{"id":17265,"date":"2026-07-11T10:51:19","date_gmt":"2026-07-11T10:51:19","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=17265"},"modified":"2026-07-11T10:51:25","modified_gmt":"2026-07-11T10:51:25","slug":"a-escada-para-a-cave","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2026\/07\/11\/a-escada-para-a-cave\/","title":{"rendered":"A escada para a cave"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O problema come\u00e7a quando a direita cl\u00e1ssica decide que o monstro afinal \u00e9 \u00fatil para carregar mob\u00edlia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"768\" height=\"468\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/JOSE-PENDAO_COLABORADOR-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17137\" style=\"aspect-ratio:1.641025641025641;width:208px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/JOSE-PENDAO_COLABORADOR-3.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/JOSE-PENDAO_COLABORADOR-3-300x183.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">por Jos\u00e9 Pend\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">H\u00e1 uma grande vantagem no Chega: s\u00f3 engana quem faz muita quest\u00e3o de ser enganado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O partido tem a subtileza de uma sirene de f\u00e1brica \u00e0s seis da manh\u00e3. Desde que apareceu, foi colocando no escaparate democr\u00e1tico o seu pequeno bazar de horrores: pris\u00e3o perp\u00e9tua, perda de nacionalidade, castra\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, revis\u00e3o constitucional com cheiro a demoli\u00e7\u00e3o controlada, guerra \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o, guerra \u00e0s pessoas trans, guerra \u00e0s mulheres, guerra \u00e0s escolas, guerra \u00e0s bandeiras, guerra aos pobres, guerra a tudo o que respire fora do molde regulamentar do ressentimento nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">N\u00e3o \u00e9 um programa pol\u00edtico. \u00c9 uma lista de compras feita por um inquisidor com cart\u00e3o Continente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">E, mesmo assim, h\u00e1 sempre algu\u00e9m a dizer: \u201cCalma, \u00e9 preciso ouvir estas pessoas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Pois \u00e9. Ouvir, ouvimos. O problema \u00e9 quando, depois de ouvir, algu\u00e9m entrega o microfone, a sala, as chaves do edif\u00edcio e ainda pergunta se preferem caf\u00e9 ou ch\u00e1 antes da revis\u00e3o constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Conv\u00e9m recordar o card\u00e1pio, porque a mem\u00f3ria p\u00fablica em Portugal tem a consist\u00eancia de pudim instant\u00e2neo. O Chega quis pris\u00e3o perp\u00e9tua. Quis perda de nacionalidade para cidad\u00e3os naturalizados. Abriu espa\u00e7o para a castra\u00e7\u00e3o qu\u00edmica. Teve uma mo\u00e7\u00e3o aprovada numa conven\u00e7\u00e3o que defendia a esteriliza\u00e7\u00e3o de mulheres que recorressem repetidamente ao aborto. Prop\u00f4s confinamento espec\u00edfico para comunidades ciganas durante a pandemia. Apropriou-se do velho lema \u201cDeus, P\u00e1tria, Fam\u00edlia\u201d, esse perfume de sacristia autorit\u00e1ria que Portugal conhece demasiado bem para fingir inoc\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Sim, meus amigos. \u201cDeus, P\u00e1tria, Fam\u00edlia.\u201d Porque aparentemente o Estado Novo tinha problemas, mas a linha de merchandising era fort\u00edssima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">E depois h\u00e1 quem se ofenda quando chamam extrema-direita \u00e0 extrema-direita. \u00c9 sempre comovente. Querem pris\u00e3o perp\u00e9tua, punitivismo corporal, nacionalidade condicional, moral sexual de confession\u00e1rio, suspeita racial e uma Constitui\u00e7\u00e3o com menos direitos e mais cacete \u2014 mas ai de quem lhes diga que isto tem um certo ar de fam\u00edlia ideol\u00f3gica. Ficam magoad\u00edssimos. Uma extrema-direita muito sens\u00edvel. Uma esp\u00e9cie de rinoceronte de porcelana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A sociologia, essa velha estraga-jantares, tem palavras para isto. Chama-lhe p\u00e2nico moral quando uma sociedade escolhe grupos vulner\u00e1veis, transforma-os em amea\u00e7a existencial e depois exige autoridade, pol\u00edcia, castigo, expuls\u00e3o, pureza. Chama-lhe nativismo quando a comunidade nacional \u00e9 imaginada como propriedade de uns contra a presen\u00e7a de outros. Chama-lhe populismo autorit\u00e1rio quando o \u201cpovo\u201d \u00e9 