{"id":17644,"date":"2026-09-14T16:20:21","date_gmt":"2026-09-14T16:20:21","guid":{"rendered":"https:\/\/nsf.pt\/?p=17644"},"modified":"2026-09-14T16:20:26","modified_gmt":"2026-09-14T16:20:26","slug":"a-galiza-continua-a-dar-hoje-a-jose-afonso-mais-importancia-do-que-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2026\/09\/14\/a-galiza-continua-a-dar-hoje-a-jose-afonso-mais-importancia-do-que-portugal\/","title":{"rendered":"A Galiza continua a dar hoje a Jos\u00e9 Afonso mais import\u00e2ncia do que Portugal"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Entrevista com o autor do livro A Galiza de Jos\u00e9 Afonso <\/h1>\n\n\n\n<p class=\"\"><a href=\"https:\/\/denorteasul.eu\/2026\/09\/14\/entrevista-paulo-esperanca-a-galiza-continua-a-dar-hoje-a-jose-afonso-muito-mais-importancia-do-que-portugal\/\"><time datetime=\"2026-09-14T11:39:00+01:00\">14 de Setembro<\/time><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">[Transcri\u00e7\u00e3o da entrevista publicado no De Norte a Sul &#8211; Not\u00edcias da Galiza e de Portugal]<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><a href=\"https:\/\/denorteasul.eu\/author\/germano\/\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/denorteasul.eu\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/germano_PB_crop-e1773946639758.png\" alt=\"Avatar de German Est\u00e9vez\" style=\"aspect-ratio:0.998003992015968;width:123px;height:auto\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"\"><a href=\"https:\/\/denorteasul.eu\/author\/germano\/\">German Est\u00e9vez<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><br><em>Chega \u00e0s bancas um livro que aprofunda na \u00edntima liga\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Afonso \u00e0 Galiza e os seus la\u00e7os de amizade, solidariedade e resist\u00eancia que o uniram biogr\u00e1fica, art\u00edstica e politicamente aos m\u00fasicos galegos. Hoje, a sua m\u00fasica e o seu pensamento continuam a se revelar intensamente a norte do Minho. Esta obra prop\u00f5e a afirma\u00e7\u00e3o do seu legado como um territ\u00f3rio vivo de fraternidade, emancipa\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a. Conversamos com o seu autor, Paulo Esperan\u00e7a.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Por que raz\u00e3o decidiu trabalhar sobre a obra de Jos\u00e9 Afonso e, em particular, sobre a sua rela\u00e7\u00e3o com a Galiza?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Vou tentar resumir. Tenho uma liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Galiza h\u00e1 mais de 50 anos e tenho amigos nas quatro prov\u00edncias galegas, nomeadamente m\u00fasicos. Durante 15 anos fui membro da Dire\u00e7\u00e3o Nacional da Associa\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Afonso e, durante nove anos, fui vice-presidente da dire\u00e7\u00e3o. Entretanto, afastei-me, n\u00e3o por qualquer diverg\u00eancia, mas porque entendi que a Associa\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Afonso n\u00e3o podia ser a Coreia do Norte: era preciso introduzir sangue novo. Continuo, no entanto, a trabalhar, nomeadamente no seu N\u00facleo do Norte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Atrav\u00e9s das minhas liga\u00e7\u00f5es \u00e0 Galiza e dos meus amigos, foi-se criando uma amizade muito forte que, por exemplo, me levou a ser um dos impulsionadores da forma\u00e7\u00e3o do N\u00facleo da Associa\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Afonso na Galiza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">H\u00e1 tr\u00eas anos escrevi um livro chamado Tri\u00e2ngulo M\u00e1gico na Vida e Obra de Jos\u00e9 Afonso, no qual abordava um pouco a Galiza. Mas tinha muita mais informa\u00e7\u00e3o e contei com a ajuda de v\u00e1rios amigos, nomeadamente de um velho amigo que costumo chamar \u00abirm\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o\u00bb, o Chico de Carinho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Perante toda essa informa\u00e7\u00e3o, entendi que devia escrever uma obra exclusivamente centrada na Galiza: Jos\u00e9 Afonso na Galiza e a Galiza em Jos\u00e9 Afonso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>O que descobrimos atrav\u00e9s deste livro que talvez n\u00e3o soub\u00e9ssemos sobre essa rela\u00e7\u00e3o?