{"id":17353,"date":"2026-07-19T07:58:41","date_gmt":"2026-07-19T07:58:41","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=17353"},"modified":"2026-07-19T18:20:03","modified_gmt":"2026-07-19T18:20:03","slug":"90-anos-da-guerra-civil-espanhola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2026\/07\/19\/90-anos-da-guerra-civil-espanhola\/","title":{"rendered":"90 anos da guerra civil espanhola"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A mem\u00f3ria que o futebol n\u00e3o pode apagar<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"737\" height=\"388\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/ana-sampaio-monteiro_Col2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17354\" style=\"aspect-ratio:1.8994845360824741;width:165px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/ana-sampaio-monteiro_Col2.jpg 737w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/ana-sampaio-monteiro_Col2-300x158.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 737px) 100vw, 737px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Por Ana Sampaio Monteiro<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Hoje Domingo, 19 de Julho, Espanha e Argentina disputar\u00e3o a final do Campeonato do Mundo de Futebol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Mais do que um jogo, ser\u00e1 um encontro entre duas na\u00e7\u00f5es que conheceram, em \u00e9pocas distintas, a viol\u00eancia das ditaduras fascistas e o peso de profundas feridas na sua Hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Guerra Civil de Espanha<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">Os jogadores espanh\u00f3is recordar-se-\u00e3o, certamente, de que h\u00e1 precisamente 90 anos, em 17 de Julho de 1936, o seu pa\u00eds mergulhava num dos mais sombrios conflitos do s\u00e9culo XX: a Guerra Civil Espanhola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Foi uma trag\u00e9dia humana de propor\u00e7\u00f5es devastadoras.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p class=\"\">Cerca de 500 mil mortos, outros 500 mil refugiados, centenas de milhares de crian\u00e7as \u00f3rf\u00e3s, mais de 100 mil mutilados e feridos graves, cidades destru\u00eddas e um pa\u00eds reduzido a ru\u00ednas.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"\">Mas o mais terr\u00edvel daquela guerra n\u00e3o foram apenas os n\u00fameros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Foi o facto de ter sido uma guerra civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Uma guerra entre compatriotas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Entre vizinhos que passaram a inimigos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Entre fam\u00edlias divididas, amigos separados, irm\u00e3os colocados em lados opostos das trincheiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Uma guerra que alimentou a den\u00fancia, o medo, o \u00f3dio e a viol\u00eancia entre pessoas que, at\u00e9 ent\u00e3o, partilhavam a mesma terra, as mesmas ruas e, muitas vezes, o mesmo sangue.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">As suas consequ\u00eancias foram t\u00e3o profundas que, passadas nove d\u00e9cadas, continuam a marcar a mem\u00f3ria colectiva do povo espanhol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Nenhuma guerra tem verdadeira justifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Cada conflito representa o fracasso da diplomacia, das institui\u00e7\u00f5es, da pol\u00edtica e, acima de tudo, da pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O fascismo na Europa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Desde 1920, a Europa assistia ao crescimento dos movimentos totalit\u00e1rios de extrema-direita: em Novembro de 1921, Benito Mussolini fundava o Partito Nazionale Fascista (PNF), o primeiro grande partido fascista do mundo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Pouco antes, Adolf Hitler criara o Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (NSDAP), (Partido Nazi) e publicaria, em 1925, o Mein Kampf, obra onde expunha a ideologia racista, expansionista e totalit\u00e1ria que viria a mergulhar o mundo na maior trag\u00e9dia da sua Hist\u00f3ria (1939-45).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A crise econ\u00f3mica e social provocada pela Grande Depress\u00e3o aceleraria a expans\u00e3o dessas ideologias extremistas por toda a Europa e pelo planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Tamb\u00e9m Portugal acabaria por enveredar pelo caminho da ditadura, na sequ\u00eancia do golpe militar de 28 de Maio de 1926, que abriria caminho ao Estado Novo de Ant\u00f3nio de Oliveira Salazar.