reduzido aos que concordam com o chefe e todos os restantes passam a ser parasitas, traidores, degenerados ou estrangeiros em pot\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O Chega n\u00e3o inventou a roda. Limitou-se a p\u00f4r-lhe pneus carecas e conduzi-la em contram\u00e3o na Avenida da Liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Mas o Chega, sozinho, n\u00e3o \u00e9 a hist\u00f3ria toda. Seria apenas o Chega: ruidoso, agressivo, performativo, uma mistura de tasca ressentida com semin\u00e1rio de marketing digital para quem acha que a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental acabou quando algu\u00e9m pediu leite de aveia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O problema come\u00e7a quando a direita cl\u00e1ssica decide que o monstro afinal \u00e9 \u00fatil para carregar mob\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Durante anos, PSD e CDS apresentaram-se como a direita respons\u00e1vel, europeia, institucional, democrata-crist\u00e3, personalista, respeitadora do regime. Tinham as suas obsess\u00f5es, os seus tiques, os seus senhores de blazer que dizem \u201crigor\u201d como quem mastiga uma noz seca. Mas havia uma linha. Uma linha m\u00ednima. Uma dessas coisas antigas, quase rom\u00e2nticas, como telefones com fio ou vergonha na cara.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Essa linha foi ao ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">N\u00e3o caiu com estrondo. N\u00e3o houve trov\u00f5es. N\u00e3o entrou um tanque pelo Terreiro do Pa\u00e7o. Caiu como caem as coisas em Portugal: devagarinho, em reuni\u00f5es, requerimentos, vota\u00e7\u00f5es, comunicados, entrevistas sem perguntas e frases sobre \u201csentido de responsabilidade\u201d. A democracia portuguesa, que j\u00e1 sobreviveu a tanta mediocridade com ar condicionado, assiste agora a uma novidade mais perigosa: a normaliza\u00e7\u00e3o do indigno com linguagem de expediente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A Lei da Nacionalidade endurece. A Lei dos Estrangeiros aperta. O discurso sobre imigra\u00e7\u00e3o passa a soar menos a pol\u00edtica p\u00fablica e mais a triagem \u00e9tnica com assessoria jur\u00eddica. Fala-se em liga\u00e7\u00e3o efectiva, integra\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, controlo. Palavras limpas. Palavras passadas a ferro. Palavras que, na pr\u00e1tica, servem muitas vezes para dizer: tu, talvez; tu, n\u00e3o; tu, espera; tu, prova; tu, volta; tu, \u00e9s sempre suspeito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">E a televis\u00e3o ajuda. A televis\u00e3o ajuda imenso. A televis\u00e3o descobriu os imigrantes como quem descobre bolor atr\u00e1s do arm\u00e1rio. H\u00e1 imigrantes no rodap\u00e9, imigrantes no painel, imigrantes no directo, imigrantes em imagens de rua, imigrantes encostados \u00e0 parede, imigrantes como cen\u00e1rio, imigrantes como amea\u00e7a, imigrantes como meteorologia adversa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Entretanto, a escola p\u00fablica pode arder em lume brando, o SNS pode tossir sangue, a habita\u00e7\u00e3o pode transformar-se num casino com canaliza\u00e7\u00e3o, o pre\u00e7o do cabaz alimentar pode exigir financiamento banc\u00e1rio \u2014 mas o pa\u00eds acorda todos os dias para discutir nacionalidade e imigra\u00e7\u00e3o como se a grande crise portuguesa fosse o vizinho chamar-se Rahim, trabalhar doze horas e ainda assim ter a ousadia metaf\u00edsica de existir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">E quando os crimes de \u00f3dio aumentam, quando a viol\u00eancia simb\u00f3lica come\u00e7a a procurar corpo, quando a frase nojenta de ontem vira piada aceit\u00e1vel hoje e proposta legislativa amanh\u00e3, aparece sempre algu\u00e9m, muito composto, a pedir serenidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A serenidade \u00e9 bel\u00edssima. Tamb\u00e9m \u00e9 excelente para ver a casa arder sem deixar cair o c\u00e1lice.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Depois vieram as pessoas trans, porque nenhuma vaga reaccion\u00e1ria se sente completa sem meter o Estado dentro do corpo de algu\u00e9m. O Parlamento aprovou, com PSD, Chega e CDS, altera\u00e7\u00f5es que revogam a l\u00f3gica de autodetermina\u00e7\u00e3o de g\u00e9nero. De repente, o Estado portugu\u00eas, que demora meses a resolver uma consulta, descobriu uma rapidez fulminante para vigiar identidades. A m\u00e1quina p\u00fablica, habitualmente sonolenta como um gato ao sol, tornou-se atleta ol\u00edmpica quando o assunto foi dizer a uma minoria: \u201cEspere. Prove. Justifique-se. Passe pelo guich\u00e9 da dignidade condicionada.