<\/strong><br>Penso que os galegos, relativamente bem informados, conhecem grande parte do que est\u00e1 escrito no livro. Mas \u00e9 um livro escrito em portugu\u00eas e, portanto, para os portugueses h\u00e1 muitas coisas que eram desconhecidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Por exemplo, n\u00e3o conheciam a quest\u00e3o lingu\u00edstica nem o que era o reintegracionismo. Tamb\u00e9m n\u00e3o sabiam que a d\u00e9cada de 1970, mesmo depois da morte de Franco, em 1975, foi uma das d\u00e9cadas mais mort\u00edferas no Estado espanhol, com exce\u00e7\u00e3o do per\u00edodo da Guerra Civil, entre 1936 e 1939. Houve assassinatos no meio da rua e uma repress\u00e3o muito forte em v\u00e1rios pontos do Estado espanhol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Penso que os portugueses conheciam pouco dessa realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Por outro lado, em Portugal s\u00f3 se fala de Jos\u00e9 Afonso, sobretudo, no per\u00edodo do 25 de Abril e do 1.\u00ba de Maio. Na Galiza, nomeadamente nessa \u00e9poca, s\u00e3o v\u00e1rias as cidades e comunidades que celebram a sua obra e o seu exemplo c\u00edvico com col\u00f3quios, debates, filmes, m\u00fasica, manifesta\u00e7\u00f5es, etc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Inclu\u00ed tamb\u00e9m no livro uma quest\u00e3o que poder\u00e1 ser pol\u00e9mica quando este for apresentado na Galiza: a quest\u00e3o de Gr\u00e2ndola, Vila Morena. Foi cantada pela primeira vez a 10 de maio de 1972? em Santiago ou em Ourense?&nbsp;<\/strong>Existem diferentes testemunhos e documentos sobre essa quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Inclu\u00ed ainda algo que a maioria dos portugueses, incluindo pessoas ligadas \u00e0 pr\u00f3pria Associa\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Afonso, desconhecia: uma s\u00e9rie de m\u00fasicos que cantaram e continuam a cantar, gravaram e continuam a gravar can\u00e7\u00f5es de Jos\u00e9 Afonso. \u00c9 claro que este mapa est\u00e1 incompleto: eu pedi ajuda a muita gente, jornais galegos\u2026 o \u00fanico jornal que me ajudou com todas as suas for\u00e7as foi o N\u00f3s di\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Para quem n\u00e3o conhecer bem Jos\u00e9 Afonso e se estiver a aproximar agora da sua obra, de onde vem esta liga\u00e7\u00e3o t\u00e3o especial entre Jos\u00e9 Afonso e a Galiza?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Jos\u00e9 Afonso foi pela primeira vez \u00e0 Galiza em 1951 ou 1952. A data n\u00e3o est\u00e1 completamente definida. Foi com um grupo de estudantes de Coimbra, mas essa visita n\u00e3o parece ter-lhe merecido uma aten\u00e7\u00e3o especial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A AJA tem um livro, Sonhador de Palavras, com cerca de 150 entrevistas ao Jos\u00e9 Afonso, nomeadamente feitas por jornais da Galiza. Por exemplo no Semin\u00e1rio \u201cA Nosa Terra\u201d. H\u00e1, contudo, abundantes declara\u00e7\u00f5es de Jos\u00e9 Afonso, sobretudo a partir de 1972, quando fez uma digress\u00e3o por Ourense, Lugo e Compostela. H\u00e1 declara\u00e7\u00f5es, inclusivamente em Portugal, em que Jos\u00e9 Afonso diz que est\u00e1 farto de explicar que a Galiza n\u00e3o \u00e9 Espanha, que tem uma l\u00edngua pr\u00f3pria, etc. Cita tamb\u00e9m escritores portugueses que se referiram a essa quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Assim sendo, h\u00e1 uma entrevista ao jornal A Nossa Terra em que afirma: \u00ab<em>Nunca me senti t\u00e3o bem, nunca fui t\u00e3o bem tratado como na Galiza. A Galiza, para mim, \u00e9 uma p\u00e1tria espiritual\u00bb<\/em>. Isto tem a ver, acima de tudo, com a forma como Jos\u00e9 Afonso foi acarinhado na Galiza. Por exemplo, o grupo Voces Ceibes, nomeadamente o Benedito (Garcia Villar, cantor e fundador deste grupo), tiveram um papel muito importante em 