{"id":17309,"date":"2026-07-12T09:56:26","date_gmt":"2026-07-12T09:56:26","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=17309"},"modified":"2026-07-12T09:56:32","modified_gmt":"2026-07-12T09:56:32","slug":"a-esquerda-erra-ao-tratar-eleitores-da-direita-como-inimigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2026\/07\/12\/a-esquerda-erra-ao-tratar-eleitores-da-direita-como-inimigos\/","title":{"rendered":"A esquerda erra ao tratar eleitores da direita como inimigos"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Judith Butler afirma que o avan\u00e7o autorit\u00e1rio exige menos elitismo e mais capacidade de di\u00e1logo com a classe trabalhadora<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">Sandra Vicente <a href=\"https:\/\/www.eldiario.es\/\"><\/a>elDiario.es Barcelona | Publicado em Di\u00e1logos do Sul Global.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:29px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"881\" height=\"439\" data-id=\"17310\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/judith20.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17310\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/judith20.jpg 881w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/judith20-300x149.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/judith20-768x383.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 881px) 100vw, 881px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Judith_Butler\" target=\"_blank\">Judith Butler<\/a>\u00a0(Cleveland, Ohio, 1956) entra no sagu\u00e3o do hotel ap\u00f3s uma longa caminhada matinal por Barcelona, cidade que visita com frequ\u00eancia e onde acaba de receber um doutorado honoris causa da Universidade Aut\u00f4noma de Barcelona (UAB). \u201cO mundo \u00e9 muito confuso, mas caminhar clareia a mente\u201d, afirma. Uma das principais vozes da teoria feminista e da filosofia p\u00f3s-materialista, Butler confessa que tem dificuldade em ser otimista. \u201cSou otimista por necessidade, embora seja verdade que n\u00e3o se deve abandonar a esperan\u00e7a nem deixar a realidade ter a \u00faltima palavra\u201d, declara, enquanto pondera sobre o que beber durante a entrevista ao\u00a0<em>elDiario.es<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Ela hesita e finalmente opta por um caf\u00e9. \u201cTenho um problema com caf\u00e9: ele me faz sentir violenta em rela\u00e7\u00e3o ao governo dos Estados Unidos\u2026\u201d, diz, rindo. Trump acaba ocupando boa parte da conversa com Butler, refer\u00eancia fundamental das teorias de g\u00eanero. Mas esse tema ficou em segundo plano diante das reflex\u00f5es sobre a ascens\u00e3o dos movimentos autorit\u00e1rios. Segundo ela, a culpa recai sobre o capitalismo global, que se enriquece com o caos pol\u00edtico, embora ela tamb\u00e9m n\u00e3o absolva totalmente a esquerda, que, segundo afirma, deve assumir mais responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A entrevista \u00e9 de Sandra Vicente, publicada por&nbsp;<em>El Diario<\/em>&nbsp;em 05 de maio de 2026.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Eis a entrevista com Judith Butler.<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Em seu discurso de posse, disse que todas as democracias precisam ser renovadas. O que acontece quando consideramos a democracia como algo garantido?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><em>Judith Butler:<\/em>&nbsp;Podemos acabar elegendo fascistas sem perceber. Esse \u00e9 o paradoxo: o sistema nos permite votar em algu\u00e9m que pode acabar destruindo o pr\u00f3prio sistema. Todas as democracias correm esse risco, e n\u00e3o h\u00e1 como evit\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Voc\u00ea seria a favor de alguma medida que proibisse partidos pr\u00f3-fascistas de concorrer \u00e0s elei\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Eu seria a favor da proibi\u00e7\u00e3o do partido nazista na Alemanha ou do partido de Mussolini na It\u00e1lia. O problema \u00e9 que seus sucessores, que t\u00eam as mesmas aspira\u00e7\u00f5es, se reorganizaram sob outros nomes e podem alegar ser diferentes. Talvez sejam em certos aspectos, mas ainda s\u00e3o fascistas. O AfD na Alemanha, por exemplo, agora usa parafern\u00e1lia nazista, e quando eu era jovem isso era absolutamente proibido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Ainda \u00e9.