{"id":17063,"date":"2026-06-10T10:54:20","date_gmt":"2026-06-10T10:54:20","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=17063"},"modified":"2026-06-10T10:54:27","modified_gmt":"2026-06-10T10:54:27","slug":"os-parasitas-sociais-e-os-bons-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2026\/06\/10\/os-parasitas-sociais-e-os-bons-pobres\/","title":{"rendered":"Os parasitas sociais e os bons pobres"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Montenegro foi pescar nas refer\u00eancias do Estado Novo salazarista<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"388\" height=\"379\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/irene-Pimentel.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8438\" style=\"aspect-ratio:1.0237467018469657;width:153px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/irene-Pimentel.jpg 388w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/irene-Pimentel-300x293.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 388px) 100vw, 388px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">por Irene Pimentel<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Artigo de Irene Pimentel na revista An\u00e1lise Social, do Instituo de Ci\u00eancias Sociais (ICS), publicado em 1999, que denuncia o facto do governo de Montenegro se ter influenciado no Estado Novo salazarista. Um excerto relembrado no Facebook.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">\u00abFoi preciso esperar, no entanto, mais tr\u00eas anos para que fosse criado o Subsecretariado de Estado da Assist\u00eancia Social (Decreto-Lei n.\u00ba 30 692, de 27 de Agosto de 1940) e mais sete anos pela promulga\u00e7\u00e3o, na conjuntura de crise, mis\u00e9ria e de desemprego da Segunda Guerra Mundial, do Estatuto da Assist\u00eancia Social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Segundo este Estatuto, o Estado propunha-se \u00abvaler aos males e defici\u00eancias dos indiv\u00edduos, sobretudo pela melhoria das condi\u00e7\u00f5es morais, econ\u00f3micas ou sanit\u00e1rias dos seus agrupamentos naturais\u00bb, cabendo-lhe \u00aborientar, tutelar e favorecer\u00bb as iniciativas particulares ou \u00absuscitar, promover e sustentar\u00bb ele pr\u00f3prio obras de assist\u00eancia quando elas faltassem. Com uma t\u00f3nica preferencialmente preventiva ou recuperadora, em detrimento do car\u00e1cter curativo, a assist\u00eancia deveria ser prestada em coordena\u00e7\u00e3o com a previd\u00eancia e comos organismos corporativos, n\u00e3o favorecer a \u00abpregui\u00e7a\u00bb ou a \u00abpedinchice\u00bb e ter em vista \u00abo aperfei\u00e7oamento da pessoa e da fam\u00edlia\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">No que se relacionava com a assist\u00eancia familiar, o Estado propunha-se favorecer a regular constitui\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e o desempenho da sua fun\u00e7\u00e3o educadora, concedendo subs\u00eddios provis\u00f3rios e proporcionando meios de trabalho aos respectivos \u00abchefes\u00bb, mas s\u00f3 se substituindo \u00e0 institui\u00e7\u00e3o familiar, \u00abquando desaparecida, na protec\u00e7\u00e3o aos \u00f3rf\u00e3os ou abandonados e das vi\u00favas ou ascendentes sem meios de subsist\u00eancia\u00bb. A assist\u00eancia devia ser preferencialmente prestada no \u00ablar\u00bb ou atrav\u00e9s da coloca\u00e7\u00e3o dos \u00abassistidos\u00bb em fam\u00edlias rurais e s\u00f3 em \u00faltimo caso pela via do internamento em institui\u00e7\u00f5es estatais. Por maioria de raz\u00f5es, a assist\u00eancia materno-infantil deveria ser prestada prioritariamente \u00abao domic\u00edlio\u00bb, argumento utilizado pelo Estado Novo para se escusar a criar estruturas estatais colectivas e para diminuir os internamentos hospitalares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Para dar cumprimento ao Estatuto de 1944, a assist\u00eancia social foi reorganizada no ano seguinte (Decreto-Lei n.\u00ba 35 108, de 8 de Novembro de1945), com a cria\u00e7\u00e3o de um enorme aparelho burocr\u00e1tico que integrava, no \u00e2mbito do Subsecretariado de Estado da Assist\u00eancia Social, uma infind\u00e1vel quantidade de servi\u00e7os, na propor\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 escassa assist\u00eancia prestada .Num folheto de propaganda sobre a assist\u00eancia social em Portugal, editado pelo Secretariado de Propaganda Nacional depois do final da Segunda Guerra Mundial, considerava-se que os Portugueses tinham uma \u00abtend\u00eancia natural \u00e0 piedade, religiosidade e esp\u00edrito de sacrif\u00edcio\u00bb e que, por isso, lhes repugnava a \u00abmonstruosa teoria de Nietzsche