1972. Depois, Chico de Carinho, com o Festival dos Povos Ib\u00e9ricos, na Corunha, tamb\u00e9m desempenhou um papel muito importante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">H\u00e1 um epis\u00f3dio no livro que, para mim, representa tudo isto. Jos\u00e9 Afonso, J\u00falio Pereira e Vitorino foram dar um concerto a Cangas do Morra\u00e7o. Estavam apenas seis pessoas a assistir. Esta \u00e9 uma hist\u00f3ria contada por J\u00falio Pereira e que me foi transmitida a mim. Transcrevi-a no livro. J\u00falio Pereira disse ao Zeca que, com seis pessoas na assist\u00eancia, n\u00e3o valia a pena fazer o concerto. E ele respondeu: \u00ab<em>N\u00e3o, fazemos o concerto porque isto \u00e9 gente boa<\/em>\u00bb. Fizeram o concerto. Cantaram cerca de uma d\u00fazia de m\u00fasicas e, depois a meia d\u00fazia de pessoas ter-se levantado e ter aplaudido, Jos\u00e9 Afonso, sozinho, tocou e cantou mais de meia d\u00fazia de can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Isto tem muito a ver com a forma como Jos\u00e9 Afonso se sentia em rela\u00e7\u00e3o ao povo galego e \u00e0 sua l\u00edngua, nomeadamente num per\u00edodo em que em Portugal ainda existia o fascismo e, no Estado espanhol, o franquismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Qual foi a import\u00e2ncia da Galiza na forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia pol\u00edtica, cultural e humana de Jos\u00e9 Afonso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O contato de Jos\u00e9 Afonso com a Galiza n\u00e3o come\u00e7a em 1972. O problema \u00e9 que n\u00e3o existe nenhuma refer\u00eancia escrita ou em entrevistas de Jos\u00e9 Afonso sobre esse per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Em 1972, o Benedito foi a Set\u00fabal conhecer Jos\u00e9 Afonso, porque tinha ouvido o disco&nbsp;<em>Traz Outro Amigo Tamb\u00e9m<\/em>&nbsp;e ficou maravilhado. Quis ir conhec\u00ea-lo pessoalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Jos\u00e9 Afonso ficou, como dizemos em portugu\u00eas, de p\u00e9 atr\u00e1s. Ficou hesitante, porque julgava que talvez fossem estrangeiros enviados pela PIDE, a pol\u00edcia pol\u00edtica portuguesa. Ele era perseguido e j\u00e1 tinha estado preso.<br>Depois de se conhecerem, percebeu que Benedito n\u00e3o tinha qualquer rela\u00e7\u00e3o com a PIDE. Jos\u00e9 Afonso virou-se para ele e perguntou: \u00ab<em>E voc\u00eas s\u00e3o mesmo galegos, l\u00e1 de cima? E \u00e9 assim que se fala l\u00e1 em cima?<\/em>\u00bb Ou seja, n\u00e3o tinha qualquer no\u00e7\u00e3o das passagens anteriores pela Galiza, em 1952 e em 1956-1957.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Essa passagem de 1956-1957 est\u00e1 tamb\u00e9m documentada no livro atrav\u00e9s de uma hist\u00f3ria muito interessante. Maria Xos\u00e9 Queiz\u00e1n, uma antiga militante galega antifranquista, deixou um testemunho sobre esse concerto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Estava gr\u00e1vida e contou que, durante a atua\u00e7\u00e3o, a filha lhe deu pontap\u00e9s na barriga. \u00c9 uma mem\u00f3ria de que nunca se esqueceu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Mas \u00e9, de facto, a partir de 1972 que Jos\u00e9 Afonso come\u00e7a a adquirir essa consci\u00eancia. Em rela\u00e7\u00e3o ao Estado espanhol, o Benedito, militante do Partido Comunista, levou-o \u00e0s Ast\u00farias, pelo menos tr\u00eas vezes, \u00e0 Festa da Cultura, onde ficou emocionado ao contactar com os mineiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Come\u00e7a, assim, a adquirir uma consci\u00eancia muito clara, primeiro sobre o Estado espanhol e depois sobre a l\u00edngua da Galiza, que, para quem a falar corretamente, \u00e9 muit\u00edssimo pr\u00f3xima do portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Como se cruzam a l\u00edngua, a m\u00fasica e a mem\u00f3ria na obra de Jos\u00e9 Afonso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">\u00c9 algo que me parece estranho e que ainda hoje n\u00e3o consigo explicar completamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Jos\u00e9 Afonso lidou com a elite da intelectualidade galega. Ele pr\u00f3prio o afirma nas entrevistas. Contatou com m\u00fasicos, poetas, escritores, etc. Fala, por exemplo, de Xose Manuel Ferrim, Vicente Araguas (um dos fundadores de Vozes Ceibes) etc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">No entanto, acho completamente estranho que, tendo contatado com essa elite intelectual galega durante o franquismo, n\u00e3o tenha musicado nenhum poeta galego.