{"id":16495,"date":"2026-03-20T08:26:33","date_gmt":"2026-03-20T08:26:33","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=16495"},"modified":"2026-03-20T08:26:35","modified_gmt":"2026-03-20T08:26:35","slug":"cidade-cooperativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2026\/03\/20\/cidade-cooperativa\/","title":{"rendered":"Cidade cooperativa"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Timoth\u00e9e Duverger defende que se v\u00e1 para al\u00e9m da democracia participativa<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color\">BIBLIOTECA DAS IDEIAS &#8211; Entrevista a Timoth\u00e9e Duverger [fonte Novethic]<\/h3>\n\n\n\n<p>Entre as duas voltas das elei\u00e7\u00f5es municipais, Timoth\u00e9e Duverger defende que se v\u00e1 para al\u00e9m da democracia participativa. Defende uma &#8220;cidade cooperativa&#8221; inspirada nas cooperativas de trabalhadores (SCOPs), para dar aos cidad\u00e3os mais poder de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Est\u00e1 a desenvolver o conceito de uma &#8220;cidade cooperativa&#8221;. Qual \u00e9 a relev\u00e2ncia dessa abordagem para o debate atual sobre elei\u00e7\u00f5es municipais?<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Timoth\u00e9e Duverger.<\/strong>&nbsp;O modelo de cidade cooperativa surge da ideia de que a democracia participativa, de certa forma, j\u00e1 cumpriu seu papel. Ela se disseminou por meio de uma s\u00e9rie de mecanismos padronizados e de cima para baixo. A vantagem \u00e9 que se tornou amplamente difundida. A desvantagem \u00e9 que n\u00e3o mobiliza as pessoas em larga escala e n\u00e3o permite uma amplia\u00e7\u00e3o da base social. A liga\u00e7\u00e3o com a tomada de decis\u00f5es muitas vezes \u00e9 uma esp\u00e9cie de caixa-preta.<\/p>\n\n\n\n<p>E houve tamb\u00e9m fracassos, particularmente a n\u00edvel nacional. Podemos pensar no Grande Debate que se seguiu ao\u00a0movimento dos Coletes Amarelos\u00a0ou na\u00a0Conven\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 para o Clima\u00a0: estes s\u00e3o exerc\u00edcios importantes do ponto de vista deliberativo, mas o seu impacto na realidade tem sido muito limitado. A ideia, portanto, \u00e9 considerar se podemos passar desta cidade participativa para uma cidade cooperativa, onde as pessoas tenham os meios para agir de uma forma muito mais direta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 entende, exatamente, por&#8221;cidade cooperativa&#8221;?<\/h2>\n\n\n\n<p>Procuramos inspira\u00e7\u00e3o na experi\u00eancia hist\u00f3rica das cooperativas na esfera econ\u00f3mica. Nas cooperativas, particularmente nas cooperativas de trabalhadores (SCOPs), as pessoas se organizam coletivamente, estabelecem regras democr\u00e1ticas e definem diretrizes e m\u00e9todos para a distribui\u00e7\u00e3o de poder. Este \u00e9 um movimento que j\u00e1 existe no campo econ\u00f3mico e que pode nos inspirar para as autoridades locais e a democracia local.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso pode assumir diversas formas. Em Barcelona, \u200b\u200bpor exemplo, foi criada uma plataforma digital, a Decidim, para estruturar a participa\u00e7\u00e3o. Em Preston, na Inglaterra, a cidade redirecionou seus gastos p\u00fablicos para o desenvolvimento da economia local, com resultados significativos em termos de emprego e renda. Em Bolonha, cartas colaborativas permitem que os moradores se envolvam diretamente na gest\u00e3o de espa\u00e7os ou projetos. Na Fran\u00e7a, tamb\u00e9m existem exemplos com as sociedades cooperativas de interesse coletivo (SCICs), algumas das quais re\u00fanem autoridades locais e cidad\u00e3os para realizar projetos em escala territorial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">De que forma isso altera a maneira como a a\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e9 realizada?<\/h2>\n\n\n\n<p>Trata-se de uma vis\u00e3o pol\u00edtica mais ampla. Envolve tanto a coopera\u00e7\u00e3o com os moradores quanto a reformula\u00e7\u00e3o do papel dos servi\u00e7os p\u00fablicos. Podemos imaginar servi\u00e7os p\u00fablicos cocriados, ou mesmo coproduzidos, com os cidad\u00e3os. H\u00e1 tamb\u00e9m a quest\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o entre territ\u00f3rios. Estamos bem cientes das desigualdades territoriais. Precisamos organizar abordagens complementares em quest\u00f5es como \u00e1gua, alimenta\u00e7\u00e3o, habita\u00e7\u00e3o e transporte. Uma cidade cooperativa, portanto, \u00e9 uma cidade que coopera com seus moradores, mas tamb\u00e9m com outros territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Costuma-se dizer que uma cidade n\u00e3o pode ser administrada como uma empresa. No entanto, voc\u00ea prop\u00f5e que nos inspiremos nela\u2026<\/h2>\n\n\n\n<p>Depende da empresa! Uma empresa, em sua concep\u00e7\u00e3o dominante, \u00e9 vista como uma simples unidade de produ\u00e7\u00e3o pertencente a acionistas. Mas essa vis\u00e3o \u00e9 imprecisa em compara\u00e7\u00e3o com a realidade. Uma empresa tamb\u00e9m \u00e9 um coletivo de trabalho, portanto, um espa\u00e7o social e pol\u00edtico. \u00c9 isso que o modelo de cooperativa de trabalhadores (SCOP) abrange, baseado em uma vis\u00e3o democr\u00e1tica da empresa. H\u00e1 aspectos interessantes a serem adaptados, pois essas s\u00e3o formas de organiza\u00e7\u00e3o que existem h\u00e1 muito tempo e continuam em desenvolvimento. Ent\u00e3o, sim, podemos nos inspirar na empresa, mas n\u00e3o em qualquer empresa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Existe alguma liga\u00e7\u00e3o entre a democracia no trabalho e a democracia pol\u00edtica?