{"id":1966,"date":"2020-09-17T17:26:25","date_gmt":"2020-09-17T17:26:25","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=1966"},"modified":"2022-07-29T11:14:38","modified_gmt":"2022-07-29T11:14:38","slug":"cancao-de-protesto-e-exilio-canta-amigo-canta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2020\/09\/17\/cancao-de-protesto-e-exilio-canta-amigo-canta\/","title":{"rendered":"CAN\u00c7\u00c3O DE PROTESTO E EX\u00cdLIO | Canta, Amigo  Canta"},"content":{"rendered":"\n<p>SF | 17-09-2020 | <strong>No dossi\u00ea Can\u00e7\u00e3o de protesto e ex\u00edlio<\/strong>, alguns artigos de opini\u00e3o ir\u00e3o enriquecer o desenvolvimento do tema em perspetivas muito diferenciadas, desde a abordagem musical \u00e0 narrativa de acontecimentos peculiares. Teremos ainda propostas de reflex\u00e3o e de debate. Neste primeiro artigo de opini\u00e3o Jo\u00e3o Carlos Callixto conduz-nos numa visita a Ant\u00f3nio Macedo a partir do <strong><em>Erguer a Voz e Cantar<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Canta, Amigo, Canta | <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/joaocarloscallixto\/\">Jo\u00e3o Carlos Callixto<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cErguer a Voz e Cantar\u201d, EP&nbsp;<em>Ant\u00f3nio Macedo,&nbsp;<\/em>Ant\u00f3nio Macedo<em>,&nbsp;<\/em>1970<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma das can\u00e7\u00f5es mais divulgadas dos \u00faltimos anos do Estado Novo, \u201cErguer a Voz e Cantar\u201d \u00e9 tamb\u00e9m muitas vezes conhecida pelos primeiros versos do refr\u00e3o, \u201cCanta, Amigo, Canta\u201d. O seu autor, Ant\u00f3nio Macedo (1946-1999), n\u00e3o deixou infelizmente um legado musical vasto, mas na realidade, bastaria esta can\u00e7\u00e3o para lhe dar o lugar merecido na Hist\u00f3ria da nossa M\u00fasica Popular.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo uma das mem\u00f3rias mais antigas que tenho, em termos musicais, ter\u00e1 sido porventura essa a raz\u00e3o para chamar ao livro que a \u00c2ncora Editora me publicou em 2014 precisamente \u201cCanta, Amigo, Canta\u201d, com o subt\u00edtulo \u201cNova Can\u00e7\u00e3o Portuguesa (1960-1974)\u201d. O refr\u00e3o do cantautor Ant\u00f3nio Macedo adquire aqui o verdadeiro significado de inclus\u00e3o, ao apelar \u00e0 reuni\u00e3o em volta dos mesmos ideais humanistas do maior n\u00famero poss\u00edvel de \u201camigos\u201d, algo que Jos\u00e9 Afonso fez no mesmo ano de 1970 com o seu \u201cTraz Outro Amigo Tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O Casamento da Menina Manuela<\/h4>\n\n\n\n<p>No caso de Macedo, n\u00e3o faltou no seu percurso o talento de um arranjador com solu\u00e7\u00f5es musicais bem distintas \u2013 falo de Jos\u00e9 Cardim Ribeiro, que depois seguiria carreira reconhecida na \u00e1rea da Arqueologia. N\u00e3o lhe faltou tamb\u00e9m a passagem por editoras de grande destaque, como foi o caso do trabalho de estreia \u2013 \u00fanico EP seu, editado em 1970 pelo selo Polydor e precisamente o disco onde se inclu\u00eda \u201cErguer a Voz e Cantar\u201d \u2013 e dos dois discos seguintes \u2013 ambos singles, publicados em 1972 e 1973 pela Valentim de Carvalho, com o sat\u00edrico \u201cO Casamento da Menina Manuela\u201d a alcan\u00e7ar ent\u00e3o mais popularidade. Mesmo depois do 25 de Abril, e ap\u00f3s passagens pelo estrangeiro, Macedo voltou a publicar discos e livros de poesia, nunca se afastando, portanto, completamente das lides art\u00edstico-culturais.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Faltou um gr\u00e3o de sorte<\/h4>\n\n\n\n<p>O que faltou ent\u00e3o para que o percurso do cantautor fosse mais conhecido e para que os discos que gravou n\u00e3o estejam ainda reunidos e disponibilizados ao grande p\u00fablico? Talvez a edi\u00e7\u00e3o de um \u00e1lbum, que esteve projectado para a segunda metade de 70s mas que nunca chegou a ver a luz do dia. Talvez tamb\u00e9m um gr\u00e3o de sorte, sempre t\u00e3o necess\u00e1rio, para que o seu nome pudesse ir mais al\u00e9m do da sua famosa can\u00e7\u00e3o, que esteve e est\u00e1 nas bocas de tantos portugueses sem que a grande maioria tenha qualquer ideia sobre quem a escreveu e cantou originalmente.