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Isto \u00e9: Jos\u00e9 Afonso tem duas can\u00e7\u00f5es de origem galega. Uma \u00e9&nbsp;<em>Baileia<\/em>, de um cl\u00e9rigo do s\u00e9culo XIII chamado Airas Nunes. A outra \u00e9 de origem popular, do cancioneiro da Limia Baixa,&nbsp;<em>Achega-te tamb\u00e9m, Maruxa<\/em>. N\u00e3o tem mais nada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Em Portugal, pelo contr\u00e1rio, cerca de 30% da sua obra tem origem em poetas musicados. Ou seja, foi buscar poemas a cerca de 30 poetas portugueses e musicou-os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Mas, a esta quest\u00e3o, acrescento outra: por que raz\u00e3o Jos\u00e9 Afonso, tendo passado cerca de oito anos em \u00c1frica e tendo lidado com a elite intelectual africana, tamb\u00e9m n\u00e3o musicou nenhum poeta africano?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Jos\u00e9 Afonso \u00e9, de facto, um mist\u00e9rio\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Um mist\u00e9rio que ainda estamos a tentar resolver\u2026 H\u00e1 epis\u00f3dios concretos da rela\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Afonso com a Galiza que considere especialmente reveladores e que o p\u00fablico deva conhecer?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">H\u00e1 v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es. O Benedito conta que algumas m\u00fasicas que o Zeca fez foram compostas durante viagens que realizaram juntos. Por exemplo, O que faz falta foi feita durante uma viagem de carro at\u00e9 Paris. De vez em quando, Jos\u00e9 Afonso mandava parar, tinha um gravador e registava alguma coisa. Benedicto diz que, quando chegaram a Paris, a m\u00fasica estava feita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Quanto \u00e0 quest\u00e3o de Gr\u00e2ndola, n\u00e3o pretendo criar nenhuma pol\u00e9mica. Ainda hoje h\u00e1 pessoas vivas que participaram na organiza\u00e7\u00e3o do concerto de 1972. Em\u00edlio P\u00e9rez Touri\u00f1o, que foi presidente da Junta de Galicia, tem um depoimento no meu livro. Tamb\u00e9m Jo\u00e3o Guti\u00e9rrez Ribeiro e a vi\u00fava de Benedito deixaram testemunhos.<br>Eu n\u00e3o questiono esses testemunhos. Eles dizem que a primeira vez que Gr\u00e2ndola foi cantada aconteceu a 10 de maio de 1972.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O que \u00e9 certo \u00e9 que o livro reproduz o alinhamento do concerto de Ourense de 8 de maio de 1972, baseado no que refere o Arturo Regueira, que mora em Gr\u00e2ndola, e que foi um dos organizadores. E, se n\u00e3o me falha a mem\u00f3ria, a terceira m\u00fasica desse concerto \u00e9 Gr\u00e2ndola. H\u00e1 pessoas que escrevem no livro e d\u00e3o o seu testemunho de que Gr\u00e2ndola foi cantada em Ourense a 8 de maio de 1972.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Eu n\u00e3o fa\u00e7o qualquer coment\u00e1rio. Apresento simplesmente os factos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Tamb\u00e9m fui jornalista e, portanto, preocupo-me com os factos. Al\u00e9m disso, participei na organiza\u00e7\u00e3o de concertos do Zeca e n\u00f3s entreg\u00e1vamos aos jornalistas o alinhamento de um concerto. Depois ele subia ao palco e mudava tudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Portanto, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel que n\u00e3o tenha cantado Gr\u00e2ndola em Ourense. O que est\u00e1 no alinhamento \u00e9 Gr\u00e2ndola. E h\u00e1 pessoas que dizem que o ouviram cant\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Depois h\u00e1 outra quest\u00e3o que, para mim, \u00e9 muito relevante. Miro