{"id":16990,"date":"2026-06-03T08:25:50","date_gmt":"2026-06-03T08:25:50","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=16990"},"modified":"2026-06-03T10:11:36","modified_gmt":"2026-06-03T10:11:36","slug":"no-dia-da-greve-geral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2026\/06\/03\/no-dia-da-greve-geral\/","title":{"rendered":"No dia da greve geral"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Na altura n\u00e3o se falava em colegas, era companheiros e companheiras!<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">Fonte: Funda\u00e7\u00e3o Gulbenkian, divulgado pela Beira Serra<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">[Para assinalar o Dia da Greve Geral &#8211; 3 de junho de 2026 &#8211; publicamos um artigo sobre o 1\u00ba de maio e sobre as lutas dos trabalhadores da ind\u00fastria t\u00eaxtil na Covilh\u00e3] &#8211; CVR \/ Nsf<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Para assinalar o Dia do Trabalhador, a Funda\u00e7\u00e3o Gulbenkian conversou com trabalhadores da ind\u00fastria t\u00eaxtil da Covilh\u00e3 sobre liberdade, resist\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o coletiva, antes e depois do 25 de Abril de 1974.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Entre trabalhadores no ativo e reformados, todos integram o projeto de arte participativa e comunit\u00e1ria Urdidura, apoiado pela 3.\u00aa edi\u00e7\u00e3o da iniciativa PARTIS &amp; Art for Change. O projeto re\u00fane pessoas com origens e percursos diversos \u2013 desde antigos oper\u00e1rios dos lanif\u00edcios a trabalhadores e estudantes imigrantes recentemente chegados \u00e0 regi\u00e3o \u2013 e desafia-os a partilhar um processo art\u00edstico coletivo nas \u00e1reas da dramaturgia, do teatro e do cinema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Sublinhando o contributo dos oper\u00e1rios fabris da Beira Interior na conquista de direitos laborais, as suas vozes desenham uma hist\u00f3ria comum: a de um territ\u00f3rio industrial onde o trabalho, a luta e a liberdade se entrela\u00e7am, fio a fio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As pessoas n\u00e3o podiam dizer mal do governo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">Elvira Cardoso \u00e9 reformada da ind\u00fastria t\u00eaxtil e come\u00e7ou a trabalhar numa f\u00e1brica de lanif\u00edcios da Covilh\u00e3 ainda n\u00e3o tinha 13 anos. Vinda da aldeia da Bou\u00e7a, fazia longos percursos a p\u00e9 para chegar ao trabalho ou ficava alojada com outras raparigas, sempre acompanhadas por uma mulher mais velha, tamb\u00e9m oper\u00e1ria fabril. Trabalhou na sec\u00e7\u00e3o da ultima\u00e7\u00e3o e foi delegada sindical at\u00e9 ao encerramento da f\u00e1brica. Ao falar do per\u00edodo anterior ao 25 de Abril, recorda um tempo marcado pelo medo e pela falta de liberdade: \u201cAs pessoas n\u00e3o podiam dizer mal do governo, e muitos at\u00e9 tinham de emigrar porque n\u00e3o havia liberdade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Trabalhar em crian\u00e7a era comum na ind\u00fastria t\u00eaxtil da regi\u00e3o, sobretudo entre raparigas, e as desigualdades salariais faziam parte do quotidiano. Maria Am\u00e9lia Simpl\u00edcio, que viveu toda a vida no Tortosendo, come\u00e7ou ainda crian\u00e7a a trabalhar numa f\u00e1brica de lanif\u00edcios e mais tarde tornou\u2011se urdideira. Atualmente reformada, foi delegada sindical durante v\u00e1rios anos e lembra que, mesmo antes da Revolu\u00e7\u00e3o, j\u00e1 existiam formas de luta organizada, como a greve de 1973 pelos sal\u00e1rios e pelos direitos dos trabalhadores dos lanif\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A resist\u00eancia acontecia tamb\u00e9m fora das greves e da visibilidade p\u00fablica. Gabriel Carrola, natural do Tortosendo, come\u00e7ou a trabalhar em crian\u00e7a, dando fios aos teares, e mais tarde foi tecel\u00e3o. Com um longo percurso no sindicalismo e no associativismo local, sublinha a import\u00e2ncia da solidariedade entre trabalhadores, que se organizavam para apoiar colegas doentes ou fam\u00edlias sem rendimento \u2013 gestos que, para ele, foram tamb\u00e9m formas concretas de resist\u00eancia ao fascismo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A seguir ao 25 de Abril sentimos logo na pele a liberdade<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">O 25 de Abril surge nas mem\u00f3rias como uma mudan\u00e7a sentida no pr\u00f3prio trabalho. Vieram as reuni\u00f5es, as reivindica\u00e7\u00f5es e uma nova forma de rela\u00e7\u00e3o dentro da f\u00e1brica, marcada por um forte sentimento coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Essa mem\u00f3ria do passado dialoga com experi\u00eancias mais recentes. Alexandre Faria, oper\u00e1rio t\u00eaxtil brasileiro a viver na Covilh\u00e3 h\u00e1 seis anos, trabalha atualmente na F\u00e1brica Paulo de Oliveira. No Urdidura, cruza a sua experi\u00eancia com as hist\u00f3rias de quem trabalhou nos lanif\u00edcios durante d\u00e9cadas, vendo nas lutas do passado uma for\u00e7a capaz de mobilizar os trabalhadores de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Tamb\u00e9m Cybelle Mendes, brasileira a viver na Covilh\u00e3 h\u00e1 sete anos, participante do projeto e consultora na \u00e1rea do cinema, sublinha a import\u00e2ncia hist\u00f3rica da ind\u00fastria t\u00eaxtil na organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e na dissemina\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia antifascista. Ao mesmo tempo, traz para o projeto uma reflex\u00e3o sobre liberdade no presente, marcada pela experi\u00eancia da migra\u00e7\u00e3o e pelas formas subtis de discrimina\u00e7\u00e3o que persistem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">No Urdidura, estas vozes entrela\u00e7am\u2011se num gesto coletivo de cria\u00e7\u00e3o. No Dia do Trabalhador, o projeto lembra que a liberdade e os direitos laborais n\u00e3o s\u00e3o abstratos: nascem do trabalho, da organiza\u00e7\u00e3o e das experi\u00eancias vividas por quem, gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o, fez da f\u00e1brica um lugar de luta e de comunidade.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"785\" height=\"442\" data-id=\"16991\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/bserra2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16991\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/bserra2.jpg 785w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/bserra2-300x169.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/bserra2-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 785px) 100vw, 785px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na altura n\u00e3o se falava em colegas, era companheiros e companheiras! 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