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Sim, mas parece que a lei est\u00e1 se tornando ineficaz. Mesmo assim, o problema n\u00e3o s\u00e3o os partidos que abra\u00e7am abertamente o fascismo. O problema est\u00e1 em Meloni, que afirma n\u00e3o ser herdeira de Mussolini, embora compartilhe das mesmas ideias. Podem n\u00e3o ser exatamente as mesmas, mas isso ocorre apenas porque o fascismo foi renovado por meio do sistema partid\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Os tempos mudam, e seria absurdo pensar que as ideologias n\u00e3o mudariam, embora seja verdade que algumas caracter\u00edsticas permane\u00e7am as mesmas. Refiro-me ao desejo de eliminar os direitos de certos setores da popula\u00e7\u00e3o, ou de elimin\u00e1-los diretamente. Mesmo que seja por meio de expuls\u00e3o via mecanismos legais, ainda \u00e9 fascismo. Assim como a centraliza\u00e7\u00e3o e a elimina\u00e7\u00e3o da separa\u00e7\u00e3o de poderes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Voc\u00ea est\u00e1 falando dos Estados Unidos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Os Estados Unidos ainda n\u00e3o podem ser considerados um pa\u00eds totalit\u00e1rio, porque essas pol\u00edticas n\u00e3o afetam todos os aspectos da sociedade, mas representam uma forma de autoritarismo impulsionada por aspira\u00e7\u00f5es fascistas. E \u00e9 a\u00ed que entra outro elemento essencial para entender o fascismo contempor\u00e2neo: os bilion\u00e1rios que se aproveitam do caos global para ampliar seus investimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Que as pot\u00eancias econ\u00f4micas tendam ao totalitarismo n\u00e3o \u00e9 novidade, mas que a sociedade esteja se tornando mais conservadora, sim. Veja alguns dados: 68% dos jovens espanh\u00f3is desconfiam da democracia, e um ter\u00e7o das mulheres acredita que o feminismo foi longe demais. O que est\u00e1 acontecendo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Acho que, de fato, existem motivos para desconfiar. H\u00e1 muitas pol\u00edticas apresentadas em nome da democracia, embora o que elas realmente fa\u00e7am seja destru\u00ed-la. Vemos isso quando Israel justifica os assassinatos intermin\u00e1veis de palestinos como a \u00fanica maneira de salvaguardar a \u00faltima civiliza\u00e7\u00e3o no Oriente M\u00e9dio. Ou quando os Estados Unidos entram em guerra em nome da democracia, mas depois abandonam o Afeganist\u00e3o. O imperialismo e a militariza\u00e7\u00e3o s\u00e3o frequentemente realizados em nome da democracia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Voc\u00ea menciona dois pa\u00edses, os Estados Unidos e Israel, com pr\u00e1ticas claramente antidemocr\u00e1ticas. Mas as pesquisas que mencionei foram feitas na Espanha, que, por ora, n\u00e3o se militarizou nesses n\u00edveis nem invadiu nenhum territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">H\u00e1 uma tend\u00eancia, em certos setores, de desejar mais ordem social porque se teme o caos \u2014 ou o que \u00e9 percebido como caos. Temem os migrantes, o feminismo, o movimento LGBTQ+\u2026 O que querem \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o e ordem, e acreditam que o autoritarismo pode proporcionar isso. Essa \u00e9 uma das faces da moeda; por outro lado, h\u00e1 jovens que acreditam que o futuro n\u00e3o existe, que a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o lhes garantir\u00e1 um emprego e que n\u00e3o conseguir\u00e3o comprar uma casa neste terr\u00edvel sistema econ\u00f4mico que se desenvolveu sob uma democracia. Por que deveriam confiar nele?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>A juventude, ao longo da hist\u00f3ria, tem sido caracterizada por tend\u00eancias revolucion\u00e1rias. Para aqueles que nasceram em uma democracia, ser anti-establishment \u00e9 um sinal de autoritarismo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">S\u00f3 se acreditarem que o sistema eleitoral \u00e9 a \u00fanica forma de democracia. Existem outros modelos muito interessantes de autogoverno. Por exemplo, moradores de rua na Calif\u00f3rnia estabeleceram seus pr\u00f3prios mecanismos para escolher representantes e tomar decis\u00f5es. N\u00e3o s\u00e3o elei\u00e7\u00f5es oficiais, mas \u00e9 democracia. Voc\u00ea pode n\u00e3o se sentir totalmente representado pelo sistema eleitoral e, ainda assim, praticar a democracia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Agora que voc\u00ea j\u00e1 tomou seu caf\u00e9, acho que \u00e9 hora de perguntar sobre Donald Trump.