Casabella (membro de Vozes Ceibes e cantor da&nbsp;<em>Nova Canci\u00f3n Galega),&nbsp;<\/em>e autor do pr\u00f3logo deste livro, e tem um testemunho que gravei e que est\u00e1 aqui transcrito. Em 1971, na primavera, houve um concerto em Val\u00eancia em que participaram Maria del Mar Bonet e v\u00e1rias outras pessoas. Jos\u00e9 Afonso foi ter com Miro Casabella e disse-lhe que ia cantar uma can\u00e7\u00e3o que ainda n\u00e3o tinha m\u00fasica, mas que queria ensaiar porque, no final do ano, iria grav\u00e1-la em Paris para o \u00e1lbum Cantigas do Maio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Segundo o Miro Casabella, a m\u00fasica que Jos\u00e9 Afonso cantou foi Gr\u00e2ndola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Ora, se a cantou em 1971, n\u00e3o pode ter sido a primeira vez em 1972.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Mas h\u00e1 mais. Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, que construiu esse disco monumental, considerado um dos melhores da m\u00fasica portuguesa, Cantigas do Maio, tem uma aclara\u00e7\u00e3o que est\u00e1 reproduzido no livro. \u00c9 um fac-s\u00edmile de um livro da C\u00e2mara de Gr\u00e2ndola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco conta que Cantigas do Maio come\u00e7ou a ser gravado em novembro de 1971, em Paris, onde estava exilado. Zeca apareceu ao Z\u00e9 M\u00e1rio a dizer: \u00abTenho aqui uma can\u00e7\u00e3o que gostava de p\u00f4r no disco. Mas tens de fazer os arranjos\u00bb. E acrescentou que s\u00f3 tinha cantado aquela m\u00fasica uma vez, em Gr\u00e2ndola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Ora, se em 1971 Zeca dizia a Jos\u00e9 M\u00e1rio que s\u00f3 tinha cantado aquela m\u00fasica uma vez em Gr\u00e2ndola, em 1972 n\u00e3o ter\u00e1 sido a primeira vez.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Mas eu n\u00e3o fa\u00e7o qualquer coment\u00e1rio sobre isto. Apresento os factos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Miro Casabella tamb\u00e9m me disse que, depois do concerto em Val\u00eancia, foram para Barcelona fazer outro concerto, onde Zeca cantou e tocou Gr\u00e2ndola. N\u00e3o coloquei isso no livro. E sabem porqu\u00ea? Porque n\u00e3o tenho documentos. Se n\u00e3o tenho documentos, n\u00e3o ponho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Como deve ser lida a dimens\u00e3o pol\u00edtica do livro e de Zeca nessa liga\u00e7\u00e3o galaico-portuguesa, 50 anos depois?<\/strong><br>A minha preocupa\u00e7\u00e3o central \u00e9 que as pessoas compreendam o estado em que se vivia naquela \u00e9poca. H\u00e1 um cap\u00edtulo no livro chamado o Estado do Estado, e quero que as pessoas percebam o Estado espanhol; a repress\u00e3o, o franquismo, o fascismo, os assassinatos, etc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Dou, por exemplo, relev\u00e2ncia a uma coisa muito importante: a 27 de setembro de 1975, quando Franco j\u00e1 tinha morrido, foram assassinados tr\u00eas militantes da FRAP e dois da ETA. Eu pr\u00f3prio participei no Porto numa mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica relacionada com esses acontecimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Tamb\u00e9m me preocupa muito a quest\u00e3o da l\u00edngua. Ainda hoje ou\u00e7o pessoas informadas dizerem que Chico de Carinho fala espanhol. Mesmo pessoas bem informadas! \u2026 e gente boa, n\u00e3o percebe esta quest\u00e3o.<br>Por isso acho que o cap\u00edtulo sobre o galego e o castelhano \u00e9 muito importante. Gostaria que as pessoas olhassem para essa quest\u00e3o com aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Depois, Zeca vai pegar nisso e dizer, em ess\u00eancia: \u00abEstes galegos n\u00e3o falam espanhol, estes galegos falam galego\u00bb. Uma l\u00edngua que, como dizia Rodrigues Lapa<sup><a href=\"https:\/\/denorteasul.eu\/2026\/09\/14\/entrevista-paulo-esperanca-a-galiza-continua-a-dar-hoje-a-jose-afonso-muito-mais-importancia-do-que-portugal\/?fbclid=IwY2xjawUU2SpwZG9mAWV4dG4DYWVtAjExAHNydGMGYXBwX2lkEDIyMjAzOTE3ODgyMDA4OTIAAR6oNWM4wFFC6HX-4GP4Zf7ibAHxmhcqGaH_xN7sZPwxg93J-OL9WdYZxkfb4g_aem_V0XjOBqUoSDUEyT_SymPTg#ec748202-5fbd-4b0c-89f5-29732c227218\">1<\/a><\/sup>, \u00e9 muito pr\u00f3xima do portugu\u00eas, com alguns contornos diferentes, mas pertencente \u00e0 mesma matriz lingu\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">\u00c9 isso que eu gostava que ficasse, digamos assim, na retina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Depois h\u00e1 as passagens de Zeca pela Galiza. Se formos \u00e0 Corunha, por exemplo, conseguimos identificar v\u00e1rios lugares onde esteve.