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">V\u00e1rias vers\u00f5es<\/h4>\n\n\n\n<p>Nos quase 50 anos entretanto decorridos, \u201cErguer a Voz e Cantar\u201d conheceu v\u00e1rias vers\u00f5es, das quais destaco as gravadas pelo grupo ad-hoc Equipa, formado pouco depois do 25 de Abril (com membros como Jaime Nascimento, um dos pioneiros da guitarra el\u00e9ctrica em Portugal; a can\u00e7onetista Margarida Amaral ou um muito jovem Ram\u00f3n Galarza), num \u00e1lbum de 1975; pela Tuna dos Volunt\u00e1rios de S\u00e3o Jo\u00e3o da Madeira, num \u00e1lbum de 1983; pela cantora Dona Rosa, no \u00e1lbum \u201cAlma Livre\u201d, de 2007, ao lado do guitarrista Tiago Oliveira (ex-P\u00f3lo Norte); pelo duo Lavoisier, num disco de 2012, primeiro de um percurso que se viria a cruzar com o hist\u00f3rico t\u00e9cnico de som Jos\u00e9 Fortes; por outro hist\u00f3rico, desta vez um cantor, Carlos Alberto Moniz, no \u00e1lbum evocativo de Abril \u201cResistir de Novo\u201d; e pelo fadista Jos\u00e9 Gon\u00e7alez, em 2015, no \u00e1lbum \u201cAt\u00e9 Deus Gosta de Fado\u201d, ao lado do cantor pop FF e do grupo alentejano A Moda M\u00e3e. Seis casos de entre os muitos que levaram esta can\u00e7\u00e3o a v\u00e1rias geografias e que continuam a fazer dela uma can\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia \u2013 porque s\u00f3 a arte que continua viva e actuante \u00e9 capaz de resistir \u00e0s mudan\u00e7as de tempos e de vontades!<\/p>\n\n\n\n<p>Autor: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/joaocarloscallixto\/\">Jo\u00e3o Carlos Callixto<\/a>. Foto cedida pelo autor<\/p>\n\n\n\n<p><strong><u>Antena 3:<br><\/u><\/strong>A Vida num S\u00f3 Disco:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.rtp.pt\/play\/p5534\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.rtp.pt\/play\/p5534\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong><u>RDP Internacional:<\/u><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Passado ao Presente:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.rtp.pt\/programa\/radio\/p5814\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.rtp.pt\/programa\/radio\/p5814#<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong><u>RTP Mem\u00f3ria<\/u><\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Gramofone:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.rtp.pt\/programa\/radio\/p5814\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.rtp.pt\/rtpmemoria\/gramofone<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SF | 17-09-2020 | No dossi\u00ea Can\u00e7\u00e3o de protesto e ex\u00edlio, alguns artigos de opini\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1967,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[371],"tags":[61,58,62],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-Macedocapa.png",539,503,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-Macedocapa-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-Macedocapa-300x280.png",300,280,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-Macedocapa.png",539,503,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-Macedocapa.png",539,503,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-Macedocapa.png",539,503,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-Macedocapa.png",539,503,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-Macedocapa.png",539,503,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-Macedocapa.png",536,500,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-Macedocapa.png",539,503,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-Macedocapa.png",364,340,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonio-Macedocapa.png",268,250,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/cancao-de-protesto\/\" rel=\"category tag\">CAN\u00c7\u00c3O DE PROTESTO<\/a>","tag_info":"CAN\u00c7\u00c3O DE PROTESTO","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1966"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1966"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1966\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7675,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1966\/revisions\/7675"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1967"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1966"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1966"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1966"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}