<\/h2>\n\n\n\n<p>Sim. A quest\u00e3o fundamental \u00e9: pode-se ser cidad\u00e3o se algu\u00e9m depende de outros no trabalho? A democracia n\u00e3o deve se limitar a um sistema institucional, nem se reduzir a um simples sistema de delega\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata de questionar a democracia representativa, mas de complement\u00e1-la. As pr\u00e1ticas democr\u00e1ticas devem ser disseminadas por todas as esferas da sociedade: no trabalho, \u00e9 claro, mas tamb\u00e9m na escola e em outros espa\u00e7os de socializa\u00e7\u00e3o. Democracia n\u00e3o se resume a votar; \u00e9 tamb\u00e9m um conjunto de pr\u00e1ticas cotidianas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Se uma equipa municipal quiser criar uma cidade cooperativa, como pode proceder?<\/h2>\n\n\n\n<p>J\u00e1 existem exemplos. Em M\u00e9rignac, um projeto inicialmente concebido de forma vertical foi transformado em um espa\u00e7o cocriado com atores da economia social e solid\u00e1ria. Podemos tamb\u00e9m citar\u00a0os territ\u00f3rios de &#8220;desemprego zero de longa dura\u00e7\u00e3o&#8221;,\u00a0onde s\u00e3o criadas empresas com base nas compet\u00eancias e aspira\u00e7\u00f5es de indiv\u00edduos desempregados, com as autoridades locais desempenhando um papel significativo. H\u00e1 ainda projetos em que os cidad\u00e3os podem coinvestir, ou cooperativas nas \u00e1reas da mobilidade, energia ou cultura. Esta \u00e9 outra forma de abordar a gest\u00e3o p\u00fablica, mais aberta e intersetorial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ser\u00e1 poss\u00edvel reconstruir a democracia a n\u00edvel local?<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o creio que devamos opor o local ao nacional. O n\u00edvel local pode ser um espa\u00e7o para resist\u00eancia ou experimenta\u00e7\u00e3o, sobretudo gra\u00e7as \u00e0 proximidade e \u00e0s conex\u00f5es sociais. Mas n\u00e3o existe solu\u00e7\u00e3o m\u00e1gica nas comunidades locais. O n\u00edvel local tamb\u00e9m pode reproduzir formas de domina\u00e7\u00e3o ou clientelismo. Portanto, precisamos atuar em m\u00faltiplos n\u00edveis. A democracia deve ser fortalecida tanto local quanto nacionalmente, e de forma mais ampla em todas as esferas da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Timoth\u00e9e Duverger \u00e9 doutor em Hist\u00f3ria, leciona no Sciences Po Bordeaux e dirige a c\u00e1tedra &#8220;Territ\u00f3rios da Economia Social e Solid\u00e1ria&#8221;.&nbsp;<\/em>&nbsp;\u25a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Timoth\u00e9e Duverger defende que se v\u00e1 para al\u00e9m da democracia participativa BIBLIOTECA DAS IDEIAS &#8211;&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":16496,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[519,733,238],"tags":[530],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Timothee-Duverder.jpg",597,373,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Timothee-Duverder-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Timothee-Duverder-300x187.jpg",300,187,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Timothee-Duverder.jpg",597,373,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Timothee-Duverder.jpg",597,373,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Timothee-Duverder.jpg",597,373,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Timothee-Duverder.jpg",597,373,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Timothee-Duverder.jpg",597,373,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Timothee-Duverder.jpg",597,373,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Timothee-Duverder.jpg",597,373,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Timothee-Duverder-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Timothee-Duverder-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/biblioteca-das-ideias\/\" rel=\"category tag\">BIBLIOTECA DAS IDEIAS<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/cooperativismo\/\" rel=\"category tag\">COOPERATIVISMO<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a>","tag_info":"DESTAQUE","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16495"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16495"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16495\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16497,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16495\/revisions\/16497"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16496"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16495"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16495"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16495"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}