas n\u00e3o se aboliu o dispositivo social que a tornava pens\u00e1vel. Democratizou-se o voto, mas n\u00e3o se democratizou automaticamente a mem\u00f3ria. Sempre que se tenta fazer essa passagem da lei para a vida, surge a rea\u00e7\u00e3o. Uma esp\u00e9cie de nostalgia da ordem, o ressentimento contra pol\u00edticas de inclus\u00e3o e a fantasia de um \u201csalvador\u201d que restaure hierarquias em nome de uma liberdade abstrata. E No fim, a pergunta que fica \u00e9 simples: perigos para quem? O Brasil n\u00e3o precisa de mais datas para decorar. Precisa de mais coragem para reconhecer a extens\u00e3o do que a data n\u00e3o resolveu. Porque, quando um pa\u00eds aprende a cantar com a voz de quem oprimiu, mas n\u00e3o aprende a escutar essa mesma voz como sujeito pol\u00edtico, a hist\u00f3ria n\u00e3o passa. Ela repete-se com outras fardas e outros algoritmos. Estamos sempre a discutir a mesma coisa: quem tem direito a definir o que \u00e9 \u201cnormal\u201d e quem merece, n\u00e3o apenas existir, mas ser plenamente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O meu Brasil \u00e9 o de Gilberto Gil e Caetano Veloso. O de Wagner Moura e L\u00e1zaro Ramos. O que est\u00e1 sempre \u00e0 espera de ver Zumbi chegar. O meu Brasil \u00e9 o de Machado de Assis e Chico Buarque, de Beth\u00e2nia e Adriana Calcanhotto, o de Clarice, Tom e Vin\u00edcius. O de Jorge Ben Jor e Manuel Bandeira, o de Glauber Rocha e Jorge Amado. O meu Brasil \u00e9 o pa\u00eds da diversidade que sabe que deve a sua alma cultural a quem mais tentou silenciar.<\/h3>\n\n\n\n<p> No fim de contas, \u00abComplexo Brasil\u00bb n\u00e3o \u00e9 apenas o t\u00edtulo da exposi\u00e7\u00e3o maravilhosa organizada por Jos\u00e9 Miguel Wisnik, ou nem t\u00e3o pouco um cap\u00edtulo arrancado de um livro de Hist\u00f3ria. \u00c9 este presente vivo que nos interpela na rua, na cadeira do barbeiro ou no sil\u00eancio de um museu. Reconhecer a alma cultural deste pa\u00eds exige mais do que uma simples admira\u00e7\u00e3o est\u00e9tica. Exige a coragem de transformar a d\u00edvida hist\u00f3rica em dignidade pol\u00edtica e em reconhecimento efetivo. Porque, enquanto o passado for um segredo mal guardado ou uma ferida ignorada, o Brasil continuar\u00e1 a ser esse labirinto de potencialidades \u00e0 espera de se tornar, finalmente, a casa de todos os seus filhos. S\u00f3 quando o direito a ser coincidir plenamente com o direito a existir \u00e9 que este complexo deixar\u00e1 de ser um fardo para se tornar, enfim, uma celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tiago Pereira da Silva<\/p>\n\n\n\n<p>#complexobrasil #brasil #racismoendemico #josemiguelwisnik<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPodem existir, mas n\u00e3o podem ser voc\u00eas\u201d (I Parte) por Tiago Pereira da Silva Em&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":16115,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[451,238],"tags":[228],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/complexo-Brasil.jpg",1082,601,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/complexo-Brasil-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/complexo-Brasil-300x167.jpg",300,167,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/complexo-Brasil-768x427.jpg",640,356,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/complexo-Brasil-1024x569.jpg",640,356,true],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/complexo-Brasil.jpg",1082,601,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/complexo-Brasil.jpg",1082,601,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/complexo-Brasil.jpg",1082,601,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/complexo-Brasil-800x500.jpg",800,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/complexo-Brasil-1024x569.jpg",1024,569,true],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/complexo-Brasil-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/complexo-Brasil-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/artes-e-cultura\/\" rel=\"category tag\">ARTES E CULTURA<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a>","tag_info":"DESTAQUE","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16113"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16113"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16113\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16116,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16113\/revisions\/16116"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16115"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16113"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16113"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16113"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}