{"id":1992,"date":"2020-09-20T19:07:12","date_gmt":"2020-09-20T19:07:12","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=1992"},"modified":"2022-07-03T23:30:45","modified_gmt":"2022-07-03T23:30:45","slug":"cancao-de-protesto-e-exilio-tino-um-outro-estilo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2020\/09\/20\/cancao-de-protesto-e-exilio-tino-um-outro-estilo\/","title":{"rendered":"CAN\u00c7\u00c3O DE PROTESTO E EX\u00cdLIO | Tino, um outro estilo"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>SF | 20-09-2020 | Dossi\u00ea Can\u00e7\u00e3o de protesto e ex\u00edlio | Hugo Castro e Ricardo Andrade comp\u00f5em a duas m\u00e3os uma s\u00edntese do percurso e das op\u00e7\u00f5es est\u00e9tico-musicais de Tino Flores associando a produ\u00e7\u00e3o musical a um comprometimento pol\u00edtico e partid\u00e1rio claramente assumido pelo cantautor.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>por Hugo Castro e Ricardo Andrade<\/p>\n\n\n\n<p>O in\u00edcio da Guerra Colonial em 1961 intensificou o fluxo migrat\u00f3rio de portugueses para Fran\u00e7a e para outros pa\u00edses europeus. Tal fen\u00f3meno deriva da recusa, por parte de v\u00e1rios jovens, em cumprir o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio, o qual implicava a possibilidade de mobiliza\u00e7\u00e3o para a guerra. <\/p>\n\n\n\n<p>Este fator motiva o ex\u00edlio de m\u00fasicos como Lu\u00eds C\u00edlia, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, S\u00e9rgio Godinho e Tino Flores, entre outros agentes culturais e art\u00edsticos, os quais exerceram uma parte substancial da sua atividade musical no \u00e2mbito da atividade de organiza\u00e7\u00f5es que visavam a consciencializa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das comunidades de emigrantes portugueses na Europa, e principalmente em Fran\u00e7a. <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Um report\u00f3rio marcado pela diversidade<\/h4>\n\n\n\n<p>Participando na din\u00e2mica contestat\u00e1ria que marcara a sociedade francesa na d\u00e9cada de 1960 e que teve nos acontecimentos do Maio de 68 o seu per\u00edodo de maior express\u00e3o, os cantores portugueses em Fran\u00e7a assumiriam a partir desse momento um papel ainda mais ativo de interven\u00e7\u00e3o cultural e pol\u00edtica. Estimulados tanto pelas can\u00e7\u00f5es de Jos\u00e9 Afonso, Adriano Correia de Oliveira, entre outros, como pelo ambiente pol\u00edtico e cultural que encontraram em Fran\u00e7a, a atividade destes m\u00fasicos manifestou-se na cria\u00e7\u00e3o de repert\u00f3rio assumidamente pol\u00edtico e com v\u00e1rias refer\u00eancias diretas de den\u00fancia e oposi\u00e7\u00e3o ao regime ditatorial portugu\u00eas e \u00e0 Guerra Colonial. Este repert\u00f3rio espelhava igualmente a diversidade de usos de v\u00e1rias express\u00f5es musicais populares\/tradicionais na sua configura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O percurso do Tino<\/h4>\n\n\n\n<p>A atra\u00e7\u00e3o pelo mao\u00edsmo, decorrente do conflito sino-sovi\u00e9tico, que teve em Fran\u00e7a uma express\u00e3o bastante evidente, foi percet\u00edvel no percurso de m\u00fasicos como Tino Flores, exilado em Fran\u00e7a desde 1967. <\/p>\n\n\n\n<p>Envolvido em coletivos marxistas-leninistas que fervilhavam entre a comunidade portuguesa, Tino Flores participa ativamente nas atividades  de organiza\u00e7\u00f5es com forte empenho na a\u00e7\u00e3o cultural e pol\u00edtica, tais como os n\u00facleos de <em>O Comunista<\/em> e a Liga Portuguesa do Ensino e da Cultura Popular. Flores participa ainda em grupos de Teatro Oper\u00e1rio que visavam encenar pe\u00e7as teatrais de expl\u00edcito significado social e pol\u00edtico dirigidas \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o portuguesa. