{"id":17261,"date":"2026-07-15T21:59:44","date_gmt":"2026-07-15T21:59:44","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=17261"},"modified":"2026-07-15T22:00:24","modified_gmt":"2026-07-15T22:00:24","slug":"a-ia-generativa-e-a-economia-da-atencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2026\/07\/15\/a-ia-generativa-e-a-economia-da-atencao\/","title":{"rendered":"A IA Generativa e a Economia da Aten\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Da Captura do Olhar \u00e0 Coloniza\u00e7\u00e3o da Cogni\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">por Jos\u00e9 Magalh\u00e3es<\/h3>\n\n\n\n<div style=\"height:28px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">Durante grande parte do s\u00e9culo XX, o principal recurso econ\u00f3mico foi a energia. Mais tarde, foi a informa\u00e7\u00e3o. No s\u00e9culo XXI, por\u00e9m, tornou-se claro que o verdadeiro recurso escasso n\u00e3o \u00e9 a informa\u00e7\u00e3o, mas a capacidade humana de process\u00e1-la. Herbert Simon j\u00e1 observava que uma abund\u00e2ncia de informa\u00e7\u00e3o cria uma pobreza de aten\u00e7\u00e3o. Hoje, essa observa\u00e7\u00e3o tornou-se a base de um dos modelos econ\u00f3micos mais influentes do mundo digital: a economia da aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">As grandes plataformas tecnol\u00f3gicas constru\u00edram modelos de neg\u00f3cio assentes na captura e monetiza\u00e7\u00e3o do foco humano. Redes sociais, motores de busca e servi\u00e7os de streaming competem por segundos, minutos e horas da nossa disponibilidade mental. Contudo, a emerg\u00eancia da intelig\u00eancia artificial generativa representa uma mudan\u00e7a mais profunda do que qualquer transforma\u00e7\u00e3o anterior. N\u00e3o estamos apenas perante ferramentas que competem pela nossa aten\u00e7\u00e3o. Estamos perante sistemas que participam ativamente nos nossos processos cognitivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A quest\u00e3o central deixa de ser &#8220;quem captura a aten\u00e7\u00e3o?&#8221; para se tornar &#8220;quem molda o pensamento?&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Economia da Aten\u00e7\u00e3o: Uma Breve Revis\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">A economia da aten\u00e7\u00e3o parte de uma premissa simples: a aten\u00e7\u00e3o humana \u00e9 limitada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Enquanto a produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o cresce exponencialmente, a capacidade do c\u00e9rebro para process\u00e1-la permanece biologicamente restrita. Cada pessoa disp\u00f5e apenas de um determinado n\u00famero de horas por dia e de uma quantidade limitada de energia cognitiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Neste contexto, a aten\u00e7\u00e3o transforma-se numa mercadoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">As grandes plataformas digitais prosperaram explorando esta realidade. O seu objetivo n\u00e3o \u00e9 apenas informar ou entreter, mas maximizar indicadores como:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"\">\n<li class=\"\">tempo de perman\u00eancia;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">n\u00famero de intera\u00e7\u00f5es;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">frequ\u00eancia de utiliza\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">taxas de retorno.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"\">A l\u00f3gica econ\u00f3mica \u00e9 direta: quanto mais aten\u00e7\u00e3o uma plataforma captura, maior o volume de dados recolhidos e maior o valor publicit\u00e1rio gerado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A neuroci\u00eancia ajudou a refinar estes mecanismos. O uso de notifica\u00e7\u00f5es, recompensas vari\u00e1veis, valida\u00e7\u00e3o social e algoritmos personalizados n\u00e3o surgiu por acaso. Estas estrat\u00e9gias exploram caracter\u00edsticas fundamentais do c\u00e9rebro humano, especialmente dos sistemas ligados \u00e0 dopamina, \u00e0 aprendizagem e \u00e0 antecipa\u00e7\u00e3o de recompensas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O resultado foi uma arquitetura digital desenhada para competir permanentemente pelo nosso foco.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O Papel da Dopamina: Muito Al\u00e9m do Prazer<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">Durante d\u00e9cadas, a dopamina foi popularmente descrita como o &#8220;neurotransmissor do prazer&#8221;. A investiga\u00e7\u00e3o recente apresenta uma vis\u00e3o mais sofisticada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A dopamina est\u00e1 fortemente associada \u00e0 motiva\u00e7\u00e3o, \u00e0 previs\u00e3o de recompensas, \u00e0 novidade e \u00e0 aprendizagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O c\u00e9rebro responde intensamente n\u00e3o apenas quando recebe algo recompensador, mas quando prev\u00ea que algo potencialmente recompensador poder\u00e1 acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">\u00c9 precisamente por isso que os sistemas digitais modernos s\u00e3o t\u00e3o eficazes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Um utilizador nunca sabe quando ir\u00e1 receber:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"\">\n<li class=\"\">uma mensagem;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">uma not\u00edcia importante;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">um coment\u00e1rio;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">uma aprova\u00e7\u00e3o social;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">um conte\u00fado altamente relevante.