{"id":2041,"date":"2020-09-25T16:32:58","date_gmt":"2020-09-25T16:32:58","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=2041"},"modified":"2022-07-03T23:33:22","modified_gmt":"2022-07-03T23:33:22","slug":"cancao-de-protesto-e-exilio-o-canto-de-exilio-portugues-tem-um-pioneiro-e-o-seu-nome-e-luis-cilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2020\/09\/25\/cancao-de-protesto-e-exilio-o-canto-de-exilio-portugues-tem-um-pioneiro-e-o-seu-nome-e-luis-cilia\/","title":{"rendered":"CAN\u00c7\u00c3O DE PROTESTO E EX\u00cdLIO |O canto de ex\u00edlio portugu\u00eas tem um pioneiro e o seu nome \u00e9 Lu\u00eds C\u00edlia"},"content":{"rendered":"\n<p>SF | 25 5-09-2020 | DOSSI\u00ca Can\u00e7\u00e3o de protesto e ex\u00edlio | Artigo de Nuno Pacheco sobre o Encontro da Can\u00e7\u00e3o de Protesto de Gr\u00e2ndola e principalmente sobre Lu\u00eds C\u00edlia que \u00e9 o tema central de uma abordagem que recupera momentos centrais da hist\u00f3ria da m\u00fasica e do canto de protesto antes do 25 de abril.<\/p>\n\n\n\n<p>Por Nuno Pacheco<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Foi o cantor e compositor portugu\u00eas que mais discos gravou e lan\u00e7ou no ex\u00edlio. O que faltar\u00e1, para ter discos seus nas lojas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/1930041\">cr\u00f3nica da semana passada<\/a>&nbsp;suscitou a um leitor um justo reparo: como \u00e9 poss\u00edvel falar sobre ex\u00edlio e can\u00e7\u00f5es de protesto sem mencionar Lu\u00eds C\u00edlia? Na verdade, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Tanto assim \u00e9 que Lu\u00eds C\u00edlia tamb\u00e9m vai estar em Gr\u00e2ndola, no&nbsp;<a href=\"https:\/\/ocprotesto.org\/\">Encontro da Can\u00e7\u00e3o de Protesto<\/a>, como um dos participantes anunciados para a sess\u00e3o testemunhal&nbsp;<em>Cantos no Ex\u00edlio<\/em>&nbsp;(dia 19, \u00e0s 12h), na qual participar\u00e3o ainda Agn\u00e8s Pellerin, Francisco Fanhais,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2020\/08\/31\/culturaipsilon\/noticia\/dia-novo-normal-sergio-godinho-palco-1929648\">S\u00e9rgio Godinho<\/a>&nbsp;e Tino Flores. N\u00e3o foi uma omiss\u00e3o volunt\u00e1ria, porque contava voltar ao tema, e fa\u00e7o-o falando de Lu\u00eds C\u00edlia. At\u00e9 porque paira sobre ele um an\u00e1tema de exclus\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico que deve ser vivamente contrariado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"617\" height=\"408\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/nunofotos1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2043\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/nunofotos1.png 617w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/nunofotos1-300x198.png 300w\" sizes=\"(max-width: 617px) 100vw, 617px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Nascido no Huambo, em Angola, a 1 de Fevereiro de 1943, foi o poeta Daniel Filipe, que conheceu em 1962, quem o levou a musicar poetas portugueses, dando-lhe a ouvir discos de dois grandes int\u00e9rpretes franceses,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=v2v4nvL9ZZQ\">L\u00e9o Ferr\u00e9<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=26Nuj6dhte8\">Georges Brassens<\/a>. E \u00e9 com essa bagagem que C\u00edlia chega a Paris no dia 1 de Abril de 1964, iniciando um ex\u00edlio que duraria uma d\u00e9cada. N\u00e3o foi o primeiro cantor portugu\u00eas a ali chegar,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2019\/11\/19\/culturaipsilon\/noticia\/jose-mario-branco-gigante-lei-morte-libertando-1894349\">Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco<\/a>&nbsp;j\u00e1 l\u00e1 estava desde Junho de 1963, mas foi o primeiro a lan\u00e7ar-se em grava\u00e7\u00f5es. E foi aquele que mais discos gravou e lan\u00e7ou no ex\u00edlio, onde tamb\u00e9m gravaram, mas uns anos mais tarde, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, S\u00e9rgio Godinho ou Tino Flores.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido a ter conhecido a cantora&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=aRVxwMTY4TM\">Collete Magny&nbsp;<\/a>(1926-1997), de quem ficaria amigo para o resto da vida, gravou&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4-U9WQSmkyM\">logo em 1964<\/a>&nbsp;um primeiro LP, para a etiqueta Chant du Monde, intitulado&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jechL2_gOfg\"><em>Portugal-Angola &#8211; Chants de Lutte<\/em><\/a>, reeditado dez anos depois com novo nome,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=bkG9dOISWmY\"><em>Meu Pa\u00eds<\/em><\/a>, e com uma can\u00e7\u00e3o modificada,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=6BLGdCqX7aQ\"><em>Duas melodias<\/em><\/a>, devido \u00e0s altera\u00e7\u00f5es entretanto operadas na ditadura em Portugal (a primeira falava de Salazar, a segunda j\u00e1 mencionava Marcello Caetano). No ano seguinte, 1965, sai um EP,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_9a4Ieo-nsU&amp;list=PLTcxU13sI5kf3Eb3zuouWn1OwXiotnoT6\"><em>Portugal Resiste<\/em><\/a>, editado pelo Cercle du Disque Socialiste, onde surgiam, musicados por ele, tr\u00eas poemas de Manuel Alegre (<em>Portugal resiste<\/em>,&nbsp;<em>Minha pena minha espada<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>Pa\u00eds de Abril<\/em>) e um de Reinaldo Ferreira (<em>Menina dos olhos tristes<\/em>, que Jos\u00e9 Afonso viria tamb\u00e9m a musicar e gravar mais tarde, em 1969). Na contracapa, em franc\u00eas, um pequeno texto (n\u00e3o assinado) come\u00e7ava com estas palavras: \u201cPode-se humilhar um povo, conden\u00e1-lo \u00e0 mis\u00e9ria, met\u00ea-lo em pris\u00f5es. Mas n\u00e3o se pode reduzi-lo ao sil\u00eancio.