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">\u00c9 not\u00e1vel. Para resolver urg\u00eancias hospitalares, prud\u00eancia. Para resolver sal\u00e1rios, complexidade. Para resolver habita\u00e7\u00e3o, mercado. Para limitar direitos de pessoas trans, celeridade parlamentar. Quase d\u00e1 vontade de p\u00f4r uma bandeira arco-\u00edris \u00e0 porta do SNS para ver se finalmente algu\u00e9m o leva a s\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Ah, a bandeira. Essa amea\u00e7a t\u00eaxtil \u00e0 Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">PSD, Chega e CDS aprovaram tamb\u00e9m a proibi\u00e7\u00e3o de bandeiras \u201cideol\u00f3gicas, partid\u00e1rias ou associativas\u201d em edif\u00edcios p\u00fablicos, atingindo, entre outras, a bandeira LGBTI. Finalmente, Portugal enfrentou o seu grande inimigo: um rect\u00e2ngulo colorido. O pa\u00eds suspirou de al\u00edvio. As rendas baixaram, os m\u00e9dicos regressaram, os professores sorriram, os comboios chegaram a horas. Tudo porque se impediu um edif\u00edcio p\u00fablico de parecer minimamente solid\u00e1rio com pessoas que ainda levam pancada por serem quem s\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Chama-se a isto guerra cultural. \u00c9 barata, fotog\u00e9nica e n\u00e3o exige resolver nada. D\u00e1 ao eleitor a sensa\u00e7\u00e3o de vit\u00f3ria sem lhe dar casa, sal\u00e1rio, m\u00e9dico, escola ou futuro. \u00c9 como comer algod\u00e3o-doce em dia de fome: fica-se com a boca doce e o est\u00f4mago vazio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">E depois h\u00e1 os pobres. Porque o reaccion\u00e1rio moderno nunca perdoa ao pobre a falta de eleg\u00e2ncia estat\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A ideia de obrigar benefici\u00e1rios de presta\u00e7\u00f5es sociais a trabalho comunit\u00e1rio apareceu embrulhada em palavras lindas: dignidade, m\u00e9rito, responsabilidade, contribui\u00e7\u00e3o. A direita adora estas palavras quando olha para baixo. Para cima, prefere outras: incentivo, competitividade, contexto, desburocratiza\u00e7\u00e3o. Ao pobre exige-se moral. Ao forte oferece-se enquadramento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Ou seja: se est\u00e1s sem meios, prova que mereces ajuda. Se tens poder, explica-nos calmamente porque n\u00e3o podias cumprir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">E pelo caminho ainda se quis aliviar a criminaliza\u00e7\u00e3o da omiss\u00e3o de declara\u00e7\u00e3o de trabalhadores \u00e0 Seguran\u00e7a Social. Isto num pa\u00eds onde o trabalho dom\u00e9stico, a imigra\u00e7\u00e3o indocumentada e a vulnerabilidade feminina se cruzam muitas vezes numa esp\u00e9cie de cave social que todos sabem existir, mas sobre a qual se fala baixinho, para n\u00e3o perturbar o almo\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Dureza para o fraco. Nuance para o patr\u00e3o. Chibatinha moral para baixo, almofada processual para cima. Um cl\u00e1ssico. E\u00e7a teria escrito isto, mas provavelmente teria pedido um brandy a meio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">\u00c9 tudo muito r\u00e1pido. Demasiado r\u00e1pido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">E a velocidade \u00e9 parte do m\u00e9todo. Atira-se tudo ao mesmo tempo: imigra\u00e7\u00e3o, nacionalidade, g\u00e9nero, bandeiras, presta\u00e7\u00f5es sociais, C\u00f3digo Penal, revis\u00e3o constitucional. O cidad\u00e3o comum tenta acompanhar como quem apanha pap\u00e9is ao vento num dia de temporal. Quando percebe uma coisa, j\u00e1 h\u00e1 tr\u00eas novas. Quando se indigna com uma, dizem-lhe que a outra \u00e9 mais importante. Quando protesta, acusam-no de histeria. Quando se cala, chamam consenso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">\u00c9 assim que se muda a janela do aceit\u00e1vel. N\u00e3o se empurra de uma vez. Desloca-se um cent\u00edmetro por dia. Ontem era impens\u00e1vel. Hoje \u00e9 pol\u00e9mico. Amanh\u00e3 \u00e9 razo\u00e1vel. Depois de amanh\u00e3 \u00e9 inevit\u00e1vel. Na sexta-feira j\u00e1 h\u00e1 um comentador a dizer que sempre defendeu aquilo, embora com \u201cpreocupa\u00e7\u00f5es humanistas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Portugal conhece esta m\u00fasica. J\u00e1 a ouviu em vinil, em r\u00e1dio de pilhas, em discursos graves, em salas onde se confundia ordem com medo e