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Frentes Populares<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">Perante o crescimento do nazi-fascismo, surgiram em v\u00e1rios pa\u00edses coliga\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas de esquerda conhecidas por Frentes Populares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Em 1936, tanto em Fran\u00e7a como em Espanha, essas coliga\u00e7\u00f5es venceram legitimamente as elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Em Espanha, a Frente Popular obteve cerca de 34% dos votos, formando um governo republicano liderado por Manuel Aza\u00f1a, como Presidente da Rep\u00fablica, e por Francisco Largo Caballero como Presidente do Conselho de Ministros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O resultado eleitoral foi imediatamente rejeitado pelos sectores mais conservadores, mon\u00e1rquicos, cat\u00f3licos, falangistas &#8211; da Falange Espa\u00f1ola, partido fascista fundado por Primo de Rivera (filho), em 1933 &#8211; e franquistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Espanha era, ent\u00e3o, um dos pa\u00edses mais avan\u00e7ados da Europa em direitos das mulheres:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Votavam,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Podiam divorciar-se,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Tinham acesso \u00e0s universidades, a minist\u00e9rios do governo e \u00e0s trincheiras.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Golpe militar<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">A 17 de julho de 1936, tudo chegou ao fim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Nesse dia, uma insurrei\u00e7\u00e3o em Melilla, no Protetorado Espanhol de Marrocos, desencadeou o golpe militar contra a Rep\u00fablica &#8211; o &#8220;Alzamiento Nacional&#8221;, como lhe chamaram os fascistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O movimento rapidamente alastrou por toda a Espanha, dando in\u00edcio \u00e0 Guerra Civil Espanhola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Entre os principais l\u00edderes do levantamento encontrava-se o general fascista Francisco Franco, que mergulhou o pa\u00eds numa guerra sangrenta, prolongada at\u00e9 1939.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Brigadas Internacionais<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">Os Republicanos ficaram praticamente abandonados pelas grandes democracias europeias.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p class=\"\">Receberam, sobretudo, o apoio das Brigadas Internacionais, compostas por milhares de volunt\u00e1rios civis oriundos de dezenas de pa\u00edses: escritores, professores, jornalistas, oper\u00e1rios, intelectuais e simples cidad\u00e3os que acreditavam estar a defender a liberdade e a democracia.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"\">Entre eles encontravam-se tamb\u00e9m portugueses antifascistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">J\u00e1 os franquistas beneficiaram de um apoio militar massivo e decisivo da Alemanha de Hitler, da It\u00e1lia de Mussolini, do regime de Salazar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">E de for\u00e7as mercen\u00e1rias e tropas coloniais remuneradas.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Laborat\u00f3rio militar<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">Portugal enviou armamento, apoio log\u00edstico, a Legi\u00e3o Portuguesa e comboios carregados de bens alimentares ostentando a inscri\u00e7\u00e3o &#8220;OS DESPOJOS DE PORTUGAL&#8221;, numa altura em que a maioria dos portugueses vivia mergulhada na pobreza, na fome e na aus\u00eancia dos mais b\u00e1sicos cuidados de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Para Hitler e Mussolini, Espanha transformou-se num enorme laborat\u00f3rio militar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Ali, testaram avi\u00f5es, bombas, t\u00e1cticas de guerra e armamento que, poucos anos depois, devastariam a Europa durante a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Guernica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">O exemplo mais brutal ocorreu em 27 de Abril de 1937.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Nessa Segunda-feira, \u00e0s 16h30, a Legi\u00e3o Condor &#8211; For\u00e7a A\u00e9rea alem\u00e3 apoiada pela avia\u00e7\u00e3o italiana: a Avia\u00e7\u00e3o Legion\u00e1ria &#8211; iniciou o bombardeamento da pequena cidade basca de Guernica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Durante cerca de duas horas, sucessivas vagas de avi\u00f5es lan\u00e7aram explosivos e metralharam a popula\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Guernica n\u00e3o possu\u00eda qualquer import\u00e2ncia estrat\u00e9gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Foi apenas escolhida para servir de experi\u00eancia e para aterrorizar a popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Pela PRIMEIRA VEZ na Hist\u00f3ria, uma cidade era praticamente destru\u00edda por um bombardeamento a\u00e9reo sistem\u00e1tico contra civis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Cerca de 1.500 pessoas morreram, muitas carbonizadas nas ruas, outras asfixiadas sob os escombros ou abatidas pelas metralhadoras dos avi\u00f5es enquanto tentavam fugir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Homens, mulheres e crian\u00e7as refugiaram-se num pequeno abrigo subterr\u00e2neo improvisado junto de uma escola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Sem ventila\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Sem \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Sem alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Sem instala\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Na escurid\u00e3o absoluta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Esse abrigo continua hoje aberto ao p\u00fablico, em Guernica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Quem o visita &#8211; como eu -, permanece ali apenas alguns minutos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Bastam esses minutos para imaginar o terror vivido durante duas intermin\u00e1veis horas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A destrui\u00e7\u00e3o de Guernica foi eternizada por Pablo Picasso, numa das obras mais poderosas da Hist\u00f3ria da Arte, hoje exposta no Museu Rainha Sofia, em Madrid.