{"id":16940,"date":"2026-05-19T14:49:49","date_gmt":"2026-05-19T14:49:49","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=16940"},"modified":"2026-05-19T14:50:36","modified_gmt":"2026-05-19T14:50:36","slug":"emigrar-tem-uma-diagonal-chama-se-educacao-permanente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2026\/05\/19\/emigrar-tem-uma-diagonal-chama-se-educacao-permanente\/","title":{"rendered":"Emigrar tem uma diagonal, chama-se Educa\u00e7\u00e3o Permanente"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mariano Gago, um percursor das rela\u00e7\u00f5es explorat\u00f3rias e informais na educa\u00e7\u00e3o de adultos<\/h2>\n\n\n\n<p>GRANDE DEBATE <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"520\" height=\"491\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/lu2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16941\" style=\"aspect-ratio:1.0590631364562118;width:150px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/lu2.jpg 520w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/lu2-300x283.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 520px) 100vw, 520px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Por Luc\u00edlia Salgado<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\"><strong>\u201cGrande Debate NSF:<\/strong>\u00a0construir as utopias poss\u00edveis \u2013 Portugal 2026\u2033 \u2013 EDUCA\u00c7\u00c3O [1] \u2013 Educa\u00e7\u00e3o de adultos [2].<\/p>\n\n\n\n<p>Perante os tristes discursos p\u00fablicos sobre a emigra\u00e7\u00e3o e os emigrantes, que o partido Chega legitimou, apresentando-os quase como perigosos \u201cbichos\u201d atacantes da p\u00e1tria, quero homenagear os homens e mulheres que fizeram desta aventura o seu projeto de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o resisto a falar da minha vida em que, por duas ocasi\u00f5es tive a oportunidade de conviver com migrantes: primeiro em Paris e em Genebra e, mais recentemente com afrodescendentes, maioritariamente origin\u00e1rios da Guin\u00e9-Bissau. Fiz, entre eles, grandes amigos e deram-me oportunidade de ricas aprendizagens rec\u00edprocas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Europa, fiz este percurso com Jos\u00e9 Mariano Gago (JMG), ent\u00e3o investigador em Centros reconhecidos, &#8211; mais tarde, importante ministro em Portugal &#8211; mas nos tempos de lazer em atividades com emigrantes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">PARIS 1975<\/h2>\n\n\n\n<p>Em Paris, um grupo de jovens portugueses, emigrantes, animado pelo esp\u00edrito do 25 de abril queixa-se de querer saber mais, de querer aprender, mas n\u00e3o ter acesso a quem lhes possa facultar orienta\u00e7\u00e3o para estas aprendizagens.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA culpa \u00e9 nossa\u201d \u2013 diz Jos\u00e9 Mariano Gago (JMG) \u2013 \u201cn\u00e3o fazemos nada!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com alguns amigos interessados \u2013 entre eles o M\u00e1rio Moutinho, atual Reitor da U. Lus\u00f3fona, a Helena Gelpi que esteve no Chapit\u00f4, o Manuel Campos Pinto, j\u00e1 falecido e a sua ex-mulher Mado, professora em Fran\u00e7a \u2013 e um grupo de uns vinte que, \u00e0 partida, chamar\u00edamos de participantes, cri\u00e1mos o que JMG chamava um coletivo que reunia na Casa de Portugal, Resid\u00eancia Andr\u00e9 de Gouveia na Cidade Universit\u00e1ria, em Paris.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7\u00e1mos por pegar nos programas do 9\u00ba ano de Portugal, mas todo o Ensino estava em reforma e ainda n\u00e3o havia nada de novo. Opt\u00e1mos por seguir os objetivos expressos, nos antigos, cruzando disciplinas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>JMG, em contato com Ettore Gelpi da UNESCO, falou no m\u00e9todo dos complexos que estudou com Makarenco e, fomos avan\u00e7ando. Come\u00e7\u00e1mos por \u00c1frica, estud\u00e1mos a Geografia e a Hist\u00f3ria, escrevemos, lemos em Portugu\u00eas, em Franc\u00eas e em Ingl\u00eas, mas com uma forte consci\u00eancia, digamos que, sociopol\u00edtica. Olh\u00e1mos para o mapa e, para al\u00e9m da geografia f\u00edsica e humana tentamos perceber a Confer\u00eancia de Berlim de 1885 feita a r\u00e9gua e esquadro pelas pot\u00eancias coloniais. E o que havia antes? Estud\u00e1mos as civiliza\u00e7\u00f5es pr\u00e9-coloniais: a civiliza\u00e7\u00e3o das clareiras. Depois estud\u00e1mos o tri\u00e2ngulo da rota dos escravos entre Angola (\u00c1frica) , Brasil e Portugal (a Europa). Todos tivemos de estudar muito porque n\u00e3o havia professores especializados em programas que \u00edamos criando de acordo com as perguntas.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de \u00c1frica, percebemos ent\u00e3o que ningu\u00e9m era obrigado a seguir programas nenhuns porque as pessoas s\u00f3 queriam aprender, saber mais e o JMG perguntou ent\u00e3o O que queriam aprender? O \u00c1lvaro disse que gostava de perceber como funcionava uma m\u00e1quina fotogr\u00e1fica (acabou por se fazer uma com uma caixa de sapatos) mas a Manuela, que pertencia ao comit\u00e9 de empresa de uma f\u00e1brica t\u00eaxtil disse que gostava de saber com funcionava uma f\u00e1brica, tudo para compreender a sua empresa: ingl\u00eas para ler as revistas da empresa que por l\u00e1 andavam, o funcionamento das m\u00e1quinas, <img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"8\" height=\"7\" src=\"\">estud\u00e1mos as doen\u00e7as de vis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O JMG dizia que a Matem\u00e1tica era o mais dif\u00edcil de integrar, trabalh\u00e1mos, depois, a problem\u00e1tica da emigra\u00e7\u00e3o. A\u00ed todos tivemos de estudar e aqueles que seriam considerados participantes estudaram tamb\u00e9m.