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O \u00faltimo concerto que Zeca deu na Galiza foi na Corunha, em 1981, com os&nbsp;<em>Fuxan os Ventos<\/em>&nbsp;a fazerem a primeira parte. Falei com o Miro e ele chegou a fornecer-me uma c\u00f3pia do bilhete, que tamb\u00e9m est\u00e1 reproduzida no livro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Existe uma dimens\u00e3o ib\u00e9rica no pensamento de Jos\u00e9 Afonso ou ser\u00e1 mais correto falar de uma dimens\u00e3o diretamente atl\u00e2ntica e galego-portuguesa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Eu acho que existe uma dimens\u00e3o mais ib\u00e9rica, por aquilo que se conhece.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Em Set\u00fabal funciona a sede nacional da Associa\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Afonso e temos um centro de documenta\u00e7\u00e3o. Sobre o Estado espanhol, temos not\u00edcias confirmadas da presen\u00e7a de Jos\u00e9 Afonso em Val\u00eancia e nas Ast\u00farias. Jos\u00e9 Afonso cantou, com toda a certeza, noutros lugares do Estado espanhol, mas provavelmente a imprensa da \u00e9poca pouco se interessava pela sua participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Com a Galiza, por\u00e9m, \u00e9 diferente. Existe uma atra\u00e7\u00e3o muito clara de Jos\u00e9 Afonso pela Galiza que, a meu ver, tem a ver, em primeiro lugar, com a grande influ\u00eancia das Voces Ceibes e, por outro lado, com a l\u00edngua pr\u00f3pria, t\u00e3o parecida, quase igual, ao portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Isso levou a um processo de amor \u00e0 primeira vista entre a Galiza e Jos\u00e9 Afonso e entre Jos\u00e9 Afonso e a Galiza.<br>A dimens\u00e3o atl\u00e2ntica n\u00e3o me parece t\u00e3o determinante. Com \u00c1frica, por exemplo, tinha uma rela\u00e7\u00e3o muito forte, at\u00e9 porque esteve l\u00e1 cerca de oito anos, mas pouco mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>O que pensa que a Galiza deve a Jos\u00e9 Afonso e, inversamente, o que \u00e9 que Jos\u00e9 Afonso deixou \u00e0 cultura galega?<\/strong><br>A Galiza n\u00e3o deu nada a Jos\u00e9 Afonso; a Galiza continua a dar tudo a Jos\u00e9 Afonso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Basta ver a pequena recolha de acontecimentos que fiz no livro. Mesmo depois da sua morte, nas celebra\u00e7\u00f5es do 25 de Abril, do 1.\u00ba de maio ou do anivers\u00e1rio da sua morte, continuam a realizar-se homenagens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Vou contar um caso concreto. No dia 2 de agosto fizeram-se 98 anos do nascimento de Zeca. O N\u00f3s Diario foi o \u00fanico jornal que vi publicar uma nota sobre isso. Nenhum jornal portugu\u00eas fez refer\u00eancia ao anivers\u00e1rio.<br>Isso j\u00e1 significa muito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O que o Zeca deu \u00e0 Galiza est\u00e1 consubstanciado numa s\u00e9rie de declara\u00e7\u00f5es de amor que fez \u00e0 Galiza, \u00e0 l\u00edngua e ao povo galego. S\u00f3 n\u00e3o fala de comida porque Zeca n\u00e3o gostava muito de comer e n\u00e3o sabia apreci\u00e1-la.