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Instrumentos panflet\u00e1rios<\/h4>\n\n\n\n<p>Toda a produ\u00e7\u00e3o musical de Tino Flores no ex\u00edlio acompanha progressivamente a atividade pol\u00edtica e cultural destas organiza\u00e7\u00f5es, e \u00e9 neste contexto que vai criando can\u00e7\u00f5es que visavam ser <em>instrumentos panflet\u00e1rios<\/em> na luta contra o fascismo e a Guerra Colonial. Este aspeto \u00e9 evidenciado nos seus fonogramas gravados no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>tr\u00eas EPs de edi\u00e7\u00e3o de autor intitulados <em>Viva a revolu\u00e7\u00e3o<\/em> (1971), <em>Organizado o povo \u00e9 invenc\u00edvel<\/em> (1972) e <em>O povo em armas esmagar\u00e1 a burguesia<\/em> (1973), os dois \u00faltimos gravados com o grupo Os Camaradas. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para Tino Flores, a atividade musical seria uma extens\u00e3o das formas de luta pol\u00edtica que se iam desenvolvendo nas organiza\u00e7\u00f5es a que pertencia, sendo as can\u00e7\u00f5es uma das faces vis\u00edveis dessa luta. <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Um estilo pr\u00f3prio<\/h4>\n\n\n\n<p>As raz\u00f5es que motivam esta postura prendem-se com o seu descomprometimento em rela\u00e7\u00e3o a expectativas de carreira art\u00edstica e comercializa\u00e7\u00e3o discogr\u00e1fica, e, simultaneamente, por considerar que estando radicado em Fran\u00e7a, as hip\u00f3teses de ser alvo da censura ou da persegui\u00e7\u00e3o policial estariam reduzidas. Esta perspetiva levou a que Flores se tivesse distanciado das caracter\u00edsticas estil\u00edsticas da <em>balada <\/em>popularizada por Jos\u00e9 Afonso em prol de \u201csolu\u00e7\u00f5es mais radicais\u201d, segundo o pr\u00f3prio. De acordo com o m\u00fasico, Flores procurou desenvolver <em>um estilo pr\u00f3prio<\/em> baseado na reconfigura\u00e7\u00e3o estil\u00edstica de g\u00e9neros musicais populares\/tradicionais, em particular a chula e o malh\u00e3o, enquanto express\u00f5es musicais por ele qualificadas como mais \u201calegres\u201d e mais sintonizadas com o que entende ser a sensibilidade do <em>povo<\/em>. Para Flores, esta seria a forma mais eficaz para a comunica\u00e7\u00e3o da mensagem antifascista e de den\u00fancia da ditadura e do colonialismo, apelando igualmente \u00e0 insurrei\u00e7\u00e3o armada e evocando a necessidade de constru\u00e7\u00e3o do socialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Hugo Castro e Ricardo Andrade<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a9 foto CR-Caixam\u00e9dia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SF | 20-09-2020 | Dossi\u00ea Can\u00e7\u00e3o de protesto e ex\u00edlio | Hugo Castro e Ricardo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1993,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[371],"tags":[58],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/tino-em-VF.png",1424,946,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/tino-em-VF-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/tino-em-VF-300x199.png",300,199,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/tino-em-VF-768x510.png",640,425,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/tino-em-VF-1024x680.png",640,425,true],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/tino-em-VF.png",1424,946,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/tino-em-VF.png",1424,946,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/tino-em-VF.png",1076,715,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/tino-em-VF.png",753,500,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/tino-em-VF.png",1024,680,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/tino-em-VF.png",512,340,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/tino-em-VF.png",376,250,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/cancao-de-protesto\/\" rel=\"category tag\">CAN\u00c7\u00c3O DE PROTESTO<\/a>","tag_info":"CAN\u00c7\u00c3O DE PROTESTO","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1992"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1992"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1992\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1994,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1992\/revisions\/1994"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1993"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1992"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1992"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1992"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}