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">No princ\u00edpio n\u00e3o foi f\u00e1cil. Come\u00e7ou a chegar muita gente a Genebra vinda sobretudo de Martinchel, uma freguesia pr\u00f3xima da Barragem de Castelo do Bode. Vinham para aprender franc\u00eas, mas olhavam-nos com dist\u00e2ncia. Ingenuamente pergunt\u00e1mos \u201c- O que querem aprender?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">&nbsp;\u201c- Voc\u00eas \u00e9 que sabem, voc\u00eas \u00e9 que s\u00e3o os professores\u2026\u201d. Soubemos mais tarde que detestavam a escola e alguns tudo tinham feito para a abandonar, em pequenos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">O ZMG prop\u00f4s-lhes ent\u00e3o ir ver Genebra num s\u00e1bado e fomos ao Museum de Hist\u00f3ria Natural. Fomos seguindo explicando o ZMG o que \u00edamos vendo. Em determinada altura surgem vitrinas com os habitats dos p\u00e1ssaros. Avan\u00e7\u00e1mos normalmente e verific\u00e1mos que ficaram todos para tr\u00e1s, imitando o piar e o cantar dos p\u00e1ssaros, discutindo entre si se eram machos ou f\u00eameas, por que estariam poisados em determinado ramo.&nbsp; Par\u00e1mos para escutar e fomos fazendo perguntas. Estavam incr\u00e9dulos por n\u00e3o sabermos\u2026&nbsp; Ent\u00e3o n\u00f3s, professores, n\u00e3o sab\u00edamos uma coisa t\u00e3o f\u00e1cil?<\/p>\n\n\n\n<p>No final JMG insistiu para que se apresentassem a exame do 6\u00ba ano e do 9\u00ba ano, no Consulado de Portugal, os que se sentissem capazes. Todos se apresentaram e conseguiram. Procurava-se que tivessem atingido os objetivos previstos nos antigos programas, agora reinterpretados por n\u00f3s sob a forma do que hoje chamamos compet\u00eancias e interagindo sobre as suas hist\u00f3rias de vida.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra ideia importante tem a ver com o seguimento das pessoas que participaram neste coletivo que, infelizmente, n\u00e3o conseguimos fazer. Um amigo disse-me que uma professora que encontrou numa Escola do Barreiro lhe disse que estava ali gra\u00e7as ao JMG e referiu-se a este coletivo dizendo que a maior parte dos que o frequentaram e voltaram para Portugal acabaram por fazer uma licenciatura. O JMG teria ficado contente se o tivesse podido saber.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi neste sentido que, anos mais tarde, Alberto Melo e a sua equipa desenvolveram em Portugal o programa RVCC (Reconhecimento, Avalia\u00e7\u00e3o e Certifica\u00e7\u00e3o de Compet\u00eancias) a partir das hist\u00f3rias de vida dos participantes, validadas num referencial de compet\u00eancias? Mais importante do que saber de cor os conte\u00fados dos programas seria adquirir\/desenvolver compet\u00eancias que permitissem \u00e0 pessoa continuar a pesquisar de acordo com as suas necessidades. Muitas destas atividades acabaram por ser percussoras de inova\u00e7\u00f5es importantes na educa\u00e7\u00e3o em Portugal, sobretudo no campo da educa\u00e7\u00e3o de adultos. Carece de ser estudado!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 na parte final da estadia do JMG em Gen\u00e8ve, de entre as v\u00e1rias atividades realizadas conta-se a conce\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o de um filme em que o grupo relatava a sua vida em Genebra. Chamava-se <em>O Senhor \u00e9 Portugu\u00eas? <\/em>&nbsp;Passavam-se fins-de-semana inteiros na UOG. A meio da tarde dava a fome e s\u00f3 havia uma m\u00e1quina distribuidora de produtos l\u00e1cteos \u2013 su\u00ed\u00e7os, claro! -. Era mesmo a \u00fanica hip\u00f3tese. Entre muita refilice\u2026&nbsp; l\u00e1 tinha de ser. E, a pouco e pouco, foi-se introduzindo o h\u00e1bito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 muita forma de aprender, dizia o JMG!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mariano Gago, um percursor das rela\u00e7\u00f5es explorat\u00f3rias e informais na educa\u00e7\u00e3o de adultos GRANDE DEBATE&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":16943,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[459,635,772],"tags":[775],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/foto-imigrantes.jpg",440,321,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/foto-imigrantes-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/foto-imigrantes-300x219.jpg",300,219,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/foto-imigrantes.jpg",440,321,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/foto-imigrantes.jpg",440,321,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/foto-imigrantes.jpg",440,321,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/foto-imigrantes.jpg",440,321,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/foto-imigrantes.jpg",440,321,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/foto-imigrantes.jpg",440,321,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/foto-imigrantes.jpg",440,321,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/foto-imigrantes.jpg",440,321,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/foto-imigrantes-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/curtas\/\" rel=\"category tag\">CURTAS<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/educacao-de-adultos\/\" rel=\"category tag\">EDUCA\u00c7\u00c3O DE ADULTOS<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/grande-debate\/\" rel=\"category tag\">GRANDE DEBATE<\/a>","tag_info":"GRANDE DEBATE","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16940"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16940"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16940\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16944,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16940\/revisions\/16944"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16943"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16940"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16940"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16940"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}