{"id":16236,"date":"2026-03-07T09:05:36","date_gmt":"2026-03-07T09:05:36","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=16236"},"modified":"2026-03-07T09:31:06","modified_gmt":"2026-03-07T09:31:06","slug":"a-guerra-deixa-de-ter-fronteiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2026\/03\/07\/a-guerra-deixa-de-ter-fronteiras\/","title":{"rendered":"A guerra deixa de ter fronteiras"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O Golfo sob fogo: a estrat\u00e9gia de regionaliza\u00e7\u00e3o do conflito<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"522\" height=\"488\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/luis-Vidigal_colaboradores.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16148\" style=\"aspect-ratio:1.069672131147541;width:138px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/luis-Vidigal_colaboradores.jpg 522w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/luis-Vidigal_colaboradores-300x280.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 522px) 100vw, 522px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por Luis Vidigal<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 momentos na hist\u00f3ria em que os conflitos deixam de ser apenas batalhas entre dois inimigos e passam a ser mensagens lan\u00e7adas ao mundo inteiro. O que est\u00e1 a acontecer no Golfo \u00e9 precisamente isso: n\u00e3o se trata apenas de m\u00edsseis, drones ou bases militares. Trata-se de press\u00e3o estrat\u00e9gica, de medo calculado e de uma tentativa deliberada de transformar um conflito localizado num problema global.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos dias, o Ir\u00e3o lan\u00e7ou uma vaga impressionante de ataques, n\u00e3o apenas contra Israel ou contra for\u00e7as americanas, como muitos esperariam, mas contra v\u00e1rios pa\u00edses \u00e1rabes do Golfo. Bahrein, Kuwait, Qatar, Emirados \u00c1rabes Unidos, Ar\u00e1bia Saudita e at\u00e9 Om\u00e3 foram atingidos por centenas de m\u00edsseis e drones. Em alguns casos, as defesas a\u00e9reas conseguiram interceptar a maioria, noutros, inc\u00eandios em portos, refinarias e \u00e1reas industriais mostraram que nem tudo pode ser travado no c\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 primeira vista, a l\u00f3gica parece confusa. Por que raz\u00e3o um pa\u00eds atacaria os pr\u00f3prios vizinhos, muitos deles oficialmente neutros? A explica\u00e7\u00e3o oficial de Teer\u00e3o \u00e9 que os Estados Unidos mant\u00eam bases militares espalhadas por toda a regi\u00e3o e como o Ir\u00e3o n\u00e3o consegue atingir diretamente o territ\u00f3rio americano, procura atingir a presen\u00e7a militar dos EUA onde ela existe. Mas essa explica\u00e7\u00e3o levanta outra pergunta inevit\u00e1vel. Se o alvo s\u00e3o bases militares, porque acabam por atingir aeroportos civis, hot\u00e9is, portos comerciais ou refinarias de petr\u00f3leo?<\/p>\n\n\n\n<p>O Ir\u00e3o parece estar a tentar algo muito maior do que simples retalia\u00e7\u00e3o militar. A estrat\u00e9gia aponta para a regionaliza\u00e7\u00e3o do conflito. Em vez de enfrentar diretamente uma coliga\u00e7\u00e3o militar superior, Teer\u00e3o procura aumentar o custo econ\u00f3mico e pol\u00edtico da guerra para todos os pa\u00edses \u00e0 volta. Quanto mais caos se espalhar pela regi\u00e3o, maior ser\u00e1 a press\u00e3o internacional por um cessar fogo.<\/p>\n\n\n\n<p>As economias do Golfo n\u00e3o vivem apenas do petr\u00f3leo. Dubai, Doha ou Abu Dhabi constru\u00edram a sua reputa\u00e7\u00e3o global como ilhas de estabilidade numa regi\u00e3o historicamente inst\u00e1vel. Turismo, centros financeiros, hubs log\u00edsticos, investimentos tecnol\u00f3gicos, tudo depende de uma imagem fundamental de seguran\u00e7a. Quando drones come\u00e7am a cair perto de aeroportos e inc\u00eandios surgem nos maiores portos da regi\u00e3o, essa imagem estilha\u00e7a-se em segundos.<\/p>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias j\u00e1 se fazem sentir. Seguradoras mar\u00edtimas suspenderam as coberturas de risco de guerra para navios na regi\u00e3o. Centenas de petroleiros evitam o Estreito de Ormuz. O tr\u00e1fego por uma das rotas energ\u00e9ticas mais importantes do planeta caiu drasticamente. O verdadeiro impacto da estrat\u00e9gia iraniana n\u00e3o est\u00e1 apenas nas explos\u00f5es, est\u00e1 nos mercados, nos seguros, nos pre\u00e7os da energia e na sensa\u00e7\u00e3o crescente de que a estabilidade do Golfo deixou de ser garantida.