{"id":16702,"date":"2026-04-14T21:07:40","date_gmt":"2026-04-14T21:07:40","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=16702"},"modified":"2026-04-14T21:08:18","modified_gmt":"2026-04-14T21:08:18","slug":"irene-pimentel-valoriza-a-coragem-de-pacheco-pereira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2026\/04\/14\/irene-pimentel-valoriza-a-coragem-de-pacheco-pereira\/","title":{"rendered":"Irene Pimentel valoriza a coragem de Pacheco Pereira"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A historiadora destaca a forma como foi tratada por PP a quest\u00e3o da guerra colonial<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"388\" height=\"379\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/irene-Pimentel-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8797\" style=\"aspect-ratio:1.0237467018469657;width:148px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/irene-Pimentel-1.jpg 388w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/irene-Pimentel-1-300x293.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 388px) 100vw, 388px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">por Irene Pimentel in Facebook<\/h3>\n\n\n\n<div style=\"height:28px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Como se combate e derrota o chega e o ventura? n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil saber, mas temos de defender a democracia e combater a crueldade (como muito bem disse Jos\u00e9 Pacheco Pereira).<\/p>\n\n\n\n<p>Vem isto a prop\u00f3sito do desafio que o meu amigo Jos\u00e9 Pacheco Pereira (JPP) fez ao energ\u00fameno ventura. Desde o in\u00edcio havia temor e cr\u00edtica relativamente \u00e0 impossibilidade de haver qualquer debate com o porco na lama.<\/p>\n\n\n\n<p>1. Eu pr\u00f3pria defendo os meus amigos e, por isso, quis ajud\u00e1-lo na decis\u00e3o corajosa que tomou. Tenho lido muitos coment\u00e1rios e na minha cabe\u00e7a borbulham muitos outros, sobre os quais tenho pensado.<\/p>\n\n\n\n<p>2. JPP nunca esteve em situa\u00e7\u00e3o de igualdade &#8211; a verdade hist\u00f3rica e a mentira ininterrupta e mal-criada nunca est\u00e3o no mesmo p\u00e9. A complexidade e as contradi\u00e7\u00f5es dos temas abordados n\u00e3o s\u00e3o pass\u00edveis de &#8220;enfiar&#8221; numa hora.<\/p>\n\n\n\n<p>3. Admiro a coragem de JPP, embora n\u00e3o esperasse nada de diferente e identifico-me com ele e estarei sempre ao lado dele.<\/p>\n\n\n\n<p>4. Penso que ele esteve muito bem, em particular no que se relacionou com a guerra colonial e na nacionalidade dos presos pol\u00edticos nas col\u00f3nias. Um amigo enviou-me a transcri\u00e7\u00e3o desa parte, que publicarei de seguida.<\/p>\n\n\n\n<p>5. N\u00e3o considero que JPP tenha sido arrogante intelectualmente face a um ser abjecto. Foi pena n\u00e3o ter tido tempo para tornar absolutamente claro quantos presos pol\u00edticos houve em Portugal e nas col\u00f3nias durante a ditadura e logo ap\u00f3s 25\/4\/74.<\/p>\n\n\n\n<p>6. Relativamente a estes, foram cerca de dois milhares de elementos da PIDE\/DGS (os \u00fanicos a ser julgados, amnistiados e soltos), algumas dezenas de golpistas do 25\/9\/74 e do 11\/3\/75, cerca de 300 a 400 elementos do MRPP e militares de esquerda na sequ\u00eancia do 25\/11\/75.<\/p>\n\n\n\n<p>7. O &#8220;moderador&#8221; esteve muito mal. Ali\u00e1s devia ter sido o diretor da CNN a &#8220;moderar&#8221;. Percebe-se que fugiu e colocou no seu lugar algu\u00e9m sem for\u00e7a para &#8220;moderar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Continuo a pensar: como se combate ent\u00e3o o chega e o seu chefe? N\u00e3o h\u00e1 resposta f\u00e1cil. At\u00e9 penso que em \u00faltima an\u00e1lise JPP fez bem, at\u00e9 para mostrar que n\u00e3o h\u00e1 &#8220;debate&#8221; poss\u00edvel na lama.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Transcri\u00e7\u00e3o do debate sobre os presos pol\u00edticos<\/h2>\n\n\n\n<p>Irene Pimentel [TAL COMO PROMETIDO, TRANSCREVO PARTE DO &#8220;DEBATE&#8221; EM QUE JPP ABORDA OS PRESOS DAS COL\u00d3NIAS, 4.000 DOS QUAIS ESTAVAM PRESOS ANTES DE 25\/4\/1974. A transcri\u00e7\u00e3o \u00e9 de um amigo, que vive na Holanda, e me enviou.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Pacheco Pereira: \u201cAcha que houve guerra colonial ou guerra do ultramar?