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Entretanto, muitas outras cidades espanholas conheceram igual destino &#8211; Madrid, Barcelona, Val\u00eancia, Alicante, Durango, Almeria, Castell\u00f3n, Tarragona, Granollers, Bilbao e Gij\u00f3n.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refugiados<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Pr\u00f3ximo do final da guerra, cerca de 500 mil espanh\u00f3is atravessaram a fronteira francesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Encontraram campos de refugiados improvisados, onde enfrentaram o frio, a chuva, a fome e condi\u00e7\u00f5es de vida desumanas &#8211; 50g di\u00e1rias de p\u00e3o seco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Um sobrevivente recordaria mais tarde:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">&#8220;No in\u00edcio de 1939, fazia um frio intenso quando 500 mil homens, mulheres e crian\u00e7as chegaram \u00e0 Fran\u00e7a, fugindo das batalhas finais da Guerra Civil Espanhola e das repres\u00e1lias dos partid\u00e1rios de Franco.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Poucos meses depois, muitos refugiados cairiam nas m\u00e3os da Gestapo ap\u00f3s a ocupa\u00e7\u00e3o nazi de Fran\u00e7a, acabando deportados e mortos em campos de concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Ainda hoje, Espanha continua a confrontar-se com esse passado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O primeiro-ministro Pedro S\u00e1nchez anunciou a revoga\u00e7\u00e3o da Gr\u00e3-Cruz da Ordem Civil da Sa\u00fade atribu\u00edda ao psiquiatra franquista Antonio Vallejo-N\u00e1jera, conhecido como &#8220;o Mengele espanhol&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Vallejo-N\u00e1jera defendia teorias pseudocient\u00edficas sobre a &#8220;purifica\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a&#8221; e procurou justificar o roubo sistem\u00e1tico de beb\u00e9s durante o franquismo, alegando impedir a transmiss\u00e3o do &#8220;gene vermelho&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Como afirmou Pedro S\u00e1nchez:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p class=\"\">&#8220;Nenhuma democracia pode continuar a prestar homenagem a algu\u00e9m que mascarou as suas teorias para justificar o \u00f3dio, a repress\u00e3o e a desigualdade.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"\">As suas ideias encontravam paralelo nas pol\u00edticas de eugenia do regime nazi, que, desde 14 de Julho de 1933, aprovara a Lei da Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as Heredit\u00e1rias, impondo esteriliza\u00e7\u00f5es for\u00e7adas a milhares de alem\u00e3es considerados &#8220;indesej\u00e1veis&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A Guerra Civil terminou em Abril de 1939.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Franco e o fascismo venceram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A ditadura prolongou-se durante quase quatro d\u00e9cadas, terminando apenas com a morte do Caudilho, em 20 de Novembro de 1975.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">S\u00f3 ent\u00e3o Espanha iniciaria o caminho que a conduziria \u00e0 democracia e \u00e0 monarquia constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Noventa anos depois, recordar a Guerra Civil Espanhola n\u00e3o significa reabrir feridas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Significa impedir que sejam esquecidas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Porque a mem\u00f3ria \u00e9 uma das formas mais poderosas de defender a LIBERDADE.<\/h3>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"\">E as democracias s\u00f3 permanecem vivas quando conhecem, enfrentam e preservam a VERDADE da sua pr\u00f3pria Hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">(A ler \u201cPor quem os sinos dobram\u201d, de Ernest Hemingway, e \u201cHomenagem \u00e0 Catalunha\u201d, de George Orwell. Ambos estiveram l\u00e1, do lado dos Republicanos. Obras magn\u00edficas!)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">(Texto de Ana Sampaio Monteiro; Imagens: Museu Nacional d&#8217;Art de Catalunya, sobre a Guerra Civil Espanhola.)<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"767\" height=\"1024\" data-id=\"17356\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/gce1-767x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17356\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/gce1-767x1024.jpeg 767w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/gce1-225x300.jpeg 225w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/gce1-768x1025.jpeg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/gce1.jpeg 887w\" sizes=\"(max-width: 767px) 100vw, 767px\" 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