autoridade com obedi\u00eancia. N\u00e3o precisamos de fingir que cada regress\u00e3o chega ao mundo sem antecedentes, como uma crian\u00e7a pura nascida de um ovo constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O mais grave n\u00e3o \u00e9 que o Chega queira descer a escada. O Chega nasceu no patamar de baixo e sempre olhou para a cave com saudade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O mais grave \u00e9 ver PSD e CDS, partidos que se diziam da casa democr\u00e1tica, a segurar o corrim\u00e3o, a acender a luz e a murmurar: \u201cV\u00e1, mas com responsabilidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Porque \u00e9 isto que est\u00e1 em causa: n\u00e3o o folclore do Chega, n\u00e3o os gritos, n\u00e3o os cartazes, n\u00e3o as frases de tasca com microfone parlamentar. O que est\u00e1 em causa \u00e9 a autoriza\u00e7\u00e3o. A b\u00ean\u00e7\u00e3o. A respeitabilidade emprestada. A velha direita democr\u00e1tica a servir de lavandaria institucional para ideias que ainda ontem cheiravam a mofo, por\u00e3o e arquivo da PIDE.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">E quando o indigno passa pela m\u00e1quina de lavar do poder, sai com cheiro a legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Por isso, sim: est\u00e1 tudo a acontecer muito depressa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Mas n\u00e3o t\u00e3o depressa que n\u00e3o se veja.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">V\u00ea-se perfeitamente. V\u00ea-se no modo como se fala de imigrantes. V\u00ea-se no modo como se suspeita dos pobres. V\u00ea-se no modo como se patologizam pessoas trans. V\u00ea-se no modo como se transforma uma bandeira num inimigo. V\u00ea-se no modo como a Constitui\u00e7\u00e3o deixa de ser abrigo comum e passa a projecto de remodela\u00e7\u00e3o para quem acha que h\u00e1 direitos a mais e portugueses errados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A democracia n\u00e3o morre apenas quando algu\u00e9m lhe aponta uma arma. \u00c0s vezes morre de gravata, com qu\u00f3rum, parecer, requerimento conjunto e hino nacional no fim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"709\" height=\"402\" data-id=\"17267\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/venturix.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17267\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/venturix.jpg 709w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/venturix-300x170.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O problema come\u00e7a quando a direita cl\u00e1ssica decide que o monstro afinal \u00e9 \u00fatil para&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17267,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[790,459],"tags":[785],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/venturix.jpg",709,402,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/venturix-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/venturix-300x170.jpg",300,170,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/venturix.jpg",640,363,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/venturix.jpg",640,363,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/venturix.jpg",709,402,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/venturix.jpg",709,402,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/venturix.jpg",709,402,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/venturix.jpg",709,402,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/venturix.jpg",709,402,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/venturix-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/venturix-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/combate-a-extrema-direita\/\" rel=\"category tag\">COMBATE \u00c0 EXTREMA-DIREITA<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/curtas\/\" rel=\"category tag\">CURTAS<\/a>","tag_info":"CURTAS","comment_count":"0","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17265"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17265"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17265\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17303,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17265\/revisions\/17303"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17267"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17265"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17265"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17265"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}