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Vamos l\u00e1!<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Afinal, o que \u00e9 a Teoria Queer? O que fala Judith Butler?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Ele est\u00e1 se aproximando das elei\u00e7\u00f5es de meio de mandato com um \u00edndice de impopularidade que subiu para 60%. Agora que o momento em que perder\u00e1 o poder come\u00e7a a se aproximar, h\u00e1 uma tend\u00eancia de depositar muita esperan\u00e7a nesse futuro sem Trump. Mas o que acontecer\u00e1 quando ele se for? Essa deriva desp\u00f3tica desaparecer\u00e1 com ele?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">De jeito nenhum. Na verdade, ele pode at\u00e9 nem sair, porque pode decidir cancelar as elei\u00e7\u00f5es ou eliminar a lei que impede terceiros mandatos presidenciais. A Constitui\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi alterada a seu favor. Precisamos ficar de olho nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es, porque ele j\u00e1 est\u00e1 tentando eliminar o direito ao voto de v\u00e1rios setores da popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sabemos quem poder\u00e1 votar quando chegar a hora, ent\u00e3o essa estat\u00edstica que voc\u00ea mencionou pode n\u00e3o ser v\u00e1lida amanh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Mesmo assim, em algum momento ele sair\u00e1, seja por meio de elei\u00e7\u00f5es ou porque sua sa\u00fade n\u00e3o suportar\u00e1 mais seus maus h\u00e1bitos. Mas isso n\u00e3o ser\u00e1 o fim de nada, porque h\u00e1 muitos nomes dentro do cristianismo nacionalista que ocupar\u00e3o seu lugar. A chave \u00e9 parar de presumir que eles deixar\u00e3o de aspirar ao poder e, em vez disso, focar nas alternativas que a esquerda prop\u00f5e.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Em seu discurso, voc\u00ea tamb\u00e9m destacou que a direita \u00e9 muito mais eficaz em apelar \u00e0s emo\u00e7\u00f5es, e \u00e9 por isso que vence elei\u00e7\u00f5es. Como a esquerda pode competir nesse terreno?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Acho que tendemos a ser anal\u00edticos, cr\u00edticos e intelectuais demais. E isso pode ser contraproducente, porque as pessoas podem pensar que nos consideramos mais inteligentes do que elas. Pode at\u00e9 ser interpretado como uma atitude classista contra aqueles que n\u00e3o tiveram condi\u00e7\u00f5es de ter uma boa educa\u00e7\u00e3o. Precisamos ser mais simples. Se a direita apela ao \u00f3dio e ao que chamo de \u201cnostalgia furiosa\u201d, a esquerda deve buscar modelos de cora\u00e7\u00e3o aberto que falem de amor e de tradi\u00e7\u00f5es religiosas que se diferenciem do nacionalismo crist\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Isso me faz pensar na campanha de Zohran Mamdani para prefeito de Nova York. Voc\u00ea acha que esse \u00e9 o caminho a seguir?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Ele n\u00e3o \u00e9 perfeito, mas \u00e9 interessante. Durante sua campanha, abordou eleitores de Trump e perguntou por que o apoiavam. Do que tinham medo e o que esperavam? Ele fez perguntas, mas n\u00e3o os julgou. Solidarizou-se com essas pessoas, que se revelaram n\u00e3o fascistas, mas sim pessoas com problemas cotidianos, e prop\u00f4s abordar suas preocupa\u00e7\u00f5es de uma maneira diferente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Somente assim conseguiu implementar suas propostas para melhorar o transporte p\u00fablico e regular o mercado de alugu\u00e9is. Essas s\u00e3o pol\u00edticas que claramente ajudam a classe trabalhadora, mas que nem sempre s\u00e3o bem recebidas por ela. A diferen\u00e7a \u00e9 que, antes de apresent\u00e1-las, ele soube se colocar no lugar do eleitor. \u00c9 essencial que a esquerda pare de