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Andr\u00e9 Ventura: \u201cAcho que houve um pouco de tudo, mas acho que houve guerra.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P.: \u201cUm pouco de tudo n\u00e3o \u00e9 resposta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cAcho que houve guerra\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: &#8220;Porque \u00e9 que tem sentido meter os presos das col\u00f3nias? Das duas, uma: ou Andr\u00e9 Ventura acha que a guerra era no ultramar, e se a guerra era no ultramar, os que foram presos eram portugueses, ou acha que era uma guerra colonial e, nesse caso, como \u00e9 um nacionalista, d\u00e1 certamente raz\u00e3o aos angolanos, aos mo\u00e7ambicanos e aos cabo-verdianos que se revoltaram contra Portugal. Sabe quem estava preso? (\u2026) O n\u00famero de presos guerrilheiros era relativamente pequeno por uma raz\u00e3o: a maioria dos presos que eram guerrilheiros ou iam parar \u00e0 PIDE ou aos aquartelamentos militares, e muitos deles foram executados e torturados.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A quest\u00e3o \u00e9 absurda&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cAs torturas eram comuns em Lisboa a seguir ao 25 de Abril.<\/p>\n\n\n\n<p>P.P:\u201cN\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 verdade\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cN\u00e3o \u00e9 verdade? Hahaha.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cEssa compara\u00e7\u00e3o, em si mesma, \u00e9 uma grande mentira. \u00c9 a mesma coisa que comparar um, dois ou tr\u00eas casos com 10 mil casos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cEram centenas de casos!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cGrande parte dos presos que estavam em Angola, Mo\u00e7ambique e Cabo Verde eram enfermeiros, funcion\u00e1rios dos correios, professores prim\u00e1rios, pastores protestantes. Eram pessoas que, em muitos casos, eram estudantes que eram aliciados para regressar de Portugal para as col\u00f3nias e eram presos nas col\u00f3nias. Mesmo que n\u00e3o considerasse que s\u00e3o presos pol\u00edticos os guerrilheiros, a quest\u00e3o \u00e9 absurda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Temos aqui uma diferen\u00e7a de fundo&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cSe Espanha invadisse Portugal, o que \u00e9 que fazia?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cLutava, mas pelo meu pa\u00eds, n\u00e3o por outro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cLutaria pelo seu pa\u00eds. E um angolano, um mo\u00e7ambicano e um cabo-verdiano est\u00e1 a lutar pelo seu\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cEnt\u00e3o atacar o ex\u00e9rcito portugu\u00eas, para si, era um crime pol\u00edtico?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cN\u00e3o, atacar o ex\u00e9rcito portugu\u00eas \u00e9 uma atitude pol\u00edtica, um m\u00e9todo pol\u00edtico\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cMas acha que isto \u00e9 justific\u00e1vel?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cIsto n\u00e3o \u00e9 um problema de justifica\u00e7\u00e3o\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cDesculpe l\u00e1, Pacheco Pereira, temos aqui uma diferen\u00e7a de fundo. Para mim atacar beb\u00e9s, mulheres e militares portugueses n\u00e3o \u00e9 um crime pol\u00edtico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se tra\u00edmos, Angola, Mo\u00e7ambique, Cabo Verde deveriam ser parte de Portugal&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cSabe, eu gosto do meu pa\u00eds\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cN\u00e3o parece\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cPare\u00e7o, pare\u00e7o\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cOlhe que n\u00e3o parece, a dizer que crimes contra o ex\u00e9rcito portugu\u00eas s\u00e3o crimes pol\u00edticos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cPor isso, a guerra colonial foi uma guerra injusta, e sabe porque \u00e9 que ela correu mal para Portugal?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cSei, porque os tra\u00edmos. Tra\u00edmos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cN\u00e3o. Ai tra\u00edmos? Se tra\u00edmos, Angola, Mo\u00e7ambique, Cabo Verde deveriam ser parte de Portugal.