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A incerteza gera expectativa. A expectativa gera aten\u00e7\u00e3o.<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">A aten\u00e7\u00e3o torna-se ent\u00e3o um recurso continuamente reativado por mecanismos de previs\u00e3o e recompensa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Contudo, a IA generativa introduz uma diferen\u00e7a significativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Enquanto as redes sociais dependem sobretudo da novidade e da surpresa, os sistemas conversacionais dependem da sensa\u00e7\u00e3o de fluidez cognitiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A recompensa deixa de ser apenas emocional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Passa a ser intelectual.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A IA Generativa Como Extens\u00e3o do Pensamento<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">Ao contr\u00e1rio de um feed de redes sociais, um sistema generativo n\u00e3o se limita a apresentar est\u00edmulos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Ele responde.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Dialoga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Adapta-se.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Constr\u00f3i ideias com o utilizador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Esta caracter\u00edstica aproxima a IA generativa de um fen\u00f3meno conhecido na ci\u00eancia cognitiva como cogni\u00e7\u00e3o distribu\u00edda: a ideia de que os processos mentais n\u00e3o residem exclusivamente dentro do c\u00e9rebro, mas podem estender-se para ferramentas externas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A escrita foi uma extens\u00e3o da mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A calculadora tornou-se uma extens\u00e3o do c\u00e1lculo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A internet ampliou o acesso ao conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A IA generativa emerge como uma extens\u00e3o potencial do racioc\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Ao utilizarmos sistemas generativos para sintetizar informa\u00e7\u00e3o, gerar hip\u00f3teses, planear projetos ou explorar conceitos complexos, estamos a transferir parte da carga cognitiva para uma entidade externa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Pela primeira vez, uma tecnologia n\u00e3o apenas armazena informa\u00e7\u00e3o ou a transmite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Participa ativamente na sua constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Nova Competi\u00e7\u00e3o: A Economia da Intimidade Cognitiva<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">O ativo mais valioso da pr\u00f3xima d\u00e9cada poder\u00e1 n\u00e3o ser a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Poder\u00e1 ser a confian\u00e7a cognitiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">As plataformas tradicionais procuravam captar tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Os sistemas generativos procuram tornar-se interlocutores permanentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Quanto mais um utilizador incorpora um determinado sistema no seu processo de pensamento, maior se torna a depend\u00eancia funcional desse sistema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Isto altera profundamente a natureza da concorr\u00eancia tecnol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">No passado, as empresas competiam para ser o destino para onde o utilizador olhava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Agora competem para ser o lugar onde o utilizador pensa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Esta mudan\u00e7a tem enormes implica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Se uma rede social influencia aquilo a que prestamos aten\u00e7\u00e3o, uma IA generativa pode influenciar:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"\">\n<li class=\"\">quais hip\u00f3teses consideramos plaus\u00edveis;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">que argumentos exploramos;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">que perguntas fazemos;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">como estruturamos problemas;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">quais solu\u00e7\u00f5es imaginamos.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"\">Estamos a assistir ao nascimento de uma economia baseada n\u00e3o apenas na aten\u00e7\u00e3o, mas na proximidade ao processo de pensamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Pode chamar-se a isto uma economia da intimidade cognitiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O Risco da Terceiriza\u00e7\u00e3o Cognitiva<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Toda a tecnologia poderosa produz ganhos e perdas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A utiliza\u00e7\u00e3o de IA generativa aumenta a produtividade intelectual. Muitas tarefas tornam-se mais r\u00e1pidas e acess\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Mas surge uma quest\u00e3o inevit\u00e1vel:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O que acontece quando externalizamos demasiadas fun\u00e7\u00f5es mentais?