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 um problema evidente nesta aposta. Em vez de afastar os pa\u00edses do Golfo de Washington, os ataques podem estar a produzir exatamente o efeito contr\u00e1rio. A rea\u00e7\u00e3o inicial foi de condena\u00e7\u00e3o generalizada e de aproxima\u00e7\u00e3o militar entre esses Estados e os Estados Unidos. Ou seja, a tentativa de dividir o bloco advers\u00e1rio pode acabar por refor\u00e7\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, a l\u00f3gica iraniana n\u00e3o \u00e9 totalmente nova. Durante a guerra Ir\u00e3o Iraque nos anos 80, a chamada \u201cGuerra dos Petroleiros\u201d transformou o Golfo num campo de batalha naval e arrastou v\u00e1rias pot\u00eancias para a crise, contribuindo para pressionar um cessar-fogo. A li\u00e7\u00e3o que Teer\u00e3o parece ter retirado dessa experi\u00eancia \u00e9 que quando o caos se espalha o suficiente, o mundo acaba por exigir que a guerra termine.<\/p>\n\n\n\n<p>O perigo, por\u00e9m, est\u00e1 no caminho at\u00e9 l\u00e1. Quando cada pa\u00eds da regi\u00e3o passa a sentir-se potencial alvo, quando a economia global come\u00e7a a sentir o impacto e quando a linha entre guerra local e crise internacional se torna cada vez mais difusa, o risco de erro de c\u00e1lculo cresce exponencialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria mostra que guerras regionais raramente permanecem regionais por muito tempo. Especialmente quando passam pelo Golfo P\u00e9rsico, uma das art\u00e9rias energ\u00e9ticas do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes, basta um \u00fanico drone que atravesse a fronteira errada para transformar uma estrat\u00e9gia de press\u00e3o numa tempestade que ningu\u00e9m consegue controlar.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:32px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"1018\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/luis-vidigal-1024x1018.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16238\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/luis-vidigal-1024x1018.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/luis-vidigal-300x298.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/luis-vidigal-150x150.jpg 150w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/luis-vidigal-768x763.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/luis-vidigal-1536x1527.jpg 1536w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/luis-vidigal.jpg 1640w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Golfo sob fogo: a estrat\u00e9gia de regionaliza\u00e7\u00e3o do conflito Por Luis Vidigal H\u00e1 momentos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":16240,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[459,238,622],"tags":[667],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/irao4.jpg",647,386,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/irao4-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/irao4-300x179.jpg",300,179,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/irao4.jpg",640,382,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/irao4.jpg",640,382,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/irao4.jpg",647,386,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/irao4.jpg",647,386,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/irao4.jpg",647,386,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/irao4.jpg",647,386,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/irao4.jpg",647,386,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/irao4-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/irao4-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/curtas\/\" rel=\"category tag\">CURTAS<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/o-mundo-em-transicao\/\" rel=\"category tag\">O MUNDO EM TRANSI\u00c7\u00c3O<\/a>","tag_info":"O MUNDO EM TRANSI\u00c7\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16236"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16236"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16236\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16239,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16236\/revisions\/16239"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16240"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}