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Havia mais presos em Angola, Cabo Verde e Mo\u00e7ambique do que presos pol\u00edticos em Portugal. Coisa estranha!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: N\u00e3o \u00e9 verdade que n\u00e3o houvesse presos guerrilheiros. Uma grande parte dos presos, quer na Guin\u00e9, quer em Mo\u00e7ambique, quer em Angola, \u00e9 de pessoas que tinham atacado o Estado portugu\u00eas, o Ex\u00e9rcito Portugu\u00eas, que tinham violado, que tinham morto [sic] beb\u00e9s, mulheres.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cIsso praticamente aconteceu no massacre da UPA, depois o resto n\u00e3o era comum.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cN\u00e3o \u00e9 verdade? \u00d3 Pacheco Pereira, isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Se considerar isto presos pol\u00edticos, eu acho que isso \u00e9 grave para o Estado portugu\u00eas, porque significa que \u00e9 muito pouco patriota, mas isso \u00e9 outra coisa\u2026\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cEsta agora. Esta agora. Isso \u00e9 um insulto, eu sou muito pouco patriota porqu\u00ea? Porque acho que havia uma guerra colonial?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cExplique uma coisa, como \u00e9 que \u00e9ramos uma ditadura t\u00e3o feroz se tinha cento e tal pessoas presas em Lisboa? Havia mais presos em Angola, Cabo Verde e Mo\u00e7ambique do que presos pol\u00edticos em Portugal. Coisa estranha!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Est\u00e3o os dois errados, est\u00e3o os dois errados!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cH\u00e1 compara\u00e7\u00f5es que s\u00e3o elas pr\u00f3prias mentiras.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cPois, pois\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cE uma dessas compara\u00e7\u00f5es \u00e9 falar do que aconteceu no per\u00edodo entre 74, 75, 76 e comparar com o que aconteceu nos 48 anos anteriores. A maioria desses presos, e houve essas viol\u00eancias, n\u00e3o discordo. (\u2026) Mas uma coisa eu lhe digo: a maioria dessas pessoas foram libertadas poucos meses depois, a maioria dessas pessoas nunca passaram pela cadeia e mais: nunca passaram por cadeia efetiva, decidida por um tribunal.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201c17 meses presos, \u00f3 Pacheco Pereira! A maior parte dos corruptos do nosso tempo n\u00e3o leva 17!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201c17 meses? Ent\u00e3o devo dizer-lhe que muita gente j\u00e1 tinha a pena cumprida, como era o caso de [\u00c1lvaro] Cunhal, por exemplo. (\u2026) Muita gente era sujeita a medidas de seguran\u00e7a que na pr\u00e1tica significava pris\u00e3o perp\u00e9tua.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cEst\u00e3o os dois errados, est\u00e3o os dois errados!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cA compara\u00e7\u00e3o \u00e9 que \u00e9 err\u00f3nea. Houve casos desse g\u00e9nero depois do 25 de Abril.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: Casos\u2026 parece que \u00e9 uma coisa pontual.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201c\u00c9, e \u00e9 t\u00e3o pontual que ela \u00e9 incompar\u00e1vel com o que aconteceu.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Est\u00e1 a rir-se?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: N\u00f3s continuamos a dizer que antes do 25 de Abril era tudo mau, depois do 25 de Abril foi tudo bom. N\u00e3o! Vamos passar essa parte da hist\u00f3ria. Vamos assumir que houve viol\u00eancia de um lado e do outro. E eu gostava que o Pacheco Pereira fosse capaz de dizer assim: \u2018que diabo, houve tortura dos dois lados! Houve erros dos dois lados! Houve pris\u00f5es dos dois lados! Houve terrorismo dos dois lados!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cSabe porque \u00e9 que eu n\u00e3o posso dizer isso?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cPorque n\u00e3o tem independ\u00eancia!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cSabe porque \u00e9 que eu n\u00e3o posso dizer isso? \u00c9 porque compara\u00e7\u00e3o \u00e9 d\u00faplice. E vou dizer porque \u00e9 que \u00e9 d\u00faplice. Eu nunca neguei que houvesse viol\u00eancia no per\u00edodo p\u00f3s-25 de Abril. S\u00f3 que eu recuso-me completamente a fazer a compara\u00e7\u00e3o que o Andr\u00e9 Ventura est\u00e1 a fazer.