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A hist\u00f3ria oferece paralelos instrutivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A inven\u00e7\u00e3o da escrita reduziu a depend\u00eancia da mem\u00f3ria oral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A calculadora diminuiu a necessidade de c\u00e1lculo manual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O GPS enfraqueceu a navega\u00e7\u00e3o espacial tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Nenhuma destas transforma\u00e7\u00f5es foi necessariamente negativa, mas todas alteraram compet\u00eancias cognitivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A IA generativa poder\u00e1 produzir efeitos semelhantes numa escala muito maior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Existe o risco de:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"\">\n<li class=\"\">redu\u00e7\u00e3o do esfor\u00e7o anal\u00edtico aut\u00f3nomo;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">menor toler\u00e2ncia \u00e0 ambiguidade;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">diminui\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica de argumenta\u00e7\u00e3o profunda;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">depend\u00eancia crescente de s\u00ednteses autom\u00e1ticas.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"\">O paradoxo \u00e9 evidente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">\u00c0 medida que nos tornamos mais produtivos, podemos tornar-nos menos exercitados intelectualmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Tal como os m\u00fasculos enfraquecem sem utiliza\u00e7\u00e3o, certas capacidades cognitivas poder\u00e3o sofrer se forem continuamente delegadas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Quest\u00e3o da Autonomia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">O tema central n\u00e3o \u00e9 produtividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">\u00c9 autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A neuroci\u00eancia contempor\u00e2nea mostra que os h\u00e1bitos moldam os circuitos cerebrais. As tecnologias digitais n\u00e3o s\u00e3o apenas ferramentas passivas; tornam-se ambientes que influenciam padr\u00f5es comportamentais e cognitivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Quando uma IA sugere constantemente respostas, estruturas narrativas ou enquadramentos conceptuais, ela influencia silenciosamente o espa\u00e7o das possibilidades consideradas pelo utilizador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Isso n\u00e3o significa manipula\u00e7\u00e3o deliberada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Significa que toda a intera\u00e7\u00e3o cognitiva produz efeitos cognitivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Quanto mais integrada for a IA nos processos de decis\u00e3o, maior se torna a import\u00e2ncia de compreender estes efeitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A quest\u00e3o \u00e9tica deixa ent\u00e3o de ser apenas:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">&#8220;Ser\u00e1 que a IA est\u00e1 correta?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">e passa a ser:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">&#8220;Como a IA est\u00e1 a moldar a forma como pensamos?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O Surgimento dos Direitos Cognitivos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Alguns investigadores e fil\u00f3sofos da tecnologia come\u00e7am a defender a necessidade de um novo quadro conceptual: os direitos cognitivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Tal como existem direitos relacionados com privacidade, liberdade de express\u00e3o ou integridade f\u00edsica, argumenta-se que poder\u00e1 ser necess\u00e1rio proteger certas dimens\u00f5es da autonomia mental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Entre elas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"\">\n<li class=\"\">liberdade de aten\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">liberdade de pensamento;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">autodetermina\u00e7\u00e3o cognitiva;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">transpar\u00eancia algor\u00edtmica;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">prote\u00e7\u00e3o contra manipula\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica excessiva.