<br>O amor incondicional que dedicou \u00e0 Galiza est\u00e1 expresso em v\u00e1rias declara\u00e7\u00f5es. Nem \u00e9 preciso coment\u00e1-las: basta ver, ao longo do ano, as celebra\u00e7\u00f5es que continuam a ser realizadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Os jornais galegos publicam refer\u00eancias a ele quando se assinala o 25 de Abril, quando se recorda a sua morte, quando se celebra algum anivers\u00e1rio da sua obra ou quando se recupera algum dos seus discos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Portanto, h\u00e1 uma coisa que \u00e9 clara como a \u00e1gua: a Galiza continua hoje a dar a Jos\u00e9 Afonso muit\u00edssimo mais import\u00e2ncia do que Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Por fim, o que pensaria Jos\u00e9 Afonso se pudesse ver, 50 anos depois, as pra\u00e7as galegas a celebrarem o 25 de Abril, num momento de novo crescimento da extrema-direita e do fascismo?<\/strong><br>Eu conheci o Zeca e acho que, como todos n\u00f3s, ele faria algumas perguntas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Penso que ficaria muito preocupado e perguntaria uma coisa do g\u00e9nero: \u00abValeu a pena todo o meu esfor\u00e7o, toda a minha resist\u00eancia, tudo aquilo que escrevi e cantei?\u00bb<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">\u00c9 uma das coisas que penso hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Tamb\u00e9m tenho esperan\u00e7a porque h\u00e1 gente nova, nomeadamente em Portugal, como a Capicua, a Garota N\u00e3o e outros artistas, que continuam a erguer esse legado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">E h\u00e1 hoje uma realidade que provavelmente na Galiza n\u00e3o \u00e9 muito conhecida: h\u00e1 fadistas, sobretudo mulheres, a cantarem \u201cZeca\u201d. Temos, por exemplo, Sara Correia, que tem uma voz extraordin\u00e1ria, ou a Gisela Jo\u00e3o. No ano passado, por exemplo, a Gisela Jo\u00e3o esteve no Observat\u00f3rio da Can\u00e7\u00e3o de Protesto, em Gr\u00e2ndola, e fez uma atua\u00e7\u00e3o com m\u00fasicas apenas do Jos\u00e9 Afonso. Cantam Zeca, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, S\u00e9rgio Godinho\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Mas, resumindo, eu acho que o Zeca, perante esta realidade, ficaria triste.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Estamos perante uma realidade essencialmente hist\u00f3rica ou h\u00e1 relevo que vai continuar nos pr\u00f3ximos anos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Em Portugal temos um problema, relativamente \u00e0 Galiza. Na Galiza tem os centros sociais, caf\u00e9s e locais que fazem palestras a falar do Zeca. Em Portugal n\u00e3o existe isto. A AJA se calhar consegue entrar nalgumas coisas, mas nem tanto. \u00c9 incr\u00edvel. Apenas o 24 e o 25 de abril se ouvem as m\u00fasicas do Zeca. A partir do 26, volta a m\u00fasica pimba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>E como explicar o Zeca aos mais novos, quer do lado galego, quer do portugu\u00eas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">\u00c9 mesmo dif\u00edcil. Uma das coisas que a AJA tem mais interesse \u00e9 entrar nas escolas. No entanto, o sistema do ensino no pa\u00eds est\u00e1 pior do que na Galiza. Nas escolas s\u00f3 entras se haver um professor interessado. Eu j\u00e1 fiz 20 sess\u00f5es nas escolas a mi\u00fados de 13 ou 14 anos, a falar da censura. Normalmente h\u00e1 boa receptividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Relativamente ao pessoal de entre 20 e 30 anos, n\u00e3o sabem quem foi o Jos\u00e9 Afonso. Para saber isso tens que perguntar, ouvi-lo, ler algumas coisas. E isto n\u00e3o est\u00e1 a acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Como est\u00e3o a correr as apresenta\u00e7\u00f5es do livro, a norte e sul do Minho?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O livro \u00e9 editado em Sendim, Miranda do Douro, pelo Centro de M\u00fasica Tradicional Sons da Terra. A primeira apresenta\u00e7\u00e3o foi na associa\u00e7\u00e3o dos jornalistas do Porto. Depois tamb\u00e9m foi apresentado pelo n\u00facleo de Aveiro. Brevemente vai ser apresentado tamb\u00e9m na feira do livro do Porto. J\u00e1 a partir de outubro, a AJA-Galiza est\u00e1 a programar a apresenta\u00e7\u00e3o em Compostela, Cangas, Salvaterra e Vigo. Logo que esteja pago, o que sobrar vai ser distribu\u00eddo pelos n\u00facleos da AJA. N\u00e3o escrevi para obter lucros, mas sim pelo prazer da escrita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Quanto demorou em escrever o livro, e o que resultou o mais dif\u00edcil?