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: Porque est\u00e1 enviesado!<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cN\u00e3o, n\u00e3o estou enviesado ideologicamente. \u00c9 porque \u00e9 uma compara\u00e7\u00e3o absurda. A tortura que aconteceu depois do 25 de Abril \u00e9 casos isolados. (\u2026) Sabe o que \u00e9 comparar a tortura e as pris\u00f5es que houve depois do 25 de Abril com o que aconteceu antes? \u00c9 d\u00faplice. Antes, n\u00f3s tivemos entre 30 mil e 40 mil presos pol\u00edticos\u2026 Est\u00e1 a rir-se?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cN\u00e3o me estou a rir\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Homem, ou\u00e7a-me!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cAo falar como Andr\u00e9 Ventura fala, est\u00e1 a justificar a ditadura. Sabe como \u00e9 que est\u00e1 a justificar a ditadura? Ao fazer uma compara\u00e7\u00e3o que \u00e9 ela toda falsa. O que est\u00e1 a dizer \u00e9 que o aconteceu depois \u00e9 semelhante ao que acontecia antes\u2026\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cMas tortura \u00e9 tortura!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cPosso continuar?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cTortura \u00e9 tortura!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cExatamente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cMorte \u00e9 morte! Seja pelos nazis, seja pelos sovi\u00e9ticos!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cSim, sim, sim. Exatamente. \u00c9. \u00c9. S\u00f3 que voc\u00ea n\u00e3o pode comparar 10 ou 20 mil casos de tortura que ocorreram durante 48 anos com meia d\u00fazia de casos de tortura que ocorreram.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cFoi em dois anos, \u00f3 Pacheco Pereira!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cPosso continuar?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cSe fosse mais anos, se calhar seriam muito mais\u2026\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cAgora tem de me ouvir.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cE oi\u00e7o com gosto. Mas n\u00e3o est\u00e1 a ser s\u00e9rio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cE essa compara\u00e7\u00e3o coloca-o do lado de antes do 25 de Abril. Sabe porqu\u00ea? Porque o discurso que est\u00e1 a fazer \u00e9 dizer \u2018a democracia \u00e9 igual \u00e0 ditadura\u2019, que ali\u00e1s \u00e9 o que faz em todo o lado com a quest\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cFui eleito em democracia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cPosso continuar. Foi eleito em democracia, eu tamb\u00e9m fui.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cEu nasci em 1983. N\u00e3o quero saber da ditadura para nada. Eu quero \u00e9 que voc\u00eas deixem de ter palas nos olhos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cMas voc\u00eas quem?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cVoc\u00eas, a esquerda intelectual, que s\u00f3 consegue ver uma parte da hist\u00f3ria.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: \u201cEu nunca tratei o Chega como um partido fascista. Nem o vou fazer porque acho que n\u00e3o \u00e9. Mas com esse tipo de afirma\u00e7\u00f5es de extrema-direita, \u00e9. Eu vou dizer-lhe porqu\u00ea: voc\u00eas transformam meia d\u00fazia de casos num processo de consolida\u00e7\u00e3o da democracia com aquilo que aconteceu durante mais de uma gera\u00e7\u00e3o de portugueses.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: \u201cCentenas de presos arbitr\u00e1rios?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: &#8220;Homem, ou\u00e7a-me!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mas est\u00e1 a atacar a PSP?