\u201d O disco era prova disso.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano que antecedeu o do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2018\/06\/03\/mundo\/reportagem\/do-maio-de-68-do-avo-artur-as-lutas-da-neta-jaspal-1832809\">Maio de 68<\/a>&nbsp;(movimento em que Lu\u00eds C\u00edlia se embrenhou, como outros cantores, actuando em diversos lugares), mais dois discos: um&nbsp;<em>single<\/em>&nbsp;com a banda sonora que comp\u00f4s e interpretou para o filme&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7L4d5hMuhaI\"><em>O Salto<\/em><\/a>, de Christian de Chalonge, e o primeiro LP de uma trilogia que gravou para a Mosh\u00e9-Na\u00efm,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=OLBSeTJrto0\"><em>La Po\u00e9sie Portugaise de Nos Jours e de Toujours<\/em><\/a>. Sairiam ainda mais dois discos: o segundo em 1969, com ilustra\u00e7\u00f5es da pintora Vieira da Silva, j\u00e1 ent\u00e3o radicada em Fran\u00e7a, e o terceiro em 1971 (24 das 40 can\u00e7\u00f5es gravadas nestes tr\u00eas discos foram coligidas em 1996, tamb\u00e9m pela Mosh\u00e9-Na\u00efm, num \u00fanico CD ausente do mercado portugu\u00eas). Por fim, ainda em Paris, Lu\u00eds C\u00edlia fecha o ciclo na casa onde come\u00e7ara, a Chant du Monde, com o LP&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=f2z8K33-f5A&amp;t=29s\"><em>Contra a Ideia da Viol\u00eancia, a Viol\u00eancia da Ideia<\/em><\/a>, lan\u00e7ado em 1974, \u00e0 beira do fim da ditadura.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois veio o 25 de Abril, que o trouxe de avi\u00e3o (o mesmo onde viajaram Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco e \u00c1lvaro Cunhal, entre outros exilados), e come\u00e7aram outras m\u00fasicas e outras \u201cguerras\u201d, em que ele, pelo seu esp\u00edrito rebelde e iconoclasta, foi fazendo um caminho muito pr\u00f3prio. De Fran\u00e7a, e do seu amor \u00e0&nbsp;<em>chanson<\/em>, trouxe liga\u00e7\u00f5es duradoras (Brassens, Magny, Ferr\u00e9, envolvendo-se na edi\u00e7\u00e3o do livro&nbsp;<em>L\u00e9o Ferr\u00e9<\/em>, pela Ulmeiro, em 1984) e por c\u00e1 foi-se desmultiplicando por projectos, discos em que voltou a trabalhar palavras de poetas (e come\u00e7ou logo em 1974 com&nbsp;<em>O Guerrilheiro<\/em>, com m\u00fasica e poesia portuguesa dos s\u00e9culos XIII a XIX) como Eug\u00e9nio de Andrade, Jorge de Sena e David Mour\u00e3o-Ferreira, a par de m\u00fasica para bailado, teatro e cinema. Gravou cerca de 20 discos e est\u00e1, felizmente, vivo. A p\u00e1gina&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.luiscilia.com\/\"><em>Lu\u00eds C\u00edlia \u2013 Um Percurso<\/em><\/a>&nbsp;regista a sua hist\u00f3ria. E tem muitas entrevistas,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.luiscilia.com\/index_ficheiros\/1993publico.pdf\">como a que deu ao P\u00daBLICO em 1993<\/a>. O que faltar\u00e1, para ter discos seus nas lojas?<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <em>Transcri\u00e7\u00e3o do artigo publicado no P\u00fablico com a autoriza\u00e7\u00e3o do autor<\/em> | CR<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">NUNO PACHECO<\/h5>\n\n\n\n<p>Redactor Principal do P\u00fablico que como ele pr\u00f3prio afirma &#8220;Nasci no ano (e no m\u00eas) da morte de Carmen Miranda, Agosto de 1955, mas n\u00e3o acho que isso conte para esta hist\u00f3ria&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SF | 25 5-09-2020 | DOSSI\u00ca Can\u00e7\u00e3o de protesto e ex\u00edlio | Artigo de Nuno&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2045,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[371],"tags":[58],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/nuno2.png",810,451,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/nuno2-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/nuno2-300x167.png",300,167,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/nuno2-768x428.png",640,357,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/nuno2.png",640,356,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/nuno2.png",810,451,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/nuno2.png",810,451,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/nuno2.png",810,451,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/nuno2.png",800,445,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/nuno2.png",810,451,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/nuno2.png",540,301,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/nuno2.png",400,223,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/cancao-de-protesto\/\" rel=\"category tag\">CAN\u00c7\u00c3O DE PROTESTO<\/a>","tag_info":"CAN\u00c7\u00c3O DE PROTESTO","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2041"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2041"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2041\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2046,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2041\/revisions\/2046"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2045"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2041"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2041"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2041"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}