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Foram 3 anos, e acho que o pior foram uma s\u00e9rie de desloca\u00e7\u00f5es \u00e0 Galiza. Houve pouca informa\u00e7\u00e3o das hemerotecas dos principais jornais galegos, o Faro de Vigo e o<em>&nbsp;La Voz de Galicia<\/em>. N\u00e3o obtivemos nada, apesar de realizarmos o registo e falarmos com eles. Da parte do N\u00f3s Di\u00e1rio, tudo foi mais f\u00e1cil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>E qual a resposta das pessoas que j\u00e1 o leram?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Para j\u00e1, os que j\u00e1 leram s\u00e3o amigos, e nunca v\u00e3o dizer mal do livro (ri) Tamb\u00e9m est\u00e1 o facto de a primeira apresenta\u00e7\u00e3o passar-se no m\u00eas de julho, e logo ser agosto, com as pessoas de f\u00e9rias\u2026, mas, sim, tenho recebido alguns correios que falam da rela\u00e7\u00e3o persistente da Galiza com o Jos\u00e9 Afonso, ainda hoje. Acho que \u00e9 um bom reposit\u00f3rio, bem documentado, abordando cronologicamente a passagem do Zeca pela Galiza, com testemunhos e tributos das 4 prov\u00edncias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Muito amor!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Sim, e isso \u00e9 o mais importante. Se o Zeca continuasse vivo, continuaria a ter essa rela\u00e7\u00e3o de amor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>E que acharia o Zeca hoje do DNS?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Ele gostava, com certeza. O que ele n\u00e3o se dava bem era com as entrevistas. Como dizemos em Portugal, era um aut\u00eantico \u201cnabo\u201d (ri) Ele sabia muito de m\u00fasica, mas \u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/denorteasul.eu\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Paulo-Esperanca-jose-Afonso_2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20057\"\/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com o autor do livro A Galiza de Jos\u00e9 Afonso 14 de Setembro [Transcri\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17645,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[238,395],"tags":[511],"post_badge":[],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/paulo-espeanca.jpg",693,480,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/paulo-espeanca-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/paulo-espeanca-300x208.jpg",300,208,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/paulo-espeanca.jpg",640,443,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/paulo-espeanca.jpg",640,443,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/paulo-espeanca.jpg",693,480,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/paulo-espeanca.jpg",693,480,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/paulo-espeanca.jpg",693,480,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/paulo-espeanca.jpg",693,480,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/paulo-espeanca.jpg",693,480,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/paulo-espeanca-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/paulo-espeanca-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/zeca-afonso\/\" rel=\"category tag\">ZECA AFONSO<\/a>","tag_info":"ZECA AFONSO","comment_count":"0","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17644"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17644"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17644\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17646,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17644\/revisions\/17646"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17645"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17644"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17644"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17644"},{"taxonomy":"post_badge","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/post_badge?post=17644"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}