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: Mas sabemos o que aconteceu, foram abandonados \u00e0 sua sorte, os militares portugueses foram tratados como lixos e os antigos combatentes foram tratados como descart\u00e1veis. Isso \u00e9 falta de patriotismo, seja de esquerda ou \u00e0 direita, eu n\u00e3o me revejo nisso. Os militares portugueses estavam a cumprir ordens, tinham que cumprir ordens. Quem ataca militares portugueses deve ser preso, n\u00e3o quer saber, est\u00e1 a atacar for\u00e7as vivas da nossa sociedade, est\u00e1 a atacar o nosso pa\u00eds. Quem \u00e9 patriota \u00e9 assim que fala, n\u00e3o \u00e9 com &#8216;mi mi mi mi, ah e tal, estavam a defender n\u00e3o sei o qu\u00ea&#8217;, estavam a atacar portugueses, estavam a atacar as for\u00e7as armadas portuguesas. (&#8230;) Inglaterra esteve muito melhor e teve muito mais capacidade de gerir os processos de descoloniza\u00e7\u00e3o do que n\u00f3s, porqu\u00ea? Porque n\u00f3s tivemos uma revolu\u00e7\u00e3o miser\u00e1vel, miser\u00e1vel, puxou as piores for\u00e7as da sociedade, puxou as piores for\u00e7as da sociedade. (&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: Sabe qual \u00e9 o problema? \u00c9 uma mistura de ignor\u00e2ncia e demagogia, que \u00e9 o que voc\u00ea est\u00e1 a fazer &#8230; eu vou lhe dizer porqu\u00ea. Em primeiro lugar, a revolu\u00e7\u00e3o miser\u00e1vel de que est\u00e1 a falar, que \u00e9 o 25 de Abril, essa revolu\u00e7\u00e3o miser\u00e1vel deu a liberdade a Portugal, deu a liberdade para voc\u00ea dizer o que diz, deu a liberdade e deu a democracia para poder estar no Parlamento.<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: Mas deu coisas m\u00e1s tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: &#8220;Oh homem, posso continuar? (&#8230;) Olhe, eu no dia 25 de Abril estava na clandestinidade e ia transportar um copi\u00f3grafo, que era uma m\u00e1quina que era fundamental, de um s\u00edtio menos protegido para um s\u00edtio mais protegido. Estava no Porto, no Porto n\u00e3o havia movimenta\u00e7\u00f5es militares significativas e portanto eu n\u00e3o sabia e os meus companheiros n\u00e3o sabiam o que se estava a passar e est\u00e1vamos convencidos de que havia um golpe do general Ka\u00falza de Arriaga e, quando fomos tentar saber o que estava a passar, vimos uma coisa que nunca t\u00ednhamos visto antes, que era uma carrinha da PSP fugir do \u00fanico soldado do MFA que patrulhava a Avenida dos Aliados. E sabe o que \u00e9 que isso significa? Significa que, para mim, eu de manh\u00e3 era um e de tarde era outro, e mais, isso significa que este foi o dia mais importante.<\/p>\n\n\n\n<p>A.V: Mas est\u00e1 a atacar a PSP?<\/p>\n\n\n\n<p>P.P: Oh homem, n\u00e3o venha com essas coisas de que estou a atacar a PSP!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A historiadora destaca a forma como foi tratada por PP a quest\u00e3o da guerra colonial&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":16703,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[459,747],"tags":[133],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ppeAV.jpg",560,271,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ppeAV-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ppeAV-300x145.jpg",300,145,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ppeAV.jpg",560,271,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ppeAV.jpg",560,271,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ppeAV.jpg",560,271,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ppeAV.jpg",560,271,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ppeAV.jpg",560,271,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ppeAV.jpg",560,271,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ppeAV.jpg",560,271,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ppeAV-540x271.jpg",540,271,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ppeAV-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/curtas\/\" rel=\"category tag\">CURTAS<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/debates\/\" rel=\"category tag\">DEBATES<\/a>","tag_info":"DEBATES","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16702"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16702"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16702\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16705,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16702\/revisions\/16705"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16703"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16702"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16702"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16702"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}