julgar a classe trabalhadora que vota na direita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Por que voc\u00ea acha que a direita tem dificuldade em dialogar sobre os medos da popula\u00e7\u00e3o? Estou pensando na imigra\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma quest\u00e3o que claramente assusta grande parte do eleitorado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Mas ser\u00e1 que existem motivos para esse medo, ou esses temores se baseiam em mentiras contadas pela direita, como a grande substitui\u00e7\u00e3o ou a ideia de que os migrantes v\u00e3o roubar todos os empregos? Antes de adotar medos infundados, precisamos avaliar o quanto disso \u00e9 ilus\u00f3rio. Depois de fazermos isso, veremos do que devemos ter medo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Voltando ao que est\u00e1vamos dizendo antes, isso n\u00e3o seria uma forma de julgar aqueles que temem a migra\u00e7\u00e3o, em vez de promover um debate calmo sobre os motivos desse medo, se ele \u00e9 justificado ou n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Verdade. N\u00e3o podemos nos apresentar como a elite, os iluminados que dir\u00e3o o que \u00e9 verdade e o que n\u00e3o \u00e9; o que \u00e9 certo e o que \u00e9 errado. Esse \u00e9 um problema que se enraizou porque nos isolamos em bolhas. Precisamos conversar com pessoas que t\u00eam sensibilidades e cren\u00e7as diferentes. Precisamos saber o que elas pensam e o que \u00e9 importante para elas. S\u00f3 assim poderemos aprender e desconstruir nosso elitismo. E sim, \u00e9 importante entender os medos das pessoas, porque esses medos se transformar\u00e3o em \u00f3dio se n\u00e3o forem abordados primeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Como podemos redirecion\u00e1-los?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Bem, sei que corro o risco de soar elitista novamente, mas isso se faz com consci\u00eancia. N\u00e3o vejo como o \u00f3dio pode ser evitado a n\u00e3o ser por meio de um processo educativo. N\u00e3o me interpretem mal; n\u00e3o estou necessariamente falando de estar sentado em uma sala de aula, mas de algum tipo de interc\u00e2mbio cultural, desde que seja feito com dignidade e respeito por todas as partes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>N\u00e3o parece f\u00e1cil garantir essas condi\u00e7\u00f5es hoje em dia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">N\u00e3o, especialmente na internet, que seria um bom espa\u00e7o para essas conversas. Mas l\u00e1, gentileza, dignidade e respeito s\u00e3o valores que sa\u00edram de moda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Mesmo assim, inevitavelmente, uma das arenas pol\u00edticas mais importantes hoje s\u00e3o as redes sociais. Se voc\u00ea tivesse que escolher, diria que elas s\u00e3o uma coisa boa ou ruim?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Eu n\u00e3o tenho contas em redes sociais; nunca tive porque acho que s\u00e3o t\u00f3xicas. As pessoas s\u00e3o desagrad\u00e1veis, raivosas\u2026 S\u00e3o uma esp\u00e9cie de v\u00e1lvula de escape para opini\u00f5es desinibidas, insultos e posi\u00e7\u00f5es que voc\u00ea jamais expressaria pessoalmente. Mas, por outro lado, podem ser impressionantes. Nesta segunda-feira (4), o Servi\u00e7o de Imigra\u00e7\u00e3o e Controle de Alf\u00e2ndega dos Estados Unidos (ICE) foi a um hospital de Nova York para levar um homem para Deus sabe onde. As pessoas transmitiram tudo ao vivo e, imediatamente, formou-se uma resist\u00eancia espont\u00e2nea, com uma multid\u00e3o cercando o pr\u00e9dio para impedir a pris\u00e3o. Isso levou at\u00e9 Mamdani a repreender publicamente a pol\u00edcia da cidade de Nova York por ajudar o ICE. Veja bem: em quest\u00e3o de minutos, tornou-se uma quest\u00e3o pol\u00edtica de primeira linha\u2026 Embora eu n\u00e3o saiba bem o que lhe dizer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>O que a faz hesitar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Bem, estou preocupada com os jovens, especialmente aqueles que ficaram t\u00e3o isolados durante a pandemia que nunca sa\u00edram da bolha da internet. Para eles, as intera\u00e7\u00f5es podem ser muito dif\u00edceis e, claro, \u00e9 normal que estejam com