de horror \u00e0 piedade, de desprezo pelos fracos\u00bb, baseada na ideia da \u00abselec\u00e7\u00e3o natural\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A assist\u00eancia caberia, assim, em primeiro lugar, ao esp\u00edrito caridoso dos Portugueses e \u00e0 iniciativa particular e s\u00f3 depois ao Estado. Reconhecia-se o pioneirismo de Beveridge ao proclamar na Gr\u00e3-Bretanha, em 1942, \u00abo esc\u00e2ndalo da mis\u00e9ria\u00bb e ao rever as pol\u00edticas utopistas da filantropia do s\u00e9culo XIX, mas lembrava-se que a indispens\u00e1vel assist\u00eancia p\u00fablica n\u00e3o podia \u00absuprir a assist\u00eancia particular\u00bb nem impossibilitar a benefic\u00eancia individual. O mais sensato num pa\u00eds onde, segundo o folheto, a mis\u00e9ria n\u00e3o tinha atingido seria \u00abprocurar modificar a mentalidade tradicional\u00bb e tornar a assist\u00eancia \u00abmais assente no dever de todos\u00bb do que \u00abno direito dos pobres\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">As principais causas de mis\u00e9ria eram, ainda nessa brochura, as \u00abtaras ps\u00edquicas\u00bb, provocadas pela \u00abdegeneresc\u00eancia heredit\u00e1ria\u00bb, pela s\u00edfilis e pelo alcoolismo, as situa\u00e7\u00f5es sociais, entre as quais pontificava a falta de amparo \u00e0s fam\u00edlias numerosas, e, finalmente, os defeitos individuais, provenientes da industrializa\u00e7\u00e3o e causadores de rela\u00e7\u00f5es degradadas entre patr\u00f5es e assalariados. Ao definir os que deveriam beneficiar da assist\u00eancia p\u00fablica, o Estado Novo estabeleceu uma aut\u00eantica tabela classificativa de \u00abmaus\u00bb \u2014 ou \u00abparasitas sociais\u00bb \u2014 e de \u00abbons\u00bb pobres, a \u00fanica categoria pass\u00edvel de ser apoiada e na qual se inclu\u00edam muitas mulheres, nomeadamente as m\u00e3es solteiras, as esposas e as crian\u00e7as abandonadas, \u00abquando os chefes se deixam arrastar por paix\u00f5es ou quando houve div\u00f3rcio\u00bb<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"865\" height=\"470\" data-id=\"17064\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/estado-novo-e-pobreza.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17064\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/estado-novo-e-pobreza.jpg 865w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/estado-novo-e-pobreza-300x163.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/estado-novo-e-pobreza-768x417.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 865px) 100vw, 865px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Montenegro foi pescar nas refer\u00eancias do Estado Novo salazarista por Irene Pimentel Artigo de Irene&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17064,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[238,781],"tags":[133],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/estado-novo-e-pobreza.jpg",865,470,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/estado-novo-e-pobreza-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/estado-novo-e-pobreza-300x163.jpg",300,163,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/estado-novo-e-pobreza-768x417.jpg",640,348,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/estado-novo-e-pobreza.jpg",640,348,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/estado-novo-e-pobreza.jpg",865,470,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/estado-novo-e-pobreza.jpg",865,470,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/estado-novo-e-pobreza.jpg",865,470,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/estado-novo-e-pobreza-800x470.jpg",800,470,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/estado-novo-e-pobreza.jpg",865,470,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/estado-novo-e-pobreza-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/estado-novo-e-pobreza-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/politicas-sociais\/\" rel=\"category tag\">POLITICAS SOCIAIS<\/a>","tag_info":"POLITICAS SOCIAIS","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17063"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17063"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17063\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17065,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17063\/revisions\/17065"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17064"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17063"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17063"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17063"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}