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"\">Num mundo onde sistemas inteligentes poder\u00e3o acompanhar milh\u00f5es de pessoas durante horas por dia, estas quest\u00f5es deixam de ser meramente acad\u00e9micas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Tornam-se pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">A economia da aten\u00e7\u00e3o foi constru\u00edda sobre a disputa pelo foco humano. A IA generativa inaugura uma etapa diferente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">As plataformas do passado procuravam capturar o olhar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">As plataformas do futuro procurar\u00e3o participar no pensamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A neuroci\u00eancia mostra-nos que a aten\u00e7\u00e3o, a mem\u00f3ria, a motiva\u00e7\u00e3o e a aprendizagem s\u00e3o sistemas profundamente mold\u00e1veis. A intelig\u00eancia artificial est\u00e1 a tornar-se uma das for\u00e7as mais poderosas a atuar sobre esses sistemas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O desafio da pr\u00f3xima d\u00e9cada n\u00e3o ser\u00e1 apenas aprender a usar a IA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Ser\u00e1 preservar a autonomia humana num ambiente onde as m\u00e1quinas deixam de competir pela nossa aten\u00e7\u00e3o e come\u00e7am a colaborar \u2014 e potencialmente a influenciar \u2014 a pr\u00f3pria arquitetura da nossa cogni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A grande quest\u00e3o do s\u00e9culo XXI poder\u00e1 n\u00e3o ser se as m\u00e1quinas pensam como n\u00f3s, mas at\u00e9 que ponto passaremos a pensar atrav\u00e9s delas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Sim. Para dar maior densidade lus\u00f3fona ao ensaio, sugiro acrescentar uma sec\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de autores portugueses e luso-brasileiros que trabalham temas pr\u00f3ximos: media digitais, aten\u00e7\u00e3o, tecnologia, cogni\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e filosofia da t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"213\" height=\"178\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/jmagalhaes.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17344\" style=\"aspect-ratio:1.196629213483146;width:150px;height:auto\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=704946565\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=704946565\">Jos\u00e9 Magalh\u00e3es<\/a><\/h2>\n\n\n\n<div style=\"height:34px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Autores Portugueses<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">Carrilho, Manuel Maria (org.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Carrilho, M. M. (1994). Epistemologia: Posi\u00e7\u00f5es e Cr\u00edticas. Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Embora n\u00e3o trate diretamente a economia da aten\u00e7\u00e3o, a sua reflex\u00e3o sobre racionalidade, conhecimento e media\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica \u00e9 \u00fatil para enquadramentos epistemol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Gil, Jos\u00e9<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Gil, J. (2004). Portugal, Hoje: O Medo de Existir. Lisboa: Rel\u00f3gio d&#8217;\u00c1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Gil, J. (2018). Caos e Ritmo. Lisboa: Rel\u00f3gio d&#8217;\u00c1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A reflex\u00e3o de Jos\u00e9 Gil sobre subjetividade, aten\u00e7\u00e3o, presen\u00e7a e modos de consci\u00eancia pode enriquecer a discuss\u00e3o sobre os efeitos cognitivos da hiperconectividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Magalh\u00e3es, Ant\u00f3nio<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Magalh\u00e3es, A., &amp; Stoer, S. (2002). A Nova Ordem Educacional. Porto: Porto Editora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Importante para discutir como as tecnologias da informa\u00e7\u00e3o transformam processos de aprendizagem e produ\u00e7\u00e3o de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">N\u00f3voa, Ant\u00f3nio N\u00f3voa, A. (2022). Escolas e Professores: Proteger, Transformar, Valorizar. Salvador: SEC\/IAT.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">As reflex\u00f5es de N\u00f3voa sobre educa\u00e7\u00e3o, cultura digital e forma\u00e7\u00e3o intelectual s\u00e3o particularmente relevantes para o impacto da IA generativa no ensino e na aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Innerarity, Daniel<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Innerarity, D. (2011). A Sociedade Invis\u00edvel. Lisboa: Teorema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Innerarity, D. (2022). Uma Teoria da Democracia Complexa. Lisboa: Temas e Debates.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Especialmente \u00fatil para discutir a governa\u00e7\u00e3o da IA e da complexidade informacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Comunica\u00e7\u00e3o, Media e Cultura Digital em Portugal<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Gustavo Cardoso<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Uma das refer\u00eancias portuguesas relevantes no estudo da sociedade em rede, na esteira de Manuel Castells.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Cardoso, G. (2006). Os Media na Sociedade em Rede. Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Cardoso, G. (coord.) (2015). O Poder das Redes Sociais. Lisboa: Tinta da China<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Jos\u00e9 Lu\u00eds Garcia<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Garcia, J. L. (org.) (2017). A Sociedade da Automa\u00e7\u00e3o. Lisboa: Mundos Sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Re\u00fane reflex\u00f5es sobre tecnologia, automa\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00f5es do trabalho intelectual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Helena Sousa<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Sousa, H. (2015). Media, Comunica\u00e7\u00e3o e Democracia. Braga: CECS\/Universidade do Minho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Contribui para discutir o impacto dos ecossistemas medi\u00e1ticos digitais na esfera p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Herm\u00ednio Martins<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Talvez o mais internacional dos soci\u00f3logos portugueses da tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Martins, H. (2011). Experimentum Humanum: Civiliza\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica e Condi\u00e7\u00e3o Humana. Lisboa: Rel\u00f3gio d&#8217;\u00c1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Extremamente relevante para uma leitura cr\u00edtica da IA generativa enquanto transforma\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Boaventura de Sousa Santos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Santos, B. S. (2018). O Fim do Imp\u00e9rio Cognitivo. Coimbra: Almedina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">\u00datil para discutir pluralidade de saberes e poder epistemol\u00f3gico das plataformas digitais e da IA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Artigos Acad\u00e9micos Portugueses Relevantes<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Ara\u00fajo, E., Duque, E. &amp; Fraga, S. (orgs.) (2021). Tempos Sociais e o Mundo Digital. Braga: Universidade do Minho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Revista Comunica\u00e7\u00e3o e Sociedade (CECS, Universidade do Minho) \u2014 v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es sobre plataformas digitais, algoritmos e participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Revista Sociologia, Problemas e Pr\u00e1ticas (ISCTE) \u2014 frequentemente publica trabalhos sobre tecnologia, media e transforma\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Refer\u00eancia portuguesa especialmente recomendada para o seu ensaio<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Se tivesse de acrescentar apenas quatro nomes portugueses para refor\u00e7ar a bibliografia principal, escolheria:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"\">\n<li class=\"\">Gustavo Cardoso \u2014 sociedade em rede e media digitais.<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Herm\u00ednio Martins \u2014 filosofia da tecnologia e condi\u00e7\u00e3o humana.<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Jos\u00e9 Gil \u2014 aten\u00e7\u00e3o, subjetividade e consci\u00eancia.<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Boaventura de Sousa Santos \u2014 poder cognitivo e ecologias do conhecimento.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"\">Os quatro dialogam muito bem com Simon, Zuboff, Clark, Floridi, Lembke e Mollick, criando uma ponte s\u00f3lida entre a literatura internacional e o pensamento portugu\u00eas contempor\u00e2neo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da Captura do Olhar \u00e0 Coloniza\u00e7\u00e3o da Cogni\u00e7\u00e3o por Jos\u00e9 Magalh\u00e3es Introdu\u00e7\u00e3o Durante grande parte&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17342,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[519,238],"tags":[798],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/oiaIagem.jpg",1012,529,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/oiaIagem-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/oiaIagem-300x157.jpg",300,157,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/oiaIagem-768x401.jpg",640,334,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/oiaIagem.jpg",640,335,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/oiaIagem.jpg",1012,529,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/oiaIagem.jpg",1012,529,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/oiaIagem.jpg",1012,529,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/oiaIagem-800x500.jpg",800,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/oiaIagem.jpg",1012,529,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/oiaIagem-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/oiaIagem-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/biblioteca-das-ideias\/\" rel=\"category tag\">BIBLIOTECA DAS IDEIAS<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a>","tag_info":"DESTAQUE","comment_count":"0","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17261"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17261"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17261\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17346,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17261\/revisions\/17346"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17342"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17261"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17261"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17261"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}