raiva. E as redes sociais podem n\u00e3o ser boas para eles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 a favor de proibir o acesso \u00e0s redes sociais para menores de 16 anos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Entendo o impulso por tr\u00e1s da proposta, mas n\u00e3o sei se funcionaria. Proibir algo apenas o torna mais atraente, especialmente quando estamos falando de adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>J\u00e1 se passaram quatro anos desde a \u00faltima entrevista que voc\u00ea concedeu ao&nbsp;<em>elDiario.es<\/em>. Foi em 2022, perto do fim da pandemia. Naquela \u00e9poca, voc\u00ea disse que era claro que n\u00e3o sair\u00edamos dela melhores, ent\u00e3o o que dever\u00edamos almejar era n\u00e3o sair piores. Conseguimos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Em parte. A \u00fanica coisa que poderia nos salvar de uma situa\u00e7\u00e3o pior seria termos consci\u00eancia da nossa interdepend\u00eancia, e ainda n\u00e3o chegamos l\u00e1. Mas acho que estamos no caminho certo. Estamos come\u00e7ando a entender que estamos interconectados, mesmo que seja por meios negativos. Por exemplo, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ou a guerra com o Ir\u00e3 nos ensinam que um ato tem consequ\u00eancias globais. Afinal, a onda autorit\u00e1ria \u00e9 transnacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">H\u00e1 muitas coisas que ainda n\u00e3o conquistamos, mas isso n\u00e3o as torna menos dignas de serem conquistadas. Mesmo que seja dif\u00edcil, n\u00e3o devemos perder a esperan\u00e7a, por mais que ainda n\u00e3o consigamos ver a luz no fim do t\u00fanel. Se fizermos isso, deixaremos a realidade ter a \u00faltima palavra \u2014 e isso, neste momento, n\u00e3o \u00e9 uma boa ideia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/dialogosdosul.com.br\/autor\/Sandra%20Vicente\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dialogosdosul.operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/357f831a-2cce-444b-9cf9-a123f423f7ae_avatar-200-aspect-ratio_default_0.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"\">Sandra VicenteSandra Vicente Barreira \u00e9 uma renomada jornalista espanhola, nascida em Barcelona em 1993. Ela \u00e9 reconhecida por seu trabalho em jornalismo investigativo e por dar voz a temas sociais e de direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Judith Butler afirma que o avan\u00e7o autorit\u00e1rio exige menos elitismo e mais capacidade de di\u00e1logo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17310,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[519,238],"tags":[795],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/judith20.jpg",881,439,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/judith20-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/judith20-300x149.jpg",300,149,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/judith20-768x383.jpg",640,319,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/judith20.jpg",640,319,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/judith20.jpg",881,439,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/judith20.jpg",881,439,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/judith20.jpg",881,439,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/judith20-800x439.jpg",800,439,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/judith20.jpg",881,439,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/judith20-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/judith20-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/biblioteca-das-ideias\/\" rel=\"category tag\">BIBLIOTECA DAS IDEIAS<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a>","tag_info":"DESTAQUE","comment_count":"0","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17309"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17309"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17309\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17311,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17309\/revisions\/17311"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17310"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17309"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}